A Mensageira
18 Dia #28 - Clareza
Notas iniciais
Não havia apenas ouro, mas tabaco, muito tabaco.
E eu não estava entendendo o que pairava naquela atmosfera desmedida. Era ácido, corroía tão bravamente quanto a mais profunda das dores. Abafava meu coração.
Fui para bem longe daquele lugar, correndo até perder-me pela estrada. Ainda não conseguia admitir minha burrice petiz. Fui contratada e nem ao menos li a cláusula. Aliás, nem a possuo.
Ah, agora percebo: Dimitri me enganou. A mensagem que eu deveria entregar como teste não foi entregue como disse ter feito. Pelo contrário, ela ainda estava lá. Arrependo-me amargamente, e agora percebo, deveria eu mesma tê-lo feito.
Estava escrito: “Minha cara Alexandra Feodorovna, saiba que eu sempre a amei”, poupei-me de baboseiras. Pulei: “convença teu marido: nossa armada pode protegê-los. Estão a algumas horas de Ecaterimburgo, e lá permanecerão. Você correm imenso perigo. — Hugo.”.
Antes que eu pudesse me apavorar, o que veio a seguir fez por mim o trabalho.
– Raquel — disse alguém.
– Dimitri?
– Largue isso — seu tom doce mudou radicalmente.
Neguei, e ele tomou a mensagem da minha mão, agressivo.
– Você é tão idiota…
– Como disse?
Ele acariciou meu queixo sem pudor.
– O destino é inevitável, docinho.
E os cavalos debandaram.
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