A biblioteca era maior do que qualquer uma das quais eu já tinha ido. Eu me sentia em um lugar cheio de criaturas fantásticas onde a fantasia era mais do que possível e todos os desejos eram realizados. Os livros, pra mim, são como os alimentos, mas neste caso, eles alimentam nossas imaginações.

– Quantos livros há aqui? – Perguntei a Aidan, olhando para todos os livros ao meu redor.

– Pra falar a verdade eu não sei ao certo. Meu padrasto faz coleção; da última vez em que ele me disse, havia mais de três mil livros.

Passei a mão nos livros e tirei de lá um dos exemplares de A Garota de Pedra. Desde que soube da existência do livro, procurei-o em todas as livrarias e bibliotecas possíveis, mas nada. E agora, por um a caso, eu vejo vários exemplares ali, bem na minha frente.

A Garota de Pedra conta a história fictícia de uma menina de doze anos que mora apenas com seu pai em uma cabana na floresta de Evil. Em um dia comum como todos os outros, ela e seu pai estavam na mesa, almoçando, e de repente ele sofre de um ataque cardíaco fulminante e falece bem a frente da garota. Ela vai parar no Orfanato de Brakevil, na mesma cidade onde fica a floresta de Evil. A cidade era pequena, com pouco mais de cinco mil habitantes.

E foi só o que eu pude saber do livro. Não há sinopses na Internet, não há como encomendar por um site, não há um filme sobre o livro. Ele foi escrito na década de 80, por um homem chamado Pablo Alvarez Flores, que faleceu logo depois de publicar seu livro em 1982.

– Eu sempre procurei este livro, em todas as livrarias e bibliotecas, e em todos os lugares onde tenha livros, mas eu nunca o encontrei.

Aidan me olhou com as duas mãos nos seus bolsos da calça. Sorriu e disse:

– Eu já o li.

– Já?! E o que achou?

– É um livro muito bom, conta a história de uma garota de...

– Eu posso levá-lo emprestado? – Interrompi-o.

Ele tirou suas mãos dos bolsos, pegou as minhas mãos com o livro em meio a elas.

– É seu. – Ele disse.

Eu pulei e o abracei. Sussurrei em seu ouvido um “obrigada”, e ele retribui me apertando muito forte, digamos que minhas costas estralaram e fizeram um som muito alto, pelo menos foi o que quebrou o silêncio. Quando o soltei falei mais um obrigada:

– Muito obrigada mesmo, Aidan. Não sei como lhe agradecer.

Ele passou a mão esquerda dentre seus cabelos e franziu o cenho, falando:

– Beeem, eu sei...

Sorri. Ele continuou:

– Que tal você ir ao cinema comigo um dia desses?

– Acho uma boa ideia.

– Amanhã seria ótimo, Brooke.

– É.

Por fora eu estava normal, mas por dentro eu estava pulando. Nossa, será que ele estava tão agoniado assim que teria de ser amanhã?! Não importa, eu já estava mais do que feliz por ele ter me convidado para sair.

Depois de um silêncio quase interminável...

– Eu vou lá tentar ensinar algumas coisas para a Kacee, mesmo que eu não tenha aprendido praticamente nada. – Ele sorriu de canto.

– Tudo bem, vai lá.

Ele foi indo até a enorme porta branca com fechaduras douradas que me chamaram atenção, abriu-a e fechou-a. Em menos de um segundo ele abriu-a novamente e disse:

– Caso não nos virmos mais hoje, está marcado para amanhã... É... 19h00min?

Apoiei-me em uma das escrivaninhas com uma mão só.

– Claro, 19h00min.