A Metamorfose de Onevelion
4 Akubyou
No ano de 1467, durante o período Muromachi, um jovem samurai de 20 anos, chamado Akubyou Ashikaga, vivia na cidade de Kyoto, sendo ele um dos grandes descendentes dos xoguns. Sua vida era pacífica, pois apesar de todos os ocorridos recorrentes na vida de um samurai, Akubyou sempre foi protegido imensamente pela sua família, mesmo porque, todos sempre tiveram uma grande expectativa de que ele se tornasse um dos mais importantes cobradores de impostos, para cumprir o dever de sua família. Completados os seus 20 anos, Akubyou finalmente conseguiu se tornar um dos maiores samurais dos xoguns, nomeado finalmente como um jovem adulto, preparado para empunhar sua espada pela honra e pela glória, e este era o momento mais importante e decisivo de sua vida, pois não queria decepcionar sua família ou qualquer um que fizesse parte disso, mesmo que não compactuasse com tudo sobre eles.
Logo a manhã se inicia; Akubyou se levanta cedo, tão cedo que o sol ainda não havia saído, mas o mesmo já estava radiante como ele. O mais novo jovem adulto categorizado como um samurai perigoso e honroso, está de pé. O kimono azul era o seu preferido para dormir e já estava todo desgastado; a ponta do seu kimono desfiava um pouco, e com certeza se Akubyou puxasse, um estrago maior aconteceria. Akubyou desenrolou a fita do seu kimono azul e ela caiu ao tatame levemente, como uma pluma. O jovem se virou para a esquerda e caminhou até uma peça que ficava entre as duas paredes perto de sua porta, onde guardava os seus melhores kimonos. Akubyou escolheu seu kimono preto, suas duas melhores meias que faziam com que ele se sentisse leve, e sua melhor sandália de madeira para uma grande firmeza e mobilidade ao se movimentar; ele se levantou, vestiu cada parte do kimono como se elas encaixassem perfeitamente sem nenhuma possibilidade de esbarrar com as partes do seu corpo, calçou suas meias que brilhavam de tão brancas que eram, colocou suas sandálias, foi em direção até sua wakizashi-kake e retirou sua wakizashi de lá. Ao empurrar a porta de seu tatame para os lados, com a bainha e o cabo vermelhos reagindo brilhantemente e incessantemente ao nascer do sol, Akubyou colocou sua wakizashi na cintura, olhou para o céu por 10 segundos e saiu de casa.
— Finalmente é chegado o dia em que me tornarei um homem para todos. — disse Akubyou em tom melancólico, porém vitorioso. Preparado e de pé, estava o homem que disputava sua luz com o sol. Enquanto ele andava nas ruas, enfrentava olhares assustados de moradores aos arredores de cada local estreito que Kyoto possuía naquela época; apesar de tão honroso, seu trabalho não era visto como algo bom, pelos moradores. Alguns vigias cuidadosos e respeitosos quanto aos seus respectivos trabalhos, estavam a espreita observando casas de pessoas simples e com poucas condições, para cobrar os impostos; não havia o que fazer, os impostos sempre deviam ser cobrados. A vida dos mais pobres dependia daquele recurso, mas infelizmente a vida dos que trabalhavam como míseros e pequenos cobradores para a família Ashikaga, também dependia disso. Ashikaga era uma família que se aproveitava de seus próprios parentes para cumprir deveres mais complexos e de grande lealdade, mas na falta de oportunidade de membros da família para fazer este trabalho, dois servos eram encarregados para a colheita de impostos; estes eram Noroi e Kegare. Não se sabia ao certo o sobrenome destes dois, muito menos de onde eles vieram, só sabiam que eles vagavam por aí em busca de trabalho, o que fez Sakai Ashikaga ficar de olho nestes dois durante 3 anos, até que então resolveu contratá-los.
Noroi e Kegare eram desconfortáveis o suficiente para Akubyou, somente pelo nome que carregavam; por outro lado, Akubyou não gostava do seu nome também, mas sabia que teria que conviver com isso até o fim, mesmo que preferisse ter um nome que o aproximasse mais da luz. Lá estavam eles dois, Noroi e Kegare, um no canto superior esquerdo do telhado de uma instalação de tatami, na perspectiva de Akubyou, e o outro estava vigiando o fundo da casa para que ninguém saísse sem pagar o que devia a família Ashikaga; não havia escapatória. Os olhos de Akubyou tremiam e se fechavam em harmonia com a sua testa, e suas sobrancelhas que estavam franzindo abruptamente. Ele não gostou do que viu.
— Porque estão vigiando a casa de Hikari? — perguntou Akubyou com um tom de arrogância incalculável.
— É dia de pagamento. Seu pai não lhe ensinou a ter bons modos e respeito com os servos dele? Aliás, seu pai ainda não lhe ensinou a regra básica da colheita de impostos? — respondeu Noroi com um sorriso sarcástico em uma das pontas da boca.
Akubyou se encheu de si, apoiando seu dedo contra o cabo de sua wakizashi. Ao desembainhar um pequeno pedaço da ponta de sua espada, Akubyou parou, respirou e disse:
— Hoje é o dia em que me torno um dos maiores samurais de minha família, e vocês me devem respeito, assim como tanto dizem respeitar o meu pai, ou levarei suas cabeças.
Akubyou tinha vontade de dizer mais, ele realmente esperava que pudesse discursar todo o ódio reprimido contra Noroi e Kegare em forma de orgulho e arrogância, de uma maneira que expressasse sua superioridade e a superioridade de sua família como nunca. Ao ouvir essa breve e pequena frase de Akubyou, Kegare rapidamente desembainhou sua katana, colocando-a na sua frente, em posição de um ninja, afirmando a si mesmo que não tinha mais nada para ouvir da boca de Akubyou que fosse realmente importante, e em um mergulho violento contra a postura arrogante e elevada de Akubyou, Kegare cortou o seu pescoço em um ponto vital, num assassinato frio e imediatista. Ouviram-se gritos vindos daquela instalação; não tinha mais porque esperar, era a hora de cobrar os impostos. Noroi invadiu a casa pelos fundos, rasgando uma das paredes do tatami, Kegare entrou pela porta da frente. Havia uma mulher de pele clara, com cabelos longos e escuros, debruçada ao chão, numa tentativa de proteger o que deveria ser o seu filho que aparentava ter uns 8 meses.
— Não!!! Por favor, eu imploro!!! Saiam da minha casa, me deixem em paz!!! — gritava a mulher com todas as forças, chorando e quase sufocando seu próprio bebê de tanto apertá-lo contra seu peito, com medo de que os homens o levasse.
— Não podemos ir embora sem o pagamento de seus impostos. — disse Kegare, com uma grandiosa paciência.
— Eu não tenho como pagar! Gastei todo o onevelion que eu tinha com roupas e alimentos para o meu bebê! Por favor, eu suplico que me entendam e me deixem aqui, eu consigo pagar da próxima vez, eu juro!!!
Noroi não confiava na mulher, tampouco Kegare. Kegare deu um sinal a Noroi levantando dois dedos até a altura de seu queixo, e cruzando-os. Noroi se dirigiu em direção a mulher, chutando suas costas com força o suficiente pra empurrá-la aos pés de Kegare, fazendo assim com que Kegare conseguísse arrancar a criança de seus braços.
— NÃO!!! O MEU FILHO NÃO!!!
— Senhorita Hiraki, sem onevelion em mãos, o seu filho vai se tornar um. — disse Kegare, sem pestanejar, virando as costas e andando com a criança nas mãos.
— O que fazemos com esse aqui?
— Pegue o corpo, carregue-o, e me siga.
Então Noroi simplesmente obedeceu Kegare, que até esse ponto fazia jus a sua presença e espectro de lealdade, como se estivesse em constante estado de empoderamento da sua imagem para Noroi; inegavelmente Noroi tinha medo instintivo de alguma coisa, mesmo não sabendo o que, mas continuou caminhando com Kegare para um lugar totalmente deserto, expressivamente repleto de areia em todos os cantos, como se não fosse mais Kyoto, como se estivessem em um local totalmente subversivo ao Japão. A criança estava dormindo no ombro de Kegare após duas horas de viagem, como se Kegare representasse uma paz interminável a ela. Noroi estava cansado, com fome, com sede e com muito calor. Seus olhos já estavam com uma visão turva, e sem mais possibilidades de continuar andando, ele reuniu todas as forças que lhe restavam para dizer:
— N-não posso continuar mais...
Kegare olhou para trás e se deparou com Noroi de joelhos no chão, e com o corpo de Akubyou em seus braços. Kegare levantou uma de suas mãos ao topo de sua cabeça e num estalar de dedos, como se fosse um simples piscar de olhos sobrenatural e impossível de explicar, o dia se tornou noite imediatamente. Noroi estava incrédulo, não somente com a queda abrupta da noite, mas principalmente com a sua fome e sede que haviam passado.
— Só precisamos andar mais um pouco. — avisou Kegare ao Noroi.
Noroi havia conhecido Kegare há 5 anos, pouco demais para dizer que se conhece alguém que foi criado pelas ruas, além de também ser pouco demais para dizer que esse alguém também te conhece, quando você mesmo viveu longos anos sendo castigado por um mundo cruel onde todos precisavam de onevelion para sobreviver, mas não encontravam em lugar nenhum. Noroi sempre se considerou sortudo por ter conhecido Kegare quando já estava quase morrendo e apodrecendo, por dentro e por fora, sem conseguir se alimentar direito. Kegare tinha sido a salvação para a sua vida há 5 anos atrás, e logo após 2 anos de convivência, ambos acabam sendo escolhidos a dedo por um líder de uma família que cobra impostos em Kyoto. Nada disso fazia sentido e parecia ser somente uma coincidência sortuda de sua parte, mas agora tudo estava fazendo sentido... Bom, quase tudo, pois ainda era inexplicável o fato de que Kegare conseguira mudar o tempo do dia para a noite, fazendo com que Noroi estivesse saciado e ainda pudesse presenciar uma chuva. A surpresa de Noroi logo se transformou em respeito e compaixão, uma vez que para ele, tanto faz de onde estavam vindo esses poderes místicos, já que em 5 anos ele só prosperou ao lado de Kegare.
— A chuva que você jogou em mim, vai me ajudar a encontrar meu caminho. — disse Noroi a Kegare, sem nem mesmo saber de qual sentimento mais profundo do seu ser, essa frase esquisita havia saído.
— A chuva é o que você quer, agora você tem o suficiente.
Noroi estava incrédulo que uma frase de agradecimento tão vaga que havia saído de si, tinha sido respondida com tanta convicção e clareza, por Kegare, de acordo com a própria esquisitice dela mesma. Noroi e Kegare continuaram caminhando em meio a um lugar que parecia não ter fim e muito menos uma linha de chegada; sem um aparente destino, Noroi começava a desconfiar de cada passo que dava ao lado de Kegare, mas ainda com a convicção de que estava em boas mãos, pois aquele esteve contigo por muitos anos... Não havia como abandoná-lo ou traí-lo... Talvez Kegare só estivesse perdido e não quisesse admitir. A chuva começa a aumentar e se misturar com o vento, em uma rotação contínua que abraçou as areias do solo como se fossem o seu filho, tomando os três elementos e transformando-os em apenas um; uma dança eloquentemente catastrófica e aterrorizadora. Ouviam-se gritos de crianças de dentro daquele redemoinho, buzinas de carros, lâmpadas estourando, vagões de trem colidindo nas rodas dos mesmos, choros de mulheres, música eletrônica, música clássica, jazz, rock progressivo, murmúrios, lamentações, vários hinos em diversas línguas diferentes, gritos de declaração de guerra, e ensurdecedores explosões atômicas. Silêncio. Em um piscar de olhos, cada uma dessas coisas que eram estranhamente fáceis para Noroi identificar, mesmo que estivessem sendo ouvidas ao mesmo tempo e em uma época a qual não pertenciam, pararam de soar. Não se ouvia mais nada, talvez porque simplesmente parou, talvez porque as explosões atômicas ensurdeceram Noroi por um tempo... Noroi tentou falar, mas não conseguiu, e quando se deu conta, nem o corpo de Akubyou estava mais ali, só era possível ver alguns pedaços de sua pele voando em direção ao redemoinho, e um de seus olhos, que enquanto era puxado pelo redemoinho, encarava Noroi inquietantemente. Todas as coisas voltaram a soar de novo, num som absurdamente estrondoroso, ainda mais alto do que antes, como se soasse agressivo em obrigatoriedade anti-climática. Noroi não conseguia se mexer. Seus olhos estavam voltados a um redemoinho que expressava visivelmente tantas coisas diferentes quanto ele pudesse dizer, indo de aviões colidindo em uma figura geométrica familiar, até um bebê com cabelos longos e extremamente brilhantes, tão brilhantes que Noroi estava ficando cego conforme olhava para ele. A imagem do bebê foi a única que não saiu daquele inferno cataclísmico.
O bebê se levantou e começou a correr rapidamente, tão rapidamente que suas pernas eram imperceptíveis de tanta velocidade que corriam. Ele continuou correndo enquanto ouvia-se uma bateria sendo tocada freneticamente em alto e bom tom, junto de uma guitarra extremamente suja e estranhamente super bem casada com a bateria. O bebê continuava correndo sem parar, e o redemoinho estava aumentando sua velocidade e tamanho conforme ele corria. Noroi estava assustado e o bebê estava olhando para ele enquanto ria desesperadamente e corria como se não houvesse fim. Seu olhar era aterrorizante, ele dizia claramente que ia matá-lo e tomar toda sua esperança, ainda que a própria morte já parecesse ser suficiente. De repente todo o som parou, um punhal apareceu na mão do bebê e ele o segurava fortemente enquanto andava lentamente como se estivesse a espreita de alguma coisa. Noroi não podia acreditar em tudo que estava vendo, ouvindo, e interpretando como se conhecesse cada uma daquelas coisas, sendo que nunca tinha visto elas em nenhum momento de sua vida, mas muito além da sua incrédula visão e audição, Noroi finalmente conseguiu se levantar e começou a correr em direção oposta ao bebê. Sem olhar pra trás, e até mesmo com seus olhos fechados, Noroi correu o mais rápido que pôde, agradecendo mais do que nunca por Kegare ter recuperado suas forças, e acreditando com seus olhos fechados, que tudo não passava de uma alucinação, uma miragem do deserto. Tarde demais, o bebê estava em todos os lugares pra onde ele tentasse correr. Aquilo não acabaria tão fácil assim. O odor visceral e impregnado de carne humana putrefata, subiu às narinas de Noroi, invadindo suas vias respiratórias, contaminando-o e sufocando-o, enquanto ele assistia aquele bebê de cabelos longos, loiros e brilhantes, esfaqueando outro bebê. A cada facada que o ser infligia contra o outro, fazia ele crescer alguns centímetros, e ele continuou violentamente esfaqueando aquele outro bebê, até que se tornou um adulto. O ser de cabelos brilhantes começou a levitar de braços abertos, em direção ao céu, enquanto o sangue e as vísceras do outro bebê subiam juntamente a ele, e se misturavam com o seu corpo, adentrando minuciosamente em cada partícula de sua pele, de forma tão abrupta que o corpo estava inchando, maior do que o redemoinho, maior do que aquele deserto, maior do que tudo que Noroi já havia visto na vida. Sua visão estava praticamente indo embora, quando finalmente o corpo explodiu. Noroi quase não enxergava mais nada e estava cansado demais para continuar tentando lutar contra a maré, pois não importando o que fizesse, não poderia fugir daquele pesadelo.
O próprio Noroi começou a flutuar sem saber como estava fazendo aquilo, contra a sua vontade, sem nenhuma possibilidade de parar. Seu corpo começou a brilhar de dentro para fora, e a luz foi se intensificando até que finalmente Noroi pôde transcender ao declínio que estava sofrendo na metamorfose alucinante de sua experiência surrealista e psicodélica. Não fazia sentido para Noroi estar sofrendo aquilo, ele não fazia ideia do que estava acontecendo, e antes que pudesse embarcar numa viagem de divagações filosoficamente intermináveis, seus sentidos começaram a desaparecer, todos os seus orifícios estavam jorrando como nascentes de sangue, já não conseguia ouvir mais nada, também perdera sua visão de uma vez por todas, até que finalmente o seu corpo explodiu numa luz incandescente que tomou todo o ambiente de forma arrasadora, mas Noroi continuava consciente, mesmo depois de explodir, e esperava ansiosamente pelo seu acordar; tinha que ser um sonho. Tudo se desfez. Tudo se refez. Nada era como antes.
— Eles podem tentar me moldar filosoficamente ou metaforicamente, mas eu sou uma anomalia. Eu sou a contradição em sua realidade, a qualquer coisa que você tente comprender. Eu vou quebrar todas as suas regras e as suas expectativas. Eu sou o fogo que nunca irá apagar. Vocês esquecem quem eu costumava ser verdadeiramente para se apegar ao conceito, mas até isso está se desgastando. Posso estar apodrecendo conceitualmente, mas nunca vou permitir que vocês me transformem num espectro. Eu sou um animal incontrolável, insaciável e inabalável. Sou a minha única ameaça e a maior de vocês.
Independentemente de sua crença e toda alusão filosófica ou metafórica que você faça para se explicar como ser humano, você está em um planeta, caro leitor, e todas as atrocidades que ocorreram naquela noite, culminaram em planetas. Akubyou se tornou um planeta totalmente vermelho, talvez pela sua indignação de ser assassinado logo quando completara 20 anos; Noroi se tornou um planeta com uma mistura listrada de laranja, marrom e branco, talvez por todos os eventos que ele presenciou abruptamente naquela noite; a criança sequestrada por Kegare se tornou Onevelion, o planeta onde todos habitam normalmente, e o único planeta que supostamente tem vida consciente. Sua mãe, Hikari, continua chorando de tempos em tempos, e as vezes até quando não é o tempo normal de chorar, em regiões diferentes de Onevelion, se aproveitando da atmosfera para se condensar em nuvens e desaguar em cada um dos cantos do planeta, as vezes até mesmo causando enchentes e tsunamis, devastando a vida de vários seres humanos; Kegare se faz presente em órbita, em todos os buracos negros, em todas as linhas do tempo, em todas as dimensões, em todos os planetas, em todos os lugares... Em tudo. Seus cabelos se tornaram o sol, seu coração a noite, seu conceito aos seres humanos se tornou a lua, e seus contos continuam sendo distribuídos de forma gratuita ou paga. Onevelion deixou de ser a moeda de troca e passou a ser o local. Nada se justifica, mas Kegare continua se categorizando inevitavelmente como o salvador dessas pessoas, e elas o aplaudem. Seus feitos? Sua índole? O que são esses dois, comparados ao que é dito sobre ele o tempo todo, em seus falsos contos que todos amam? A verdade de cada um é o que importa no fim das contas.
Tantos anos já se passaram depois que tudo isso aconteceu, e cá estamos em 2035. Tenham consciência de que Onevelion é um planeta cansado... Esse dia iria chegar. Esta criança não aguenta mais dar vida a tanta gente que glorifica Kegare como se tivesse feito as escolhas certas, com histórias tão falsas quanto a crença de uma vitória após a morte. Onevelion vem constantemente se revoltando catastroficamente contra todos que louvam Kegare, e que destroem cada uma das belas expressividades naturais que acompanham Onevelion enquanto planeta, mas os seres humanos acham que sabem o que estão fazendo... Eles acham que controlam tudo, eles acham que possuem tudo em suas mãos... Pobres seres humanos, criando tantas invenções tecnológicas e acreditando fortemente que conseguem subjulgar algo extremamente maior do que eles; eles não compreendem seus lugares, nunca entenderão. Já fazem anos que eles aprimoram construções gigantescas chamadas de foguetes, além dos seus enormes satélites, que eu tenho que admitir, até que significa algo, mesmo que seja pequeno demais para essa imensidão de insignificância que eles transbordam em sua existência. Eles já invadiram o conceito de Kegare várias vezes com aqueles foguetes, e continuam contentes com isso, além de já terem enviado satélites para Akubyou e rodearem Onevelion com vários satélites também. Onevelion realmente está com os dias contados. Ele não aguenta mais e com certeza vai acabar com isso em pouco tempo, mas os seres humanos tem um plano: eles querem ir para Akubyou com seus foguetes, e é claro que nem todos irão, porque mesmo sendo cada um deles insignificantes, ainda pensam como se uns fossem mais incríveis que os outros. Sinceramente, pobres humanos... Mal sabem eles que Akubyou espera ansiosamente por sua vingança. A traição, o abandono e a expulsão de seu cargo tão importante, não ficará assim. O homem que brilhava como o sol e até disputava sua luz com ele, foi transformado em um vermelho mortífero de escuridão, contra sua própria vontade. Os filhos de Kegare pagarão pela sua injustiça, e o pior de tudo: eles merecem.
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