A Mensageira
17 Dia #27 - Percepções obscuras
Notas iniciais
– Deve haver algum engano — gaguejei.
– Não há engano, docinho.
Que diabos foi isso? Ele continuou:
– Está aqui mesmo.
Se aproximando do meu corpo, o capitão e os outros homens iniciaram uma dança quase cooperativa em torno do que lhes parecia um prato farto de comida. Estava apertado naquela roda. Eram cinco soldados robustos, cada qual com seu quê resiliente, esbanjando masculinidade. Sem demonstrar hesitação.
Eles possuíam um propósito bem claro. E agora eu finalmente o compreendia.
Por que, meu Deus? Por que? As coisas não se encaixam de forma alguma. Fui contratada e recebi minha dignidade. Agora estou na sarjeta de soldados russos tarados como num bordel? Sinceramente, essa era a opção descartada.
Quando finalmente eu consegui me livrar dos apertos, apalpei um dos homens e percebi que seus dotes não eram bem o que pareciam. Caindo para trás, enfiei a mão dentro de sua calça e sentei-me na neve. Fechando os olhos, puxei o gatilho “mil” vezes. Sem mira, sem convicção. Por puro instinto.
Não olhei para trás. Disparei desenfreada de volta à carruagem, e dei novamente uma boa olhada na mensagem: era exatamente o que parecia.
Vasculhando tralhas, encontrei uma caixa coberta… Nela, havia ouro, muito ouro.
Fale com o autor