A Mente Insana Da Suposta Inocente
18 O começo de um fim.
Levei minhas mãos até meu rosto e me voltei para Robert. — Era isso que eu temia... — Disse a ele com a voz trêmula, logo me virei para o homem, com um olhar duro e sério pedindo explicações.
– Minha preciosa boneca... — O homem levou suas mãos até meu rosto, me acariciando com as costas de sua mão. — Não é seguro para você aqui. — Ele me segurou pelo pulso e me fez sentar em um barco à remo, um rio estreito era o trajeto que iríamos fazer. Robert se aproximou do barco, mas o homem levantou a mão com um sinal de "basta" e Robert se afastou.
– Só a garota... — Seriamente, ele foi se afastando enquanto remava o barco, acenei para Robert que ficara parado no pequeno pedaço de terra cercado pelo rio.
[...]
O local era coberto por rochas pontudas e velhas, parecia que a qualquer momento tudo aquilo desabaria sobre nós, o velho remava até chegarmos em um local mais claro, o ar ali era pesado e dificultava na respiração. Víamos um caminho de tijolos coloridos, verde, amarelo, roxo, vermelho, rosa... Todos misturados, um lugar bonito aparentemente, tinha vários arbustos e uma cerca de roseiras, rosas em cores salmão e preto.
Descemos do barco, na entrada do grande portão tinha dois guardas eles seguravam lanças e fechavam o local. O velho se aproximou deles sussurrando alguma coisa para que abrissem a passagem, e assim, adentramos o enorme castelo. — Onde estamos? — Perguntei na esperança de uma resposta, mas nada foi dito, além de um "sim". Não compreendi, então permaneci quieta.
O castelo por dentro era bem luxuoso, um tapete vermelho ia na direção de uma porta de mármore, era repleto de espelhos... Espelhos grandes, pequenos, médios, tortos e alguns até deixavam minha imagem distorcida. O velho continuava na direção da porta de mármore, eu o seguia, até que algo me chamou a atenção... Segui por um corredor escuro, no final dele... O espelho de meu pesadelo, uma moldura dourada o rodeava e alguma coisa parecia estar escrita com tinta vermelha, mas ilegível.
Me virei de costas para o espelho e observei o local, me via presa naquele labirinto... Sem saída alguma, era mais um daqueles sonhos? Pelo menos agora tudo estava claro. Tornei a olhar para o espelho, e dele, a imagem de minha querida irmã surgiu. — Elisa...? — Perguntei a mim mesma. A imagem de minha irmã sorriu docemente, mas o sorriso doce, foi se abrindo até suas bochechas rosadas rasgarem. — Assassina... — Sua voz estava rouca e distorcida, retumbava pelo local como se eu estivesse presa em uma caixinha de vidro. Assustada, rapidamente bati forte contra o espelho e o quebrei, baixei o rosto ficando sem falas por algum tempo, minha visão duplicada me fazia retornar para o castelo, sangue escorria de minha mão toda cortada e perfurada pelo vidro. Continuei cabisbaixa enquanto minha respiração se tornava ofegante, levei a mão sangrenta até a cabeça que doía muito, minhas pernas tremiam e aos poucos eu ia apagando.
[...]
– Sanrisa? S-senhorita McClain? — O velho me sacudia, aos poucos abri os olhos... Ele havia me carregado para além da porta de mármore, este ambiente tinha um cheiro suave e familiar do perfume da minha mãe, conseguia ver alguns pilares brancos que formavam arcos. Um pouco longe de nós eu via um trono e nele... Eu me encontrava sentada jogando xadrez com o "nada", parecia entediada e foi quando de repentemente o tempo parou... Olhei para o velho e ele estava congelado, o vento que entrava pela janela do segundo andar já não fazia meus cabelos voarem. Me levantei devagar e fui na direção da garota do trono... Ela também parecia congelada, porém, seus olhos vidrados se moviam e olhavam profundamente para mim.
– Fui eu... Não fui? — Os olhos heterocrômicos me hipnotizavam, eu me sentia tonta e fora de mim... Como se minha alma fosse sugada lentamente para me fazer sofrer. Ela foi se levantando do trono e derrubando todas as peças de xadrez no chão. — Bem Vinda ao lar..... Sanrisa. — Sem ter muito tempo para me mover, ela colocou a mão a minha frente me arremessando contra um daqueles pilares, caí desamparada e com as costas doídas... Eu não tinha força para enfrentá-la, lentamente ela se aproximou de mim, utilizava um vestido completamente negro e longo com uma calda que se arrastava pelo chão, uma coroa tortuosa estava no topo de sua cabeça.
– Você é fraca, não consegue lidar com seus pesadelos. — Ela chutava meu estômago com força, me deixando sem reações. Foi quando a porta de mármore se abriu e dela veio Robert que com força foi para cima da mulher com uma lança, ela desviava com toda tranquilidade.
~Robert~
– SANRISA, SAIA DAQUI! — Minha maior vitória foi conseguir quebrar a barreira entre o real e o imaginário, agora eu conseguia viver e sentir o que Sanrisa sentia, aquela mulher tinha seu mesmo rosto, mas não suas mesmas expressões. Conforme eu tentava acertá-la, ela simplesmente desviava sem nenhum esforço. A mulher se parou diante de mim, com força encravei a lança em sua coxa, ela sorriu sadicamente e torceu a arma.
– AAAAHHH!! — Voltei o olhar para Sanrisa que se debatia de dor, assim percebi que a coxa dela sangrava muito... E todas vez que eu acertava a mulher de negro, eu feria Sanrisa...
– Tudo bem Robert, MATE-A!! — A voz de Sanrisa era clara, mas se eu matasse aquela mulher, ela morreria também. Ela quebrou a lança deixando a ponta ainda presa em sua coxa. Assustado, me afastei dela e corri até Sanrisa, me agachei e segurei da mão dela. — Temos que sair daqui, rápido.
– Não há tempo... Esse é meu destino, Robert.
– Eu prometi jamais te deixar sozinha. — Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, uma espada atravessou o peito de Robert, seu corpo quase morto desabou sobre Sanrisa que angustiada arregalou seus olhos.
– Ele estava atrapalhando a brincadeira. — A mulher se aproximou de mim vendo se eu estava chorando, porém, nenhuma lágrima escorria por meu rosto... Já estava acostumada com a dor. Ela segurou firme de meu pescoço o apertando, me levantou no ar enquanto suas unhas longas perfuravam minha carne.
– Eu não temo você. — Dei uma risadinha debochada e via que ela parecia confusa.
– Não temes a mim? Todos me temem... Eu reino esse mundo, e escravizo almas amaldiçoadas, assim como a sua.
– Você já percebeu, que seu rosto é igual ao meu? O cabelo... Corpo, voz... Tudo, você sou eu. — Dizia ainda debochando da mulher. — Então você tem que me temer.
– Tola! — Ela me largou no chão com força e foi se afastando. — EU SOU ÚNICA!
– Não... Você é minha imaginação, a imaginação de uma garota problemática... Você só acha que existe, sua louca... Doida, está completamente sem juízo... Porque você, sou eu. — Me levantei devagar e passei sobre o corpo de Robert, que agora já não respirava mais, fui na direção da "rainha" e dei um tapa na coroa dela, fazendo-a cair e se despedaçar. — O reinado acabou... — Peguei a lança quebrada e enfiei no peito dela, sentia uma dor aguda enquanto a via cair diante de mim... Ao vê-la deitada no chão frio, meu corpo despencou desacordado.
[...]
– Olá, Sanrisa. — Uma mulher sem rosto se encontrava dentro do "meu quarto", ela vestia um vestido bem longo completamente branco e o cabelo estava preso em um coque, era meio gorda e tinha uma voz rude. Ela deixou um prato com comida sobre uma mesinha e se retirou.
Eu? Eu estava jogada em um canto presa a 7 chaves com uma camisa de força, eu já não dormia, não comia, não sentia mais vontade de viver... Estar amando a solidão se torna psicótico.
[ THE END ]
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