A Missão
23 Confusões Á Vista...
Notas iniciais
No capítulo anterior...
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– Ufa! Escapamos por pouco!
– E o que foi aquele beijo? Você apertou tanto meus cabelos que acho que arrancou um pedaço — Jack disse passando a mão pelos cabelos.
– Me desculpa. É que era o único jeito de escaparmos. Você quer que ele descubra que estávamos nos comunicando com a SIE, ou pensasse que éramos apenas dois adolescentes se pegando? Eu quis tornar realista.
– Tudo bem. Mas ual, você beija bem!!
Sorri e corei um pouco.
– Bem, eu sei.
Rimos.
– Mas é sério, você até que me deixou com '' gostinho de quero mais ''.
Olhei para ele franzindo as sobrancelhas. Rimos novamente. O sinal bateu.
– Bem, é melhor irmos. ''
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Voltamos para a sala. O pessoal já estava sentando em seus lugares. Becky me chamou com a mão. Me despedi de Jack dando um beijo no canto de sua boca. O mesmo sorriu e foi para seu lugar, no mesmo instante que Jennifer o chamou. Me sentei no meu lugar. Ethan, que sentava ao meu lado cochichou:
– Como foi?!
– Foi péssimo. O diretor nos pegou! — Eu disse apoiando o cotovelo na mesa.
Ethan riu debochado. Fiz uma careta e bati em seu ombro.
– Levaram detenção? — Ele perguntou ainda rindo.
– Não, mas se você continuar a rir eu vou levar detenção por te matar!!
Ele levantou as mãos em sinal de rendição, fazendo força para não rir. Revirei os olhos.
O professor de Língua Portuguesa entrou na sala. O mesmo era barbudo, baixinho e tinha olhos escuros. Aparentava ter uns 60 anos. Ele cumprimentou á todos, inclusive á mim e á Jack. Ele era bem legal. Engraçado e tinha muita energia, o que me fez repensar se ele realmente tinha 60 anos. Seu nome era Fernando, e ele apenas mostrou exemplos na lousa, explicou a matéria detalhadamente e corrigiu uma tarefa. Mas, para nosso azar ele passou 2 páginas de questionário para casa.
Logo depois lembrei que seria aula de artes. Eu, junto de meus amigos fomos para a sala da matéria. A mesma era enorme e uma grande iluminação vinha de uma única e enorme janela; bem parecida com aqueles de igreja. O chão, com piso de madeira brilhava a luz do sol. Nas paredes haviam prateleiras de metal onde haviam diversos materiais para a aula: Pincéis, aquarelas, canetinhas, lápis de cor, argila, gesso, e diversos outros materiais. Em uma espécie de ''exposição'', haviam várias telas feitas pelos alunos na parede, cada uma assinada.
– Isso foi um trabalho que fizemos semana passada — Becky disse apontando os quadros — Era sobre o que queríamos ser quando nos tornássemos adultos. O meu é aquele!
Ela apontou para um quadro onde havia um computador perfeitamente desenhado, com gráficos e números. Olhei franzindo as sobrancelhas para ela.
– Sério? Você quer fazer administração?
Ela deu de ombros.
– Sei que parece chato esse trabalho. Afinal a única coisa que eles fazem é ficar na frente de um computador o dia todo, fazendo contas, gráficos, mandando emails, e tomando café... Mas eu realmente quero fazer isso. Me dou bem com números e computadores.
Sorri de canto.
A professora entrou na sala. Todos os alunos se silenciarão e esperarão ordens. A professora era alta e tinha cabelos compridos e lisos. Vestia um vestido com listras, estilo marinheiro, e por cima do mesmo um jaleco branco. Usava óculos quadrados e grandes. Ela sorriu ao nos ver.
– Olá alunos! Boa tarde! Ah, e vejo que temos novos alunos!
– Sim senhora — Respondi — Sou Kim e aquele é Jack.
– Prazer em conhecê-los! — Ela apertou minha mão e depois a de Jack — Me chamo Caroline, mas me chamem só de professora Carol — Ela piscou ao dizer a última frase.
Sorri.
– Bem pessoal, hoje a aula será de tema livre!
Todos os alunos comemorarão com palmas e assovios.
– O que é tema livre? — Perguntei para Jade.
– É uma aula especial, só tem uma vez por semana. É onde você pode escolher o que fazer.
– Hum, ok.
– MAS! — Continuou a professora, em tom alto, fazendo os alunos pararem e bufarem — Vocês irão fazer duplas, e eu irei escolher! E será pintura!
Alguns alunos protestaram, e outros reviraram os olhos.
– SEM MAIS SEM MENOS! — A professora disse fazendo todos cessarem as reclamações — Bem, vou começar a dizer os nomes. Assim que dizer vão para seus lugares e esperem minhas ordens para pintar. Bem, Fernanda com Vitor, Clarisse com Nick... — Ela continuou — Rebbeca com Jack.
– O QUE?!! — Protestou Becky.
– O que foi senhorita Stewart?
– Mas, eu queria ir com a Kim!
– Tudo bem Becky — Jack disse — Eu não mordo — Nesse instante todos os outros alunos caíram na gargalhada. Olhei para Becky que estava vermelha de vergonha. Fiquei com raiva de Jack, não precisava zoar com ela assim!
– Olha Becky, vai com o Jack — Eu disse cochichando — Ele é assim mesmo. Logo logo serão amigos. E deixa que depois eu dou um corretivo nele — Eu pisquei e sorri travessa ao dizer a última frase.
Becky sorriu e murmurou algo como: Só você mesmo... Ela se sentou ao lado de Jack que ainda ria. Tive vontade de estrangular ele, mas me contive. A professora continuou a falar os nomes.
– Kátia com Taylor... Kimmy com Jennifer.
– O QUE?!! — Eu e Jennifer dizemos juntas.
– Ah, senhor... O que foi agora senhorita Sullivan e senhorita Crawford?
– Eu, não vou fazer dupla com ela– Jennifer respondeu em tom de nojo.
– Qual é Jennifer– Eu disse me aproximando com as mãos na cintura — Tá com medinho? — Eu continuei fazendo biquinho — Eu não mordo não! — Todos os alunos caíram na gargalhada, e Jennifer me fitou com ódio. Ela vinha em minha direção mas a professora entrou no meio de nós duas e gritou:
– PAREM!! ISSO É RIDÍCULO!! — Ela respirou fundo e continuou — As duas vão fazer SIM uma dupla. E se brigarem de novo eu irei manda-las para o diretor! Estão ouvindo?
Assentimos com a cabeça.
– Ótimo! Agora sentem em seus lugares e comecem a pintar!
Jennifer bufou e se sentou ao meu lado.
– Bem — Ela disse — Não fale comigo, não pergunte nada, não me toque e nem pense em mim!
– E porque eu pensaria em você?
Ela deu um risinho irônico. Pude ver ela pegar o pincel e uma tinta rosa. Peguei meu pincel e pensei no que desenhar. Então tive uma ideia. Peguei um lápis e comecei a desenhar. Fiz o lôgo do dojo Bobby Wasabi, e a frente dele, eu em posição de luta. Sorri com o resultado e peguei tinta verde para pintar o lôgo. Como fiz grande me levantei e com cuidado fui pintando. Depois de quase meia hora, consegui terminar e sorri com o resultado. Peguei com cuidado e deixei na mesa da professora Carol, que fazia anotações em um caderno.
– Está lindo! — Ela disse — É você?
– Sim, sou eu.
A professora sorriu mais uma vez e pegou o quadro, o colocando para secar no sol. Disse para os demais alunos que ela iria pegar mais panos e já voltava. A mesma saiu pela porta, e a sala, que estava silenciosa e tranquila virou uma farra. Não especificamente isso, mas muitos alunos começaram a conversar alto e andar pela sala.
Voltei para meu lugar, e vi que Jennifer desenhava uma flor. Estava bonito, mas eu não queria dizer isso á ela. Fechei os potes de tinta e os guardei na prateleira de ferro. Voltei e coloquei os pincéis num pote de água enquanto arrumava as outras coisas. Peguei um pincel e sequei o mesmo num paninho. Afundei novamente o pincel na água, e olhei em volta. Vi que Becky nem olhava na cara de Jack, mas ele tentava conversar com ela. Tirei meu pincel da água e olhei novamente. Jack tentava tocar Becky, mas ela batia em seu braço, irritada. Olhei para seu quadro. Ela desenhava um bosque com lindas flores, árvores, e animais. Estava incrível! Parecia profissional. Enquanto ela dava um toque de verde no desenho da grama, Jack colocou seus braços em seu pescoço e cochichou algo em seu ouvido. Ela ficou parada por um momento, completamente estática. Até que ela mexeu os ombros com força, tirando os braços de Jack do mesmo. Nesse instante ela acabou borrando o quadro com a tinta verde. Ela gritou de raiva e olhou furiosa para Jack, que ficou um pouco envergonhado.
Ouvi Jennifer gritar, e até então percebi o que tinha feito. Olhei para minhas mãos, e vi que tinha respingado tinta verde no uniforme, e um pouco no rosto de Jennifer. A mesma se levantou e me encarou dizendo:
– SUA IMBECIL!!! OLHA O QUE VOCÊ FEZ!!
Não aguentei e comecei a rir.
– DO QUE TÁ RINDO? SUA FILHA DA... — Ela falou.
– NEM PENSE NISSO!! — Eu gritei á encarando.
Jennifer sorriu travessa e pegou um pote de tinta rosa. Ela abriu o mesmo e encheu a mão de tinta. Arregalei os olhos e quando vi ela tinha passado a mão pelo meu uniforme, o deixando todo cor de rosa. Arregalei os olhos, e fechei os punhos, pronta para dar um soco nela, mas quis me vingar de outra forma. Peguei a tinta verde de cima de um balcão e abri a tampa. Sorri e andei até Jennifer. A mesma me olhou assustada, e enquanto me chingava de '' idiota, imbecil, ridícula '' e outros nomes que não prefiro citar, derramei a tinta em cima de sua cabeça. A mesma ficou com o cabelo e o rosto todo lambuzado. Eu caí na gargalhada, assim como os demais alunos. Jennifer me fitou com raiva e fez o mesmo que eu fiz, com tinta azul claro. E assim começou uma verdadeira '' briga de tinta ''. Eu derramava potes de cores variadas como verde, roxo, laranja e amarelo em Jennifer, e ela fazia o mesmo com tinta vermelha, azul, rosa, marrom e branco. Foi aí que a professora entrou na sala.
– MAS O QUE SIGNIFICA ISSO! — Ela disse com os olhos arregalados e as mãos na cintura.
Engoli em seco.
– FOI ELA QUE COMEÇOU! — Eu e Jennifer falamos juntas, apontando uma na direção da outra.
A professora nos encarou por um tempo e por fim disse:
– AS DUAS JÁ PARA A SALA DO DIRETOR!! AGORA!! — Ela apontou para a porta.
Abaixei a cabeça e olhei para mim mesma. Parecia que um unicórnio tinha vomitado em mim. Juntas, eu e Jennifer andamos caladas para a sala do diretor. Quando chegamos lá, ao lado da porta havia uma mulher sentada á frente de uma pequena mesa de madeira escura. Em cima da mesma havia um computador da Apple, pastas, cadernos e uma caneca azul escura, provavelmente com café. A mulher digitava no teclado. A mesma usava óculos pretos, e tinha os cabelos lisos, e com um comprimento até a orelha. Ela vestia um blazer azul escuro com o nome da escola bordado em dourado.
– Com licença — Eu disse — Fomos mandadas para o diretor.
A mulher nos olhou e por um momento ficou surpresa ao ver o estado em nós estávamos.
– Ah, sim. Ele está em uma reunião.
– Mas, temos que falar com ele — Protestou Jennifer.
– Querida, melhor não interrompe-lo. Voltem para a aula e depois falem com ele.
– Mas estamos cheias de tinta! — Eu disse.
A mulher nos olhou de cima para baixo e balançou a cabeça em sinal de negatividade.
– Venham comigo! — Ela disse se levantando.
Á seguimos passando por alguns corredores, até chegarmos á uma área especial. A pequena sala era uma espécie de '' banheiro ''. Haviam 4 boxes pretos com chuveiros dentro, e pendurado nos mesmos toalhas pretas.
– Tomem um banho e eu pegarei roupas limpas para as duas — A mulher disse.
– Porque a escola têm esses boxes com chuveiros? — Eu perguntei.
– Justamente em caso como os de vocês. Se por algum motivo se sujarem bastante. E temos roupas reserva. Não são uniformes, mas é a única alternativa, a menos que queiram ficar todos sujas.
Assenti com cabeça e entrei em um boxe. Eles eram totalmente escuros, fazendo com que ninguém visse por dentro. Fechei o mesmo e tirei toda a roupa. Pendurei as mesmas no boxe e liguei o chuveiro. Prendi meu cabelo em um coque alto para não molhar o mesmo. Tomei um banho rápido. Desliguei o chuveiro e me sequei. Me enrolei na toalha e saí do boxe, percebendo que Jennifer ainda estava no chuveiro. Revirei os olhos e encontrei a roupa limpa em cima da bancada. Era uma camiseta branca sem mangas, e um short jeans escuro e um pouco curto. Me vesti e soltei o cabelo.
– JENNIFER! — Eu gritei.
– O QUE FOI? — Ela gritou.
– Melhor você ir logo, a aula de Teatro já vai começar! E... Eu vou indo na frente.
Jennifer bufou e desligou o chuveiro. Saí da sala e com ajuda me orientei pelos corredores da escola, até localizar a sala de Teatro. Ouvi algumas vozes e deduzi que a aula já estava começando.
Entrei na sala. Me surpreendi ao ver que era uma sala realmente imensa! As paredes eram de veludo roxo escuro com grandes luzes nas mesmas. O chão era de um carpete acizentado e haviam diversas e mais diversas poltronas que me pareciam confortáveis, espalhas pela sala; da cor vermelho bem escuro. O palco também era enorme. No fundo do mesmo haviam diversos instrumentos musicais como bateria, guitarra, baixo, trompete, violão, violino e outros. O palco era alto e havia uma escadinha de 5 degraus em um canto. O chão do mesmo era de madeira clara, que brilhava a luz.
No centro do palco a professora conversava com os alunos. Ela tinha cabelos curtos e meio desarrumados, loiros amarelados com luzes brancas. Tinha olhos escuros e usava uma calça preta justa, e uma camisa comprida com uma manga. Calcava sapatilhas azul marinho de couro. Nas poltronas da primeira e segunda fileira estavam os alunos. Jack estava sentando com os populares. Olhei em volta em busca de meus amigos, até eu avista-los. Sorri e me aproximei, me sentando ao lado de Jade.
– Kim? — Ela disse cochichando.
– Ah, oi!
– Vejo que você tomou um banho não é mesmo?
– Pois é, eu achei meio estranho esse colégio ter chuveiros e roupas limpas para os alunos usarem...
– É em caso de emergências, coisas do tipo.
Assenti com a cabeça e comecei a prestar atenção no discurso da professora.
– Oi Kim! — Becky disse inclinado o corpo para frente, pois Jade estava entre nós duas.
– Oi! Como se chama essa professora e do que ela está falando mesmo?
Becky riu baixinho.
– Ela se chama Ana, e está explicando os planos para este ano, ela também disse que têm uma novidade!
– Hum, ok.
– Bem — Disse a professora — Hoje, eu quero dizer que iremos fazer uma peça!
Os alunos comemorarão.
– E sobre o que vai ser? — Perguntou um dos alunos.
– Bem... Senhorita Sullivan?! Está atrasada!
Olhei para trás e vi Jennifer chegando. Como sempre mantendo a pose de modelo e o olhar de autoridade sobre os alunos.
– Desculpe professora, houve um pequeno problema– Ela disse me fitando.
– Bem, sente-se!
Jennifer sorriu e foi para perto de Jack. Uma garota que estava ao lado dele rapidamente se levantou, como se Jennifer tivesse feito algum tipo de telepatia com ela. Jennifer se sentou e passou suas mãos sobre os cabelos de Jack. O mesmo virou a cabeça e sorriu, só então olhou pelo canto do olho e me viu. Eu estava indignada. Tá, sei que não sou a namorada de Jack de verdade mas, todos pensam que sim, e ele faz isso? Deixa qualquer garota toca-lo? E o que vão pensar de mim? Que sou '' chifruda ''. Não sei se esse é termo politicamente correto, mas dá á entender isso mesmo. Não podia deixar Jennifer tomar Jack de mim, e fazer com que a escola toda zoe de mim. Eu tenho que fazer algo. Como uma namorada falsa é claro. Se não tivéssemos que fingir isso não estava nem aí pra quem Jack olha, ou sorri. Mas, outro lado de mim, por mais que eu tente negar, tem ciúmes sim. Eu... Eu amo o Jack. De verdade. Seria um sonho tê-lo como meu namorado, mas acho que não é pra ser assim. Não é o nosso destino. Toda vez que nos aproximamos acontecem coisas desastrosas. E eu não quero perder a amizade dele. Não quero que ele saia da minha vida. Mas eu não consigo me controlar. Ele é charmoso, talentoso, fiel, e etc, etc, etc... Mas, não é nosso destino ficarmos juntos. E eu tenho que seguir com a minha vida. Quem sabe algum dia encontre alguém que vale a pena.
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