A Menina Do Hotel
3 O assassinato e o detetive
Vou dizer uma coisa, é uma merda estar preso, to loco pra ir pro inferno, não tem como ser pior, se for, foda-se já to lá mesmo, e tudo por causa daquele detetive.
Quando Arthur se despediu de Anabella, saiu pela direita, foi a pé, mandou o táxi ir embora, não sei se ficou sem dinheiro ou o que aconteceu, mas foi a pé. Chegando ao final da rua, dobrou para a esquerda, eu fui atrás, sempre com o maior cuidado, lá pelas tantas, como se estivesse pedindo pra ser morto se meteu em uma rua escura, mas escura, sem pensar duas vezes sai das sombras e fui atrás dele , tava cheirado, só assim ia conseguir fazer o negócio todo, quando estava a uns cinco metros de distância eu disse "hey", ele com calma olhou pra trás, franziu os olhos me reconhecendo, eu apontei a arma e disse "ri agora, filho da puta" e dei dois disparos no peito, o barulho nem me assustou tanto, mas vendo aquele homem ali caindo na minha frente, eu fiquei paralisado, quando uma luz de uma das casas acendeu eu sai correndo que nem louco, eu não acreditava no que tinha feito, ficava repetindo pra mim mesmo "caralho, eu matei o cara. Caralhooo matei o cara." Corri direto pra casa, minha mãe tava na sala dormindo bêbada como sempre, fui pro meu quarto e a angústia de saber que tinha matado um homem logo era amenizada por saber que Anabella seria minha.
No outro dia eu fui trabalhar, e lá estavam meu tio e meu primo trabalhando. Eu os cumprimentei normalmente, meu primo me deu bom dia, meu tio me olhou de uma forma estranha, ele sabia que tinha algo errado. Naquela manhã Anabella não saiu para correr, e no meio dia quando estávamos comendo, meu tio ligou o rádio e lá dizia sobre o assassinato da noite anterior, não contive e soltei um pequeno riso, meu primo me olhou incrédulo, eu disse que não era nada. Eles não sabiam quem tinha morrido, não sabiam o nome do Arthur. Eu fiquei o dia inteiro esperando Anabella, mas nada dela, no final da tarde encostou um carro da polícia na frente do hotel, naquele momento minha espinha se contorceu de nervosismo, e senti um calafrio na coluna. Anabella desceu da viatura chorando, aos prantos, e sua mãe tentava lhe consolar, logo desceu um senhor de tipinho suspeito, baixinho, mais baixo que Anabella, barrigudo, com um bigode preto e um charuto vagabundo na boca, era o detetive Wilson.
Eu achei melhor não abordar Anabella naquele dia, pois ela estava perturbada com tudo isso, esperei até o outro dia, aí sim, no outro dia ela saiu de casa, não às oito, não para correr, saiu apenas as seis horas da tarde, o enterro do maldito já tinha acontecido, e ela estava indo até o cemitério pára visita-lo um dia depois do enterro, isso me deixou meio frustrado. Mas eu fui em casa e tomei um banho, depois fui até o cemitério e a vi, com uma flor branca em mãos, chorando em pé na frente do túmulo do Arthur, eu calmamente me aproximei, agora estava mais confiante que nunca estava limpo e cheiroso, cheguei no lado dela, trêmulo de nervoso, e ofereci um lenço branco, ela me olhou, pegou o lenço e agradeceu com a voz mais doce desse mundo. Tentei ser gentil perguntando se eu poderia ajudar de alguma forma, mas ela disse que queria ficar sozinha, isso doeu em mim, mas eu não desanimei, fui para o lado de fora do cemitério e a esperei, mas esperei, ela demorou muito lá, saiu lá pelas dez da noite, quando ela veio eu fui até ela, ela estranhou eu estar ali, eu disse que ia lhe acompanhar até em casa, ela disse que não precisava mas eu disse que ia mesmo assim, afinal o hotel fica muito longe do cemitério, ela me perguntou como eu sabia onde ela morava, me embaralhei um pouco e disse que já tinha a visto, não podia dizer que era pedreiro.
Durante o caminho tentei puxar conversa mas ela nem ai pra mim, quando chegamos ela agradeceu pela companhia e se despediu, eu a puxei e perguntei se ela não ia me dar um beijo, ela ficou espantada com a pergunta e disse que não, puxando o braço. Eu me irritei e tentei agarrá-la ela me deu um tremendo tapa, mas pra mim não foi nada, já que tapa de amor não dói. Eu estava mais apaixonado ainda.
No outro dia, vi a viatura encostar e o detetive descer, ele entrou no hotel, eu sabia que ia ver Anabella, o que ele queria com ela afinal? Será que eu ia ter que matar ele também, eu não sabia ao certo mas sabia de uma coisa, ele era um grande problema.
Fale com o autor