A Muralha
4 O medo rasteja pela noite.
A noite foi
regada a cerveja e muitas mulheres. Os patrulheiros cantava e gritavam a noite
toda, porém Rafael não conseguia se divertir. Apenas os mestres e o Avalon
ficou para proteger a muralha, Rafael se perguntava se o que Avalon havia dito
tinha fundamento e vendo toda aqueles homens bêbados e a vomitarem no chão
estava chegando a conclusão que o maldito tinha razão.
Rafael não se
lembrava como havia chegado de volta ao castelo, mas seus colegas de quarto
estavam jogados dormindo semi nus pelo chão.
-Droga.
A cabeça de
Rafael latejava quando Barahir Belegrir entrou no quarto tocando a trombeta tão
alto quanto era possível. Todos acordaram assustados e gritando de dor de
cabeça.
-Esta na hora!
Disse Barahir
Belegrir levantando os que continuavam deitados no chão pelos braços.
-Rápido.
E novamente a
trombeta voltou a ressoar pelo quarto.
Todos estavam em
volta de Barahir Belegrir que dava uma lição de moral, algo que Rafael ignorou
pois sua cabeça latejava demais.
-Comecem.
Rafael, venha você contra Geordanni.
Rafael se
lembrava de Geordanni, o mesmo rapaz ruivo que havia o ofendido e o qual ele
atravessou a faca no braço do rapaz.
Sentia a raiva
começar a vibrar em seu corpo, a sede por vingança salivava em sua boca.
-Comecem.
Gritou Barahir
Belegrir, Rafael avançou sem esperar qualquer sinal do inimigo e com vários
golpes curtos e rápidos fazia sua arma se chocar a defesa de Geordanni que
recuava sem conseguir atacar sequer uma vez. Rafael sentia a vitoria se
aproximar quando Geordanni tropeçou em uma pedra e caiu no chão, a lâmina de
Rafael atravessou a terra seca a milímetros do rosto do rapaz que tremia as
pernas.
Todos riam e
Rafael se permitiu um leve sorriso para seu inimigo que o fuzilava de raiva e
com os olhos cheio de lagrimas.
- Hemer, você
vai contra o Rafael agora.
Rafael surpreso
olhou para Barahir Belegrir e perguntou.
-De novo?
Barahir Belegrir
se permitiu uma leve olhava para Rafael e fez um aceno para que começassem.
Hemer correu em
direção a Rafael com a arma levantada acima da cabeça, a força fez Rafael ser
jogado para longe mesmo com a proteção da lâmina de sua espada, mas se
levantando rapidamente bloqueou todos os ataques compulsivo de Hemer que
concentrou seus ataques nas mãos de Rafael para retirar-lhe a espada, mas quem
conseguiu foi Rafael que com um chute no joelhos de Hemer o fez perder o
equilíbrio e foi finalizado com um golpe de misericórdia parado no ultimo
momento quando Rafael notou a presença de Avalon.
Saindo das
sombras da entrada do castelo Avalon retirava seu casaco de pelos enquanto
pegava sua espada da bainha com a mão esquerda. Avalon vestia uma blusa larga
de mangas longas e cheias seguido por uma calça de couro e por cima uma bota de
cavalgar de couro também, dessa vez seu cabelo estava preso em um mal feito
rabo de cabalo que deixava seu rosto delicado bem mais a mostra que o normal.
Parecia uma figura feminina com vestes de homem e olhar de demônio.
-Quero lutar
contra ele.
Disse Avalon sem
esperar a resposta de Barahir Belegrir se posicionou no meio do campo segurando
sua espada com o cabo para a frente com a ponta da espada para trás. Rafael se
aproximou segurando a sua espada com as duas mãos.
-Vamos fazer um
trato Avalon, se eu vencer você vai em um bordel comigo e vai beber a noite
toda. Feito?
Disse Rafael com
um sorriso maroto.
-Se eu vencer
Rafael, você vai orar todas as noites por não ter me enfrentado.
-Só isso? Então
eu vou ganhar para ser mais divertido.
Sem esperar o
sinal de Barahir Rafael golpeou Avalon na cintura que apenas movimentou sua
espada em defesa tão rapidamente que parecia ter premeditado o ataque de Rafael
e assim foi durante todos os ataques de Rafael. As espadas tilintavam o tempo
todo, mas Avalon não se mexia do lugar e em compensação Rafael pulava e
golpeava de um lado para o outro. Rafael já aparentava cansaço e em um ataque
fraco foi pego de surpresa por Avalon com um soco em seu estomago.
-Ainda é um
menino Rafael, tão fraco e gentil como a mais doce mulher. Não me surpreenda em
seus golpes haver altos e baixos. Queria saber por que razão você me intriga
tanto.
Disse Avalon no
ouvido de Rafael que se afastou e caiu no chão vomitando sangue.
-Eu ainda não
terminei.
Disse Rafael
tossindo e se levantando.
-Mas eu acabei
Rafael.
Avalon se
afastava quando Rafael o atacou por trás, foram movimentos milimétricos e a
espada passou raspando por Avalon que olhou Rafael e o levantou pelo pescoço. O
vento soprava e o silencio se mantinha ao redor, ninguém queria se meter e
Rafael ficava roxo e sem ar. Os olhos de Avalon se focaram nos de Rafael e a
raiva emanava deles.
-Avalon!
Gritou
Bartolomeu fazendo Avalon soltar o pescoço de Rafael e olhar com expressão de
nojo no rosto. O cheiro que circulava pelo ar agora era de podridão.
-O que aconteceu
Bartolomeu, estas branco.
Perguntou
Barahir.
-Encontraram os
corpos dos patrulheiros que saíram a dois dias. Seus corpos estão inteiros como
se não houvesse luta, mas estão gelados, brancos e sem qualquer sangue.
Disse Bartolomeu
olhando sem qualquer hesitação para Avalon
-Quero que veja
Avalon.
-Como quiser.
Respondeu
seguindo Bartolomeu. Rafael se recompôs e se juntou aos outros curiosos.
Os corpos
estavam em uma carruagem velha, quase com a pele acinzentada e os olhos
totalmente sem vida.
Os mestres se
juntaram a Avalon e examinavam os corpos.
-Acha que foram
os caçadores de sangue senhor?
Perguntou Galadhon
Forockell.
-Não, eu acho
que não.
Olhou para
Galadhon seguindo até seus olhos pararem em Avalon.
-É claro que
foi, não há outra explicação.
Barahir disse
cortando o gelo que se estabelecera no ar.
-Realmente, não
tem.
Disse Bartolomeu
examinando os corpos.
-Faremos um
enterro decente para eles ao amanhecer, mandem coruja para as família avisando
das perdas.
-Sim senhor.
Respondeu
Barahir se dirigindo ao escritório de Bartolomeu.
-Acho melhor
queima-los.
Disse Avalon sem
qualquer emoção.
-É claro que
não, são patrulheiros e devem ser enterrados junto aos outros.
Respondeu
Galadhon entre dentes.
-Então será seu
problema mais tarde.
Disse Avalon se
retirando para seus aposentos.
Galadhon parecia
querer avançar em Avalon como um leopardo em sua mais difícil caça, mas se
conteve diante de Bartolomeu.
-Porque ao
amanhecer?
Perguntou Jael,
amigo de Rafael ou pelo menos a única pessoa que respondia as perguntas sem
limites do rapaz.
-Um patrulheiro
dedica-se integralmente a noite até ver o sol nascer, assim é a vida de um
patrulheiro durante anos e é assim que deve acabar. No caso deles, o final é
literal.
-O que Avalon
quis dizer?
Rafael
permaneceu em silencio por um tempo e suspirou cansado.
-Não sei, não
existe uma palavra que Avalon diga que eu consiga entender.
O treinamento
continuou até o sol se por e todos se juntarem para jantar. Avalon não estava
presente e Rafael fora o único a notar isso, os demais e principalmente Jael
não paravam de tagalerar hipóteses sobre como morreram os patrulheiros e o que
aconteceu com os demais que não foram encontrados. Rafael estava sem qualquer
fome decidindo assim sair.
A noite estava
sem estrelas, com as nuvens a tomar todo o céu, o chão frio e com uma fina
camada de neve, Rafael subiu pelo elevador de madeira velha até o alto da
muralha. Estranhamente não havia ninguém rondando a área central, estava um
silencio e um vento de arrepiar as espinhas, Rafael continuava a seguir a
leste, seus passos faziam barulho ao pisar nos pequenos pedaços de gelo no
chão. A mata estava tão serena como em qualquer noite comum, mas hoje não havia
lua.
Entre sacudidas
e passos rápidos, Rafael tentava se aquecer foi quando ouviu um grito abafado
mais a frente. Seus passos ficaram presos de medo e suas pernas tremiam, não
sabia seguia em frente ou buscava ajuda. Mas poderia não ser nada e ele
passaria vergonha. Com cautela pela longa muralha segurou o cabo de sua espada
com força até que sua respiração parou e seus batimentos continuavam
rapidamente, ele estava branco como nunca e seus olhos se arregalaram ao que
viram.
O patrulheiro
caído no chão e uma criatura a sugar seu sangue que percebeu a chegada do rapaz
e se levantou em posição de ataque. A boca escorria sangue e os olhos estavam
de um dourado forte, Rafael não conseguia ver o rosto direito pois as tochas
estavam longe da criatura, mas ele sabia que aquele podia ser o seu ultimo
grito e não deixaria a criatura fugir mesmo a custo de sua vida.
-AAAAAA.
Gritou ele
correndo em direção ao monstro que se esgueirou e pulou da muralha
desaparecendo na escuridão. Rafael procurava tentando achar a criatura morta,
mas ele nada conseguia enxergar.
O homem da patrulha no chão era
Karalel, um dos mais experientes no grupo, mas agora perecia em seu posto, como
era destinado a todos. Rafael o arrastou até o centro do castelo e gritou por
ajuda, estava em lagrimas e todo ensangüentado, o horror e o desespero
percorriam sua pele.
Todos foram se
aproximando e se jogando no chão perto do patrulheiro e do Rapaz, Bartolomeu
acudiu Rafael o abraçando e tentando acalmá-lo
-Calma rapaz.
Disse ele.
Mas os olhos de
Rafael procuravam outra luz, outra pessoa a qual ele sabia que se sentiria mais
calmo e tranqüilo, porém ele não estava lá junto. Avalon não estava em lugar
algum.
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