Notas iniciais
Oi, pessoal! OLÁ LEITORES NOVOS!!!!!! Desculpem pela demora, mas aqui está mais um capítulo para vocês! Vejo vocês nas notas finais :)

Grávidas... Por que elas são sempre tão fofinhas e conseguem fazer com que nós façamos tudo por elas?

Alicia me ligou esta manhã perguntando se eu não podia acompanhá-la ao shopping para comprar coisas para o quartinho do bebê (ou bebês, vai saber!). E claro que, de bom agrado, eu aceitei, mesmo ela ter me acordado às seis da manhã para fazer o pedido, eu aceitei.

_Quando eu te acordava cedo você quase me matava. – resmunga Vitor sonolento ao meu lado.

_Ela é uma mulher grávida, mulheres grávidas são fofinhas e não se pode ficar estressada com elas. – falo me enrolando novamente no edredom que Vitor vivia puxando.

Ele dá uma risadinha e eu de imediato também sorrio. Estávamos deitados de conchinha na cama e eu me sentia estranha estando assim com ele, mas depois de ontem, nós nos acertamos de verdade. E me sinto bem, pois estou disposta a esquecer de tudo o que ele me fez e tentar levar a vida no modo mais normal que eu conseguir.

_Vitor? – o chamo, ele murmura um “hm” bem sonolento. – Pare de puxar a porcaria do coberto! – falo puxando com força a barra do mesmo e me enrolando mais.

Ele bufa.

_Tão fofa quando acorda. – murmura enquanto caminha para o banheiro.

Sorrio e permaneço deitada. Somente quando Vitor sai do banheiro todo arrumado e exalando um perfume que desperta em você os seus desejos mais carnais, que eu finalmente me levantei e fui tomar um banho gelado. Não me importei nem um pouco com o tempo ruim lá fora, a água fria relaxa os meus músculos e era disso que precisava depois de ontem.

Depois de um banho bem demorado, me enrolei em um roupão branco ridiculamente grande e segui para o quarto de Lia, que dormia feito bebê. Observei-a por alguns minutos e depois me aproximei, tirei algumas fotos da sua cara de retardada enquanto dormia e depois a acordei carinhosamente enquanto pulava freneticamente em sua cama.

_Bom dia flor do dia. – disse eu sorrindo maliciosamente.

_Bom dia luz do dia. – disse ela enquanto bocejava. Olhou para mim, que estava deitada ao seu lado e coçou os olhos infantilmente. – O que faz aqui?

_Vim perguntar se não quer ir ao shopping comigo e com Alicia comprar algumas coisas para o bebê dela. – disse enquanto brincava com as mechas de seu cabelo.

_Ah, eu não sei... Acho que vou preferir ficar aqui. – comentou desanimada.

_Vamos Lia, vai ser legal. Alicia é super amorosa, você vai amá-la. E quem sabe, com sorte, você não encontra alguém? Um homem lindo que te chame para sair? – disse na tentativa de animá-la.

Ela bufou.

_Pra que? Pra depois você dar uma de louca e dizer que ele pode ser um “possível” espião da Máfia?

_Meu Deus, eu não sou tão ruim assim! – e não sou mesmo! – Olha só, eu prometo que nunca mais vou dar uma de louca para cima de você por conta da Máfia, tá legal? Agora será que você pode ser um pouco menos rabugenta e ir ao shopping com a sua melhor amiga e a cunhada grávida dela? – pedi fazendo biquinho.

Ela olhou para mim e mordeu o interior do seu lábio e concordou ainda desanimada. Enchi-lhe de beijinhos e disse que saíramos às dez horas em ponto. Saio de seu quarto e vou para o meu, onde me arrumo e desço para o café da manhã. Lia aparece logo depois com a maior cara de sono e resmungando.

_Você está horrível. – digo bebericando o suco de laranja.

_Você sabe como ser amável com as pessoas, hein?! – zombou ela.

Ela se sentou e começou a comer algumas tortinhas que estavam na mesa, logo depois ouço um som de um carro chegando e estranho, achando que seja Alicia, pois combinamos de nos encontrar no shopping. Entretanto, segundos depois, ouço uma voz de criança correndo pela casa e gritando pela “tia Valentina” e logo depois ouço a irmã de Vitor gritar pedindo que ela parasse com toda aquela gritaria. Lia levantou os olhos confusa e olhou para mim. Eu apenas sorri e de repente, um vulto de cabelos pretos e vestido rosa apareceu na sala e pulou no meu colo.

_Bom dia tia Valentina! – gritou disse Julie eufórica.

_Bom dia pequena! – disse eu. Julie olhou para mim e sorriu, depois olhou para Lia e se acalmou. – Essa é minha melhor amiga, Lia.

_Oi, Lia, meu nome é Julie. – falou a pequena.

Lia sorriu encantada com a criança de cabelos pretos e a cumprimentou. Instantes depois, Sarah apareceu.

_Dio mio, como essa menina corre! – exclamou ela. – Bom dia para vocês e me desculpem pelo alvoroço, Julie acordou no duzentos e vinte hoje.

_Mamãe disse que ela comeu muito açúcar quando estava grávida de mim, por isso eu estou sempre ligada! – comentou Julie nos fazendo rir.

_Faça o pedido, Julie. – disse Sarah olhando para a filha.

_Que pedido? – perguntei.

_Tia Valentina, será que eu posso ficar com você hoje? A mamãe vai trabalhar e eu não quero ficar com a babá. – disse ela mexendo nos dedinhos. – Posso? Posso? Posso?

_Claro que pode! Vou adorar ter você aqui hoje. – disse.

Julie exclamou um “eba” e pulou do meu colo e voltou a correr pela casa.

_Me desculpe aparecer sem avisar, mas quando essa menina quer algo, ela consegue. – disse Sarah rindo do jeito da filha.

_Tudo bem, eu adoro ela, e hoje eu não vou mesmo trabalhar no quartel, irei com Alicia ao shopping. Se importa se eu levar Julia conosco?

_Não, fique a vontade. Só traga ela de volta para mim, hein?!

_Pode deixar.

Sarah se despediu de nós e depois correu para abraçar a filha, elas conversaram e trocaram beijos até que Sarah se levantou e foi embora. É lindo ver os relacionamentos entre pais e filhos e ver as duas nesse amor todo me lembra a minha mãe e a saudade que tenho dela. Mal tive tempo com ela no dia do baile, eram tantas coisas que eu queria ter dito, mas a raiva acabou com o momento. Só sei que preciso vê-la e matar a saudade, sei que isso me fará bem.

E quando dei por mim já estávamos atrasadas, peguei Julie no colo e, seguida por Lia, entramos no carro e partimos em direção ao shopping. Eu fui dirigindo e durante todo o trajeto, Lia e Julie cantaram musicas infantis para o mundo todo ouvir. Elas gritavam, dançavam e se possível, pulavam também. Crianças...

[...]

O shopping estava tranquilo, não estava lotado, mas também não estava vazio. Várias pessoas andavam de um lado para o outro com sacolas que variavam de tamanho e cores. Também havia algumas crianças que namoravam as vitrines das lojas de brinquedos enquanto os pais falavam ao telefone ou compravam algo em outra loja próxima.

_Gosto quando o shopping não está muito cheio, assim eu posso andar com mais tranquilidade. – comentou Alicia com um sorriso bobo nos lábios. – Acho que no segundo andar tem uma loja super fofa de crianças.

Nós a acompanhamos e Alicia começou a conversar com Lia, contou a ela sobre a decisão que ela e o marido tomaram em relação ao bebê. Lia, como quase toda a família de Miguel e Alicia, ficou chocada, porém achou um desafio divertido.

_Tia, depois que vocês comprarem tudo, eu posso ir no parquinho? – sussurrou Julie em meu ouvido.

Eu estava a carregando por todo o shopping porque (a) ela é adorável (b) ela é um criança e crianças dentro de um shopping viram um bicho, e (c) ela é filha de mafiosos, se eu a perder, eu perco a minha cabeça.

_Só depois que comer todo o lanche, combinado?

_Hm, podemos comer o lanche do Mc’s Donalds? – perguntou indecisa.

_Sim. — digo.

Então ela afirmou com um aceno de cabeça e eu não me aguentei e a enchi de beijos. Fala sério, quem não ama crianças fofas?

E foi assim o dia todo, entramos e saímos de várias lojas de conteúdo infantil uma mais linda que a outra. Alicia fez a festa e comprou várias peças de roupas e da mobília do quartinho e no meio da euforia de comprar tudo, ela desejou saber o sexo e a quantidade, pois dependendo disso, a metade das coisas que ela comprou seriam doados. Depois de um bom tempo comprando coisas, decidimos parar para comer. As meninas optaram por uma lanchonete com sanduiches saudáveis, enquanto eu fui com Julie ao Mc’s Donalds escolher um lanche, ela pegou aquelas que vem com brinquedo, já eu escolhi o que vinha com a maior batata frita.

_Te ver comer isto ai me dá uma vontade enorme de comer o mesmo, mas Miguel e o Dr. Richard me proibiram de comer esses tipos de coisas. – reclamou Alicia olhando de mau agrado para o seu sanduiche.

_Sinto muito comer isso na sua frente, mas eu estou morrendo de fome! – comentei.

_Não, tudo bem. Eu já estou acostumada com essas coisas saudáveis. Além do mais, tenho Lia para me acompanhar. – disse ela sorrindo. – Não é mesmo, Lia?

Alicia olhou para Lia que olhava para o próprio sanduiche concentrada e parecia pensar na morte da bezerra. Depois da terceira vez que Alicia chamou a sua atenção, ela pareceu acordar.

_O quê? – perguntou perdida.

_Acho que tem alguém apaixonada aqui. – zombou Julie.

_Quem? Eu? – Lia perguntou incrédula. – Claro que não! Eu apenas estou preocupada com a minha transferência, irei conhecer meu novo chefe daqui alguns dias e caso ele não goste de mim, puf, lá se vai emprego.

_Oh. – exclamou Alicia com a boca cheia. – Querida, se ele realmente for um homem, tenha certeza de que ele vai gostar e muito de você. Não se preocupe, vai dar tudo certo.

Os olhos de Lia brilhavam enquanto ela ouvia as belas palavras da mulher grávida a sua frente. Assim que terminou de ouvi-la ela se virou para mim e estreitou os olhos.

_Tá vendo, Valentina? É desse jeito que se é amável com as pessoas. – vociferou para mim.

Eu apenas revirei os olhos para ela e voltei a devorar meu sanduiche. Fala sério, eu sou a melhor amiga de todas e provavelmente o que Lia precisa no momento é de um homem, não de palavras bonitas, então...

_Droga! – exclamou Alicia, parei de comer imediatamente e olhei assustada para ela. Grávidas falam palavrão? – Esqueci que tenho que passar naquele estúdio de fotografia e pegar minhas fotos.

_Eu posso ir com você. – disse Lia. – Pelo jeito Valentina ainda vai demorar para devorar todas essas batatas.

_Eu não tenho culpa se elas são deliciosamente grandes. – disse em minha defesa. – Podem ir, depois daqui irei levar Julie ao parquinho, nos encontramos lá.

As duas se levantaram e momentos depois, desapareceram da minha vista. Eu continuei na praça de alimentação com Julie até que finalmente o pacote de batatas fritas se esvaziou, até pensei em ir comprar mais, mas senti que não aguentaria comer nem mesmo uma bala. Então depois de jogar as embalagens no lixo, sigo para o parquinho do shopping. O parquinho do shopping nada mais é que aqueles playground onde a criança fica brincando até uma determinada hora. E só de ver as cores dos brinquedos, Julie soltou a minha mãe e já saiu correndo e eu com medo de perdê-la de vista, fui correndo atrás.

_Hey, sobrinha, espera ai! – gritei ao alcance dela. Ela parou de correr e me esperou, me agachei na frente dela e coloquei uma mecha de seus cabelos para atrás. – Eu deixo você brincar no parquinho, só que você tem que prometer que não vai sumir da minha vista, ok? Não vai seguir ninguém e muito menos aceitar doces de desconhecidos. Promete?

_Prometo, tia. – disse ela me mostrando o dedo mindinho.

Sorri e dei o meu, assim entrelaçamos os nossos mindinhos e a promessa estava feita. Ela correu até a entrada do parque e eu me sentei em um banco de frente para ele, assim eu poderia ficar de olho nela a todo instante. Mas foi uma tarefa difícil, porque ela corria feito louca junto com as outras crianças, ela subia, descia, entrava nos tuneis coloridos e ia parar do outro lado do parque. Seus cabelos pretos voam conforme ela ia correndo e os olhinhos brilhavam de tanta alegria. Vê-la feliz me deixa bem comigo mesma, mesmo a conhecendo há pouco tempo eu sinto que devia protegê-la, e a semelhança que ela tem com Vitor abre em meu peito um desejo secreto de saber como seria um filho meu com ele, se iria puxar os olhos dele ou os meus, se iria ser marrenta como eu ou sério e sagaz como o pai. É um desejo e uma vontade que eu nem sei se poderei realizá-lo.

Quando dou por mim, Julie vinha correndo em minha direção tão rápido que eu tive que a segurá-la para que ela não se colidisse com o banco.

_Tia, eu to com calor. – falou tentando tirar o casaco que ela vestia.

Eu me abaxei e a ajudei tirar e antes mesmo que eu dissese algo como “tome cuidado” ou “não vá muito longe”, ela saiu correndo do mesmo modo que ela veio. E no mesmo instante meu celular vibra, anunciando que eu tinha uma nova mensagem. O pego em meu bolso e checo o conteúdo.

“você fica linda fingindo ser uma mãe.”

E logo depois uma foto minha com Julie enquanto eu tirava o seu casaco. A foto foi tirada de longe e instintivamente eu olhei para os lados a procura de alguma pista, mas não encontrei nada de incomum. Logo depois recebo outra mensagem.

“é melhor ficar de olho na criança, não vai querer que nada de ruim aconteça com ela, não é mesmo?”

Levantei em um pulo já sentindo meu coração saindo pela boca, corro até a entrada do parque já procurando por Julie. O meu desespero só aumenta quando não a encontro de primeira. O celular vibra mais uma vez em minhas mãos.

“opa, tarde demais!”

Grito o nome de Julie diversas vezes olhando para dentro do playground na esperança que ela estivesse dentro de um dos tuneis, mas o que recebi foi o silencio e diversos olhares curiosos das pessoas ao meu redor. Um dos seguranças da Máfia se aproximou e eu o alertei sobre Julie.

_Quero todos procurando por ela! Tanto aqui dentro quanto lá fora, quero isso aqui cheio de seguranças! Vai, anda! – ordenei.

Comecei a perguntar sobre Julie para as pessoas que estavam ali perto, perguntando se eles a viram ou se viram alguém a levando, mas nada, nenhum sinal ou pista dela. Lia e Alicia se aproximaram e vendo o meu desespero perguntaram o que havia ocorrido, com dificuldade expliquei a elas sobre o desaparecimento de Julie.

_Ai meu Deus! – exclamou Alicia abraçando a barriga.

_Eu vou encontrar ela. – digo confiante. – Lia, leve Alicia para casa e informe Vitor para mim, tem dois seguranças esperando por vocês lá embaixo. Vão!

Lia me olha assustada e confirma com a cabeça, ela pega a mão de Alicia e a puxa para a escada rolante. Eu continuo olhando para os lados procurando por Julie, mesmo sabendo que ela já não deve estar mais aqui. Meu celular toca e meu coração pula.

É Valentin.

_Mon Amour... – diz ele.

_Valentin! Eu devia saber que foi você, onde ela está? – pergunto nervosa.

_Você devia ser um pouco mais amorosa comigo, já que eu estou com a sua sobrinha. – sua voz é tão calma que me irrita.

_Se você tocar um dedo nela, Corletto, eu vou fazer você sofrer!

_Er, duvido disso. Mas eis o que você irá fazer mon amour, você vai aproveitar que seus seguranças estão procurando a pirralha e vai até o estacionamento, pegar um carro e vim até a mim. Estou morrendo de saudades de você.

Sua voz é melosa e sinto náuseas só de pensar nos desejos que ele tem por mim, se eu for atrás dele sozinha, com certeza algo ruim vai acontecer. Mas se eu não for, Julie irá pagar por isso e eu não posso permitir que isso aconteça.

_Onde você está? – pergunto.

Mesmo não o vendo, sei que ele deve estar sorrindo agora.

_Vou te passar a minha localização quando estiver dentro do carro. Dê o seu jeito querida, sei que você consegue. – diz cauteloso. – Só não esquece, quero você sozinha. Tenho os meus espiões dentro da Costa Nostra e se eu ficar sabendo que você os contatou, já sabe, não é? – engulo em seco. – A garota morre!

Então ele desligou. Desgraçado.

Olho ao meu redor a procura de algum segurança da Máfia, mas não vejo nenhum, sendo assim, me aproximo da porta que dá acesso às escadas e desço por elas. Por aqui, tem mais chances de não ser vista por eles e sair sem ser seguida. Já no estacionamento procuro por um carro simples que não tenha alarme, avisto um gol preto e corro até ele. Por uma sorte do cão, a porta estava aberta e me pergunto se não foi Valentin que deixou aquele carro ali, mas eu não tinha tempo para suposições, tinha que salvar Julie. Faço um contato direto no carro e dou partida, seguindo para fora do shopping.

Estou nervosa e minhas mãos estão tremendo. Eu prometi a Sarah que cuidaria da sua filha e agora, estou indo a procura do sequestrador dela. Meu azar aumenta a cada dia. A má sorte deve andar ao meu lado e me chamar de melhor amiga. Estilo Bff’s.

Meu telefone começa a tocar e quando o pego vejo o nome Vitor piscar na tela. Não posso atender. Valentin disse que tem espiões dentro da nossa Máfia e se eu contar a ele o que pretendo fazer Julie morre e Vitor provavelmente irá me xingar e me crucificar pelo telefone. E eu já estou nervosa demais para discutir com ele pelo telefone. Droga, logo agora que a gente havia se acertado isso acontece. A pessoa lá de cima deve me amar muito, mas muito mesmo!

Meu celular vibra com a mensagem de Valentin e depois de decorar o endereço do lugar, mando uma mensagem para Vitor. Se tiver um chance de eu sair viva desse encontro com Valentin é assim, através dessa mensagem e espero que Vitor seja inteligente o bastante para perceber isso. Na mensagem para ele escrevo “vai dar tudo certo, apenas dê seu jeito com Muriel.”

E eu amo você.

[...]

O endereço que Valentin havia me passado me guiava até um galpão do outro lado da cidade, afastado de toda a civilização. O sol já estava se pondo, e a escuridão ia, aos poucos, tomando conta do lugar. O galpão é uma antiga fábrica de alguma coisa, deve ter sido abandonado pela alguma empresa. Estaciono o carro e já na entrada do galpão, vários homens armados a mando de Valentin, e eu nem faca tenho. Mas tudo bem é só respirar e cruzar os dedos, vai dar tudo certo. Certo?

Caminho confiante até a entrada e sinto os homens me fuzilarem com os olhos, um deles abre a porta e eu entro, sendo guiada pelo o mesmo. Passamos pelo galpão do lugar e subimos por uma escada que ficava no canto da parede, e no final dela havia uma sala onde o homem que me guiava me mandou entrar. Respirei fundo e me preparei para o que estava preste a acontecer. A porta se abre e eu entro, Valentin está sentado atrás de mesa pequena de ferro e me encara com seus olhos azuis, um azul tão claro quanto o mar do Caribe.

Depois de anos ali estava ele, o assassino do meu irmão, o homem que jura me amar, mas não se importa em me machucar de todas as maneiras. Tento me recompor e afastar os calafrios, não quero demonstrar que ele me assusta, não mesmo.

_Mon Amour . Quanto tempo, não? – disse com um sorriso enigmático no rosto.

O rosto de Valentin é pálido e fino, não deixando de ser defino. Seus cabelos são meio grandinhos e estão sempre jogados para trás, seu nariz é fino e seu porte físico é quase igual ao de Vitor, porém ele é um pouco mais miúdo. Com uma rápida olhada, noto que ele está vestindo um terno casual cinza. Ele não é feio, muito pelo contrário, só que os fatos me levaram a ter outra imagem sobre ele, ele não se parece em nada com o menino que eu costumava brincar quando criança.

_Onde ela está, Valentin? Cadê a minha sobrinha? – disparo.

Ele ri e se levanta andando lentamente em minha direção.

_Achou mesmo que eu tinha sequestrado a sua sobrinha? – perguntou sorrindo. Puta. Que. Pariu. – Você é ótima para desenvolver planos de ataque, para armar emboscadas, mas não consegue distinguir uma. Chega ser engraçado. Porém, esse é um defeito que me beneficia muito.

_O que está dizendo? Cadê a Julie, Valentin? – disse batendo em seu peito com raiva. – Onde ela está?

Ele ri como se aquela situação o agradasse.

_Eu acredito que na casa dos pais assustada depois que a tia dela a abandonou no shopping.

_Eu não a abandonei, você... – foi ai que tudo fez sentido. – Você só a afastou do meu campo de visão. – sussurrei ainda tentando desvendar como ele conseguiu fazer eu cair no seu plano diabólico.

_Ela só havia ido ao banheiro. – contou ele. – Claro que eu tive que contratar uma pessoa para levá-la, mas isso são meros detalhes. O importante é que agora você está aqui, comigo.

Ele acaricia o meu rosto e eu logo tiro a sua mão de perto de mim. Ele tenta mais uma vez me tocar, mas eu o desfiro um tapa com tanta força que ele cambaleia alguns passos para trás. Ele esboça um sorrisinho e toca a boca, que agora contém um pequeno corte em seu canto. Não dá outra e logo estou no chão acariciando o meu próprio rosto que arde com o tapa que recebi. Ele se agacha na minha frente e tem um olhar de pena ao me olhar.

_Você me faz ser assim, Valentina. Essa raiva que sinto é porque você me deixou.

_Eu nunca fui sua, Valentin! – gritei. – Você matou o meu irmão!

_Foi necessário, minha querida. Acredite... tudo ficou mais fácil depois que ele se foi.

Ele falava com tanta calma que me assustava.

_O que pretende fazer comigo? Vai me matar também? – pergunto enxugando as lagrimas no canto dos olhos.

_Não! – se assustou. – Nunca irei lhe fazer mau, acredite em mim. Eu amo você, Valentina.

O cara mata meu irmão, me persegue por toda a adolescência, fingi sequestrar uma menina de cinco anos, me dá um tapa que me derruba no chão e ainda tem coragem de dizer que nunca vai me fazer nenhum mau? E que me ama?

_Apenas irei machucar seu marido. O que acha? Assim você fica livre para ficar comigo para sempre.

_Eu o amo. – digo rapidamente. – E eu nunca serei sua.

Eu sei que eu não devia irritá-lo nessa altura do campeonato. Mas não consegui evitar. Valentin está doente, louco, obcecado e já está perdendo a noção. Suas ações só me fazem confirmar isso, ele não consegue enxergar que o mal que ele me fez seja verdadeiro, para ele, ele só está dando um jeito de se aproximar de mim.

_Você que pensa.

Então ouço um tiro. E depois mais um e mais um. Segundos depois uma guerra parece ter começado lá embaixo e eu sei que é Vitor. Valentin se assusta e eu aproveito e pulo em cima dele, na intenção de pegar a arma que está na sua cintura. Dou um soco em seu nariz e tento desprender a arma do seu coldre e consigo, porém ele é mais rápido e consegue bater em minha mão e mandar a arma para o outro lado da sala e segura meu queixo com força me jogando para o chão ao seu lado.

_Eu volto! – e ai ele saiu da sala.

Respiro fundo algumas vezes ainda deitada no chão esperando ele voltar com mais armas ou facas, só que ele não volta. Rastejo até a arma e a pego. Levanto-me e engatilho ela, me aproximando da porta, preparada caso Valentin volte. Passados alguns minutos e sem sinal de Valentin, me aproximo da porta e a abro, no andar de baixo vejo os seguranças da Máfia atirando contra os homens de Valentin, estava uma guerra lá embaixo. Um homem se aproxima e aponta a arma para mim, porém eu consigo desarmá-lo com um chute e antes que eu atire nele, Vitor faz isso para mim. Um Vitor muito bravo e irritado.

_O que você tem na cabeça? Por que você não atendeu a porcaria do celular? Merda, Valentina! Já é a segunda vez que você se coloca em uma situação de risco e eu tenho que vim te salvar.

Um “oi, amor, você está bem? Ele te machucou?” cairia bem agora.

_Seu rude! – grito de volta para ele.

_Ah, eu sou rude? – perguntou ele indignado.

_Sim, é. Será que você não podia ter sido um marido carinhoso e ter me perguntado “oh, querida, você se machucou?” em vez de começar a brigar comigo? Você podia ser um pouco mais atencioso de vez em quando Chiacchio!

Ele me fuzila com o olhar. Estávamos tendo um briga boba de casal no meio do fogo cruzado. Definitivamente nós não somos um casal comum.

_Você é que foi descuidada. De novo! Mas isso a gente resolve mais tarde. Vem!

Vitor me puxa e descemos a escada. O tiroteio já havia acabado e tinha vários homens mortos no chão, todos os homens de Valentin. Poucos dos meus haviam se ferido.

_Matem os que restarem. – a voz de Vitor sai fria.

Ele continua me puxando até o carro. Nós entramos e nenhum de nós falamos uma palavra. Ele está com raiva, mas eu não tive culpa. Essas coisas acontecem e eu nem vou tentar dialogar com ele sobre isso porque eu já sei o que ele irá falar: “esses tipos de coisas não podem acontecer.” Mas aconteceu, e eu não tive culpa!

_Como está Julie? – pergunto.

_Bem. – respondeu sem me olhar.

_Você não vai perguntar se eu estou bem?

_Você está falando, isso quer dizer que está bem. – disse ele.

_Você é tão grosso! – falei.

_E você é teimosa demais.

_Não acredito que está me culpando pelo o que aconteceu. Eu estava tentando salvar a sua sobrinha!

Ele permaneceu quieto e eu desisti de me explicar. Cruzei os braços irritada até chegarmos em casa. Fui a primeira a sair do carro e fiz questão de bater a porta com força. Entrei na casa e fui direto para o quarto. Entrei no banheiro e tirei com raiva todas as minhas roupas. Sentia raiva de Valentin, de mim e de Vitor. Sentia raiva da minha má sorte e por não poder fazer nada para mudar ela. Sentia raiva até dos rostinhos felizes do tapete anti-deslizante do box do banheiro.

Vida sofrida, eu sei.

Ligo o chuveiro e deixo a água quente cair sobre o meu corpo e levando por ralo a baixo toda a tensão de meu corpo. Minutos depois, Vitor entra no box. Ele está nu e eu tento ao máximo não olhar para baixo, tento focar em seus olhos que passeiam pelo meu corpo.

_Você está bem? – ele pergunta. – Ele tocou em você?

Ele se aproxima e toca meu rosto com delicadeza, sua voz transmitia preocupação e carinho. E isso me confortava.

_Sim e não. – respondo.

Ele olha nos meus olhos e vejo eles brilharam. Sua mão desce de meu rosto até as minhas costas e ele me puxa para si. Beija meu pescoço me causando arrepios debaixo d’água.

_Você devia ter atendido o telefone. – falou ele.

_Eu sei. – disse sentindo o prazer que o toque dele me causava.

Ele desce mais a mão e para na minha bunda, a apertando. Depois ele me empurra sutilmente para trás, até a parede, não parando de beijar e morder meu pescoço.

_Acho que eu devia fazer algo a respeito. – ele falou.

_Vai me castigar? – perguntei o provocando.

_É o que eu pretendo fazer.

Notas finais
E então? Gostaram? Bom, de primeira o Valentin iria apenas assustar a Valentina nos corredores do banheiro, mas ai eu pensei bem e me perguntei "por que não causar um pouco mais?" Hshaushaushau Espero que vocês tenham gostado! E por favor pessoas lindas, comentem, favoritem e recomendem! Estou tendo pouco incentivo através dos comentários e isso me deixa sem vontade se escrever e se vocês, leitores novos, aparecessem eu agradeceria muito, hein! O próximo capítulo já está pronto, se eu tiver vários comentários eu posto o mais rápido que eu conseguir! E é isso, pessoal! Beijosss P.S.: O capítulo não foi revisado, qualquer erro me perdoem e fiquem a vontade para me avisar. :)