A Morte Das Areias do Saara

5 A separação da união


Notas iniciais
Olha o cap novo saindo direto do forno!! Esse cap tem algumas várias anotações marcadas com os números [1][2][3][4][5]. Elas se encontram no final do capítulo. :) * as imagens do começo do capítulo são screenshots do jogo Assassin's Creed Origins, pela Ubisoft. Os créditos pela maravilha das fotos e desse jogo, vão para eles. jogue! é muito bom! ♥ Muitas das referências e estudos dessa fic vem desse jogo. as imagens estão presentes para ajudar a imaginar tudo. no entanto, o jogo se passa na época de Cleópatra. Ou seja, lá pra 50 a.C. essa história começa lá pra 3100 a.C kk então tem uma diferença grande.

Você separa a cabeça da cabeça quando ele entra na divina mesquita. Ele faz-me partir para o templo dos deuses Kem-heru. "Montador de almas" é o nome do meu barco. "Aqueles que fazem o cabelo à cerda" é o nome dos remos. "Sert" é o nome do suporte. "Direção direta no meio" é o nome do leme; Da mesma forma, o barco é um tipo de ser transmitido no lago. Deixem-se dar-me vasos de leite, e bolos, e pães, e copos de bebida e carne, no Templo de Inpu (Anúbis).

~Fragmento do Livro dos Mortos

Com a expressão dura como ferro, Set passava a mão, pensativo, em sua barba triangular sem saber das três crianças que escutavam sua conversa. Anput e Qebui se entreolharam preocupados. Sentiam o suor frio escorrendo pelo corpo. Enquanto isso, Anúbis olhava a cena petrificado, nem se mexia. Na frente de Set, Néftis permanecia quieta, cabisbaixa. Seu braço estava doendo de onde Set apertou-lhe com força e sua cabeça doída devido ao puxão de cabelo.

Depois de alguns segundos, Set pareceu decidir-se quanto ao o que pensava, pois, afirmou com a cabeça e pareceu notar que Néftis ainda estava ali diante dele com uma aura de tristeza. Volúvel, Set levantou o braço com delicadeza para tocar o rosto da esposa. No entanto, o mero movimento fez com que Néftis se sobressaltasse e se encolhesse. Ele parou a mão no ar por uns segundos e, quando Néftis pareceu relaxar um pouco mais o corpo e abrir um dos olhos para ver o que ele fazia, Set voltou a mexer a mão usando-a para gentilmente acariciar a bochecha de Néftis. Os olhos de Néftis se levantaram encarando o rosto do marido. Frio, mas não mais com ódio. Ele pegou-lhe o queixo e se se aproximou do rosto da esposa para dar-lhe um beijo nos lábios.

— Peço que não conte para ninguém – disse ele, dessa vez, num tom mais calmo – Tentarei me controlar mais da próxima vez.

Néftis nada disse se conteve em afirmar com a cabeça.

— Vamos, sorria. – disse Set ao guardar a espada dourada que carregava num buraco negro que ele mesmo abriu em pleno ar – Temos uma festa para curtir e provavelmente nosso querido irmão vai querer fazer algum discurso.

Ele passou o braço ao redor dos ombros de Néftis e os dois foram caminhando de volta para onde a festa acontecia e as pessoas dançavam ao som da música. Mesmo Set tendo saído, demorou até as crianças se sentirem confortáveis o suficiente novamente para saírem de seu esconderijo. Era como se a presença ameaçadora e pesada do deus tivesse impregnado o jardim no qual eles estavam se divertindo até pouco tempo. Com o coração pesado como se um hipopótamo sentasse sobre eles, as crianças se entreolharam antes de sair de fininho de seu esconderijo temendo que Set fosse pular repentinamente de qualquer mísera folha de árvore.

— V-Vocês viram isso? – perguntou Qebui.

— Vi e não gostei – disse Anput.

— O que vamos fazer? – perguntou Qebui.

Quieto, Anúbis nada falava. Olhava para o portal por onde Set tinha acabado de sair. Suas pequenas mãozinhas seguravam fortemente o tecido do saiote de linho branco enquanto o garoto tentava digerir aquela cena dos pais dele. Tão diferentes de Osíris e Ísis que sempre pareceram se dar tão bem...

— Temos que... – começou Anúbis – Temos que contar para Osíris e Ísis.

— Sem que Set veja a gente – enfatizou Anput e os dois garotos afirmaram com a cabeça diante ao comentário.

Eles se aproximaram do portal usando as paredes de esconderijo e olharam para a festa discretamente antes de passarem por ele. Set estava quase do lado oposto da festa já. Ele e Néftis se serviam de vinho e conversavam com Sekhmet e Bastet. Sekhmet, a deusa leoa, conversava aparentemente civilizadamente com o casal enquanto Bastet, a deusa gata, revirou os olhos e se afastou da conversa visivelmente ao menos um pouco enojada.

Ao notar que Set parecia distraído, as três crianças entraram correndo no salão de festas muito embora seus pés ainda estivessem um pouco molhados por causa do banho que haviam tomado. Eles foram direto para onde Osíris e Ísis estavam. Cada um deles estava sentado em um trono luxuoso feito de ouro e prata. Osíris beijava as costas da mão da esposa que lhe acariciava o rosto delicadamente com a outra mão.

Quando as três crianças chegaram perto do casal real, elas pararam a alguma distância um tanto inseguras quanto à como prosseguir com a conversa. A chegada da criançada coincidiu com o momento em que Osíris soltava a mão de sua amada, dava-lhe um beijo nos lábios e se levantava do trono.

— Ora. Qebui, Anput, Anúbis. Desejam alguma coisa? – perguntou Osíris ao notar as crianças.

— Ah, já sei, querem experimentar o bolo açucarado [1]? – perguntou Ísis – Hathor e Tawaret [2] me falaram que está realmente muito gostoso. Acho que podemos tentar achar ainda algum para vocês depois do discurso.

— Ah sim! Vamos querer um pouco! – disse Qebui animado.

— Shiu! Agora não! – reclamou Anput reprendendo o amigo.

— Temos que falar de uma coisa bem importante. – disse Anúbis.

— Pois bem... – disse Osíris esperando o que as crianças iam falar.

— É... É segredo... – disse Anúbis olhando ao redor.

— Hum... Podemos falar depois do discurso então. Que tal? – perguntou Osíris e, como as crianças pareceram concordar, ele decidiu anunciar que faria o discurso.

Apesar disso, as crianças permaneceram de olho em onde Set estava e ficaram o mais perto que era possível ficar de Osíris sem que fosse indecoroso, mal-educado ou o atrapalhasse.

Quando os outros deuses notaram que Osíris iria falar, rapidamente eles começaram a se aglomerar mais perto de onde o trono estava. Sendo baixinhas, as três crianças permaneceram na frente. Dessa forma, elas poderiam ter uma visão bem clara de Osíris.

— Agradeço a todos por terem vindo até aqui hoje – disse Osíris começando seu discurso para que todos ouvissem. – Uma nova era começa para os deuses. O reinado de meu pai Geb chega ao fim através de meios pacíficos. Seguirei o exemplo de meu pai, Geb, assim como de seu pai, Shu, assim como de seu pai, Rá, que ilumina o Egito com a luz de seu sol e assim como de seu pai, Nu, que a tudo criou.

Osíris parou por uns segundos para pegar um fôlego e admirar a plateia. Sabia que as palavras que gostaria de proferir em seguida poderiam ser catastróficas e gerar muitas discussões. Por isso, gostaria de proferi-las com calma.

— Me sinto honrado em poder estar diante de todos aqui presentes como o novo faraó dos deuses. É bom saber que os deuses do Alto e Baixo Egito [3] se unem perante um. – continuou Osíris — No entanto, existe algo que me chama a atenção. Devem se lembrar, embora muitos os ignorem ou pensem neles como brinquedos. Sim, falo dos humanos. Seres de vida frágil e passageira temem que Khnum [4] não coloque no ventre de suas esposas uma criança, pedem que Tawaret dê à seus filhos um nascimento seguro, temem que seus filhos morram antes ou assim que saírem do seio da mãe.

Diante dessas palavras, alguns deuses já conversavam entre si o mais baixo que podiam perguntando-se onde Osíris queria chegar. Mal sabiam os deuses egípcios que em mais um ou dois milênios iam nascer os deuses gregos e estes seriam conhecidos por gerarem filhos semideuses com os humanos. No entanto, os deuses egípcios não faziam isso. Muito pelo contrario, poucos eram aqueles que viam os humanos como algo além de insetos.

— Devemos lembrar que embora os deuses do Alto e Baixo Egito estejam unidos, isso não é o caso dos humanos. Além de conflitos constantes entre os dois lados, eles ainda sofrem da falta de conhecimento, pois guardamos tudo o que sabemos para nós e deixamos que eles enfrentem as adversidades do mundo por si só. Um mundo cruel e uma experiência curta para seres de expectativas de vida que para nós não passa de um piscar de olhos. Por isso, vos digo, meus companheiros deuses, que, em meu reinado como faraó, não quero só ser o faraó dos deuses, quero também, se possível, ser o dos humanos e os guiar para o progresso para que o Egito seja um exemplo não só no plano divino, mas também no plano mortal, enquanto os dois lados avançam juntos.

As palavras de Osíris causaram uma comoção entre os deuses. A revelação foi tão bombástica e drástica que os deuses não mais se preocupavam em disfarçar o volume das vozes. Não era preciso ter um ouvido muito apurado para notar que as opiniões eram divergentes. Os deuses discutiam entre si e jogavam a Osíris perguntas. Este, no entanto, ignorou todas as perguntas e gesticulou com a mão pedindo calma. Ísis se aproximou do marido os dois entrelaçaram os braços e se olharam. Ela, com olhar preocupado pelo marido e seu plano. Ele, mostrando com o olhar que já imaginava que seria assim.

Quanto às três crianças, pequenas comparadas aos adultos, decidiram se afastar um pouco da agitação que o salão de festas havia ficado. Assim, permaneceram entre o casal real e a multidão de deuses descontentes que já estavam questionando as opiniões e decisões do faraó em seu primeiro grande discurso.

— Será que isso significa que poderemos brincar com os humanos? – foi tudo que Anput sussurrou para os dois meninos.

— Não sei... – respondeu Anúbis.

— Espero que não — respondeu Qebui.

Não adiantava como Osíris tentava pacificamente acalmar os outros deuses. Nada parecia dar certo. Enquanto isso, Set estava num estado de choque. Não esperava esse plano vindo do irmão. Ele definitivamente não era um dos deuses que tinha qualquer tipo de afeição pelos humanos. Muito pelo contrário, os considerava como brinquedos divertidos. Especialmente quando morriam de sede no Saara. Teria que mudar o plano que havia feito. Néftis olhou para o marido tentando ler em seu olhar tomado pela raiva o que se passava em sua mente. No entanto, logo a deusa notou que não seria necessário tentar decifrar o mesmo, pois, a voz dele rugiu pelo salão quando ele expressou o que pensava.

— NÃO OUSE! – esbravejou Set. A voz que soou como um trovão fez com que todos os deuses se calassem e olhassem para ele – SER O FARAÓ DOS HUMANOS? UNIR ALTO E BAIXO EGITO ENTRE ELES TAMBÉM? NÃO OUSE TOMAR UMA DECISÃO DESSAS SOZINHO!

— Não tomei sozinho, irmão – disse Osíris calmo enquanto Set abria caminho entre a multidão e o encarava – Pode não saber, mas perguntei a opinião de alguns deuses. Lamento se não esteve entre eles.

Set encarou o irmão fortemente. Seu rosto se avermelhava e era como se fosse explodir a qualquer momento. Todos assistiam a cena estáticos sentindo a tensão. Set se arrumou, estufou o peito e ergueu o rosto para ficar com um ar de superioridade maior que o irmão.

— Nós, deuses, seres superiores aos humanos, ajudar-lhes? – questionou Set e virou-se para a multidão de deuses – Nosso novo faraó nos toma por serviçais quando são os humanos, fracos e insignificantes, que deveriam nos servir.

— Não nos tomo por serviçais, irmão. Apenas creio que teríamos mais a lucrar juntos do que separados. – argumentou Osíris.

— Que benefício podem eles nos trazer? – questionou Set.

— Esquece-se também que nossos poderes estão relacionados às crenças desses seres que diz serem “insignificantes”.

— Mais fáceis de matar que um leão.

— E ainda assim, cheios de determinação, esperança e amor.

— E de pecados, erros e fraquezas.

— Não me digas que crê seres perfeito? – disse Osíris levantando as sobrancelhas indicando surpresa.

Aquilo, aquilo foi a gota d’água para Set. Ele fechou o punho fortemente, uma veia saltava em sua têmpora mostrando a sua raiva.

— Pois bem! Seja faraó dos humanos! – disse Set – Isso é... Se conseguir. Reclamas que os humanos do Alto e Baixo Egito não são unidos como os deuses do Alto e Baixo Egito. Não seja por isso, querido irmão. Deixarei os dois em pé de igualdade. EU e quem mais quiser se juntar a mim, pegarei o Alto Egito para que ambos fiquemos agora, separados.

— M... – começou Osíris que foi interrompido por Set.

— Ah não. Não terminei. – disse Set apontando o dedo para o rosto de Osíris — Geb também é meu pai, e o pai dele, Shu, também é meu avô, e o pai dele, Rá, também é meu bisavô, e o pai dele, Nu, também é meu tetravô. Tenho tantos direitos quanto você, Oh grande faraó. De toda forma, sou mesmo um deus do Alto Egito e você é um deus do Baixo Egito. Vamos ver quem consegue unificar esses seres miseráveis e ditar as regras desse novo Egito que você quer criar.

Notas finais
[1] Bolo açucarado - Sim, eles já conheciam bolo e açúcar. [2] Tawaret - deusa da fertilidade. Geralmente representada como uma hipopótamo com características femininas como seios fartos e barriga de gravidez. [3] Alto e Baixo Egito - Na história egípcia, o período do Alto e do Baixo Egito foi o estágio final de sua pré-história e precedeu diretamente a unificação da nação. Como o Nilo flui de sul à norte, o Alto Egito seria o sul e o Baixo Egito seria o norte compreendendo a parte do Delta do Nilo, uma região do Nilo que parece a letra grega devido as suas várias ramificações. A região do Delta do Nilo já é bem no extremo norte do Egito onde o Nilo deságua no Mar Mediterrâneo. [4] Khnum - deus carneiro da fonte do Nilo, responsável por ser o criador dos corpos de crianças humanas, que ele fez em uma roda de oleiro, de argila e colocado no útero de suas mães. ~~~~~~~~~~~~~~~~~ e é isso por hoje. espero que tenham gostado. comentem! adoro comentários ♥