A New Hope

9 Secrets are revealed.


— Estes são os últimos que conseguimos recuperar, senhor. – O soldado relatou, deixando o corpo de um de seus companheiros junto aos outros.

Erwin lamentava profundamente pelo tamanho fracasso na qual a expedição havia se tornado. Muitos foram mortos. Batedores e esquadrões que estavam situados no flanco direito não existiam mais. E para piorar, alguns corpos não puderam ser resgatados devido a periculosidade. Por conta da aparição inesperada da Titã Fêmea, o esquadrão de Levi sofrerá uma perda lastimável. Gunther, Petra, Erd e Oluo foram destroçados pela titã, forçando Eren a lutar com ela e vingar a morte de seus companheiros de farda. Contudo, como tudo naquela missão, ele falhou e quase foi levado por ela. Se não fosse a competência de Mikasa e Levi, o garoto teria desaparecido com a titã. Mas a emboscada que fora feita pelo capitão acabou lhe custando um ferimento na perna que o incapacitaria por pelo menos alguns dias.

Levi, como de costume, não dizia nada. Ele permaneceu parado em frente aos corpos dos membros de seu grupo. Segurava em suas mãos os emblemas da Tropa que havia arrancado das jaquetas de seus parceiros. Era sempre muito difícil ter que lidar com a morte, principalmente quando pessoas próximas eram as vítimas. Era preciso um exímio controle emocional para não desmoronar perante tantas baixas.

— Comandante! Alguns batedores disseram ter achado dois corpos a alguns metros daqui e de acordo com a Lynne eles estão na última posição em que o esquadrão da Capitã Lara foi avistado. – Sasha estava ofegante e assustada. A menina havia corrido bastante até achar Erwin. Ela precisou de alguns segundos para se recompor e encher os pulmões de ar para continuar. – Eles não são da Tropa de Exploração e nem das outras divisões militares.

Naquele instante Levi voltou a si e lembrou-se da mulher que tanto atormenta sua mente e coração. Ouvir que corpos foram encontrados no lugar em que ela havia passado o fez estremecer de dentro para fora. Ele cerrou os punhos com força à medida que fechava os olhos com a mesma intensidade e, talvez pela primeira vez, rezou para alguma entidade benevolente, pedindo para que ela pudesse ser encontrada com vida e intacta. Vendo que tudo se achava pronto, Erwin deu a ordem para que todos partissem de volta a Muralha Rose. Teriam que encarar a humilhação perante todo o povo. Mas ainda precisariam encontrar o Esquadrão Lara. Tanto o capitão quanto o comandante buscavam acreditar que a mesma havia conseguido fugir e que encontrariam o grupo em segurança.

Ao passarem pelo portão foram recebidos pela população com um misto de desprezo e pena. O apoio popular agora era muito menor com a falha expedição. Houve até mesmo protestos por parte do povo a fim de conseguirem respostas do Comandante Erwin. Com tudo o que aconteceu, veteranos e novatos, não existia um que não estivesse abatido. Até mesmo Levi demonstrava-se abalado, ainda mais com o monólogo que teve com o pai de Petra. A ruiva fora morta e seu corpo precisou ser deixado para trás, e para agravar ainda mais, o rapaz tivera uma pequena discussão com a moça. Antes da chegada de Lara, Petra e Levi sustentavam "encontros noturnos". No início, o capitão de fato sentia algo pela garota, por mais difícil que possa ser imaginado, Levi por algum tempo nutriu sentimentos pela ruiva. Mas pelo medo de perdê-la um dia e sentir a mesma angustia e dor que experimentou ao encontrar seus dois melhores amigos aos pedaços, optou pela decisão mais fria, contudo os encontros não cessaram e esse agora era um de seus maiores arrependimentos.

Dias antes de Lara chegar a tropa, o casal passou por um crítico desentendimento. Ele tentou de todas as maneiras se afastar da mulher e ela fez o que pode para impedir a decisão do parceiro. Mas Levi, em um de seus momentos de frieza, cuspiu a verdade sobre ela e alegou que só nutria tal relação por puro prazer. Levou tempo para que ela se curasse daquilo e para ele deixar de se culpar, e foi então que Lara chegou em sua vida. A morena possuía uma aura tão viva quanto a que Petra tinha quando a conheceu. A coragem e força da garota atraiam os olhos do homem mais forte — e severo — do mundo. Se fosse possível, diria que podia ver chamas sobre o olhar determinado e dócil dela.

Mesmo não sendo um homem atirado ou fácil de ser conquistado, Levi precisou se controlar quando pode contemplar a mulher em paz enquanto se banhava, daquele dia em diante, o rapaz passou a observar e analisar tudo quanto ela fazia, desde o modo como saudava os outros membros da tropa pela manhã até a forma como andava e o que gostava de comer. E quando a mesma fora atacada e quase morta por um desconhecido enfurecido, algo aparentava ter sido ativado no rapaz. Uma versão totalmente diferente e mais humana havia sido despertada em Levi, algo que nem mesmo ele conseguia entender até o momento. Seu desejo era protegê-la, garantir sua segurança, tornar o mundo um lugar mais seguro para que ambos pudessem ter uma vida juntos.

Entretanto, algo parecia conspirar contra todos naquele fatídico dia. Não bastava Petra ser pisoteada pela Titã Fêmea, Lara simplesmente desapareceu sem deixar rastros a não ser dois corpos para trás. Dois corpos totalmente desconhecidos por todos e com uniformes nunca antes vistos por alguém. Quando foram avisados do ocorrido, Erwin achou por bem contar a Levi, Hanji e Mike o que a capitã havia lhe contado na noite em que fora atacada. Aparentemente, Lara fora obrigada a trocar de regimento por estar sendo perseguida por uma máfia da cidade subterrânea. A história que a mulher contou ao comandante era a de que ela e outros membros da Polícia Militar conseguiram desestruturar uma poderosa máfia e que todos os envolvidos foram mortos pelos mesmos, restando apenas ela.

Depois que conseguiram passar pela multidão no portão principal e ao se afastarem da pequena cidade, a tenente Hanji pode avistar Ravi que vinha com pressa em seu cavalo em direção a cidade. O semblante do capitão era sombrio, provavelmente pelo sumiço de Lara. Ele não parecia querer nem ao menos parar para conversar com os membros da tropa visto que passou apressadamente, parando somente quando Levi se lançou na direção do moreno.

— Capitão Nics! Sua irmã não está aqui. — Erwin rompeu o mórbido silêncio. — Lara desapareceu durante a expedição e pelo o que os batedores puderam averiguar alguém atacou o esquadrão dela.

— Isso é sério? Tem certeza comandante?

— Infelizmente.

Ravi era um péssimo mentiroso, seu semblante não parecia nada surpreso ao receber a notícia mesmo que ele tenha se esforçado para manter a aparência. Ele demonstrava pressa, tentando por várias vezes continuar sem caminho, gerando em Erwin, Mike, Levi e Hanji desconfiança.

— Eu preciso avisar minha mãe. Isso despedaçará o coração dela, mas obrigado por me avisar. Se eu tiver alguma notícia sobre o paradeiro dela com toda certeza avisarei a vocês. — Aproveitando a brecha dada por Levi, Nics não perdeu tempo e correu para a cidade sem ao menos olhar para trás.

— Ah Ravi, péssimo mentiroso como sempre. Ele sabe de algo. — Mike parecia torcer o nariz como se estivesse sentindo algum aroma. — Tenho certeza de que ela está bem, a garota sabe se virar sozinha. Ele provavelmente está ocultando a localização dela para a proteger.

— De qualquer forma precisamos encontrá-la. A Larinha é uma de nós. — A tenente relaxou os ombros e suspirou entristecida e preocupada.

— Também precisamos prestar contas na capital. — Levi finalmente falou. — Enquanto vocês relatam os danos e as perdas da expedição eu procuro qualquer informação sobre os perseguidores dela. Talvez haja algo de útil por lá. — Embora seu desejo fosse ir até Ravi e o obrigar a contar o que sabia, o capitão achou prudente saber sobre contra quem ele lutaria e com sorte, sobre o passado de Lara.

(...)

Meia hora antes da chegada da Tropa de Exploração.

Ninguém parecia querer falar algo. Dianny e Chang olhavam atônitos para a mulher à frente deles. Emmy e Jenny não conseguiram permanecer sentadas sobre o banco velho e começaram a andar em pequenos círculos atrás do grupo, e Gary, embora estivesse gargalhando e debochando da capitã minutos atrás, agora não parecia ter argumentos o suficiente para debater com a morena. Ele estava tão estarrecido quanto todos.

A casa abandonada, em um território deserto e evitado por muitos, funcionava como um refúgio seguro para a mulher. Ela estava infiltrada no território das muralhas a cerca de dois meses visando inicialmente apenas o reconhecimento do território para que então pudesse colocar seu plano em ação.

— Espera, é coisa demais para digerir assim do nada. — Dianny piscava os olhos confusa, ainda sem conseguir assimilar o que lhe foi contado. — Seu nome não é Lara? E sim Anya Bryer? — A mulher apenas assentiu lentamente.

— E você veio de um lugar chamado Aurícia? — A menina perguntou mais uma vez.

— Sim. Isso mesmo. Se quiser eu posso contar novamente.

Eles apenas se entreolharam e permaneceram em silêncio absoluto para ouvir novamente o que Anya tinha para contar. Ela imaginava que um dia, cedo ou tarde, seus inimigos a encontrariam e fariam todo o possível para conseguirem sua cabeça. Só não esperava envolver ainda mais pessoas em sua jornada. Contar a seu grupo sobre sua origem não era uma coisa tão simples ou fácil assim. A história que possuía era longa e marcada de tragédias desde a morte de seus pais para o antigo portador do Titã Encouraçado até o dia em que descobriu seu papel em meio a todo o caos, por isso, ela tentou ser o mais sucinta possível, ressaltando os pontos mais importantes, contando a eles apenas alguns detalhes sobre a história da guerra que estava instaurada no mundo inteiro e sobre o motivo — ou parte dele — para estar sendo caçada.

A verdade era que Anya vinha de um lugar um tanto quanto distante, uma nação conhecida como Aurícia. E diferente do que era dito dentro das muralhas, a humanidade não fora exterminada pelos titãs... ou pelo menos ainda não.

Embora a população da ilha Paradis acreditasse que estavam em uma situação difícil, em vários pontos do planeta, a situação era de calamidade total.

E o Império Marley era o grande vilão.

Mas para todo vilão existe a sua contraparte.

Há mil anos, depois de um pacto com um espírito estranho, uma mulher eldiana recebeu o poder necessário para parar Marley e proteger os outros dois povos. Ymir Fritz tornou-se um Titã, o primeiro. Com a força que adquiriu, ela, sozinha, conseguiu expulsar as tropas inimigas do território de seu reino e jurou destruí-los caso invadissem as Províncias de Kelak ou a Nação Auríciana. Por 13 anos, Eldia, Kelak e Aurícia puderam desfrutar de uma profunda paz.

Porém, após morrer misteriosamente e ter seu poder dividido entre nove pessoas de seu povo, os marleyanos liderados pelo Imperador Ozai retomaram seus planos e conseguiram roubar sete dos titãs oriundos de Ymir. Obrigando assim os eldianos a fugirem. Aqueles que não conseguiram escapar foram levados para campos de concentração no território marleyano e o restante daquele grandioso povo partiu em direção à Ilha Paradis com os dois titãs que lhe restavam. Usando um dos titãs originais o rei fora capaz de construir três imensas muralhas para proteger seu reino. E infelizmente, o avanço das tropas não parou mais. Mais da metade das províncias kelakianas tornaram-se colônias marleyanas. A grande capital de Aurícia em questão de meses acabou sendo alvo de um dos piores ataques já registrado. Apenas com o tempo que forças opositoras começaram a se erguer novamente.

Com o passar dos séculos e os avanços em tecnologia e ciência, a luta tornou-se mais justa. Mas ainda assim, por conta dos sete titãs marleyanos, a guerra ainda estava sendo crítica demais para os povos opositores. Seria preciso buscar ajuda entre os eldianos outra vez.

— É por isso que você veio até aqui, não é? Veio até nós para nos pedir apoio. — Chang gemeu baixinho, direcionando seu olhar ao chão. — Você deveria levar o Eren com você. Ele que possui essa coisa de titã original.

— Bom, a princípio essa era a minha missão sim. Mas algo mudou...

— O que está tentando dizer? — Enfim Jenny conseguiu proferir algo.

— Ouçam. — Anya se afastou, buscando entre o baú um pequeno objeto metálico. Ao apertar o pequeno botão preto uma transmissão de áudio falhada começou a ser ouvida, assustando o pequeno grupo ao lado da mulher. — ... tenha cuidado... infiltrado no poder... proteja o... povo... rei... não poderemos ajudar até que... isso.

— O que é essa coisa? — Por ser filho de um mecânico, Chang mostrou interesse em tal aparelho. — O que significa essa frase? Parece ter sido cortada em pedaços...

— Isso é um comunicador. — Anya entregou o objeto nas mãos do rapaz curioso. — Eu recebi essa transmissão a cerca de um mês. Ao que parece, há um infiltrado no poder. E esse desgraçado está impedindo que qualquer coisa entre ou saia da ilha, por isso que meu pessoal não pode vir prestar assistência até no momento. — A mulher levantou e ficou de costas para os mais novos. — A história é bem longa mas fiquem tranquilos. Vocês ficarão aqui e terão bastante tempo para descobrir tudo até que a poeira abaixe.

— Espera, como assim teremos que ficar aqui? — Gary contestou, indo diretamente para Anya que se virou novamente para o grupo.

— Adelaide viu vocês e conhecendo-a como conheço, caçará suas cabeças também. E vocês ainda não estão prontos para isso. — Eles a olhavam surpreendidos, prestando atenção em cada movimento produzido por ela. — Eu não sou a única que possui segredos aqui, não é? Nesses dois meses em que fiquei nas sombras eu pude observar cada um de vocês. Eu não só sei os seus segredos como os vi na prática. Por que acham que fiz questão de escolher cada um de vocês para meu esquadrão? Se ela souber o que vocês são capazes de fazer, tentará matá-los assim que os encontrar.

Yris entrou repentinamente na casa, assustando ao grupo de soldados que prestavam atenção nas últimas palavras proferidas pela mulher. — Hey, desculpe interrompeu a reunião do clubinho de vocês mas preciso falar com você, Anya.

Ao sair da residência, Anya acompanhou Yris até um pequeno poço artesiano que se encontrava a apenas alguns metros à frente da habitação. De lá, dava para enxergar que Gary perambulava de um canto a outro, visivelmente perturbado. As três irmãs pareciam conversar em um canto enquanto Chang, trêmulo, bebia com dificuldades um copo de água.

— Sabe a Adelaide? Ela acabou de cruzar a muralha e pelo o que eu pude ver parece que o Esquadrão Interno da Polícia Militar está ajudando.

— Isso será um problema. Se ela estiver recebendo ajuda interna será complicado. — Anya relaxou os ombros. — Vamos precisar ser cautelosos ao extremo.

— Na verdade, o que me preocupa é você. — A cadete segurou o queixo de Anya, a olhando preocupada. — Está se contendo de novo. Você poderia ter acabado com a princesinha do mal da mesma forma que fez no Pier Vaug em Marley. O mundo está gritando seu nome. Todos nós precisamos de você. Deixe esse medo bobo de lado e assuma logo seu lugar. — Era rara as ocasiões em que Yris assumia uma postura mais séria.

A morena fitava a menina a sua frente com certo orgulho. Elas se conheciam a determinado tempo e ela admirava a loira pela coragem de trair seus próprios amigos em prol da causa. Yris havia largado os Guerreiros de Marley para se aliar a Quinta Coluna — um grupo de marleyanos que discordavam totalmente de seu governo.

— Eu não estou pronta pra isso ainda, mas vamos seguir com o plano.