A Menina Do Hotel

2 A obsessão de um homem


Estou entrando em minha cela, um lugarzinho enfadonho, no lado direito um colchão velho tomado por formigas e logo a ponta um balde, acho que pra ser usado de privada, sentado em minha cama me recordo do dia em que acordei disposto a cometer um crime, matar o namorado da minha menina.

Um novo dia nasceu, nem tomei café, o que deixava minha mãe irada, sai logo cedo pra chegar na obra, fiquei lá trabalhando entre uma lida e outra olhava para o hotel do outro lado da rua pra ver quando a menina sairia. Não demorou muito e Ygor e seu pai chegaram, deram bom dia e começaram a trabalhar. E como sempre quando deu oito horas ela saiu, foi correr, eu estava ocupado naquele momento não tive tempo de abordá-la, igual eu tinha um rival, aquele namorado dela, precisava me livrar dele antes de qualquer coisa.

Ao se aproximar do meio-dia eu vi aquele carro, o do namorado dela, chegar. Ele desceu e logo desceu ela também, ela nem me olhou, ele viu como eu olhava pra ela e deu uma risadinha, entendi a risada como sarcasmo, meu tio viu que fiquei irritado com a provocação e disse pra mim ignorar, tentei, tentei, mas não consegui, enquanto eu comia na minha marmita, eu vi no quinto andar do prédio Anabella fechando a janela, e ele o namorado que se chamava Arthur, atrás dela abraçando-a, a ideia de que estavam transando me incomodava imensamente. Daquele dia não passaria eu ia dar um jeito nele, sai mais cedo, disse para meu tio que tinha que resolver uns assuntos em casa, ele meio desconfiado consentiu. A verdade é que fui atrás de Elias, um velho amigo, Elias praticava alguns assaltos, tinha ficha na polícia e já tinha matado alguns, pedi a ele que me arranja-se um cano, ele ficou surpreso com o pedido, porque eu sempre fui um cara do bem, mas não naquele dia, ele se meteu em uns becos e me disse para esperar ali, não demorou muito e ele voltou, com um revolver, um Magnum 38 de numeração raspada, comprei por cento e cinquenta reais, dinheiro que tava guardando pra comprar alguma coisa pra dentro de casa.

Sai na rua com a arma, escondida na cintura, voltei ao lugar da obra, meu tio e meu primo já tinham ido embora, depois de um tempo vi Arthur chegando em seu carro, eu estava escondido com minha bicicleta, Anabella saiu, e deu um beijo nele, aquilo me deixou mais furioso ainda, quase que matei o desgraçado ali no ato, mas esperei. Eles entraram no carro e se mandaram, eu fui atrás, não sei como mas consegui seguir o carro, eles entraram em um motel, não lembro o nome agora, mas eu os vi entrando. Dei a volta por trás, e pulei um grande muro que tinha lá, dei a volta e achei o carro do maldito, furei os pneus, não consigo conter os risos quando lembro daquela cena, os pneus furados, hilário.

Pois bem, procurei o quarto em que eles estavam, o número era treze, eu ouvia os gemidos dela, aquilo me excitava e me irritava ao mesmo tempo, de a volta e tinha uma pequena janela que dava para ver o quarto, então eu vi Anabella, sendo possuída por aquele desgraçado, eles transavam intensamente, ela revirava os olhos mergulhada em tesão, e ele ali bufando com um touro, puxando ela pelos cabelos, enquanto ela estava de quatro gemendo que nem louca, foi quando ele saiu de dentro dela e eu vi aquela coisinha desprezível que era a piroquinha dele, acho que tinha uns doze centímetros, muito pequeno, imaginei o que eu não faria com Anabella. Não demorou muito, porque ele era bem fraquinho, e eles saíram do motel, eu sempre muito bem escondido observava tudo, quando eles entraram no carro e tentaram sair, foi em vão. Arthur desceu e viu os pneus furados, chamaram um táxi que não demorou pra vir, eu muito ágil pulei o muro e segui o táxi que foi em direção ao hotel, lá ele deu outro beijo nela e se despediu, agora era a hora, eu ia fazê-lo, eu tinha que fazê-lo.