– Robert... Eu cometi uma coisa terrível...

– Sanrisa? O que você está dizendo? Aconteceu alguma coisa? — O olhar de preocupação dele era desesperador, até parecia que eu era alguém tão indefesa assim. Fiquei fitando Robert por alguns segundos enquanto esperava que as palavras de minha boca saíssem...

– R-robert... Eu, fui eu... — Meu rosto em choque e pouco confortado agora sim já estava de se preocupar.

– O que aconteceu? O que você fez? Por favor, me explique.

– Eu... Eu matei minha irmã, eu matei Elisa... — Meu rosto tão pálido quanto de costume e meus cabelos sobre o rosto eu provavelmente choraria agora mas, ainda parecia confusa com tudo isso.

– Você está delirando... Tem certeza? Isso não pode ser possível, Sanrisa olhe para mim, isso é loucura precisamos lhe levar em algum médico, eu não sei isso não pode ser verdade... Você precisa se tratar... — E assim as palavras de Robert foram sumindo a minha mente e eu já estava quase não ouvindo o que ele me dizia, eu estava nervosa, eu estava com raiva... Raiva de mim mesma eu... Parecia outra pessoa e foi assim.

– ROBERT !!! CALE A BOCA !!! — Ele me olhou assustado parando de falar imediatamente, talvez eu tenha sido um pouco grossa mas ele era meu amigo e entenderia, senti sua mão fria e trêmula sobre meu ombro e um sorriso meigo se formou no rosto dele como um pedido de desculpas. Mas na verdade eu quem deveria pedir desculpas.

– Certo... Com o que você sonhou exatamente? — Ele perguntou mais calmo.

– Eu vi o assassinato de minha irmã, não parecia bem um sonho e sim uma lembrança, uma lembrança muito sombria. E a garota que a assassinou se refletia a mim como um espelho. — Tentei falar lentamente, mas às vezes as palavras escapavam meio rápidas de mim.

– Sabe... Garota... Nós estamos a uns dois anos meio que juntos, eu estou lhe ajudando nestas suas loucuras, e eu nunca tinha demonstrado quaisquer sentimentos por você. Mas, eu acabei descobrindo que as vezes sinto uma pequena atração. – Nunca o tinha visto desta maneira, assim como ele nunca havia dito coisas assim... Ele estava corado, o rosto parecia quente e permanecia cabisbaixo enquanto eu o olhava, foi quando fui surpreendida.

Robert levantou o rosto com um pequeno sorriso e aproximou o seu rosto de mim, ele colocou delicadamente uma de suas mãos em meu rosto o puxando para perto dele, automaticamente nossos olhos foram se fechando vagarosamente e corei após nossos lábios se tocarem. Era um beijo doce e calmo que ele iniciara. Então, depois de parar o beijo ele me olhou e segurou de minha mão dizendo "Sempre estarei junto com você, até mesmo no fim da linha."

Agora me sentia mais segura, eu sabia que realmente poderia contar com o Robert para tudo, eu me sentia... Feliz? Amada? Eu não sei, mas deve ser isso ou talvez sinônimos.

Nós saímos daquele beco e fomos em direção ao norte, caminhávamos agora em meio a neve, onde será que estaríamos? Era estranho... O vento parou de repente, estava ficando mais calor... O chão começou a se rachar e.... – AAAAAAAAAAAAAHHH !!!

– SANRISA !!! – O chão estava se abrindo, e eu inesperadamente caí.... Não sei direito para onde, mas caí, era um lugar escuro talvez uma caverna mas... O que diabos era aquele lugar? Vi uma escadaria e de lá surgiu Robert me acompanhando, assim que ele chegou a escada sumiu e o lugar voltou a ficar escuro apenas iluminado por algumas tochas.

– O que é isso? – Perguntou Robert.

– Não faço ideia... – Respondi olhando em volta do local.

– Olá ! – Uma voz grossa mas ao mesmo tempo encantadora chamou nossa atenção, era um homem vestido de preto, ele tinha os cabelos encaracolados e barba, seus olhos eram castanhos claros e sua pele morena.

– Posso ajudá-los? – Até então aquele homem havia nos oferecido ajuda e... Nem eu sabia para o quê. Nem o motivo de estarmos ali... Eu não sabia. – Caímos aqui por engano, precisamos voltar de onde viemos...

– Pessoas da superfície? Ninguém cai aqui por engano. – Ele se aproximou de nós, digo, de mim principalmente e olhou no fundo dos meus olhos como se procurasse alguma informação. – McClain? Já faz tanto tempo.

Eu congelei naquele exato momento, como aquele homem me conhecia? Da onde ele surgira? E o que sabia sobre mim?

– Não o conheço... – Respondi com toda frieza.

– É claro que não. – Ele riu. – Mas eu te conheço, eu sou Aristóteles, eu cuido deste lugar como podem perceber... E cuido também das seguidoras do mal e... McClain eu conheço você como ninguém.

– Seguidoras do mal? Eu não sou nenhuma portadora maligna. – Respondi o homem com agressividade, porém ele negou. Robert parecia confuso, ele não dera palavras enquanto estávamos ali, sua presença era tão notável quanto um trevo de 4 folhas em meio um roseiral.

– Nunca te aconteceram coisas, que você própria não conseguia explicar, Sanrisa? – Por um momento aquele sonho, ou lembranças sobre minha irmã e meu rosto refletido a mim, me vieram em mente... Será que...

– Você carrega consigo uma segunda personalidade.... Sanrisa McClain.