A New Hope
8 The war is greater than it seems.
Todos exalavam preocupação. A expedição que realizariam pela manhã tinha um objetivo diferente de todas as outras. Iriam para Shiganshina atrás de segredos poderosos que se encontravam escondidos no porão da família Jaeger e com sorte, selariam o rombo da Muralha Maria.
Lara dispensou seus cadetes para que pudessem ter um descanso merecido antes da missão. Mas por estar com a mente cheia de perguntas preferiu ir para o telhado do quartel. Ela sentia que precisava espairecer, respirar ar puro e o silêncio da noite lhe parecia um excelente companheiro. A morena estava distraída, olhava para a lua no topo do céu negro, e começou a rezar pela vida de seus companheiros de equipe e por todos da Tropa. Então sentiu mais uma vez um olhar direcionado a ela e ao virar levemente o rosto para o lado viu Erwin que a contemplava com um sorriso amigável no rosto e duas xícaras de café em mãos.
— Espero não estar interrompendo sua prece.
— Não, eu... – Ela suspirou e sorriu de volta para o loiro. – Você não interrompeu nada.
— Parece preocupada. – O homem se aproximou, encostando o tronco no parapeito. Deixando a pequena xícara de café ao lado da mulher. – Não é só a expedição que te preocupa, certo?
Ela sorriu, inclinando levemente sua cabeça para frente e direcionando seu olhar para baixo. – Não é nada tão sério assim. Eu prometo. – A morena tentava evitar o contato visual, algumas pequenas lágrimas escorriam por seu rosto. – Só estou sem sono.
— Você é uma péssima mentirosa. – Erwin se aproximou um pouco mais. – Está preocupada que outros como aquele homem venham atrás de você.
Lara apenas assentiu com a cabeça, suspirando antes de tomar a xícara em mãos e sair do parapeito. – Você está em segurança aqui na Tropa de Exploração. Depois desse infeliz ocorrido reforçamos a segurança. Ninguém entra ou sai despercebido daqui. – O comandante semicerrou os olhos com seriedade, olhando a mulher cabisbaixa ao seu lado. – Bom, eu preciso ir. Se acontecer qualquer coisa eu insisto que me procure.
Ele saiu e Lara continuou a olhar para o chão. Seus pensamentos estavam centrados em Levi e o modo como parecia indiferente no refeitório e mesmo tentando ocupar sua mente com outra coisa não conseguia. Os toques e beijos que recebeu do capitão vinham como um raio em sua mente, arrepiando o corpo dela ao lembrar da noite.
— Você precisa parar de adivinhar os lugares em que estarei. – A voz rouca de Levi a despertou de seus devaneios. Ele a encarava, percorrendo seus olhos desde os pés da mulher até o rosto.
— É você quem precisa parar de me seguir.
Houve um silêncio. Lara imaginou que o capitão a responderia, mas ele apenas se aproximou.
— Tome cuidado amanhã. Eu não estarei por perto como da outra vez.
— Agora se preocupa comigo? – Retrucou e ao tentar se afastar Levi a segurou, mantendo-a por perto. – Em uma noite você me "ataca" no riacho e horas depois me trata como se nada daquilo tivesse acontecido.
— Pare de agir feito criança. Vai acabar chamando atenção indesejada para cá. – Reclamou, afrouxando a mão que a segurava. – Embora a senhorita tenha sido promovida a capitã, ainda sou seu superior. Precisamos manter a hierarquia na frente dos outros. – Ela recolheu o braço, o segurando com a outra mão. – Eu falo sério. Tenha cuidado amanhã. Estará cercada de idiotas.
— Eu ficarei bem e eles não são idiotas.
A morena logo se afastou, voltando imediatamente para seu quarto, deixando Levi sozinho no telhado. O capitão, assim como ela, estava cheio de indagações. A anos não sentia algo tão forte e tão poderoso por alguém. As últimas pessoas no qual Levi havia se apegado acabaram mortas por um horrendo titã e ele temia pela vida da garota.
Ele não havia notado o quão apegado estava. O tempo em que ela foi obrigada a permanecer na ala médica do quartel favoreceu isso. Levi sempre estava por lá para garantir o que fosse necessário para a recuperação de Lara. Claro que ambos acabavam soltando farpas um no outro, mas quando não discutiam por conta do atrito de temperamentos, eles interagiam, se conheciam melhor. Levi jamais admitiria isso para si, mas sentia-se atraído por ela, mas do que pode ser considerado normal. Havia uma ligação clara entre os dois. Sua vontade era beijá-la outra vez. Ansiava pelo gosto suave dos lábios dela. Com isso em mente, o capitão não perdeu mais tempo antes de dirigir-se até os aposentos da mulher.
Ao chegar à porta, o rapaz pensou antes de bater na madeira velha. Seus sentimentos estavam confusos, como se um furacão o tivesse alcançado e virado sua vida de ponta cabeça. Ele não queria magoá-la, mas não podia evitá-la. Levi respirou fundo e antes de estender a mão para tocar a porta, a maçaneta começou a virar.
— É você... – A morena respirou aliviada. Devido à luz produzida pelas tochas nas paredes ela pode ver a sombra sob sua porta.
— Esperava por alguém? – Disse sério, tentando evitar ao máximo seu mau humor. Ao ver que a resposta da mulher fora negativa soltou um pequeno suspiro abafado. — Vai me deixar esperando ou me deixará entrar?
— Não acho que seria uma boa ideia, capitão. – Lara deu ênfase em sua última palavra, demonstrando ao rapaz que de fato estava chateada com algo. Quando tentou forçar a porta para fecha-la, sentiu que a mão dele a impedia. Levi aproveitou uma brecha para entrar no cômodo, afastando a garota da porta e a trancando em seguida. Ele parecia nervoso, inquieto, como se não soubesse o que fazer. A mulher o fitava curiosa, podia não o conhecer tão bem quanto todos os outros mas sabia que teoricamente nada o afligia. – Olha, eu posso tentar fingir que esqueci o que aconteceu na noite passada, mas você precisa cooper...
O rapaz a interrompeu ao avançar para beija-la com urgência. – Não quero que esqueça nada daquilo. – Levi sussurrou por entre o beijo, voltando imediatamente para os lábios da garota enquanto dava pequenos passos até encosta-la em uma das paredes do quarto. – Quero que mantenha nossa noite viva em sua memória. – Sussurrou mais uma vez antes de deita-la gentilmente na cama ao lado.
Levi e Lara se amaram por quatro vezes naquela noite e praticamente desmaiaram de exaustão um nos braços do outro.
De manhã bem cedo, Levi acordou com a boca seca de tanta sede e precisou desenroscar a garota de seus braços para poder levantar-se da cama e buscar pelo jarro de água que tinha sobre a mesinha de cabeceira. Após saciar sua sede vestiu-se rápido para poder então sair do quarto sem levantar suspeitas. Assim que terminou de se aprontar, o rapaz se sentou sobre a cama e repousou a mão sobre o ombro da mulher que dormia tranquilamente. Ela suspirava de forma mansa. Aparentando estar em um sono profundo.
— Lara. Acorde. – Sussurrou no ouvido dela, tirando alguns fios do rosto da morena. Beckett apenas se mexeu, tentando puxa-lo de volta para a cama. – Pare com isso. Preciso ir e você sabe disso.
Ela permaneceu quieta sobre a cama, virando seu corpo para que conseguisse se levantar em seguida. Lara não teve tempo de dizer nada, ainda parecia adormecida já que a noite havia sido "puxada". Quando o capitão saiu, parecia ter lhe dito algo, mas a morena não fora capaz de entender uma palavra sequer. Ela precisou de alguns minutos para finalmente conseguir despertar e realizar sua higiene para enfim vestir o uniforme e equipa-se com o dispositivo de manobra. Ao descer, a mulher encontrou a mesma agitação e atmosfera estranha e pesada sobre cada homem e mulher daquele regimento. Dessa vez o número de novatos era consideravelmente grande, o que gerava ainda mais pesar sobre os veteranos. Um mês de treinamento não seria o suficiente para salva-los lá fora.
Os membros de seu esquadrão estavam em um canto próximos a porta. Gary era o único ali que conseguia manter-se sobre controle. Dianny e suas irmãs, apesar da postura firme, possuíam traços de temor em seus rostos. Elas eram novas, as mais novas do esquadrão. Chang tentava acalmar-se. – Relaxem. – A capitã se pronunciou assim que se aproximou. – Nossa posição na formação é uma das mais tranquilas. A retaguarda geralmente é a mais privilegiada por conta das informações que recebe dos grupos a frente. – Sorriu para eles. – Tenho um bom pressentimento. Mas se algo der errado e for necessário lutar contra um titã... Lembrem-se do que aprenderam na academia e mantenham a calma acima de tudo. Se precisarem de ajuda eu estarei lá para socorre-los se preciso for.
Algumas horas depois todos já estavam montados em seus cavalos esperando apenas a abertura dos portões do distrito. Alguns metros à frente de Lara, o Capitão Levi mantinha-se focado, direcionando sua mente para a missão que tinham a cumprir, mas parte de seu coração pensava na segurança daquela com quem havia passado a noite. A possibilidade de leva-la de volta sem vida para as muralhas era grande, mas o rapaz buscava ter fé nas habilidades da mulher.
(...)
Cada minuto fora do território humano era como uma eternidade. O perigo iminente, à espreita, esperando por um descuido mínimo de qualquer soldado era como uma tortura. Para sobreviver no território dos titãs era preciso ter calma e controle. Estar em áreas abertas elevava ainda mais os riscos.
Conforme a expedição avançava, por conta do surgimento de um titã, Lara e seu grupo perderam de vista os batedores a frente e com isso, eles não tinham conhecimento de que um massacre ocorria a alguns quilômetros a sua frente. Embora os sinalizadores pudessem oferecer uma pequena visão da situação dos outros membros da tropa, a mulher não tinha a mais remota ou simples noção de que um titã como o de Eren, naquele mesmo instante, achava-se esmagando todos os que se colocavam em seu caminho.
Somente quando chegaram a umas pequenas construções que puderam notar que algo estava errado. Alguns dos batedores achavam-se desmembrados ao chão. Não haviam sido devorados. Não faltava nenhuma das partes dos corpos, embora estivessem espalhados. Uma violenta vertigem atingiu a capitã ao olhar aquelas pessoas mortas.
— Algo deu muito errado. Não é? Não preciso ser um gênio para saber. – Gary puxou as rédeas de seu corcel. Parando atrás de Emmy que não parecia ter reação aparente. — Vocês viram os sinalizadores. As baixas foram enormes no lado direito e parece que chegou até o meio.
— Se ficarmos parados morreremos. – Chang mostrava-se impaciente. – O Comandante Smith deve ordenar a retirada em breve.
Lara não teve tempo de responder.
— Finalmente te achei. – A voz aguda chamou a atenção do grupo. Uma mulher, trajada de vestes rubras e com um sorriso psicótico mostrou-se a eles. Dois homens estavam ao lado dela. Pareciam soldados, assim como o esquadrão de Lara. Sem deixar que tivessem tempo de reagir, os homens sacaram um par de armas de seus coldres e apontaram somente para a capitã. — Para ser franca, eu pensei que te encontraria fazendo algo de útil e não brincando de caçar titãs.
— Que porra está acontecendo agora? – Gary esbravejou. — Quem é essa doente?
— Capitã, o que está acontecendo? – Jenny analisava a mulher a frente com cuidado.
Lara permaneceu em silencio e instantaneamente lembrou-se de Hans. O homem que tentou assassina-la provavelmente fora enviado por Adelaide, afinal, eram cúmplices em tudo. Há meses não encarava tal mulher. As últimas vezes em que se enfrentaram, Beckett queimou parte do rosto de sua oponente. Dando a mulher uma aparente cicatriz que por pouco não lhe custou a visão do olho esquerdo.
— Eu resolvo isso. – A capitã olhou para seus companheiros e, com cautela, desceu de sua égua.
Dianny e Chang, aproveitando que os guardas de Adelaide focavam apenas em Lara, usaram a oportunidade que encontraram para atirar as pequenas facas de combate que guardavam em seus bolsos. Impressionada com a atitude dos dois, a morena não tardou em avançar contra Adelaide, impedindo que a mulher alcançasse as armas dos finados guardas. Contudo, o embate entre as duas acabou resultando na morte de dois dos cavalos, jogando Emmy e Gary ao chão. Os outros três membros do esquadrão precisaram controlar seus equinos para não serem derrubados pelos animais.
Antes que Gary pudesse correr para dar assistência a Lara, Adelaide conseguiu empunhar uma das armas e começou a atirar nos membros do esquadrão. Para tentar desviar dos disparos efetuados, todos correram para dentro das pequenas casas ao redor, escondendo-se por entre os velhos e empoeirados moveis.
— Para de se esconder! – Adelaide esbravejava do lado de fora enquanto alvejava a casa onde o grupo se refugiava. – Você deveria ser mais corajosa, Anya!
— Anya? – Emmy foi a primeira a questionar. – Quem é Anya?
Outro barulho acabou chamando a atenção do esquadrão, mas o silencio tornou-se ensurdecedor. Ninguém parecia de fato disposto a deixar sua atual posição para averiguar o que poderia ter ocorrido do lado de fora. Contudo minutos depois, Ravi Nics, adentrou o imóvel em busca da mulher a quem tem ajudado desde então. Vendo que era um dos capitães da Guarda Estacionária, os membros do esquadrão enfim deixaram seus esconderijos para sair da casa.
Do lado de fora, uma das recrutas de Ravi, uma jovem menina chamada Yris aguardava a todos em uma carroça. Yris fora capaz de desarmar Adelaide e nocauteá-la, deixando a loira desmaiada sobre a grama.
— Você precisa voltar! Detesto ter que dar as péssimas notícias, mas como você já pode notar os marleyanos estão mandando tudo o que eles possuem para te matar. – Yris, apesar de seu espirito brincalhão, demonstrava severidade.
— Marleyanos? O que é isso? – As irmãs quase falaram em coro.
— Titãs estão se aproximando. – Alertou Ravi.
— Eu prometo contar a vocês. Prometo contar o que está acontecendo, quem são os marleyanos e o que está para acontecer. Só por favor, subam na carroça...
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