A Missão do Anjo

2 O Segundo Ato do Anjo.


A Missão do Anjo.

O Segundo Ato do Anjo.

Quando Mary Jane Whiles voltou para casa, esperava seriamente ser recebida com palavras de preocupação e um abraço caloroso, mas o que recebeu com sua chegada foi um olhar severo de sua mãe, que estava parada no batente da porta, batendo o pé no chão diversas vezes. A mestiça de cabelos louros engoliu um seco antes de ter suas asas escondidas, abaixando a cabeça quando parou em frente a Jane Whiles.

— Por quanto tempo deixei-o esperando? – no fundo, Mary Jane não queria ouvir a resposta.

— Meia hora, minha filha. – Jane murmurou irritada, olhando brevemente para trás, vendo Lúcifer quase subir pelas paredes. – Por mais que eu seja a favor de você ajuda-los com estas benditas criaturas, não se é nada educado deixar um conselheiro esperando.

— Prometo que isso não vai mais acontecer. – a mestiça prometeu em voz baixa, levantando a cabeça e vendo a mais velha respirar fundo antes de sorrir calmamente, acompanhando a jovem até a sala.

O Conselheiro dos Anjos era um homem velho com pele enrugada, um olhar severo e seus lábios formando uma linha reta. Usava um terno impecável, e sustentava uma maleta preta em seu colo, como se fosse um verdadeiro executivo. Seus cabelos grisalhos e ralhos sustentavam-se no topo de sua cabeça, um pouco bagunçados. Ao perceber a chegada da mestiça, limpou a garganta em uma falta tosse enquanto a mesma se sentava a sua frente, no outro sofá de couro vermelho.

— Identifique-se. – sua voz era grossa e baixa, soando como uma ordem.

— Mary Jane Whiles, filha do Arcanjo Oliver. – a jovem respirou fundo, sorrindo docemente. – É bom vê-lo novamente, Conselheiro... creio que ainda se lembra de mim.

— Muito bem, srta. Whiles, espero que esteja de acordo com tudo o que irei falar. – o velho anjo fez uma pequena pausa antes de continuar. – Como uma mestiça, sua missão é encontrar sua vocação como anjo, certo?

— Exato, senhor... totalmente de acordo.

— Muito bem, espero que esteja fazendo progresso em sua busca. – suas mãos pequenas agarraram a alça de sua maleta, apertando-a entre seus dedos. – Todavia, srta. Whiles, há algo de extrema urgência que gostaria que ficasse a parte do assunto. Como sabe, as Figuras estão vagando pelo mundo humano, e isso não é nada bom, certo?

— Exato, senhor. – Mary Jane engoliu um seco, já temendo o rumo daquela conversa.

— Pois bem, senhorita, as Figuras são seres extremamente perigosos e não é dever de um mestiço ficar correndo atrás delas–

— O senhor que me perdoe, Conselheiro, mas também é meu dever impedir que estas coisas machuquem alguém! – a jovem de olhos castanhos exaltou-se, levantando-se do sofá em um pulo. Tanto Gabriel quanto Jane apenas arregalaram os olhos, entreolhando-se com certo medo – Lúcifer foi o único que se acalmou com o grito da jovem garota. O Conselheiro, entretanto, apenas manteve-se calado. – Sou filha do anjo que criou estes seres, então também é meu dever cuidar para que elas fossem levadas de volta ao Purgatório! Uma das Figuras ameaçou uma gestante, tentou me machucar com uma estátua, e por pouco não feriu um homem que estava no hospital!

— Mary Jane! – Gabriel exaltou-se, sentindo-se enrubescer de raiva.

— Eu sei que é dever dos anjos, mas eu só quero ajudar! Como irei encontrar minha missão como anjo se a toda hora essas malditas coisas ameaçam alguém?

O Conselheiro manteve-se calado até o final do discurso, escutando atentamente cada palavra que saía da boca da jovem garota. Tossindo fracamente, interrompeu o discurso da mais nova, que relaxou os ombros enquanto o olhava ansiosa.

— E por mais que isso seja errado, posso afirmar que seu lado da história é mais do que verdadeiro. – o velho anjo sorriu fracamente enquanto olhava para os dois anjos presentes da sala, que entreolharam-se abismados. – Mas o que eu tinha para falar, certamente não era sobre o fato da implicância sobre você, e sim sobre as Figuras. – o Conselheiro tossiu mais uma vez, inclinando-se para frente. – Mary Jane, as Figuras estão ficando cada vez mais perigosas, e seus ataques estão mais frequentes. Sendo você filha de Oliver, e se voluntariando para ajudar os anjos com estas pestes, é meu dever avisar que tome cuidado – sabe o que acontece quando alguém é mordido por uma Figura, né?

— Sei sim, senhor... – a mestiça respondeu lentamente, assentindo com a cabeça. – Quando se é mordido por uma Figura, a escuridão vai tomando conta de seu corpo até fazer com que a pessoa se torne um boneco sem vida... aos poucos, se não me engano, quando se está envolta da escuridão dessa Figura, a pessoa começa a agir como uma.

— Exatamente, minha cara. É por isso que nós, anjos e mestiços, tentamos impedir estas coisas. Se um humano for mordido por uma dessas pragas... – o velho anjo apenas balançou a cabeça enquanto levantava-se do sofá, segurando sua maleta com uma das mãos. – Espero que esteja ciente de meu aviso, srta. Whiles – uma Figura é uma representação de um ponto negativo da humanidade, e pode ser muito perigosa.

. . . .

Enquanto a professora de História explicava sobre as grandes guerras mundiais, alguns dos alunos já se preparavam para guardar o material. Quando o sinal finalmente soou sobre os corredores, todos rapidamente se levantaram de suas mesas e começaram a arrumar suas mochilas, enquanto aproveitavam para conversarem.

— Não se esqueçam de ler a página cento e dois do livro, para a próxima aula! – a professora de cabelos morenos falou em voz alta. Mary Jane Whiles sorria enquanto fechava sua mochila, ouvindo uma de suas colegas tagarelar sobre sua nova paixão. – E não quero ninguém chegando na aula sem o cartaz! Quem ainda não tiver grupo, tente juntar-se com alguém!

Enquanto todos se preocupavam para ir para casa, Lara Maciel aproximou-se rapidamente da mestiça de cabelos louros, com um sorriso triste em seus lábios.

— Eu sinto muito por lhe deixar sozinha, Jane... é que eu realmente precisava fazer esse trabalho com a Lia – sabe como é, é minha amiga de infância, não posso deixa-la sozinha enquanto ela não fizer outros amigos.

— Está tudo bem, Lara, sério. – Mary Jane colocou sua mochila sobre seus ombros, sorrindo compreensiva a jovem garota, que ainda parecia inconformada com aquele fato. – Nós, os anjos, consideramos a amizade um verdadeiro elemento para uma sociedade mais amistosa. Como diz o nosso Conselheiro: “A amizade é aquilo que transforma os seres vivos em algo mais puro e belo”.

— Tem certeza que não se importa com isso? – Lara mordeu o lábio inferior, vendo a mestiça sorrir abertamente.

— É claro que não!

Lara sorriu por fim, aliviada com a resposta. Despediu-se de Mary Jane com um singelo beijo em sua bochecha, dirigindo-se a porta e desaparecendo entre os outros estudantes. A garota de cabelos louros respirou fundo antes de olhar para o fundo da sala, vendo que ainda sobrava mais um aluno. O garoto possuía um cabelo estranhamente arrepiado, negro como o mais profundo abismo, assim como seus olhos. Usava uma jaqueta de couro sobre a blusa vermelha, e uma calça jeans desbotada. Seus tênis pareciam novos, mesmo que já tivessem milhões de anos. Em seu cinto, estavam armazenados alguns relógios estranhos, juntamente com cartuchos de sua arma – que estavam muito bem escondidos sobre o casaco.

Mary Jane aproximou-se do garoto, vendo-o olhar para si com um certo brilho de desprezo em seu olhar. Seu nariz fino fez um movimento estranho.

— Olá, Arthur. – a mestiça cumprimentou o tal de Arthur, que apenas revirou os olhos com a presença da garota. – Gostei muito de sua jaqueta... é nova?

— Não, muito longe disso. – o garoto de cabelos arrepiados respondeu com sua voz profunda, levantando-se da cadeira e cruzando os braços. – Meu pai me deu de aniversário antes de ser brutalmente esquartejado por um demônio.

A mestiça apenas mordeu o lábio inferior, sentindo-se culpada pela pergunta. Arthur Miles, como era conhecido, era um garoto muito mais do que inteligente. De certa forma, Arthur não era daquela época, por assim dizer – era de um futuro distante, onde o mundo caiu em uma profunda escuridão, tornando-se um lugar sombrio e perigoso. Os anjos daquele futuro, entretanto, não foram capazes de vencer o mal que havia surgido, sendo fatalmente derrotados. Arthur vinha de um futuro distante, isso se era comprovado pelo mesmo, que viajara pelo tempo milhares de vezes para encontrar uma época agradável para se reconstruir a vida.

Contudo, a tranquilidade em falar sobre os horrores de seu passado assombrava Mary Jane – como alguém se sentiria tão calmo ao contar como os pais foram brutalmente mortos?

— Entendo...

— É claro que entenderia, anjinha. – a mestiça não sabia responder qual fora o motivo de suas bochechas estarem vermelhas – se era pelo sorriso torto nos lábios de Arthur, ou o apelido que o mesmo acabara de lhe dar. – É o seu dever entender a dor dos humanos, certo?

— Por favor, não vamos aprofundar este assunto... sinto que se continuarmos, vamos voltar aos horrores de seu passado, e isso me deixa desconfortável. – o garoto apenas revirou os olhos, vendo com certo desprezo um sorriso animado surgir nos lábios da garota; aquela mestiça sempre estava a sorrir ou era impressão sua? – Então, sobre o trabalho de História, eu gostaria de saber se você gostaria de fazer comigo!

Arthur crispou os lábios antes de sorrir debochado e inclinar a cabeça para trás, abrindo a boca e soltando uma sonora gargalhada. Mary Jane piscou algumas vezes, sentindo algo em seu peito apertar fortemente, como se estivesse...decepcionada.

— Ah, Mary Jane, você sempre foi uma figura! – Arthur soltou uma baixa risada antes de tossir falsamente, tentando controlar sua vontade de rir. Mary Jane abaixou a cabeça, olhando para seus pés, crispando os olhos e segurando as lágrimas que começavam a se formar em seus olhos. – Escute, anjinha, não é só porque você é uma criatura de Deus que irei cair aos seus pés. Eu apenas vim para esta época pois é a mais pacífica de todas, e não quero ter que voltar para a minha horrível e traumática era. Eu sei me virar sozinho, está bem? O que quer dizer que irei fazer o trabalho sozinho, e estou pouco me fodendo se irei ter minha nota descontada.

— Mas eu posso te ajudar! Duas cabeças pensam melhor que uma! – a mestiça de cabelos louros continuou a insistir, tendo como resposta uma expressão nada amigável do ex-caçador.

— Eu trabalho sozinho, Mary Jane. – Arthur pegou sua mochila em um movimento rápido, colocando-a sobre os ombros e passando por Mary Jane, empurrando-a pelo ombro. Enquanto via o garoto sair a passos rápidos da sala e seguir pelo longo corredor, a mestiça crispou os lábios e fechou os olhos, sentindo-se estranhamente inferior – ela não estava níveis acima de Arthur, óbvio, mas odiava quando o mesmo lhe tratava com tanta frieza.

A garota apenas queria ajudar aquele que mais havia sofrido em sua vida, mas então porque ele não aceitava sua ajuda?

Cansada de sempre se perguntar isso, a garota de sardas respirou fundo antes de abrir um sorriso, virando-se e caminhando em direção a porta, deixando a sala vazia para trás.

. . . .

Se preciso criar uma história, então é melhor pensar com muito cuidado! – Mary Jane Whiles conversava consigo mesma enquanto caminhava de volta para casa, lendo atentamente a folha que lhe foi entregue pela professora. O Sol já estava bem no topo, fazendo com que a mestiça levantasse suas asas negras, colocando-as acima de sua cabeça para lhe proteger da forte luz. – Preciso de uma personagem com uma identidade histórica... mas o que posso fazer?

Ao parar em uma esquina, olhou para os dois lados antes de atravessa-la.

— Espero que o tio Gabriel esteja em casa, talvez ele possa me dar algumas ideias.

Bem quando guardou a folha em sua mochila, um vento estranho soprou contra o corpo da mestiça, fazendo-a abaixar as asas e abri-las, como um sexto sentido, prevendo que algo iria acontecer. Ao escutar gritos ao longe, virou-se brevemente para trás; uma Figura sorriu abertamente enquanto corria rapidamente em direção a mestiça, franzindo seus dedos afim de acerta-la. Trombando pela garota, derrubou-a no chão com certa violência, fazendo a mesma grunhir de dor.

— Ah, não... – Mary Jane murmurou horrorizada ao ver marcas de garras em seus braços, que arranharam tanto sua pele quanto rasgaram a manga de seu casaco. Colocou sua mão sobre o machucado, estremecendo ao sentir seu próprio sangue correr entre seus dedos. Olhou com certa raiva para a Figura da Mentira, que ria maliciosamente com o estado da mestiça. – É sério?

Levantou-se do chão um pouco hesitante, só agora percebendo que sua mochila jazia aos seus pés.

— Por favor, Figura, pare com isso! Machucar pessoas não é nada divertido, não faz com que elas se sintam bem! – Mary Jane exclamou indignada, crispando os lábios para o sorriso macabro que surgiu na estranha boca da Figura.

— Mas que merda! – a garota das sardas arregalou os olhos ao reconhecer a voz que se aproximava. – Como sempre, Whiles, você está metida nisso! – contudo, o garoto de cabelos negros parou abruptamente, franzindo o cenho ao ver os dedos finos de Mary Jane sujos de sangue. – O que essa... coisa fez com você?

— Arthur, saía daqui! – a mestiça exclamou abismada, olhando apreensiva para o garoto, que sacava sua arma. – Essa coisa é mais perigosa do que você imagina!

— Já enfrentei demônios muito mais fortes do que esta coisinha. – Arthur mirou na Figura e puxou o gatilho, tendo o som de seu disparo ecoado pela rua. As pessoas que estavam dentro de suas casas abriram as janelas para ver o que estava acontecendo, movidas pela curiosidade. A bala atravessou o corpo do ser de escuridão, mas nada aconteceu. – Mas o que–

Enquanto a Figura aproximava-se de Arthur, estralando seus dedos, a mestiça de cabelos louros franziu o nariz enquanto colocava-se em frente ao garoto, escondendo-o atrás de suas grandes asas. Soltando-se de seu ferimento, Mary Jane arrancou uma de suas penas, segurando-a entre seus dedos sujos por aquele viscoso liquido carmesim.

— Eu, Mary Jane Whiles, mestiça em busca de sua missão como anjo, invoco Seraph, a guardiã dos anjos, para levar esta Figura ao Purgatório, para que possa ser julgada! – a mestiça falou em voz alta, esmagando sua própria pena em seus dedos, fazendo-a emergir em um estranho brilho, que fascinou o garoto de cabelos espetados.

O vento começou a ficar um tanto quanto rápido, fazendo a Figura olhar automaticamente para o céu. Como em uma cena de um filme, um ser iluminado por uma luz dourada pousou em frente a Mary Jane, escondendo-a atrás de suas grandes asas. Usava um vestido leve, que parecia flutuar, e sandálias douradas, com um laço atrás. Seus cabelos brancos caiam-lhe sobre as costas, dando-lhe um belo efeito. Usava bandagens em seus olhos, dando-lhe um ar um tanto quanto justiceiro.

Arthur olhou encantado para Seraph, sentindo sua boca secar – aqueles longos cabelos brancos... ele já havia se encontrado com aquele belo ser!

— Faça o julgamento, Seraph! – Mary Jane exclamou decidida.

Seraph apontou em direção a Figura, sussurrando algumas palavras em uma língua completamente desconhecida por Arthur – latim, talvez? Uma luz branca apoderou-se da Figura, que soltou um grito descomunal, antes de desaparecer. A guardiã abaixou o braço, virando-se e fazendo uma breve reverência antes de voltar para o céu. A mestiça soltou um suspiro, vendo sua pena desfazer-se em cinzas e cair sobre a calçada. Colocou a mão sobre seu machucado, virando-se para encarar o ex-caçador, que estava com o cenho franzido.

— Você está bem? Aquela coisa não lhe machucou? – a jovem de cabelos louros perguntou com uma notável preocupação em sua voz, olhando atentamente para o garoto, que apenas abaixou-se e pegou a mochila da garota, entregando para a mesma, que aceitou com um sorriso cansado. – Obrigado... mas sério, Arthur, me diga que aquela não tentou lhe morder.

— Morder, não, mas tentou me arranhar. – o garoto guardou a arma em seu cinto, arqueando uma sobrancelha. O jovem Miles sabia o efeito que as mordidas das Figuras causavam, pois já havia presenciado aquilo. Mary Jane suspirou aliviada, sentindo-se mais calma com aquela resposta. – Por sorte, aquela coisa parou no meio do ataque e saiu correndo... francamente, Whiles, isso sempre acontece com você?

— Frequentemente. – a mestiça respirou fundo, olhando com certa melancolia para o rapaz. – Mas já estou acostumada com isso... também é dever meu cuidar para que as pessoas não se machuquem por causas dessas Figuras.

— ... – Arthur olhou para os lados antes de continuar. – Na minha era, esses seres que você chama de Figuras, sofreram uma mutação, transformando-se em demônios.

— Eu sinto muito...

— E aquela guardiã, Seraph, ela – o jovem mordeu o lábio inferior antes de respirar fundo, criando coragem para dizer aquilo que estava preso em sua garganta a tempos. – me protegeu, sacrificou-se por mim... foi executada para que eu pudesse viver. Ainda me lembro de ela olhar por cima do ombro e sorrir pra mim, sussurrando algo como Siga em frente, pequeno... depois disso... ugh, eu não gosto de pensar naquilo.

— Compreendo sua dor, Arthur... de verdade. – Mary Jane acariciou a orelha de Arthur, que olhou-a espantado. A mestiça afastou-se com as bochechas coradas e um sorriso tímido em seus lábios, colocando sua mochila sobre o ombro. – É um dever de um anjo entender a dor dos humanos, e sei exatamente como se sente em relação a esse assunto... perdão, mas preciso ir agora... não quero lhe atrapalhar com seu trabalho.

Antes de pensar em sequer virar-se para continuar seu caminho, Arthur segurou seu pulso com força, olhando seriamente para a mestiça. A garota arregalou os olhos com o ato, vendo o jovem Miles crispar s lábios, contrariado.

— Eu não entendi muito o bem o que tem que fazer nesse trabalho estúpido... – Arthur soltou o pulso de Mary Jane ao vê-la sorrir abertamente. – Então é melhor você me explicar muito bem esta merda, ouviu bem, Whiles?

— Sim! – a jovem Whiles comemorou, automaticamente pegando na mão de Arthur, guiando-o consigo enquanto caminhava. – Venha, vamos fazer lá em casa!

Enquanto era arrastado pela calçada por uma mestiça um tanto quanto afobada, Arthur Miles se perguntava o motivo de estar tão corado.