A Máfia

9 Diversão em quatro rodas


Notas iniciais
Oi amores, sei que demorei e peço mil desculpas por isso! Mas aqui está mais um capítulo delicioso, vejo vocês lá em baixo. LEIAM AS NOTAS FINAIS, LEIAM AS NOTAS FINAIS

Sabe quando você sonha com algo bom e acorda já se espreguiçando e sorrindo? É desse jeito que acabo de acordar. Me sinto leve, realizada. Uma sensação boa percorre por todo meu corpo e não consigo tirar o sorrisinho bobo da minha face. É incrível o que o sexo faz com a gente.

Assim que acordo vejo que apenas eu estou na cama e com muito esforço me obrigo a sair do aconchego dela e ir tomar um banho. Não me importo em me produzir como ontem, apenas coloco uma calça jeans escura e uma regata branca, calço um par de chinelos e desço torcendo para que Vitor não esteja em casa. Passo no quarto de Lia e a mesma dorme como um bebê, fecho a porta de vagar e apresso o passo para ir até a cozinha, minha barriga ronca clamando por um caprichoso café da manhã. A mesa já está posta e me sento no lugar de sempre, me servindo de bolinhos e yorgutes. Como e bocejo ao mesmo tempo, estou cansada, preciso da minha cama novamente. Mas tenho que voltar para o quartel hoje, não terminei de ler todas as fichas e pouco sei sobre os negócios da Máfia e eu não posso ficar para trás. Esfrego os olhos e bocejo mais uma vez e Lia se materializa na minha frente.

_Bom dia. – diz ela.

_Bom dia. – respondo. – Dormiu bem?

Ela faz que sim com a cabeça e começa a tomar o seu café. Comemos em silêncio até Dominique aparecer e perguntar se precisávamos de algo mais, Lia se diz satisfeita assim como eu.

_Vitor já saiu? – pergunto.

_Sim, ele pediu para avisar que também não virá almoçar em casa hoje.

_Ah. – exclamo surpresa.

Dominique sorri inocentemente e sai.

_Você está bem? – Lia pergunta me retirando de um estado de transe que nem eu mesma havia percebido que estava.

_Acho que sim. – respondo.

Lia sacode a cabeça e se levanta, andando na minha direção.

_Acho que agora é um daqueles momentos em que nós nos enfiamos em um quarto com muita comida e conversamos abertamente sobre nossas vidas. – diz ela suave. – E no nosso caso, temos muito o que conversar. Mas vamos deixar a parte de “muita comida” de fora, agora que estou na América quero ficar em forma e conseguir um bom partido.

Sorrio com a última parte. Com Lia, não tinha momentos ruins, ela sempre deixava as coisas mais tranquilas, é como se ela tivesse esse dom de amenizar o problema das situações. Conversar com ela é como desabafar com Deus. Subimos para o quarto dela e nos jogamos na cama e ficamos encarando o teto em silêncio.

_Você quer desabafar? – pergunta ela depois de um tempo.

Eu queria contar, na verdade eu quero contar tudo para ela, até os mínimos detalhes, a parte difícil é relembrar.

_Eu quero, o que não quero é chorar por isso novamente. – digo encarando o teto.

Lia aperta a minha mão e eu a olho.

_Eu estou aqui. –diz ela me reconfortando.

E eu fico feliz por ela estar mesmo. Respiro fundo e me sento na cama com as pernas cruzadas, digo a mim mesma que chorar é coisa de marica.

_Como você está se sentindo?

_Usada.E na maior parte do tempo a pessoa mais idiota do mundo. – digo eu.

_Você não é a pessoa mais idiota do mundo, Valentina. – fala ela com convicção.

_Tem certeza? Então me diga como é que eu não percebi a semelhança do sobrenome de Vitor com o nome de uma família mafiosa? Eu sabia que conhecia aquele nome, mas nem procurei saber da onde era. E outra, meu próprio pai armou isso para mim.

_Eu sei, mas você estava começando a se apaixonar e nessa fase a gente fica boba mesmo. A gente nem percebe o tempo passar e muito menos ficamos reparando no sobrenome da pessoa. Você se apaixonou apenas, isso não te torna a pessoa mais idiota do mundo.

O bom de conversar com Lia é isso: ela realmente faz jus ao papel de melhor amiga. Eu sei que eu não sou culpada, mas eu fui muito idiota por não ter notado nada, nenhum indício de que Vitor estava me enganando, cai como um patinho. É como se eu estivesse em um sonho tão bom que evitava tudo que fizesse daquilo uma mentira.

_Eu me apaixonei de verdade por alguém que nunca existiu e vou sofrer essa consequência para sempre. – sussurro. – Mas eu não quero ficar me lamentando por isso, não mesmo.

_E por isso você vai entrar naquela fase de não se preocupar com nada e com ninguém e fingir que nada aconteceu? – perguntou ela.

Lia só pode ter superpoderes. Como ela soube?

_Como você... Por acaso você tem poderes ou coisa do tipo? – pergunto pasma.

_Eu te conheço Valentina, — diz ela. – Eu sei que você se esconde em uma armadura de ferro quando fica apaixonada e não vai ser diferente agora, mas eu não sei se isso é o melhor a se fazer. Não quero que você se deixe sucumbir por alguém que não é.

Se ela tinha razão? Ela não podia estar mais certa, e eu odeio quando ela faz isso.

_Nós transamos. Ontem à noite. – disparo sem pensar e a expressão dela muda drasticamente.

_Vocês o que? – pergunta piscando.

_Nós discutimos e depois transamos.

Lia fecha e abre a boca inúmeras vezes e eu repasso a noite de ontem na minha cabeça.

_Simples assim? Vocês discutem e depois transam? Bom, se for assim o seu casamento não vai ser tão horrível como pensa. – comenta ela sorrindo no final.

Olho para ela e tento ficar séria, uma tentativa inútil já que a mesma fica com um sorriso malicioso para mim. Ela pede os detalhes e eu o conto, sem omitir nada, do instante em que falei que o odiava até a hora de irmos dormir. Ela me ouvia atentamente e sorria nas partes mais quentes. Assim que termino de contar tudo e depois que ela faz as suas piadinhas sobre a minha vida, decido ir me arrumar para ir até o quartel.

_Vou avisar a Dominique que apenas você ficará para almoçar. – digo a Lia assim que acabo de me arrumar. – Não saia daqui, entendeu? Vou dar ordens para os seguranças que caso você tente fugir ou coisa do tipo eles terão permissão de te amarrar, entendido?

_Sim, senhora! – diz ela levando a mão a cabeça, fazendo uma referencia militar.

Sorrio dela e parto para o Quartel.

Em todo o trajeto até lá, um nervosismo toma conta de mim. Queria dizer para mim mesma que a noite de ontem não significou nada, mas estaria mentindo. Talvez o melhor que eu pudesse fazer era fingir que nada aconteceu. Ah, como eu adoraria saber o que se passa na cabeça de Vitor de vez em quando.

_Senhora, chegamos. – saio de meus devaneios e respiro fundo antes de entrar no quartel.

Só finja ser alguém sem coração, não se derreta por Vitor. Nada de sexo no escritório novamente.

Repasso isso na minha cabeça inúmeras vezes enquanto subo para o escritório de Vitor, tudo que tenho que fazer é entrar e fazer o meu trabalho. Isso. De modo que eu vou me aproximando do escritório, ouço uma voz doce vindo de lá de dentro, como uma criança cantando. Apresso o passo curiosa e quando entro no cômodo me deparo com uma menininha linda sentada no meio da sala cantarolando para os ursinhos de pelúcia ao seu redor:

_A dona aranha subiu pela parede, veio à chuva forte e a derrubou, já passou a chuva e o sol já vai surgindo e a dona aranha continua a subir.

A garotinha estava sentada no sofá que ficava no meio da sala e, como disse antes, cantava para os seus dois ursos de pelúcia quando entrei. Fiquei paralisada pela beleza dela, ela tinha os cabelos tão pretos quanto os de Vitor, cortados na altura dos ombros com franjinha. Os olhos eram de um castanho bem claro, assim como a pele. Ele vestia um vestidinho rosa e devia ter uns cinco ou seis anos.

_Quem é você?

Pergunta ela assim que me vê parada na porta.

_Me chamo Valentina. – digo me aproximando e me sentando no sofá a frente. – E você como se chama?

Ela me analisa de cima a baixo e tem os olhos semicerrados. Ela me lembra muito Vitor desse jeito.

_Gostei do seu nome. – diz ela. – O meu é Julie, minha mãe disse que é nome de boneca.

_Deve ser porque você é linda como uma. – digo tentando fazer ela sorrir.

E consigo. Ela dá uma risada gostosa e suas bochechas ficam ligeiramente coradas. Meu Deus, como essa menininha é linda!

_Você é a nova namorada do tio Vitor?

Tio Vitor? Vitor tem irmãos? É por isso que ela me lembra tanto ele, são praticamente pai e filha.

_Eu sou a mulher dele. Estamos casados. – explico.

Ela exclama um “ah” e depois sorri. Se levanta e vem até a mim, toca o meu rosto e acaricia a minha bochecha.

_Você é linda. – diz.

Ah como eu adoro crianças!

_Você também é muito linda. – digo sorrindo. – Mas me conta, o que está fazendo aqui?

Antes que ela pudesse dizer alguma coisa, Vitor e outra mulher entram no escritório conversando sobre algo. A mulher que o acompanha aparenta ser um pouco mais velha do que ele, e logo que nos vê ela sorri, e pelo sorriso, só pode ser a mãe de Julie, mesmo sendo loira.

_Oh, olá. Você deve ser a Valentina. – diz aproximando-se e estendendo a mão, me levanto e a aperto. – Sou Sarah, a irmã mais velha de Vitor.

Sarah é linda. Devia estar na casa dos trinta, mesmo assim ainda estava linda. Os cabelos eram loiros e batiam um pouco mais abaixo do ombro. A única coisa em que ela e Vitor se pareciam é no formato do rosto.

_Ah, é um prazer Sarah. – digo eu.

_Mamãe, ela é casada com o tio Vitor. Por que nós não fomos ao casamento deles?

Sarah pega Julie no chão e faz carinho na filha, que se vira para Vitor com uma cara feia.

_Tio Vitor, porque não me chamou para o seu casamento? – pergunta franzindo as sobrancelhas.

Vitor ri dá sobrinha e se aproxima de mim, parando ao meu lado e de frente para a pequena.

_Foi de última hora amore, sabe que eu iria adorar que você estivesse lá.

Julie faz biquinho e todos nós rimos dela.

_Bom irmão, eu já vou indo. – comenta Sarah, depois ela volta o seu olhar para mim e completa. – Eu só vim aqui para resolver alguns detalhes do baile de apresentação de vocês. Eu não sei se Vitor contou a você, mas sou organizadora de eventos.

_Não, ele não me disse. Mas fico feliz em saber que é você que está cuidando disso para nós.

Falo usando o tom mais formal que consigo. Olhando assim, até parece que sou a “boa esposa”. Só que Sarah parece ser uma boa pessoa e pouco sei sobre ela. Não quero descontar nada nela. E depois de mais alguns minutos conversando, marcamos um almoço na casa dela para nos conhecermos melhor, o almoço estava marcado para Domingo. Hoje é quarta. Sexta é o baile.

Depois que ambas saíram, eu e Vitor ficamos sozinhos na sala e ao olhar para ele, a cena de ontem passa pela minha cabeça e rapidamente a desfaço.

_Não me disse que tinha uma irmã. – digo.

Vitor suspira e vai até a sua mesa, se sentando.

_Você nunca perguntou. – diz com desdém.

Mordo os lábios curiosa.

_O que mais eu não sei sobre você? – pergunto.

Ele olha para mim e juro que consigo ver um sorriso.

_Fique a vontade para descobrir.

Eu volto a me sentar no sofá e cruzo as pernas. Hoje eu estou vestindo uma calça jeans escura e uma blusa de manga longa com um decote em V. Meus cabelos estão soltos e o máximo que eu passei de maquiagem hoje foi a base e o rímel. Tem dias que eu fico muito preguiçosa para me arrumar.

_Quantos irmãos você tem? – pergunto, começando uma pequena investigação sobre o marido que eu pouco conheço.

_Dois.Sarah e Miguel, eu sou o caçula.

_Eles trabalham para a Máfia também?

_Miguel sim, Sarah não. Apenas o marido dela, mas ela não gosta de se envolver, como ela mesma disse, tem uma empresa de eventos.

_E seus pais?

Vitor fica com um semblante mais sério. E começo a me perguntar se eles estão mortos.

_Vivos, se é isso que quer saber. Tomei o lugar do meu pai assim que me casei com você. Ele e minha mãe vivem aqui mesmo, em Chicago. Vai conhecê-los no baile.

_Eles sabem que mentiu para mim ou para eles somos um casal apaixonado? – provoco.

Ele para o que está fazendo e olha para mim e mais uma fez a cena de ontem passa pela minha cabeça. E tenho quase certeza que na dele também.

_Eles não sabem.

Fico feliz em saber disso. Quanto menos pessoas souberem, melhor eu me sentirei. Não é legal quando as pessoas ficam comentando o quão desgraçada sua vida é, já basta eu mesma para fazer isso.

_Vou viajar, volto ainda hoje. Assim que terminar seu trabalho aqui, volte para casa.

_Aonde vai?- indago curiosa.

_Alguns assuntos familiares. Não se preocupe. Divirta-se aqui.

Vitor se levanta e percebo que ele tem uma maleta consigo, um segurança bate na porta e Vitor sai acompanhado dele.

Depois que ele sai me preparo psicologicamente para começar a ler os relatórios da Máfia. Antes que eu me levante alguém bate na porta e eu mando entrar. É Muriel.

_Vitor, temos que conversar sobre o carregamento de armas. – ele entra despreocupado coçando a cabeça e ao olhar para o lado me vê, ele esboça um sorriso travesso e me cumprimenta. – Ah, olá Valentina.

_Muriel.– digo. – Vitor saiu. Algum problema?

_Bom, temos um novo carregamento de armas que vem do México, temos que bolar um esquema para que o conteúdo chegue aqui sem que a polícia nos barre.

Muriel senta de frente para mim, ocupando o lugar de Julie e vai me dando detalhes do novo carregamento.

_Podemos mandar buscar de madrugada, em um jatinho. – sugiro.

_Para isso teríamos que invadir o sistema de planejamento de voo e nos colocar no trajeto. Mas mesmo assim, ainda iríamos precisar de motoristas ágeis para pegar o carregamento, atravessar a fronteira do México e levar até o avião. – explica Muriel. – Você conhece motoristas assim? Estilo velozes e furiosos?

_Eu conheço um. – digo. – Na verdade conheço dois.

_E quem seriam eles? – pergunta ele.

_Josué e eu.

[...]

Aprendi a dirigir com 15 anos. Meu pai me ensinou. Claro que fizemos isso escondidos da minha mãe, ela não suportaria o fato de que sua filhinha estava se colocando em riscos aos 15 anos, já meu pai ficava orgulhoso ao saber disso. Homens... Pois bem, aos 18 anos conheci o mundo dos rachas em Los Angeles, quando acompanhei meu pai em uma viagem de trabalho. Eu simplesmente adorei aquilo, a adrenalina que a alta velocidade causa em seu corpo é totalmente incrível. Sem mais. Fiquei seis meses em LA aprendendo um pouco mais, participando de corridas ilegais e rachas. Aprendi também manobras perigosas e adquiri uma ótima experiência. Um dos meus professores foi Josué. E eu posso garantir que não tem motoristas melhores que nós, não querendo me gabar disso, mas já me gabando... Somos os melhores!

_Quer dizer que você é corredora? E das boas? – pergunta Muriel.

_Sim, eu sou uma corredora. Passe-me todas as informações da chegada do carregamento, vou falar com Josué agora mesmo.

Me levanto e me redireciono para a porta, quando eu estava quase saindo Muriel comentou:

_Sim, senhora. Mas isso vai rolar hoje à noite. Ficarão prontos até lá?

_Mas é claro que sim. – falo.

[...]

Josué, Muriel e eu estávamos agora no escritório resolvendo os últimos detalhes do plano e ele iria funcionar mais ou menos assim:

Primeiro, Josué e eu iríamos pegar o avião de carga da Máfia até a fronteira do México e pousar ilegalmente. Dentro do avião terão dois carros equipados e assim, Josué e eu vamos dirigir até o outro lado da fronteira aonde vamos nos encontrar com as pessoas do trafico de armas. As armas estarão em uma caixa gigante de ferro e vamos prender ela na traseira dos dois carros, semelhante ao filme Velozes e Furiosos 5, quando eles roubam o cofre do banco e saem arrastando ele pela cidade inteira. A diferença é que vamos arrastar a caixa com as armas pela fronteira do México até Tijuana — San Diego, onde o avião estará nos esperando. Claro que isso não depende somente de nós dois, teremos um hacker trabalhando conosco, ele será responsável de invadir o sistema americano e congelar as câmeras e os sensores de movimento. Desse jeito, poderemos ultrapassar a fronteira sem sermos percebidos. Assim espero.

E caso você esteja se perguntando “como é que eles vão passar pelo muro/barreira com os carros?” eu explico. Na extensão da fronteira de Tijuana, há uma montanha com um túnel secreto, construído pelos traficantes de armas, drogas e de pessoas. A polícia não sabe da existência dele e isso facilita muito. Por tanto, vamos ir e voltar por esse túnel secreto.

_O plano não parece ser muito perigoso. Porem tudo vai depender desse seu hacker Muriel, ele é bom mesmo? – pergunta Josué.

_Ele é ótimo. Um dos melhores com quem já trabalhei. – responde ele.

_Então é isso. A partir de agora só temos que seguir o plano conforme ele pede e tudo vai dar certo. Depois que pegarmos o carregamento e arrasta-lo até o outro lado, colocamos ele dentro do avião e voltamos para Chicago. – digo convicta de que meu plano é perfeito.

Todos concordam.

_Bom, se é só isso, vou descer e dar alguns retoques no carro. Vejo vocês daqui a pouco. – diz Josué.

Eu continuo ali, traçando uma rota menos perigosa para mim e ele. Sei que Muriel continua na sala também, pois sinto um par de olhos azuis em cima de mim. Estudando-me e me analisando.

_Vitor sabe o que está planejando fazer? – pergunta me provocando.

_Não. – digo.

E ele ficará furioso quando souber. A não ser que o plano de certo, ai ele ficará satisfeito.

_Tem certeza que quer fazer isso? É perigoso. – comenta.

_Eu não tenho medo. – rebato. – E se me der licença, vou ir me preparar.

Saio do escritório repassando o plano em minha cabeça. Não tem como dar errado, tenho certeza disso. É um esquema simples de entrar e sair. E eu sei que sou capaz.

[...]

23:24

O avião já estava pousando em Tijuana e Muriel acertava os últimos detalhes com a Máfia Mexicana antes de irmos pegar o carregamento com eles.

_Está tudo certo. Eles vão está esperando vocês na localização que eu passei para vocês via GPS. Vocês seguem as coordenadas e chegaram lá sem problemas. Sejam rápidos e ágeis.

_Certo.– digo.

O avião pousa e nós descemos no meio da mata e assim que descarregam os dois carros, Josué e eu nos apressamos a fazer a nossa parte.

_Fica com o rádio ligado, dessa maneira vamos poder nos comunicar. – Josué diz.

Faço o que ele pede e entro no carro, dou partida e logo eu e ele estamos correndo, vivendo mais uma pequena aventura no mundo da Máfia.

A partir do instante que acelero mais o carro, uma euforia toma conta de mim. A adrenalina sobe e um sorriso fica estampado em minha face. É como terapia. Você e a estrada, ninguém dizendo o que tem que fazer. É só você, a estrada e a velocidade ao seu favor. Uma história de amor bem mais linda do que a minha, com certeza.

_Valentina, estamos quase lá. Está armada, certo? – a voz de Josué ecoa pelo radio e eu me prontifico a responde-lo, confirmando. – Ótimo, lá estão eles. Fique atrás de mim e não diga nada, ok?

Respondo que irei fazer tudo que ele mandar e saímos do carro. O local de encontro é em um espaço amplo, quase um deserto. A iluminação é apenas feita pelos faróis dos carros. Saio do carro e Josué se aproxima os traficantes, dou uma olhada ao redor e não vejo em canto algum a caixa com o carregamento, me dando uma pulga atrás da orelha. Onde está, afinal?

_Olha só, vocês demoraram hein. Já estávamos quase indo embora.

O cara a frente é Dominique, chefe do quartel mexicano. Quer dizer, um dos chefes. A Máfia Mexicana é uma das mais complicadas e problemáticas, pois há várias delas e são poucos confiáveis.

_Na verdade, chegamos na hora. – diz Josué. – Onde está o carregamento?

Tinha mais ou menos oito homens ali, armados até os dentes. Com certeza estávamos em desvantagens e isso não está me cheirando bem.

_Valentina? Valentina Baldocchi, estou certo? – Dominique se dirige a mim e logo Josué se põe a minha frente. – Fiquei sabendo que se casou, espero ser convidado para o baile de apresentação da Máfia, adoro festas.

_Pouco te importa quem eu sou, viemos aqui para pegar o carregamento de armas. Onde está? – pergunto indiferente com ele.

Ele ri.

_Me surpreende vocês dois aparecerem aqui sozinhos. Ainda mais você Valentina, seu marido sabe que está aqui?

Bufo irritada. O que ele tem a ver com isso?

_Onde está o carregamento Dominique? – pergunto tentando manter a calma.

_Sabe, você está casada com um dos meus inimigos e é filha de outro inimigo meu, acho que acabo de arranjar um jeito de me vingar.

Meu corpo congela. Puta merda, e agora? Vou morrer aqui e agora. Morta por um bando de mexicanos meia boca. Um final perfeito para a minha vida perfeita.

Ok, nada disso. Não vou morrer dessa maneira. Pense, pense.

Então começo a rir. Uma risada fria e calculista.

_E depois que me matar? Você devia saber que eu, agora, sou uma das pessoas mais importantes da Máfia, pessoas me veneram. Se você me matar, virá gente de todos os cantos querendo a sua cabeça. Terá uma morte agonizante.

Os homens de Dominique ficam a postos com as armas em punho, prontos para apontarem e atirarem. Tento esconder o meu nervosismo e Josué também se prepara. Mas estamos em desvantagem, são oito contra dois. Se começarmos uma guerra, nunca sairemos daqui vivos.

_Também há gente querendo você, Valentina. Fui pago para te sequestrar está noite, e fique sabendo que fui muito bem pago.

Sequestrar? Ótimo, agora eu terei uma morte agonizante dentro de algum galpão qualquer.

Assim que Dominique termina de falar seus homens apontam a suas armas para nós e Josué e eu também.

_Largue disso Dominique, sabe que a garota tem razão. Vira gente de todos os cantos atrás de você! – grita Josué para ele.

_Até lá já estarei bem longe. Agora abaixe essa arma e prometo te matar bem rápido meu amigo.

Um tiro é disparado. Mas nenhum dos homens de Dominique foi o autor do disparo. O tiro veio de longe e foi o causador da confusão que se seguiu. Josué me arrastou para atrás do carro e ao longe avistei mais carros vindo até nós. Eles começaram a trocar tiros com o pessoal de Dominique e tive certeza que esses eram os homens de Vitor. Suspiro aliviada. Ele mandou me buscar.

_Bem na hora. – comenta Josué ofegante. – Está machucada?

Antes que eu responda Dominique aparece do meu lado e me agarra pelo braço. Grito com o susto e ele aponta uma arma para a minha cabeça.

_Vadia.Você vem comigo! – diz irado.

_Solta ela, Dominique! – grita Josué.

Os carros pretos chegam e vários homens descem dele. Dominique me arrasta para trás e vejo que todos os seus homens estão mortos.

_Valentina!

A voz de Vitor acalma meu coração ao mesmo tempo em que a adrenalina volta e ele bate mais rápido. Vitor não me mandou me buscar, ele veio me salvar.

_Vitor. – sussurro.

Vitor está cercado de seguranças armados que apontam a arma para Dominique, que me segura e aponta sua arma para mim.

_Solta ela, Dominique. E eu deixo voltar vivo para casa. – A voz de Vitor é desafiadora.

Ele ri e consigo sentir o cheio da maconha. Ele está drogado.

_Sabemos que você está mentindo Chiacchio. Mas se eu morrer, ela morre junto.

Não, não vai ser hoje que a morte irá bater na minha porta. Drogado do jeito que está, elaboro um plano rápido para me desvencilhar de seus braços e dá um jeito me salvar. Sendo assim, em um movimento rápido dou uma cotovelada em sua barriga gorda e ele estremece de dor se abaixando, segundos depois dou outra cotovelada nele, agora em seu rosto, mas precisamente em seu nariz. Dominique cai de joelhos gemendo de dor e me xinga de algo que não entendo. Nesse meio tempo vários homens me cercam e retiram a arma de Dominique e o segura pelos braços.

_Levem ele daqui. Vou cuidar dele mais tarde. – Ordena Vitor.

Ele se vira, guarda a arma no cós da calça e caminha até mim. Coloca as mãos em minha cabeça e me beija suave.

_Está machucada? – pergunta.

Faço que não com a cabeça.

_Quando eu disse para você se divertir Valentina, não estava escrito nas entrelinhas para você vir até o México e se meter em confusão.

Se Vitor está bravo, ele está fazendo o que pode para não gritar comigo. Duvido que ele esteja assim porque estou quase chorando, estou tremendo e mal consigo me mexer. Essa deve ser uma reação quase morte.

_Vem, vamos sair daqui.

Ele me puxa e entremos no carro, trinta minutos depois já estamos dentro do avião e eu corro para o quarto que nele tem. Jogo-me na cama e tento esvaziar da minha cabeça os pensamentos sobre minha possível morte esta noite. Realmente foi por pouco.

Ouço Vitor gritar com seus homens. Ele os xinga e exigi saber como que eu consegui sair para receber o carregamento sozinha e sem proteção. Ele xinga e grita, ora em italiano, ora em inglês. Sorrio dele e de seu temperamento, acho melhor eu ir me explicar, afinal a culpa é minha.

_Vitor, a culpa foi minha. Eu burlei todos e pedi ajuda a amigos distantes. Obriguei Josué a vir comigo pelos velhos tempos. Foi só isso. – digo calma.

_Só isso? – pergunta. –Você quase morreu hoje Valentina, você foi irresponsável. Não só você, como todos vocês!

_Não precisa gritar. Eu sei bem o que quase aconteceu comigo! Mas isso não vai acontecer novamente. – rebato.

Vitor me encara em silêncio e consigo ver a raiva que ele sente pelos seus olhos. Ele dispensa seus homens e passa por mim, entrando no quarto. Entro atrás dele e o observo tirar a camisa e se sentar na cama, apoiando os cotovelos nos joelhos. Me sinto mal. Ele está assim por minha causa, está quase arrancando os cabelos de raiva e a culpada sou eu. Acho que devo um pedido de desculpas, eu fui bem imatura vindo aqui sem seguranças. Entendo o lado dele.

Me aproximo dele e me apoio da parede a sua frente.

_Me desculpa. Não devia ter vindo até aqui. – sussurro.

Vitor me olha e estende a mão para mim, eu a pego e ele me ajuda a sentar em seu colo, sentada de frente para ele.

_Sei que você não vai me perdoar pelo o que fiz a você, mas eu peço que nunca mais faça algo desse tipo. Apesar de não te amar do jeito que você um dia me amou, eu me preocupo com você amore mio. Preocupo-me muito.

Meu coração acelera com suas palavras e com seu tom de voz que é doce ao mesmo tempo que demonstra preocupação. Acaricio seu rosto me perguntando quando foi que paramos de nos odiar. Mas talvez seja assim, talvez as brigas leve ao desejo carnal que é sucumbido pelo desejo que um sente pelo o outro. E, sim, talvez Lia também esteja certa, dessa maneira, meu casamento não será tão ruim quanto penso que vai ser.

Notas finais
E então? Gostaram? Amaram? Odiaram? Comente com as opiniões, dúvidas e elogios de vocês, adoro ler eles e isso me incentiva muito. E eu sei que tenho leitores novos, então se vocês pudessem fazer a gentileza de aparecerem! Agradeço pelos comentários recebidos até agora, vocês são um amor comigo e adoro todos eles. Ai meu Deus, Valentina só apronta não é mesmo? Não sei se o capítulo ficou tão bem revisado como os demais, portanto qualquer erro é só me avisar e eu darei um jeitinho. ALERTA DE SPOILER! O próximo capítulo vai ser sobre o tão famoso baile de apresentação de Vitor e Valentina e vai contar com trilhas sonoras maravilhosas e quem sabe, outra cena de amor entre o nosso casal favorito haha Bom é isso. Até o próximo, amo vocês :)