A Morte Do Sol

9 Relatos do Diário de Arthur Montgomery: Primeiras Impressões da Família Blackwood


10 de fevereiro de 1870

“Cheguei à mansão dos Blackwood hoje à tarde, por volta das duas horas. A primeira impressão que tive foi de um lugar carregado de história e segredos. A arquitetura imponente e obscura e a vasta extensão da propriedade são impressionantes, mas há uma atmosfera sombria que permeia cada canto da mansão.

Ao entrar, fui recebido por Mary, a governanta. Ela é uma mulher de aparência discreta, mas sua autoridade é evidente em sua postura e no modo como conduz cada detalhe da casa. Mary, com seus cabelos castanhos presos em um coque apertado e olhos atentos, parecia conhecer cada centímetro da mansão.

Lady Morgana apareceu pouco depois. Aos 55 anos, ela é uma figura imponente, com olhos penetrantes e cabelos grisalhos ajustados em um penteado clássico. Havia algo nela que parecia observar e entender tudo, mesmo sem estar diretamente envolvida. Sua aura é ao mesmo tempo fascinante e perturbadora.

A mansão, com seus corredores intermináveis e quartos sombrios, tem uma biblioteca que me chamou a atenção. Repleta de livros antigos e manuscritos, é um verdadeiro tesouro de conhecimento e mistério. Passei algum tempo explorando as estantes, sentindo a presença de Lady Morgana em algum lugar próximo, embora nunca a visse diretamente. Era como se ela estivesse sempre à espreita, garantindo que eu soubesse que estava sendo observado.

A biblioteca, com suas prateleiras altas e livros empoeirados, exala um cheiro de papel velho e couro. Senti um calafrio ao passar os dedos pelas lombadas dos livros, como se cada um contasse uma história sombria da mansão. Lady Morgana, embora não estivesse fisicamente presente, parecia influenciar o ambiente com sua presença silenciosa.

Essa primeira visita à mansão dos Blackwood foi uma experiência intensa. Há algo inquietante e ao mesmo tempo fascinante neste lugar. Sinto que estou apenas começando a desvendar os segredos escondidos nas sombras desses corredores antigos. Estou ansioso e apreensivo para ver o que mais descobrirei nos dias que virão.”

14 de fevereiro de 1870

“Hoje, cheguei cedo à mansão Blackwood, por volta das duas horas da tarde, após alugar um carro para o trajeto. O dia estava calmo e o ambiente da mansão parecia ainda mais imerso em mistério devido à tranquilidade que envolvia o local.

Ao me aproximar da mansão, notei que Julian Blackwood estava saindo em um veículo. Embora tenha sido uma visão breve, parecia que ele estava a caminho da cidade para tratar de algum assunto. Era um homem reservado, e sua partida repentina só aumentou minha curiosidade sobre os assuntos que poderia estar resolvendo.

Entrei na mansão e conversei um pouco com Lady Morgana. A conversa fluiu naturalmente, e ao mencionar Julian, ela me informou que ele tinha compromissos na cidade. Sua resposta foi breve e, ao que parecia, não queria se alongar sobre os detalhes. Lady Morgana sempre teve uma maneira de falar que deixava muitas perguntas no ar, e hoje não foi diferente.

A saída de Julian e o mistério que sempre cerca suas atividades continuam a ser um ponto intrigante na minha investigação. Mesmo após a breve interação com Lady Morgana, sinto que há muito mais a descobrir sobre os Blackwood, especialmente sobre os detalhes que envolvem a vida privada de seus membros.”