A Morte Das Areias do Saara

9 A escuridão na boca do leão


Notas iniciais
olha o capítulo novo saindo quentinho direto do forno!! XD apartir de agora a treta só vai ficando mas séria eim? ;) divirtam-se e não fiquem com raiva de mim! * as imagens do começo do capítulo são screenshots do jogo Assassin's Creed Origins, pela Ubisoft. Os créditos pela maravilha das fotos e desse jogo, vão para eles. jogue! é muito bom! ♥ Muitas das referências e estudos dessa fic vem desse jogo. as imagens estão presentes para ajudar a imaginar tudo. no entanto, o jogo se passa na época de Cleópatra. Ou seja, lá pra 50 a.C. essa história começa lá pra 3100 a.C kk então tem uma diferença grande.

Eu sou a deusa Sekhmet, e tomo meu assento no lugar ao lado de Amt-ur, o grande vento do céu. Eu sou a grande deusa estelar Saah, que mora entre as almas de Anu. Agora, quanto a cada magia, e toda palavra que se disser contra mim, todo deus da Companhia Divina se oporá a ela.

~Fragmento do livro dos Mortos

Anúbis sabia que não era o vento frio da noite que fazia sua nuca ficar arrepiada quando ele sentou na cama e seus olhos intercalaram entre a porta e a varanda. Ele sabia, muito embora não pudesse ver, que algo não estava certo. Visualmente, estava tudo normal, mas ele ouvia o leve farfalhar de roupas e o barulho fino e quase imperceptível de cobras. Neby também levantou a cabeça e pulou para cima da cama do dono. Inquieto, o pequeno chacal não sabia o que fazer. Enquanto Anúbis colocava seu pequeno pé no chão de pedra, Neby já pulava da cama e ia até a porta rosnar.

— Shiu. Fica quieto – sussurrou Anúbis ao se ajoelhar ao lado do pequeno animal segurando-o.

Os dois olharam para a escuridão do corredor, o fogo dos archotes já havia se apagado e, por isso, pouco dava para se ver. Grudado a parede, Anúbis foi dando pequenos passos em direção ao quarto de Osíris e Ísis. No entanto, ele parou. O motivo de ele ter parado foi uma sombra que pareceu se mover ao lado de uma janela. No segundo seguinte, seu nariz percebeu o cheiro. Sangue, morte.

Anúbis, esperto, sabia que a melhor coisa a se fazer naquele momento era ficar quieto. Especialmente quando ele ouviu passos se aproximando. Ele se encolheu tentando se esconder nas sombras, mas Neby rosnou na direção de onde vinham os passos do estranho. Desesperado, Anúbis colocou a mão no fucinho de Neby parando o rosnado e então o pegou no colo.

Mas era tarde demais.

— Parece que temos um bisbilhoteiro... – sussurrou uma voz suave e baixinha. Anúbis conhecia a voz, mas não sabia de quem era. Não conseguia lembrar. Tudo que sabia agora, era que era uma mulher.

— Sinto o cheiro... – sussurrou uma segunda voz. Também de mulher, só que mais pesada e forte.

O coração de Anúbis batia cada vez mais rapidamente enquanto ele olhava ao redor desesperado perguntando-se como sair dali sem que as duas mulheres percebessem. A voz vinha do portal que estava em sua diagonal. Esse portal, único ponto por onde a luz alcançava o corredor, levava a sala do trono. Enquanto o garoto agradecia ao fato de ainda ter algum archote acesso, a mulher de voz suave parece ter até ouvido o pensamento do menino, pois logo ela apagou o fogo e a escuridão completa tomou conta do lugar.

A única coisa que Anúbis conseguia ouvir era seu coração que batia no compasso ritmado do nervosismo. Em um quarto de batida, um súbito alerta natural piscou em seu cérebro.

PULE!

Seguindo os instintos um tanto caninos, Anúbis pulou para o lado e, se tivesse demorado um pouquinho mais, teria sido transformado em café da manhã pela mulher que pulou exatamente em sua direção em busca de sua garganta tanto com as presas como com as garras. De braços fortes, cabeça de leão, voz forte, dentes afiados e sujos de sangue, Sekhmet tentava transformar Anúbis em sua presa.

— É a cria de Set. – disse a deusa logo rugindo preparando outra investida.

— Não podemos deixá-lo chegar até Osíris – disse a outra voz que Anúbis não quis parar para ver quem era enquanto ele corria até os aposentos do tio.

Carregando Neby no colo, o menino corria sentindo que, por mais de uma vez, por pouco não foi atingido pelas garras de Sekhmet. No entanto, seria ilusão dizer que a fuga estava indo bem. Antes de chegar até o quarto de Osíris, Anúbis tropeçou e caiu no chão. Tudo o que pode fazer, foi cair de lado para não esmagar o pequeno chacal. O garoto sentiu a dor ao cair em cima do braço esquerdo e, ao olhar para ver no que tropeçara, viu que seus pés estavam enroscados em uma cobra.

Neby pulou dos braços do garoto e começou uma briga contra a cobra, uma naja egípcia.

— Não! Neby! Pera! – gritou a criança já sabendo, devido às aulas, que a cobra era venenosa.

Anúbis, no entanto, nada pode fazer pois Sekhmet o agarrou pelo pescoço com a mão direita prensando-o contra a parede e, com a mão esquerda, tampou-lhe a boca.

— Quietinho aí cachorrinho. – disse Sekhmet para Anúbis num sorriso sangrento e afiado de assustar qualquer um.

— Acho que ele é um lobinho, Sekhmet... – disse a segunda mulher passando por de trás de Sekhmet seguindo pelo corredor. Ela era Naunet, esposa de Nu. De cabelos azuis e pele morena, a deusa das águas primordiais seguia o corredor com cobras em seus braços e pescoços sendo seguida por dois leões provavelmente controlados por Sekhmet.

Anúbis se debatia desesperado por Neby enquanto sentia os olhos encherem de lágrimas. Sekhmet era forte demais, não conseguia se livrar de sua mão enorme. Os bracinhos da criança se debatiam, agarravam o braço musculoso da deusa leoa tentando se soltar. Arranhava, esperneava, apertava. Até que ele sentiu aquele mesmo poder de antes, aquela mesma força negra e pesada que havia percorrido o seu corpo no dia que salvou Neby e matou um humano. Deixou que ela escapasse pelas duas mãos e sentiu a pele de Sekhmet sob seus dedos se desfazer lentamente.

— Ow! O cachorrinho tem poderes no final das contas? – disse Sekhmet não muito preocupada. Afinal, era era uma deusa, assim como Anúbis não seria tão fácil de matar (motivo pelo qual era parecia mais focada em o deixar quieto), ela também não seria – Quieto aí, sarnento!

Sekhmet apertou a mão forçando a cabeça da criança mais contra a parede. Podia ser imortal, mas ainda sentia dor. Anúbis tentou gritar de dor mas, com sua boca fortemente tampada, o grito não passou de um resmungo. No entanto, foi quando Neby gritou de dor e chorou ao receber a mordida da naja que Anúbis desesperou.

De olhos arregalados e mareados, o garoto esperneou ainda mais. Ele olhou para Sekhmet com o mais puro ódio, e teria feito o mesmo com Naunet se soubesse onde ela estava. E foi aí que surgiu do chão pequenas nuvens de fumaça negra. Na escuridão, não dava para as ver, mas elas estavam ali. De dentro delas, saíram seres de boca escancarada, dentes faltando, sem nariz ou olhos, braços cadavéricos com pequenos resquícios de carne ou carne alguma. Três esqueletos, de cabeça lisa ou alguns poucos fios que resistiram, um deles com um globo ocular que lentamente caiu no chão quando o único pedaço de carne que o mantinha preso se partiu. Os braços secos, descascando com restos de pele e as costelas numa macabra combinação de ossos, restos carne, pele e órgãos que preservavam um frágil equilíbrio ao manter dentro da caixa torácica o que ainda havia dentro dela.

— Quê? – disse Sekhmet olhando para os três esqueletos sem entender, foi esse mesmo olhar de questionamento que Anúbis tinha também.

Todavia, preocupado com a saúde do amigo, Anúbis tentou mesmo em meio a escuridão olhar para Neby. Como se o olhar da criança fosse o comando, um dos esqueletos separou a cobra do filhote de chacal deixando Neby tremendo no chão. A cobra atacou o esqueleto que apenas a olhou com curiosidade enquanto ela tentava, inutilmente, morder seu braço ossudo. O esqueleto olhou a cobra com curiosidade antes de forçadamente abrir a boca dela com suas duas mãos a ponto de até rasgar um pouco a lateral da boca. Ele rapidamente enfiou os dentes da cobra no ombro de Sekhmet que urrou de raiva e, quando um segundo esqueleto foi tirar de suas entranhas uma espada enferrujada para atacar a deusa leoa, esta teve que largar a criança para se defender e brigar com os dois esqueletos.

Anúbis caiu no chão e, no segundo depois, também caiu a cobra quando Sekhmet a arrancou de seu braço. Ocupada com os dois esqueletos que pareciam saber lutar, a deusa não tinha tempo para Anúbis. O terceiro esqueleto, no entanto, pegou a cobra que ainda estava viva e foi abrindo a boca dela, rasgando o seu corpo separando-a em dois até que as duas metades jaziam mortas no chão.

Neby tremia sofrendo pelo veneno enquanto Anúbis pegava delicadamente a pequena criatura. Anúbis não sabia bem o que fazer no momento, só sabia que tinha que sair de perto de Sekhmet. Ele começou a correr, ouvia barulhos vindo do quarto de Osíris. Além disso, ele estava preocupado com Neby. Anúbis não sabia nenhuma magia de cura, esperava que Ísis pudesse curar o pequeno companheiro ou pelo menos que Toth estivesse mais perto. Ele olhou com o canto do olho para o esqueleto que ainda o acompanhava e esse, o olhou com um olhar de curiosidade. Ou o máximo de curiosidade que era possível expressar quando não se tinha mais globos oculares e já mal se tinha pele, quem dirá sobrancelhas.

Enquanto corriam, achou ter ouvido um órgão do esqueleto caindo no chão. Anúbis fechou a cara tentando ignorar o som enquanto o esqueleto também não parecia ter ligado muito.

Quando Anúbis virou a direita quase tropeçando ao entrar no quarto de Osíris e Ísis, ele chegou ao mesmo momento em que Osíris dava um poderoso golpe em vertical de cima para baixo com a sua Khopesh na cabeça de um dos leões. A cabeça do leão se abriu ao meio e sangue jorrou como um chafariz manchando as roupas do faraó. Se livrando do leão, enquanto o outro já estava jogado morto no chão, Osíris passou sua atenção para Naunet e suas cobras. Muitas das cobras, Ísis já tinha se livrado e, prova disso, eram o sangue em suas roupas e a maça em sua mão.

— Anúbis! – disse Ísis ao ver o garoto entrando no quarto. Não muito chegada à conflitos, tão pouco uma boa lutadora, ela correu para a criança mas olhou de cima a baixo para o esqueleto – O que é isso?

— Acho que eu o invoquei. Tem mais dois lá atrás brigando com a Sekhmet. – disse Anúbis.

— Sekhmet? Isso explica o leão – disse Ísis.

As conversas teriam que ficar para depois. Naunet lançou para todos os lados ao redor dela uma onda de água forte e alta que teria derrubado à todos se Ísis não tivesse lançado um feitiço que cortou a onda d’água quando ela se aproximou dela, de Anúbis, Neby e do esqueleto. Osíris, no entanto, não foi tão astuto quanto a mulher. Quando Naunet ia se aproveitar do fato que sua onda jogou Osíris dolorosamente contra a parede, Ísis foi mais rápida e conjurou feitiço atrás de feitiço acertando a deusa. Embora Ísis proferisse diversas palavras de poder jogando com suas mãos os feitiços delas, Naunet desviava ou parecia mal sentir os ataques.

Ha-di!— gritava Ísis proferindo o feitiço da destruição embora a única coisa que parecia estar sendo destruída, era o quarto deles.

Anúbis mordeu o lábio inferior quando Osíris se juntou a batalha. Queria ajudar, mas não sabia lutar e mal controlava seus poderes mágicos. Sentindo o desejo de batalha de seu invocador, o esqueleto se juntou a batalha. Osíris no começo se mostrou confuso com a ajuda repentina, mas logo ele e o esqueleto foram lentamente entrando em sincronia. Com Naunet ocupada, Ísis aproveitou para checar se Anúbis estava bem. Ela se virou para o menino que estava atrás dela e seus olhos percorreram o pequeno corpo notando como seu pescoço e seu rosto estavam vermelhos devido ao aperto de Sekhmet.

— Você está bem? – perguntou Ísis.

— Estou, mas Neby não! Cuida dele Lady Ísis! Por favor! – pedia o menino com lágrimas nos olhos – Eu não sei as magias de cura! E a naja mordeu ele. Ele tá tremendo!

Sem pensar duas vezes, Ísis apontou as duas mãos para a pequena criatura e começou a o curar uma vez mais. O pequeno animal lentamente ia parando de tremer e voltava a respirar com normalidade enquanto a luta entre Osíris e Naunet continuava. O quarto logo se tornou pequeno demais para o conflito e, quando Anúbis e Ísis notaram, a parede se quebrava levando a luta para o jardim. Ísis virou o rosto preocupada, mas logo voltou a dar atenção ao pequeno chacal cuja situação era mais preocupante.

Alguns minutos depois, Neby estava ótimo. Não só antes estava envenenado, como também repleto de pequenos ferimentos. Ísis sorriu, aliviada, assim como Anúbis que sorriu ao ver o rosto saudável de seu pequeno amigo e o deu um delicado abraço temendo que ainda estivesse machucado. Esse não parecia ser o caso já que logo o pequeno chacal lambia o rosto da criança fazendo com que ela risse e Ísis abrisse um doce sorriso esquecendo-se momentaneamente dos problemas que os cercavam.

Enquanto os dois estavam focados com a saúde de Neby, sorrateira e silenciosamente, Sekhmet surge e, com a enorme boca aberta, esbarra em direção aos três tentando obter a presa que mais quer. Neby cai no chão com um choro de dor, assim como Ísis que bate a cabeça. O maior grito de dor de todos, no entanto, foi de Anúbis que, se viu com o corpo parcialmente preso na enorme boca leonina de Sekhmet que, com sinais de luta contra os esqueletos, veio buscar vingança contra o pequeno deus pela humilhação.

Notas finais
### REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ### Naunet - http://egyptian-gods.org/egyptian-gods-naunet/ Sekhmet - https://pt.wikipedia.org/wiki/Sekhmet Casas Egípcias - http://antigoegito.org/as-casas-egipcias/ Templos Egípcios - https://pt.wikipedia.org/wiki/Templo_eg%C3%ADpcio Anúbis - https://en.wikipedia.org/wiki/Anubis Chacal Egípcio (que na verdade descobriram q é um lobo kk. N faço biologia, n me pergunte a diferença. depois eu pesquiso) - https://en.wikipedia.org/wiki/African_golden_wolf#Behaviour Naja - https://pt.wikipedia.org/wiki/Naja_haje Osíris - https://pt.wikipedia.org/wiki/Os%C3%ADris Ísis - https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dsis Khopesh - https://www.ancient.eu/article/1035/weapons-in-ancient-egypt/ / https://www.youtube.com/watch?v=BkiJY2QJmjg / https://en.wikipedia.org/wiki/Khopesh Feitiços - http://riordan.wikia.com/wiki/Divine_Words Livro dos Mortos - https://www.holybooks.com/wp-content/uploads/Egyptian-Book-of-the-Dead.pdf ##### e é isso por hoje XD sou um amor de pessoa né? até o próximo capítulo pessoinhas :3