A Morte Das Areias do Saara

36 Um peso sobre as costas


Notas iniciais
Era pra eu ter demorado mais pra escrever essa fic pq era pra eu ter escrito essa semana outra fic e não essa kkk mas a inspiração bateu forte e eu não pude resistir. Levando em conta o capítulo anterior e os comentários através das 3 plataformas que posto essa fic, decidi que os capítulos, ao invés de focarem em ao menos passar de 2k palavras, vão ser para tentar chegar o mais perto possível de 3k. as vezes ficando quase lá ou passando um pouquinho. espero que não se incomodem.

Aquilo que é uma abominação para o meu KA não entrará no meu corpo.

Eu viverei naquilo em que vivem os deuses e as almas-espirituais.

Eu viverei e serei mestre dos seus bolos.

Eu sou o senhor deles e os comerei debaixo das árvores do morador da casa de

Hathor, minha senhora.

~ Fragmento do Livro dos Mortos

Onde até algumas horas antes uma festa acontecia, agora os deuses se reuniam com expressões sérias no rosto considerando tudo o que havia acabado de acontecer. Dentre os deuses ali presentes, não era possível ver Sekhmet, pois esta havia partido pouco depois de Set, mas não sem antes lançar um olhar de difícil leitura para Nefertem.

Poucos dos deuses ali presentes estavam de bom humor ou de qualquer humor que chegasse remotamente próximo a isso. Os únicos que pareciam verdadeiramente calmos eram Ísis e Hórus. O bebê calmamente mamava no seio da mãe que com ternura o olhava e acariciava o ralo cabelo de sua cabeça.

— Onde está a tal espada? — questionava Shu olhando para Thoth — Sei bem que tem dedo seu nessa história.

— Meu?! — exclamou Thoth se fingindo de fingido — Acusa-me injustamente, irmão.

Thoth soltou tais palavras para Shu dando-lhe as costas, o que foi o gesto perfeito para dar um olhar silencioso para Anúbis que ninguém mais iria notar. O olhar de Thoth dizia o bastante, era um pedido para que Anúbis guardasse segredo sobre a localização da espada. A cena de Thoth passando a espada para Osíris no Salão do Julgamento se repetia diversas vezes na cabeça de Anúbis.

— O que tem de tão especial nessa espada? — perguntou Khnum tentando se atualizar da situação.

— A espada faz mais do que simplesmente nos cortar. — disse Thoth com uma expressão séria e cruzando os braços — Os cortes feitos com sua lâmina, não se curam. Nunca.

— Isso não pode ser verdade… — disse Hathor com nervosismo da voz, como se estivesse mais torcendo para não ser verdade do que realmente não acreditando no julgamento de Thoth.

— Infelizmente é, irmã. — disse Thoth — A espada é feita do mais puro caos que por séculos se acumulou no Duat.

— Caos do Duat… — repetiu Tefnut negando com a cabeça e soltando um suspiro — Set mexe com forças perigosas demais.

— Nut ficaria tão decepcionada de ver seu filho nessa situação… — disse Shu suspirando de forma cansada — Não o educou para ser assim.

— Não finja que se importa. — resmungou Bes — Ajudou a separar Nut e Geb.

— O que disse, anão?! — reclamou Shu entre dentes.

— Nada não… — disse Bes virando o rosto.

— Mas é verdade… — disse Tawaret mas, ao notar o olhar irritado de Shu, rapidamente se corrigiu — Me refiro a parte da decepção de Nut. Ela sem dúvida é bem doce.

— As vezes olho para o céu… — disse Ísis — E quase posso vê-la dentre as estrelas.

Apesar da clara saudade que os deuses sentiam do casal real anterior, Geb e Nut, respectivamente terra e céu, eles sabiam que tinham assuntos mais urgentes a tratar no momento. Não podiam se dar ao luxo de perder tempo nadando em memórias.

— Se ele pegou o caos do Duat… lá está com menos caos então? — perguntou Anúbis — Ou algo do tipo?

— Sim. — disse Thoth soltando um suspiro — Tenho de fato preocupação com esse detalhe. Tenho tentado falar com Ma’at mas… ela está reclusa como sempre.

— Deve sentir falta dela… — disse Anput.

— Sim… — admitiu Thoth soltando um suspiro pesado — Mas… deixe-me mudar de assunto levemente. Sabem bem quem se alimenta do caos do Duat para criar poder para si próprio.

— A serpente… — disse Néftis com um ofego preocupado olhando para a irmã que logo fechou a expressão enquanto cuidava do pequeno Hórus.

— Até mesmo Set tem medo dele. — disse Bastet encostada contra uma pilastra e de braços cruzados — E com muita razão. Apophis não é ninguém que se brinque.

— Acham que ele vai ficar irritado por ter tido seu caos roubado? — perguntou Nefertem.

— No lugar dele eu sem dúvida ficaria. — disse Thoth dando de ombros — Além de tentar encontrar Ma’at, acho que tudo o que podemos fazer é resolver essa situação com Set o mais rápido possível.

— E treinar Hórus muito bem. — disse Khnum.

— Bem queria encontrar um ponto de acordo entre ambas as partes mas… — disse Thoth mas logo foi interrompido.

— Não. — disse Bastet — Já passamos e muito do tempo de negociações pacíficas. Set tem que aprender seu lugar. Com Hórus aqui, ele não tem direito ao posto de Faraó. Sem falar que ele não se importa nem um pouco com os vivos.

— Falando em não se importar com os vivos… — disse Hathor — Achei que Serqet estaria do lado de Set, mas ainda não a vi.

— Graças a Rá! — exclamou Ísis — Já temos muitos problemas sem nos preocupar com Serqet.

— Se conheço minha irmã, — disse Tefnut — deve estar em algum lugar do deserto por conta própria sem querer ser incomodada pelos problemas daqui.

— Mas… — disse Shu — Depois dessa conversa toda, tenho mais certeza ainda que sabes onde está a espada, Thoth!

As discussões quanto ao paradeiro da espada rapidamente começaram novamente. No entanto, nem Anúbis, nem Anput, nem Nefertem participaram dela, pois viram Qebui se aproximando do lugar com cara de perdido.

Era óbvio que Qebui acabara de acordar, mas não estava com os males de uma ressaca devido aos benefícios de sua divindade. Contudo, ao verem o jovem se aproximando, os outros três deuses foram até ele e lhe guiaram para o jardim lateral.

— O que eu perdi? — perguntou Qebui perdido.

— Muita coisa. — disse Nefertem.

A voz de Nefertem foi como um despertador para Qebui que olhou para o deus dos perfumes com leve surpresa enquanto se lembrava de tudo que aconteceu na noite anterior. Quando a memória estava finalmente atualizada, Qebui corou muito e desviou o olhar. Tal ação não passou despercebida para Anúbis e Anput que se entreolharam se perguntando o que teria acontecido entre Nefertem e Qebui na noite anterior. Entretanto, bem sabendo que tinham suas próprias parcelas de aventuras noturnas resultantes daquela festa, a bochecha de ambos também ficou corada depois que eles trocaram aquele breve olhar que logo fez abrir um sorriso no rosto dos dois.

Os quatro se sentaram ao lado de um espelho d’água no qual uma solitária flor de Lótus boiava. Provavelmente alguém tinha a colocado ali na noite anterior. Naquele lugar tão calmo, atualizaram Qebui do que tinha acontecido com Set. Contudo, cada casal manteve sigilo de suas noites, mesmo que, sem Anúbis ou Anput saberem, Nefertem e Qebui bem tivessem mais do que uma simples ideia de o que eles passaram a festa fazendo.

Alguns dias se passaram desde então. Cada deus continuou seguindo sua vida quase que como sempre. As maiores diferenças aconteciam ao redor de Hórus, cujo lado da luta obteve os apoios de deuses como Khnum embora Shu e Tefnut tenham se mantido neutros.

Vários e vários metros abaixo da terra, conversas importantes aconteciam no recém reformado Salão do Julgamento. Sentado em um elegante trono dourado depois de ter tido uma longa conversa com Thoth, Osíris olhava para Anúbis com um doce sorriso.

— Então... — dizia Osíris — Foi assim que pensei em fazermos essa parte do julgamento das almas. Convidei deuses como Tefnut e Hathor para fazerem parte do júri geral. Quero conseguir chegar em 42 deuses. Mas podemos ir aumentando aos poucos visto que não acho que consigamos encontrar 42 que aceitem a ideia. Mas nos séculos vindouros, certamente novos nasceram conforme os humanos se desenvolverem e expandirem suas crenças. Como escriba real, Thoth ficará encarregado por registrar os julgamentos. Mas a parte final ficará sob sua responsabilidade.

— Minha… — disse Anúbis refletindo sobre o peso que acabara de surgir sobre seus ombros.

— Sim. Para aqueles que chegarem até ti, poderá decidir se a alma chegará até o Aaru ou se será punida. — explicou Osíris — Para aqueles que não conseguirem chegar até essa etapa final, poderá aplicar a punição adequada.

— Qual punição seria considerada adequada? — perguntou Anúbis — Depende dos crimes ou…?

— Certamente pode ser criativo com aquelas almas cujos crimes são grandes demais. — disse Osíris — Sei que talvez ainda não esteja pronto para encontrar outro… companheiro… para ocupar o lugar de Neby, mas encontrei uma ótima solução para acabar de vez com as almas dos indignos.

Com uma expressão curiosa Anúbis olhou para Osíris se perguntando o que ele tinha em mente. Além disso, no fundo de seu coração, sabia que não importa quantos séculos passassem, o lugar de Neby nunca seria ocupado.

Talvez imaginando o que se passava na mente do sobrinho, Osíris assobiou como quem chamava um cachorro. Contudo, os passos pesados que se aproximavam correndo, sem dúvida não eram de um cachorro.

Vindo de um dos corredores escuros que adentravam as partes mais profundas e escondidas do Salão do Julgamento, surgiu um animal que era a mistura de vários animais. Com cabeça de crocodilo e juba de leão, parte frontal do corpo também em formato de leão e parte traseira de hipopótamo. O exótico animal se aproximou de Anúbis e olhou-o nos olhos com alguma inteligência escondida. Além de ter notado que o animal era um palmo mais alto que a altura de seu joelho, Anúbis notou algo mais.

— Isso é um demônio… — disse Anúbis olhando para Osíris.

— Sim, de fato. — concordou Osíris — Apresento-lhe, Ammit, A devoradora.

— Um nome que combina. — disse Thoth — É formada pelos três maiores animais devoradores de homens.

Enquanto os dois deuses falavam, Anúbis se distraiu fazendo carinho atrás da orelha de Ammit que era uma estranha mistura de orelha de leão esverdeada com um misto de escamas de crocodilo e pelos. O estranho e exótico animal parecia gostar, pois logo fechou os olhos aproveitando o breve carinho.

— Além de tudo isso… — continuava Osíris — Claro, seria o segundo no comando do Salão do Julgamento.

— Ammit devorará os corações dos indignos, e a alma será destruída junto desse modo. — disse Anúbis e Osíris confirmou com a cabeça com um sorriso orgulhoso.

— Já tens ideia de como separará tais indignos dos dignos? — perguntou Thoth.

— Uma balança… e uma… pena da verdade? — disse Anúbis desviando o olhar de Ammit para Osíris — Guardião da balança e da pena da verdade… essa é uma das coisas que ainda não fazem muito sentido. Não tenho nenhum dos dois. Imagino que sejam para isso.

— Isso é porque tal parte é comigo. — disse uma voz feminina.

Os três se viraram para olhar para a entrada do Salão do Julgamento. Por ela, entrou uma mulher tão elegante e esbelta, que quase parecia etérea enquanto seu vestido de esvoaçante e flutuante linho se ondulava pelo seu corpo conforme andava, ou se arrastava pelo chão sem recolher nem uma grama de sujeira. Seu cabelo negro e livro escorria por suas costas escondendo o fecho do elegante colar do mais puro ouro que adornava seu pescoço. Seu rosto era gentil, seu olhar era pacífico, e sua mão era doce quando, ao alcançar Thoth, passou-a delicadamente na bochecha dele enquanto ele nem piscava e sentia as pernas ficando bambas.

— Ma’at… — sussurrou Thoth num mero ofego.

— Olá.. — disse Ma’at com um doce sorriso.

Ma’at e Thoth tinham um relacionamento extremamente complicado. O fato de serem irmãos era a menor das complicações. Os dois haviam se casado várias e várias décadas atrás, quando poucos dos deuses já existiam, mas estando Ma’at encarregada de toda a paz e equilíbrio, a distância se juntou ao relacionamento. Essa distância deu luz à saudade e, por vezes, até à solidão. Nesse ínterim, certas cobranças diminuíram. Um casamento egípcio padrão demandava fidelidade em questões sexuais, adultério era um sério tabu, mas isso não significava que não poderiam se casar com mais de uma pessoa. Apesar de tal prática ser mais comum entre a nobreza.

— Ma’at, é um prazer vê-la novamente. — disse Osíris.

— Não sei se posso dizer o mesmo. — disse Ma’at olhando para Osíris com o olhar julgador — Sei bem que esconde uma arma perigosa que nem deveria existir.

— Imagino que saiba também que não fui eu quem a criou, e sim Set. — disse Osíris tentando se defender.

— Sei. Mas também não a destruiu. — disse Ma’at — As forças estão desequilibradas pois aquela arma maldita aprisiona muito caos.

— Se destruirmos a arma, o caos ficará solto pelo Duat novamente e alimentará Apófis. — disse Thoth — Sem ele, ele deve estar mais fraco, certo?

— Creio que sim. — disse Ma’at — Mas também está mais raivoso. De toda forma, não vim aqui para isso. Não posso ficar muito tempo, então perdoem-me por não querer gastar muito tempo discutindo tais trivialidades.

Ma’at olhou para Anúbis calmamente e então estendeu a palma de sua mão para mais além do Salão do Julgamento, perto dos fundos. O chão tremeu levemente enquanto um bloco de pedra se erguia formando uma superfície e, nessa superfície, Ma’at fez aparecer uma elegante balança feita de ouro e adornada com delicados e pequenos detalhes florais.

A elegante deusa então olhou para Anúbis e juntou as duas mãos em sua frente como se estivesse segurando uma grande vasilha invisível pelo fundo desta. Dentre as mãos delicadas e bem cuidadas da deusa, uma luz branca e pura começou a aparecer na forma de um pequeno ponto. Esse ponto se expandiu até que ali existia uma esfera de luz que abrigava uma pena do mais puro branco.

— Concedo a ti, Anúbis, filho de Set e Néftis, o chacal, o embalsamador, a criança real decaída, primeiro dos ocidentais, senhor da Terra Sagrada, Aquele que está sobre a Montanha Sagrada, o cão que engole milhões, governador dos nove arcos, mestre dos segredos, aquele que está no lugar do embalsamento, guia de almas, protetor dos mortos, defensor das tumbas, patrono dos órfãos, senhor do embalsamento, deus da mumificação, deus dos funerais, deus da morte, guardião… da balança… — disse Ma’at olhando para a balança e então para a pena em suas mãos — e da pena da verdade, o poder de portar a pena da verdade e ela replicar sem ser afetado por seus mais puros poderes.

Ela ficou o olhando esperando ele pegar a pena e, entendendo o recado, ele aproximou suas mãos das mãos de Ma’at que facilmente passou-lhe a pena. Numa questão de frações de segundo, a pena flutuava em suas mãos. Tão bela e brilhante, que nem parecia um objeto de tamanho poder e potencial perigo.

— Aquele que porta a pena, sucumbirá em fogo ao sinal da menor mentira ou hesitação. — explicou Ma’at — Tal malefício não cairá sobre você, pois a partir de agora, é sua para fazer com ela o que bem entender. Seu peso é igual ao de uma alma mortal pura assim, ao julgar uma alma como digna ou indigna, poderá colocá-la na balança. E no outro lado da balança…

— O coração do falecido. — completou Anúbis como se sempre soubesse disso — Se a pena for mais pesada, a pessoa é digna. Se o coração for mais pesado… então a pessoa é indigna e terá seu coração devorado por Ammit que apagará da existência para sempre aquela alma.

— Perfeito. — disse Ma’at sorrindo.

Olhando para a pena sentindo a responsabilidade que ela representava, Anúbis lentamente fechou as mãos. Tal ato fez a pena desaparecer, mas ele sentiu que estava guardada dentro de si e que poderia invocá-la ou multiplicá-la quantas vezes achasse necessário.

Apesar da visita breve, Ma’at tinha que ir. Não poderia ficar muito tempo mais ali. Mas achou válido dar o luxo de alguns segundos para Thoth, ao se aproximar lentamente dele e tomar-lhe os lábios num doce beijo. Lentamente ela se afastou do beijo e, no meio dessa ação, sem dizer nem mais uma palavra, ela simplesmente desapareceu.

— Você está bem? — perguntou Osíris colocando a mão no ombro de Thoth.

— Não é exatamente fácil só ver sua esposa a cada 50 anos praticamente… e por tão pouco tempo… — reclamou o deus da sabedoria soltando um suspiro — Tem sorte que Lady Ísis pode vir visitá-lo.

— Imagino que não deva ser fácil. — disse Osíris — Mas tente se distrair com outras coisas. É claro… contanto que não traia Ma’at na cama.

— Não. Isso nunca. — disse Thoth negando com a cabeça — Nunca cheguei a tal ponto.

— Então… — disse Anúbis interrompendo a conversa um tanto sem graça — Devo presumir que por enquanto é isso?

— Sim. Em breve os julgamentos começarão. — disse Osíris — Mas para isso precisamos que as almas cheguem até aqui.

— Para isso, os humanos precisam saber os procedimentos funerários primeiro. — disse Anúbis.

— Nada como um jovem deus da morte que ainda precisa criar seu culto para o trabalho, não? — disse Osíris olhando para Anúbis cheio de expectativa.

— Talvez… — disse Anúbis coçando a nuca ao entender o recado — Pensarei sobre isso.

Com a mente cheia de decisões para fazer, Anúbis simplesmente desapareceu no Salão do Julgamento e foi parar em outro lugar. Antes de pensar nos detalhes de qualquer provável culto à si que pudesse criar, por mais estranho que isso pudesse soar, ele tinha outro assunto que queria resolver naquele dia. Assim, ele encarou por alguns instantes a aconchegante e convidativa casa que Hathor chamava de sua.

Ao se aproximar do portal da graciosa casa de barro batido, ele tinha certeza que Anput não estava no andar de cima. Afinal, não ouvia a sua voz nem sentia o seu cheiro. Bem sabia que ela havia ido visitar Shadya, Iset e Ahmen. Exatamente por isso que ele tinha que resolver aquele assunto naquele exato momento.

Contudo, ele não havia ido até ali para falar com Anput. Não ainda pelo menos. Ele olhou para seu real objetivo, Hathor, que com calmaria pintava uma cena com vários dançarinos e músicos, sobre um papiro estendido meticulosamente diante de si.

— Hathor… — disse Anúbis.

— Ora, Anúbis! — exclamou Hathor afastando-se de sua pintura para receber o jovem — Estranho ver você aqui. Anput saiu. Achei que fosse se encontrar com ela.

— Eu sei. Daqui eu provavelmente farei isso mesmo mas… precisava falar com você antes. — explicou ele.

— Comigo? — estranhou Hathor.

— Bem… — disse Anúbis respirando profundamente para dizer as palavras — Você criou Anput sozinha e… o ideal seria perguntar isso para o pai dela mas, como não existe essa possibilidade…

— Hum… acho que sei onde quer chegar. — disse Hathor abrindo um sorriso mas querendo ouvir as palavras saírem da boca de Anúbis.

— Hathor, eu gostaria de pedir sua permissão para pedir a mão de Anput em casamento.

Notas finais
## REFERÊNCIAS Hathor - https://riordan.fandom.com/wiki/Hathor Livro dos Mortos - https://www.holybooks.com/wp-content/uploads/Egyptian-Book-of-the-Dead.pdf Ma’at - https://riordan.fandom.com/wiki/Ma%27at Ma’at 2 - https://en.wikipedia.org/wiki/Maat Serqet - https://riordan.fandom.com/wiki/Serqet Caos - https://riordan.fandom.com/wiki/Isfet Julgamento Final - https://en.wikipedia.org/wiki/Judgement_(afterlife) Pós-vida - https://www.ancient.eu/article/877/egyptian-afterlife---the-field-of-reeds/ Ammit - https://en.wikipedia.org/wiki/Ammit Casamento - https://www.shorthistory.org/ancient-civilizations/ancient-egypt/marriage-in-ancient-egypt/ Equilíbrio e leis - https://www.ancient.eu/article/1126/balance--the-law-in-ancient-egypt/ Hathor - https://pt.wikipedia.org/wiki/Hator Musica - https://en.wikipedia.org/wiki/Music_of_Egypt ## ps: ao contrário da tradição cristã de estar virgem no casamento, era muito difícil chegar virgem no casamento no Egito Antigo kkkk