A Máfia
26 É melhor atender do que remediar.
Notas iniciais
Assim que deixo Julie na casa dos pais de Vitor, peço ao motorista que me leve para casa. Estou exausta e preciso urgentemente de um banho gelado. E ao chegar, corro até o quarto e me desfaço lentamente de minhas peças de roupas.
_Nossa. Não sabia que já estava me esperando assim. – diz Vitor entrando no quarto e me vendo apenas com minhas peças intimas.
Sorrio irônica para ele e caminho até o banheiro, onde termino de me despir e entro dentro do box, me enfiando de baixo da água fria. Fico imóvel, apenas sentindo a água levar embora a tensão de hoje. Que, aliás, foi um dia e tanto. A história de Muriel é sádica e triste. Um canalha que vive por conta própria, sem rumo, perde alguém importante e simplesmente vira uma das pessoas mais confiáveis dos chefes das Máfias.
_Achei que iria me encontrar no Quartel no fim da tarde.
Abro os olhos e vejo Vitor parado na porta do banheiro, encostado na batente, com os braços cruzados. Passo a mão no vidro do box para desembaçar e enxergá-lo melhor.
_Perdão. Fiquei até tarde na casa de Muriel e depois fui levar Julie na casa dos seus pais, no final eu só queria um banho.
Vitor me encara por longos segundos, até eu desviar meus olhos dos deles e voltar para meu banho gelado. Começo a ensaboar meus cabelos e sinto o olhar dele sobre mim, observando cada movimento meu. Viro de costas para ele a fim de pegar um creme e quando me viro novamente, Vitor está bem na minha frente.
_Cacete, Valentina, essa água está gelada pra caralho. – exclama ele ao se enfiar de baixo da ducha comigo. – Lá fora está quase nevando e você toma um banho gelado?
Rio.
_Para de ser menininha. – digo. – Além do mais, nós podemos nos esquentar de outra maneira.
Exibo um sorriso malicioso e antes que eu consiga pensar em algo, Vitor preenche suas mãos com minha bunda, me prensando rapidamente na parede. Rodeio sua nuca com minha mão e aproximo nossos rostos, colando nossas testas.
_Que esposa safada. – fala em italiano.
_Você não sabe o quanto. – sussurro de volta.
Vejo Vitor esboçar um rápido sorriso antes de começar a me beijar intensamente. Como se fosse possível, puxo Vitor ainda mais para perto de mim, e mesmo estando sem unhas, passo com força meus dedos sobre suas costas e braços. Vitor dá um impulso para cima e no segundo seguinte estou em seus colo, rodeando sua cintura com minhas pernas. Vitor beija meu colo e dá leves mordidas em meu pescoço, fazendo-me arfar de desejo e prazer. Abaixo minha perna direita e Vitor me possui ali mesmo, fazendo-me esquecer qualquer outra sensação que não fosse o prazer.
_Temos... Que... Parar.... De fazer... Sexo dentro... do box. – falo tentando recuperar o fôlego.
Vitor dá uma risada curta.
_Sem sexo no escritório, sem sexo no chuveiro... Está se tornando uma pessoa cheia de frescura, Sra. Chiacchio.
_Estou apenas querendo inovações. – provoco-o, sorrindo.
_Tentaremos na banheira, então.
Rio dele e o empurro para fora do box, me enrolando na toalha e seguindo para o closet. Visto-me para dormir – um short de pijama junto com uma blusa de mangas longas. – e seco com o secador, meus cabelos. Ao deixar o closet, volto para o quarto e procuro por Vitor, percebo que a porta da sacada está aberta e caminho até lá, o encontrando.
_Ei. – digo, chamando sua atenção.
_Ei.
_O que tá fazendo aqui fora?
_Vem cá. – chama ele, estendendo sua mão para mim.
A pego e, gentilmente, Vitor me puxa para si, me abraçando por trás e aponta para o céu.
_Mio Dio! Ela está linda!
Vitor aponta para a Lua que brilha intensamente no topo do céu. Ela estava enorme e seu brilho é prateado, ofuscando qualquer estrela que estiver por perto. Hoje deve ser noite de lua cheia e lá está ela, empenhando seu papel perfeitamente. Fazia tanto tempo que eu não a via. Lua é, sem dúvida nenhuma, minha maior paixão! Fico vidrada em seu brilho, em sua beleza e não me importo nem um pouco de passar horas a admirando.
_Clichê demais se eu disser que ela é tão linda quanto você? – diz Vitor ao pé do ouvido, provocando pequenos arrepios em meu pescoço.
Sorrio boba, relembrando de nosso encontro na praia, quando ele falou exatamente isso para mim.
“Sento-me em um banco e fico admirando a lua. Confesso que tenho uma paixão platônica por ela desde criança, fazia birra para dormir no quintal só para ficar a observando.
‘Não é a toa que é tão parecida com ela. Valentina e a lua com suas fases. ’ Minha mãe dizia. Ou ainda diz.
_Você é tão linda quanto ela, se quer saber. – olho para o dono da voz e encontro um Vitor deslumbrante. Ele trajava um terno preto de linho sob medida, os cabelos estavam penteados para trás e os olhos pretos brilhavam. – Espero que eu não tenha te feito esperar muito. – disse ele.”
_Você já disse isso. – relembro-o.
_Oh, verdade.
_Aquela noite foi maravilhosa. – recordo.
Vitor suspira e seus braços ao meu redor relaxam.
_Aquela noite foi uma ilusão, uma mentira. – ele diz.
_Foi uma mentira perfeita, então.
Vitor me aperta mais em seus braços enquanto eu continuo paralisada observando-a. Ficamos cerca de meia hora aqui fora e mesmo quase caindo de sono, eu ainda quero continuar a observando. Mas ao bater um vento gélido e eu me encolher nos braços dele, Vitor me arrasta para dentro até a cama, onde caí morta de sono, me encolhendo de baixo dos cobertores. Vitor se deita ao meu lado e eu me empurro até ele. Acaricio seu rosto e o beijo lentamente e antes que o sono me consumisse por completo, sussurro para ele que o amava e vejo a sombra de um sorriso antes de cair em um sono profundo.
*****
Uma semana depois...
O aplicativo criado por Mark funciona perfeitamente. E o sistema que ele criou permitiu que nós monitorássemos os passos de cada pessoa que trabalha no Quartel, permitindo que tenhamos uma ideia de onde cada pessoa vai antes, durante e depois do Quartel. É uma ferramenta simples, mas infelizmente levará um pouco de tempo para que possamos descobrir algo suspeito. É por isso que preciso de mais homens trabalhando comigo, e foram por esses motivos que pedi a ajuda de meu pai, pedindo que me disponibilizasse alguns homens aos meus serviços, para que quando eu precise eu tenha homens para vigiar de perto as pessoas que eu estou monitorando. Eu poderia fazer esse trabalho sem problemas, conheço Valentin e seu modo de trabalho, reconheceria um de seus encontros se visse de perto, mas são muitos mafiosos trabalhando aqui dentro. Não poderia vigiar todos pessoalmente.
Muriel concordou em vigiar alguns mafiosos de perto e eu confio nele para isso.
_Para ter alguém em quem desconfiar, precisamos de tempo. – diz Muriel. – O aplicativo de Mark é ótimo, mas até que desconfiemos de alguém baseado aonde essa pessoa vai, irá levar um tempo, no máximo trinta dias, caso consigamos alguma coisa.
_Ele tem razão Valentina. – concorda Mark.
Estávamos os três na sala de Mark, observando o sistema criado por ele para monitorar os homens de Vitor. A enorme tela brilhava com pequenos pontos coloridos que se moviam de um lado de outro. Cada ponto desses representava uma pessoa aqui dentro do quartel.
_Nós não temos trinta dias. – digo. – Se houver outro ataque como o do Cassino, meu pai irá tomar providências severas.
_Vamos investigar, então. – sugere Mark. – Vamos fazer uma lista com base nas pessoas que estão menos tempo no Quartel. Investigamos o passado e se tivermos sorte, descobrimos algo.
_Isso pode funcionar. – comenta Muriel.
O meu medo é que isso não funcione. De que nada disso funcione. O infiltrado pode não estar necessariamente na Máfia de Vitor, ele pode estar em qualquer Máfia de dentro da Cosa Nostra. Esse trabalho todo pode servir para nada...
_Valentina? – Mark me chama.
_O quê? Ah, sim, claro. Isso pode dar certo. Pode fazer isso?
_Deixa que eu mesmo faça. – Muriel intervém, se virando para mim e sussurrando: – Podemos analisar a ficha de cada, já que somos especialistas nos assuntos da Máfia.
Concordo de leve com a cabeça e deixamos a sala de Mark, seguindo para seu escritório no terceiro andar.
_Você não devia estar de repouso? – pergunto adentrando no local.
Muriel solta um longo suspiro e se senta em sua mesa.
_O nosso problema aqui é maior. – diz ele.
Concordo de leve com a cabeça e observo ele digitar em seu computador.
_Aqui tá o nome de todos os caras que trabalham para o Quartel. – diz ele virando o monitor para mim.
Havia milhares de nomes ali e levaríamos dias checando a ficha de cada um.
_Reduza essa lista para quem entrou de cinco anos pra cá. – pedi.
Muriel começou a digitar rapidamente no teclado do computador e depois de um minuto, ele vira o monitor para mim novamente.
_Os nomes reduziram para cinquenta homens. – ele diz. – Vou começar a puxar a ficha de cada um, se eu suspeitar de algo, te aviso.
Muriel está com uma cara de pouco amigos, e parece estar bem irritado. Gostaria de dizer que o motivo seria de alguma briga com Lia, mas se fosse isso, ela teria me ligado para contar e desabafar. Na verdade ela me ligou, sim, para falar de Muriel. De acordo com ela, ele anda meio “afastado”. Chega tarde todos os dias e quando está em casa, fica fazendo ligações e se tranca no escritório. Diz também que ele está muito estranho ultimamente. E eu a compreendo. Muriel está muito estranho. Faz dias que ele não faz nenhuma de suas piadinhas sujas ou comentários sarcásticos. Algo está acontecendo com ele, e eu não acho que ele está assim porque causa do meu pedido de ajuda para achar o infiltrado.
_Muriel, o que está acontecendo com você? – pergunto fitando-o seriamente.
Muriel me olha rapidamente, confuso.
_O que quer dizer com isso?
_Você anda sério demais ultimamente. Faz dias que não ouço um comentário sarcástico seu. Você anda muito estranho ultimamente e eu não sou a única a achar isso. – digo.
_Só estou fazendo o que você me pediu. – falou dando de ombros. – Só que do meu jeito.
_Só tome cuidado para isso não te atrapalhar, pedi sua ajuda, você pode recusar quando quiser. – digo. – Bom, eu vou indo. Ainda temos aquele maldito baile hoje à noite. Vejo você e Lia mais tarde.
Muriel ri.
_Você realmente acha que eu vou levar a minha garota em um baile cheio de mafiosos viciados em sexo? – perguntou irônico, fazendo-me sorrir.
_E você realmente acha que vai conseguir impedir ela de ir? – pergunto sorrindo. Muriel coça a cabeça tendo em mente que seria quase que impossível fazer Lia desistir de ir nesse baile. – Vejo vocês lá.
Antes que eu saia, meu celular começa a tocar. Pego ele em meu bolso e o nome “Valentin” pisca na tela do aparelho. Meu coração começa a bater rápido e fico sem reação. Como ele tem coragem de ligar para mim? Qual é a porra do problema dele?
_Valentina, você está bem? – Muriel pergunta.
O telefone para de tocar e um buraco em meu estomago se abre e aguardo a chamada novamente, sentindo cada segundo passar lentamente. Porém, ele não volta a ligar e não sei se me sinto aliviada ou mais angustiada do que já estou. Então eu sinto aquela sensação ruim, de que algo irá acontecer em breve e não será coisa boa.
_Valentina, o que foi?
_Valentin acabou de me ligar. – digo apressada.
Muriel se colocou em pé furioso e confuso, correndo para fechar a porta atrás de mim.
_O que? – exclamou furioso.
_Muriel, isso não é um bom sinal!
Muriel leva as mãos à cabeça e agarra os cabelos com força, nervoso, me deixando mais nervosa ainda.
_O que aconteceu da ultima vez que ele te ligou?
Penso. Aconteceu tanta coisa na minha vida que é meio difícil separar de obra do destino e a armação de Valentin.
_Hãn... Eu quase fui sequestrada por traficantes mexicanos. – relembro.
_A emboscada em México foi coisa dele? – Muriel perguntou.
_E de quem mais seria? Outra vez ele fingiu sequestrar Julie e me levou até um armazém abandonado. Ou seja, sempre que ele entra em contato pessoalmente, coisas terríveis acontecem. – falo.
_Precisa contar a Vitor sobre isso. – Muriel diz.
_O que? Não! Preciso dele de bom humor.
_E para quê?
_Espero contar a ele sobre a minha gravidez. – explico. – E falar que meu perseguidor maníaco mafioso me ligou e depois sorrir e dizer “e a propósito estou grávida” não é a maneira certa de se fazer isso. A Máfia não vai estragar esse momento. Não vai! – grito.
_O.K. Calma. – Muriel diz me abraçando e acalmando. – Vamos dar um jeito nisso, mas por enquanto, não saia sozinha nem para ir à esquina, entendeu? Fique sempre com Vitor e com o celular em mãos, qualquer coisa é só ligar. Valentin só vai fazer algo contra você se estiver sozinha e vulnerável.
_Já estou vulnerável, imbecil. Estou grávida e meu pai está a um passo de mandar matar meu marido. – sussurro.
_Não deixe que ele saiba dos seus pontos fracos, Valentina. – explica-se.
Afastamos-nos e ele se aproxima da mesinha de bebidas, e prepara para si um copo, bebendo tudo em um gole só.
Começo a andar de um lado para o outro, nervosa. Passo as mãos pelos cabelos e tento pensar em um motivo para que Valentin me ligue e, com certeza, ele está tramando algo. E para piorar, hoje tem esse maldito baile e uma pequena vozinha dentro da minha cabeça diz que ele irá usar isso a seu favor.
_E se ele aparecer nesse baile? – pergunto apreensiva.
_Você vai estar cercada de mafiosos que querem a cabeça dele em uma bandeja. Não se preocupe com isso. – diz dando outro gole em sua bebida.
Será? Valentin é um louco, se arriscaria dessa maneira só para me atormentar. Meu medo é que ele faça algo contra mim e prejudique meu bebê. A doer seria mil vezes maior. E ele poderia ferir outra pessoa também. E a culpa seria minha. Nunca desejei tanto a morte de alguém como desejo a de Valentin. Com ele morto, os problemas sumiriam...
_Tem razão. – digo após um tempo. — Vou ir procurar Vitor. Nós vemos mais tarde.
Viro-me em direção a porta e com passos lentos e nervosos caminho até ela.
_Ei. – Muriel chama. – Não vai acontecer nada com você e com seu bebê, fique tranquila. Nós vamos dar um jeito.
Afirmo levemente com a cabeça para ele, sentindo o carinho de suas palavras me confortarem.
Saio de seu escritório, indo à procura de Vitor que, provavelmente, deve estar na sala de armas nesse momento com Hugo Kuznetsov, o russo com quem negociamos alguns meses atrás. O mesmo cara que me contou sobre a guerra contra a Cosa Nostra e ainda insinuou que poderia fazer parte disso. O cara é um babaca. Depois disso o fiz vender suas mercadorias a preços ridiculamente baixos para mim.
E hoje seria a entrega das mercadorias. Milhares e milhares de armas seriam entregues a nós hoje e Vitor está no galpão com eles fazendo uma rápida revisão. Por escolha própria, decidi ir lá apenas quando Hugo já tiver ido embora. Não quero ter que encontrar com ele sabendo que ele pode estar envolvido de alguma maneira com Valentin. Sendo assim, vou para a sala de Vitor e me jogo no sofá do centro, deitando-me. Fecho os olhos e permito-me relaxar por alguns instantes, tentando afastar qualquer tipo de problema da minha mente e respirar aliviada. Coisa meio impossível de se fazer. São tantos problemas ultimamente que a única coisa que me faz me sentir bem com tudo isso é pensando em meu bebê. Sorrio meio boba quando toco de leve a minha barriga. Ela já está começando a crescer, é pouca coisa, mas eu sinto. E logo Vitor também perceberá. Planejo um jantar, no jardim de nossa casa amanhã mesmo para contar a ele. Quase morro ao imaginar a reação dele ao saber que será pai, todo homem tem esse desejo oculto de ser, assim como toda mulher. Mas como a vida não é um mar de rosas, eu também me preocupo com minha gravidez, ainda mais com tudo isso que anda acontecendo e com Valentin atrás de mim.
Parece que máfia é antônimo de paz.
E essa ligação? Com certeza na foi nada. Algo está pra acontecer e não vai ser coisa boa.
_Valentina, não sabia que ainda estava aqui. – Vitor diz entrando no escritório. Sento-me no sofá e ele caminha até a mim, depositando um beijo em minha testa. – Achei que já tivesse ido para casa.
_Eu ia, mas resolvi te esperar para irmos juntos. – digo calmamente. – Está pronto para ir?
_Estou.
Vitor foi até a sua mesa e pegou seu casaco que estava pendurado em sua cadeira, ele o vestiu e veio até a mim novamente, esticando o braço para mim e me ajudando a levantar. Então ele me fita daquela maneira. Seus olhos brilham e é como se ele conseguisse enxergar a minha alma, como se eu fosse clara e transparente como a água. Vitor acaricia meu rosto gentilmente e eu fecho os olhos, sentindo o calor de seu toque.
_O que aconteceu? – pergunta sério.
Sinto meus olhos se encherem de água. Não posso perdê-lo por um capricho. Só porque quero que ele esteja de bom humor quando souber que será pai. Alguém pode se machucar caso eu não avise Vitor, e sim, a ligação de Valentin pode não ser nada, mas eu não estou a fim de pagar para ver.
_Valentin me ligou agora pouco. – falei.
A feição de Vitor muda, ficando rígida e amedrontadora.
_O que ele te disse? – pergunta ríspido.
_E-eu não tive coragem de atender. – digo, sentindo vergonha de mim mesma. – Vitor, isso não é um bom sinal.
Vitor me abraça forte, me confortando e afagando meus cabelos. Envolvo meus braços ao redor de seu corpo e afundo meu rosto eu seu peito, sentindo seu perfume.
_Talvez ele só queira te deixar nervosa. – ele diz.
_E está conseguindo. – afirmo. – Valentin não faz pontas sem nó, Vitor, com certeza ele está tramando algo.
_Ei. – Vitor me chama, pegando minha cabeça em suas mãos e me obrigando a olhá-lo. – Valentin Corletto não vai te fazer mal algum. Eu não vou permitir.
Vitor fala com tanta convicção que sinto a tensão do meu corpo ir se esvaziando rapidamente.
_Eu confio em você. – digo. – Mas é melhor reforçarmos a segurança de toda a família nesse baile.
Vitor suspira fortemente, deixando claro sua irritação. Ele se afasta e anda até sua mesa, xingando baixo em italiano, chamando Valentin de canalha, maldito e covarde. Ele pega seu celular e liga para Ryan, o chefe de segurança da Máfia, e ordena que a segurança de sua família seja dobrada e monitorada. Volto a sentar no sofá apreensiva, sentindo certa culpa por tudo isso. Vitor liga para seus pais, os avisando e depois liga para Miguel e Sarah, os certificando de que aquilo são apenas medidas de segurança. Vitor continuou a fazer algumas ligações e a cada uma delas, sua raiva ia aumentando, fazendo com quem estivesse do outro lado do telefone o temesse e fizesse o que ele pedia sem pensar duas vezes.
Quando ele terminou uma de suas ligações, Muriel entra rapidamente no escritório possesso. Assustando a mim e a Vitor.
_Mas que porra... – começa Vitor, mas Muriel rapidamente o corta.
_Valentina você conseguiu falar com Lia? – pergunta para mim nervoso.
_O que? Por quê? – perguntei.
_Eu não estou conseguindo falar com ela e depois do que você me disse sobre Valentin, eu... – Muriel parou de repente e olhou para Vitor. – Ele sabe? – perguntou um pouco mais calmo, se referindo a ligação de Valentin.
_Sim, eu contei a ele. – expliquei.
_Ótimo. Agora por favor, tente ligar para Lia. – Muriel pediu com desespero na voz.
Concordei e peguei meu telefone, discando o número de Lia com certa dificuldade, pois minhas mãos tremiam.
_Ela não atende. – falei. Muriel soltou o ar pela boca e começou a andar de um lado para o outro, ainda mais nervoso. – Vou mandar uma mensagem.
_Ela disse que ia a algum lugar? – Vitor perguntou.
_Não, ela ia ficar em casa enviando alguns emails com seu currículo. Era pra ela atender essa porcaria de telefone! – gritou ele.
Mandei a mensagem pedindo que ela desse algum sinal de vida o mais rápido possível. Apertei o celular com força em minhas mãos e meu coração começou a bater rápido, me deixando com dificuldades de respirar.
_Eu liguei para o meu prédio, eles disseram que ela saiu à uma hora.
_Deve ido comprar alguma coisa. – Vitor diz.
_Você não entende. – começa Muriel. – Hoje tem aquele maldito baile e Lia já comprou tudo: vestidos, sapatos, maquiagem – diz ele contando nos dedos. – e todas essas porcarias que mulheres adoram comprar. Ela ia ficar a tarde toda se arrumando para essa noite. Ela não sairia por nada!
Meu celular treme, avisando que eu tinha recebido uma nova mensagem. Muriel e Vitor olham para mim com esperança que seja Lia, e confesso que fico um pouco aliviada com essa possibilidade. Quando vejo o nome de Lia brilhar na tela, suspiro aliviada.
“Sua amiga não pode falar agora. Devia ter atendido ao telefone quando teve chances.”
Meu coração para quando termino ler. Algumas lágrimas caem do meu rosto e sinto um buraco negro se abrir em meu estomago. Ele não pode ter feito isso, não pode! Lia é tudo para mim e se eu a perdê-la... Meu mundo acaba ai.
_Ele está com ela. – sussurro baixinho, tentando ainda acreditar no conteúdo da mensagem.
_O que disse? – pergunta Vitor.
Olho para ele a minha frente e vejo Muriel parado logo atrás dele, me olhando em desespero. Fito seus olhos e engulo em seco.
_Valentin está com Lia.
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