Acordei 11h23min com uma dor de cabeça extremamente insuportável. Minha cabeça latejava de uma maneira incrivelmente estranha, e eu senti uma necessidade de gritar para minha mãe vir até mim e me carregar até o carro para ir até o hospital tirar minha cabeça fora.

– Mãe! – Gritei – Por favor, mãe!

Ouvi os passos correndo pelo assoalho e alguém abrir a porta.

– Filha?! – Ela estava com uma expressão de preocupação. – Está tudo bem com você querida?

– Minha. Cabeça. Lateja. E. Dói. Muito. – Passei a mão no lugar onde estava latejando como se um martelo gigante caísse sobre minha cabeça inúmeras vezes de metros de altura.

– Você quer um remédio para aliviá-la? – Ela sentou em minha cama e colocou sua mão, gelada, em minha testa para verificar se eu estava com febre.

– Me dê, me dê tudo que você tenha. – Deitei e coloquei um travesseiro ao redor da minha cabeça. – Droga de dor de cabeça!

Ela desceu e logo estava de volta com uma dúzia de remédios em uma cestinha, também trouxe um copo d’água.

– Logo irá aliviar... Você ficou lendo até tarde de novo, não é?

Tirei o travesseiro da cabeça, olhei para ela e disse:

– Fiquei, eu li o livro. Mas não é porque fiquei até tarde lendo, o livro me trouxe dor de cabeça. – Comecei a dar socos no travesseiro, como se aquilo retirasse toda aquela dor que eu estava sentindo.

– Filha! Não adianta ficar assim, saia daí, coma alguma coisa. – Ela levantou e abriu a janela, estava chovendo. Ela olhou pra mim, sorriu e fechou a janela de volta.

– Mãe, marquei com o Aidan de ir ao cinema às 19h00min.

– Um encontro? – Ela sorriu e levantou para abrir a janela de novo.

– Não, é só...

– É um encontro! – Ela me interrompeu. Pegou os comprimidos que havia trazido e colocou um dentro do copo. – Tome e a dor logo irá passar para você ir se arrumando.

Minha mãe estava assim porque eu nunca tinha ido a um “encontro”. E eu, realmente, nunca teria ido a um encontro, era algo ineditamente bom e eu estava agoniada para logo chegar 19h00min.

– Mãe... É só 19h00min, vai demorar um tanto para chegar. – Tomei o copo d’água e deitei novamente. – Posso dormir pra passar o tempo?

– Claro, meu amor. – Ela passou a mão em meus cabelos e pegou o copo da minha mão.

Quando ela saiu, eu voltei a dormir, mas agora, tranquila.

...

Acordei às 15h47min e minha mãe estava pondo umas roupas dentro da minha estante. – Eu não queria lhe acordar. – Ela falou sussurrando.

– Está tudo bem, mãe. – Eu fui me levantando devagar e me espreguiçando. – Eu precisava acordar. – Falei bocejando.

Ela sentou ao meu lado, olhou para mim e disse:

– Eu me lembro de quando você acordava antes de mim e ia até minha cama pular para me acordar. – Percebi seus olhos se encherem de lágrimas. – Você pedia todos os dias de manhã: “mamãe, mamãe, quero um copão de leite com achocolatado!”. E eu levantava praticamente empurrada por você, e fazia um copão enorme, você tomava tudo. Hoje, você não pede nada a não ser quando precisa muito.

Eu me arrastei até ela e abracei-a.

– Mamãe, quero um copão de leite com achocolatado! – Falei soltando-a e arrumando seus cabelos mesmo que não precisando.

Ela sorriu e começou a chorar ainda com o sorriso no rosto. Quando levantou, se ergueu até mim e beijou minha testa.

Enquanto eu escovo meus dentes ela estava lá em baixo dando um jeito de preparar um milk-shake para mim, porque a cozinha estava tão bagunçada que não conseguíamos encontrar as comidas, talheres, panelas e tal. Quando eu estava entrando no meu quarto ela estava vindo quase correndo na escada tomando os devidos cuidados para não derramar uma gota no chão. Ela entregou para mim e eu tomei um gole e sorri para ela, do nada ela começou a rir e pegou seu smartphone do bolso pra tirar uma foto de mim.

Mãe.

– É que você está com bigodinho. – Quando eu fui tirar ela me parou. – NÃO! Não tire, deixe-me tirar uma foto pra mostrar para seu pai depois.

Ela posicionou o telefone-celular para tirar a fotografia e eu estava com um rosto inchado porque eu tinha acabado de acordar depois de horas de sono e de uma dor de cabeça incansável. Mamãe mostrou-me como teria ficado a imagem e eu só ria, depois disso entrei no meu quarto com o copo ainda em mãos.

– E como está sua cabeça meu amor? – Gritou já descendo as escadas.

– Tá melhor! – Gritei fechando a porta de meu quarto.

Deitei na minha cama e peguei meu celular de baixo do meu travesseiro, me estiquei para pegar na gaveta do criado-mudo o meu fone de ouvido. Coloquei para ouvir Give Me Love de Ed Sheeran, minha música favorita. A campainha tocou e em fração de segundos minha mãe me chamou e disse que tinha uma visita especial para mim. Como eu acho desrespeitoso demorar em atender, desci com meu pijama comprido e minha pantufa azul-claro. Já descendo as escadas pude ver Aidan segurando um buquê de margaridas e sorrindo olhando-me. Quando fiquei em sua frente, ele me abraçou e entregou-me o buquê. Minha mãe estava tirando fotos discretamente com seu celular e sorrindo fazendo gestos para eu fazer poses para as fotografias – não fiz nenhuma -.

– Eu trouxe flores por causa do Flores. Espero que goste de margaridas. – Ele estava com as bochechas coradas e sorrindo para mim, o que me fazia sorrir também.

Minha mãe disse que iria nos deixar sozinhos, acho que ela estava querendo me ajudar para arranjar um namorado, o que era desagradavelmente interessante.

– Não acredito que tenha pensado nisso. – Sorri para ele e lembrei-me de como ele era adorável.

– Eu só queria lhe lembrar do cinema e em como eu estou ansioso. – Ele ficou completamente vermelho.

– Eu também estou.

– É... Eu posso vir-lhe buscar?

Eu não estava acreditando no que estava acontecendo. E eu queria muito que ele viesse me buscar, seria ultrarromântico – não que eu necessitasse de romantismo -.

– Seria demais, Aidan.

Ele me olhou, um olhar completamente sexy que me fazia querer que ele olhasse-me assim o dia todo. Mas esse olhar não era apenas sexy, era mais que isso. Depois de uns segundos ele me abraçou, como na biblioteca, o que completava três abraços. – Eu tenho que ir.

– Tudo bem. – Eu estava segurando o buquê.