A Matemática do Prazer
13 - Estratégia de Mestre
Notas iniciais
Estávamos sentados em minha cama, Damon e eu, rodeados de montes de papeis e nossos computadores. Em minha mão estava a minha lista e falávamos da recente descoberta dele sobre um de meus ex-namorados, Steve Rogers.
Algo estava bastante estranho, eu só pensava em como seus lábios se moviam de forma majestosa e sedutora enquanto ele sussurrava coisas que eu não me concentrava o suficiente para entender, mas não me esforçava muito para isso.
Eu estava pingando de suor, estava um dia quente e sentia pequenas cotículas de suor se acumular em minha testa, devia fazer uns 38ºC em New York hoje, um recorde, sem dúvidas. Em minha mão, o lápis escorregava levemente entre meus dedos enquanto anotava algo de Damon falava, devido minha transpiração. Umedeci meu lábio tentando fazer o calor de sentia em minha face diminuir, minhas bochechas queimavam, e todo aquele ar abafado me sufocava. Necessitava de uma piscina.
Suspirei e somente agora notei como Damon estava em silêncio, o olhei e ele me observava, usava calça jeans manchada e larga com uma blusa negra regata, seus músculos se destacavam e ressaltavam por meio da camiseta, mas o mais sexy mesmo era o suor que manchava o preto perfeito e a colava sobre seu tórax; com as bochechas coradas, o cabelo esvoaçado e ele tinha um bigode de suor que me atentava enquanto destacava os lábios avermelhados.
Prendi a respiração desviando o olhar e me levantei na cama. Ok! Estava calor, mas de repente, eu estava a mais de 1000ºC, combustão era como eu me encontrava e certa tensão luxuriosa estava me deixando extremamente nervosa e de garganta seca.
– Vou fazer uma limonada para nós. – disse para ele me virando desorientada em busca da direção de minha cozinha.
Assim que saí de sua vista corri até a geladeira e peguei uma jarra de água extremamente gelada e pus um frasco de refresco dentro, logo pondo duas fôrmas de gelo no recipiente. Peguei um dos cubos e o pressionei contra minha nuca, quase gemendo de prazer com aquele alivio.
Mechas de meu cabelo colavam em meu pescoço e eu estava sentindo filetes de água gelada derretida descer por minha coluna e lombar, causando um imenso êxtase.
Respirei fundo e preenchi os copos com diversos cubos de gelo e me virei para voltar ao quarto. Estava somente complicado caminhar com os copos e a jarra para o quarto, mas eu consegui e quando coloquei sobre o criado-mudo, voltei à sala sob o olhar de Damon pegando dentro do armário um antigo ventilador portátil que tinha e pluguei na tomada do quarto, recebendo um sorriso de Damon em troca.
– Até que enfim pensou né? – Damon caçoou.
– Desculpa, mas acho que esse calor cozinhou meus neurônios! – respondi irônica, dando língua a ele.
– Se você fosse loira eu entenderia, mas não! – sorriu para mim. Rolei os olhos.
– Se continuar a me zoar não vou deixar você tomar essa limonada geladíssima. – ameacei.
– Ok! Parei! – falou se levantando da cama e vindo à minha direção. Entreguei-lhe o copo e ele o pegou agradecido. Antes que terminasse de pôr para mim, ele me entregou o copo vazio em sinal de mais. Bufei e enchi seu copo novamente.
– Tá com cede, hein? – disse devolvendo a ele o copo, já cheio.
– Estou com calor! É diferente! – afirmou descontraído.
– Se diz! – dei de ombros pegando meu próprio copo. O liquido gelado escorria por minha garganta, mas nada aplacava minha cede, e minha boca ficou ainda mais seca quando olhei para trás e Damon estava de costas tirando a camisa, soada, inconscientemente sensual e a lançava em qualquer lugar. Podia ver sua transpiração muito aparente por suas costas, onde pingos de suor escorriam até a base e o desejo de traçar o mesmo trajeto com minhas unhas, por suas costas, arrebatou-me.
Engoli em seco e sentei-me lentamente no sofá embutido à janela o observando de perto, ele se postava a frente do ventilador. Mordi meu lábio e pus meu cabelo em um coque peso por um nó. Quando o olhei novamente ele encarava-me com olhos secretamente famintos, presos em meu decote que top proporcionava e no micro short que me expunha a ele. Levianamente escolhi àquela roupa, mas só desejei aliviar meu calor com roupas curtas.
Ele pôs o copo em cima do criado-mudo e me olhou de um jeito que me fez tremular as pernas e prender o ar, seus olhos eram pura voracidade.
– Quer saber? Eu não quero aliviar o calor... – deu três passos para perto de mim e eu o olhei por inteiro, focando, principalmente, no elástico branco de sua boxer que aparecia devido à calça folgada. – enquanto estou aqui, pegando fogo, eu queria realmente te incendiar também. – ele segurou-me pela mão e, eu sem reação, fui içada de meu assento me chocando contra seu peito de aço, seu abdômen roçava quente contra minha barriga.
Ele deu um sorriso convencido, notando minhas reações e segurou minha nuca me trazendo para ele sem mais nenhum segundo de raciocínio e nenhum milésimo de hesitação. Sua linga adentrou minha boca, decidida e forte, me fazendo render-me sem escapatória. Era envolvente como ele me sobrepujava e tirava qualquer autoconfiança que um dia imaginei ter.
Seu braço forte me prendeu contra si enquanto o outro, mais assanhado, apertou minha bunda, comprimindo meu quadril contra o seu me deixando imediatamente molhada... e excitada. Estava tão necessitada daquilo.
Eu me esforçava para lembrar o motivo de afastá-lo, de parar qualquer coisa antes de começarmos, mas eu já estava envolvida, não só por seus braços fortes e a pegada marcante e explicita que ele tinha, mas também por minha própria necessidade, pela luxuria que me tomava e pelo calor que lambia todo meu corpo.
Apertei seus braços, sentindo a virilidade de seus músculos e arrastei minhas mãos por suas costas fortes e torneadas, duras e quentes contra meus dedos e escorregadias devido o leve suor que ele tinha. Ele quebrou o beijo me olhando, com devassa sacanagem e caloroso desejo no azul de seus olhos. Mordi meu lábio sapeca e me reprimindo, sentia um ímpeto que me incitava a ataca-lo.
Ele apertou minha cintura com os dedos delicadamente e começou a caminhar de forma que eu dava passos às cegas, porém sabia exatamente aonde ia. Sorri amplamente para ele o sentindo contra minha barriga, certa animação e tamanho era evidente pelo contato e isso me dava um enorme branco na mente. O que, diabos, eu tinha que fazer mesmo? Até o motivo de ele estar em minha casa me fugia, só agradecia por ele estava aqui. E se o calor não der trégua, eu o mandaria se foder e pegaria fogo de uma vez com meu vizinho-perdição.
Um solavanco e eu sentia a cama contra minhas panturrilhas, logo dando espaço para a maciez do colchão enquanto entravamos em outro beijo ousado. Ambos tentávamos ser aquele que guiaria o beijo, empregando mais força e movimento à dança molhada de nossas línguas, que ficava mais sensual e provocante a cada mordida breve no lábio, vorazes investidas que nos fazia arfar, leves sucções que nos levavam a suspirar e a massagem entre nossas línguas. Nos devorávamos com nossos lábios.
Ele abriu minha blusa, rápido, e percebi o quanto ele era objetivo na cama. Ah, uma característica ótima em homens daquele porte; tesudos e deliciosos. Fazia-me salivar observa-lo retirar com velocidade e certa aspereza minha peça e me deixar de sutiã meia-taça bordô. Ele se impulsionou friccionando contra meu quadril, pondo-se entre minhas pernas. Puxei de leve seus cabelos gostando de sua decisão e imposição na cama, mas ainda gostava de comandar. Todavia, era sempre delicioso ter alguém que deseje lhe domar vez ou outra, e quando essa pessoa sabia o que fazer... Ah! Sentia-me vibrar com um prazer diferente.
O apalpei e deixei que ele continuasse o serviço, abrindo meu short e o retirando por minhas pernas. Minhas mãos acariciaram seu cabelo quando, ao fazer o caminho inverso, voltando após retirar minha roupa, iniciou uma série de beijos da barra de minha calcinha ao fecho de meu sutiã, uma pequena caveira dourada entre meus seios, e, apalpando meus seios com certa aspereza os juntou entre suas mãos, fez fecho abrir.
Mordi o lábio sentindo seu polegar medir a circunferência de meu seio, e então gemi quando rouçou seu jeans contra minha calcinha ao mesmo tempo em que espremia a aréola entre seus dedos, comprimindo sua boca contra a minha.
Arqueei meu tronco contra o seu, querendo sentir seu corpo esmagar o meu, mas sem querer, ou querendo e não raciocinando sobre isso, assumi o controle, ficando por cima. Damon pareceu não gostar, mas sua boca se abriu em um mudo gesto quando me sentei certeiramente contra seu membro, o sentindo inteiro contra meu clítoris, molhando minha calcinha. Gemi e cavalguei uma vez assimilando as sensações causadas pelo movimento, uma boca capturou meu seio e arranhei sua nuca me inclinando para beija-la, chiando de prazer.
O afastei de mim decididamente, o empurrando contra os travesseiros e então continuando com meus beijos, descobrindo seu torso e mais abaixo. Mordi fraco seu mamilo e acariciei seu membro por sobre a calça. Ao descer por seu tanquinho eu também descia seu zíper e me infiltrei por lá.
O comprimi em minha mão à medida que a outra abria o botão. Sem saber como eu já o tinha nu sob mim. O pondo em minha boca e sugando verdadeiramente e pressionando a ponta de minha língua contra sua saída, chupando, e com uma lambida úmida o retirei e o esfreguei contra meu seio, o olhando fundo nos olhos azuis quase fechados e a boca suavemente aberta emitindo um leve grunhido.
Inclinei-me para ele e passei minha língua sobre seus lábios, a sua adentrou minha boca e seu membro ereto rouçou em minha intimidade, abaixei meu tronco para senti-lo e, já obtusa e louca, estava pronta para sentar, Damon arqueou o tronco encaixando a ponta de seu membro em minha entrada. Paralisei e fechei os olhos, apertando seus bíceps em minhas mãos, sentindo sua presença. Um sôfrego gemido me escapou e ele deslizou até meu clítoris arremetendo uma vez, de forma a provocar uma convulsão em minha espinha e meu interior se apertou.
– Damon! – sussurrei entrecortada, clamando a ele para cessar essa necessidade que aflorava cada vez mais em mim.
Ambas as mãos se juntaram em minhas coxas e deslizaram até minha bunda, onde ele apertou puxou ao mesmo tempo em que ele sentava com um sorriso tão sacana nos lábios que automaticamente arrancou um de mim, mesmo distorcido por minha excitação.
Meu corpo girou e agora Damon se inclinava sobre mim, posicionado para o abate e ainda segurava firmemente uma de minhas coxas à altura de seu quadril, a encachei melhor a passando por suas costas, abrindo mais espaço para ele com a outra, e o pressionei de leve o puxando para mim.
Um tapa me atingiu e eu soltei um grito/gemido assustado ao mesmo tempo incentivante pela sensação estranha de prazer e subordinação que aquilo trazia, era bom e ruim, quente e frio, era delicioso e inesperado.
– Dam! – reclamei, exigi e chamei a ele.
– Calminha Elena. – sorriu e deslizou a mão por minha coxa e contornou minha cintura até o ponto onde eu gostaria que estivéssemos conectados nesse momento. Mordi meu lábio e olhei.
– Calma é o caralho! – respondi.
– Concordo plenamente com isso. – murmurou para mim me preenchendo abruptamente em seguida, com um grito de surpresa e aprovação de minha parte. Oh sim! Oh sim! Oh sim!
Nós dois nos chocamos contra o outro na espera de iniciar o movimento, ávidos para comandar e sentir, surpresos pelo prazer que nos atingiu, mas satisfeitos com o gemido que o outro liberou.
Senti-lo completamente em mim era algo indescritível, era como perder a virgindade outra vez, sem a dor e o incomodo ou todo o trauma que viria depois, somente a sensação de novidade, de algo lhe completando de um jeito novo, e realmente era novo, mesmo para uma rodada como eu, ter algo desse nível era como sentir seu primeiro orgasmo a cada investida que ele dava.
Já estava vibrando com aquilo, eu estava entregue, mas lucida, cada parte de meu corpo estava acordada e era um terminal de descarga de tesão.
Pus uma mão sobre meu seio, me tocando enquanto mordia meu lábio e o olhava, seus cabelos se grudavam de sua testa que se enrugava a cada sexy careta de prazer que ele fazia. Desci minha outra mão até minha intimidade, acariciando meu clítoris com empenho.
– Ahm! Humm!– arfei e grunhi. Com isso senti uma pancada forte em minha intimidade com sua arremetida, ele iria encontrar meu fim daquele modo ou me arregaçar, mas sequer me importava com isso, se eu continuasse com aquele frenesi crescente, para mim estava tudo bem.
Desci minha mão mais um pouco querendo distribuir prazer, já que eu estava ganhando, e iniciei uma lenta massagem em suas bolas no ritmo de nossas colisões. Estava me sentindo tão no limite, tão molhada e extasiada; definitivamente apertada. Era uma plenitude inquietante o modo em que parecia tão bom e viciante seu corpo junto ao meu. Mal percebi, mas eu estava gritando desconexamente palavras inteligíveis.
Estava perto, a um passo do precipício, ou do céu, melhor dizendo, e eu me dividia entre me jogar na luxuria ou flutuar naquela paz que estava tomando-me junto com Damon. Chegava a ser surreal.
– Elena! Elena! Elena! – ouvir meu nome derreter naquela língua era tão sensual, seus gemidos eram melhor que Lionel Richie – e isso, para mim, era o derradeiro dos elogios a um homem –, e então eu me deixei levar de vez. Fechei meus olhos e me deixei gozar, permiti a avalanche me arrastar para aquele canto alucinógeno feito de jubilo total.
Um som estanho rompia minha consciência ao sentir Damon expelir dentro de mim, similar a um “Bang!” muito conhecido. E então eu abri meus olhos, deitada em minha cama, sentindo o orgasmo a flor de minha pele ressoar, porém a surrealidade tinha se desfeito e me vi escutando a campainha de minha casa enquanto eu estava me convulsionando por um orgasmo provocado por um sonho!
A incredulidade, frustração e até um alivio me atingiu, porém se foram assim que a campainha silenciou e batidas na porta começaram com àquela voz tomando meus ouvidos.
– Elena! Elena! Elena! – ele chamava, e como em meu sonho, de minha espinha à meu ápice neural, desordenando meus sentidos, me despertando as lembranças de meu sonho em sensuais flashes e me eriçando completamente, principalmente, retomando o calor entre minhas pernas.
– J-já vo-ou! – gritei relapsa tentando me abanar. Meu corpo estava soado como se eu realmente tivesse transado a noite toda, fisicamente, e não mentalmente, e ainda tentava me estabilizar com essa nova realidade de poder gozar somente com um sonho erótico. Já tive vários e em nenhum deles despertei tendo um orgasmo!
Levantei-me o que eu definia como tonta e caminhei lentamente sentindo àquele calor especifico entre minhas pernas ainda latente. Era como se eu realmente tivesse feito o que fiz em sonho, só estava um tanto emburrada exatamente por ser um sonho e feliz por não ter me rendido na realidade.
Em frente à porta eu arrumei melhor meu cabelo, agora mais consciente de tudo ao meu redor e peguei a chave do cadeado na mesinha ao lado da porta silenciosamente. Respirei fundo e abri, levando um murro na cara ao fazer isso.
– Mas que...! Ai! – xinguei alto olhando tudo duplicado. Duas mãos seguraram meu rosto e senti minha visão estabilizar ao focar nos dois olhos azuis.
– Me desculpa Elena! Eu ia bater novamente na porta no instante em que você a abriu, não foi de proposito. – disse ele, afobado. Não sei se era pela pancada, pelo sonho ou era apenas ele, só que era tão fofo vê-lo daquele modo, preocupado e envergonhado. – Está tudo bem? Você está sorrindo de um jeito estranho...
Pisquei os olhos recuperando o foco e assenti para ele me afastando um pouco e pondo a mão no local que, agora, latejava, sem suas carinhosas mãos afagando o local, aplacando a dor que agora irradiava por minha cabeça, mesmo que fraca.
– Está! Está sim! Não foi nada! – afirmei o acalmando e então o analisei finalmente, com uma regata azul-escuro e uma calça jeans, tão similar a meu sonho, mas afastei a ideia imediatamente. Damon não tinha um guarda-roupa variado, era somente coisa de minha cabeça!
Exatamente nisso que preferi acreditar, reviver aqueles momentos de prazer... Não, de decadência! Não podia me permitir associar um sonho à seu protagonista, até porque tamanha era minha precariedade que sequer me toquei e gozei dormindo, imagine se começar o desejar ainda mais, seria o meu fim.
– Hum... Bom... – olhou sugestivamente de mim para dentro e me toquei da falta de educação e o tempo em que ficara ali pensando na morte da bezerra. Puxei para baixo a barra da camisola e pigarreie.
– Você quer... – me atirar na parede!? – entrar? – perguntei com um falso sorriso condescendente, analisando como seu rosto se iluminava com um simples repuxar de lábios.
– Quero sim! – passou por mim e notei uma mochila de tamanho médio em um de seus ombros. Enquanto o observava entrar meneei a cabeça me relembrando do foco novamente, me virei para o corredor vazio e suspirei fechando a porta da melhor forma possível.
– Bom, desculpa o jeito, é que estava dormindo até te ouvir bater... – falei indo pelo hall até a sala onde ele já se instalara.
– Tudo bem, eu que te peguei cedo. – justificou calmamente, sem nenhum pingo na málica que enegrecia minha mente. “... eu que te peguei cedo”; quase me estapeei. Sim, senhor Salvatore, mais precisamente, durante a madrugada. Respondi mentalmente quase sem pensar. Deveria tomar cuidado com a relação cérebro – mente – boca, pondo algum filtro na saída porque, caso contrário, daqui a pouco falaria as coisas sem pensar e não só as guardava para mim, e isso não causaria um clima agradável.
– Não, não. Acho que foi bom acordar, de qualquer forma. – Acho, somente acho, porque se continuasse sonhando, em breve eu ficaria louca e tornaria realidade, e não posso cogitar essa ideia de forma nenhuma. Estava realmente decidida a manter o numero custe o que custar! Por isso Damon está aqui. – Bem, estou um pouco faminta. Gostaria de algo?
– O que tem para comer? – perguntou ligando a TV. Eu! Pus a mão em frente minha boca para garantir que não a abrisse e falasse merda. Aguardei o tempo necessário para que me sentisse no controle novamente, por fim respondi:
– Hum, que tal um omelete? – perguntei com a voz um tanto rouca.
– Seria perfeito. – sua resposta, agora maliciosa, soou as minhas costas, me fazendo virar rápido para olhar sua expressão divertida. Oh céus, tomara que ele não tenha visto meu piripaque de agora há pouco.
– Tudo bem. – respondi como quem não sabe de nada, neutra em completo, superficialmente. Por dentro eu estava me repreendendo por estar tão fora do controle. Será que tudo isso era por abstinência a sexo? Não pode! Então como eu vivi tantos anos sem fazer antes de perder a virgindade? Como Daniel consegue, mesmo depois de transar, ainda que padre, não sentir isso? É loucura minha não há outra forma de explicar! E se... Oh não!
Pisei forte me direcionando a geladeira pegando alguns ovos, queijo, presunto, um tomate e alguns temperos. Inclinei-me para pegar uma tigela, para misturar os ovos, no armário de cima, mas de jeito maneira conseguia alcançar. Dei um pequeno salto conseguindo atingir meu objetivo, e pousando sobre meus pés, contente com meu feito, me virei para Damon com um sorriso nos lábios e a tigela na mão, mas paralisei na hora vendo seu olhar fixo e intenso na linha de minha cintura.
Oh porra! Estou de camisola ainda e inventei de por uma de minhas calcinhas. Meu rosto não podia estar mais corado e eu estar mais satisfeita ao encontrar seu olhar faminto quando ele o ergueu para mim. Era certeza que o salto que dei não fez uma boa combinação com o movimento replicado de minha roupa.
Só podia ser castigo, não é? Querer tê-lo agora que já não posso. Deus tramou minha punição em forma de pecado em tentação e o implantou como meu vizinho.
Sem falar nada viro de costas e ponho em cima da bancada a tigela, e sem esboçar qualquer reação saio daquele ar pesado meio correndo, meio andando até meu quarto.
– Vou ali... – falei baixo, mesmo que já tivesse passado por ele. Parecia que nem o som da televisão era suficiente para romper o silêncio que tinha engolido a casa.
Correndo, pus um sutiã nadador Pink flúor, uma blusa de crochê bege com fios dourado, larga e grande, e um short jeans de lavagem escura, com aqueles elásticos na altura na cintura que empinavam o bumbum. Bom, eu estava, sim, tentando aplacar toda essa tensão sexual que se implantara em minha casa, mas isso não quer dizer que tenha que mudar todo meu estilo – se eu tivesse algum – a blusa larga já era de bom tamanho.
Voltei à cozinha o encontrando com um copo de suco de maracujá nas mãos parecendo aflito para aliviar algo, pelo modo que bebia. Passei em muda por ele novamente e fui direto para a pia, abrindo os ovos, cortando os ingredientes, pondo orégano, manjericão, tomilho e etc. para dar um sabor diferente, decidi por algumas rodelas de cebola para dar àquele gostinho e rapidamente já punha sobre a bancada americana uma travessa com várias omeletes feitos com especial atenção – como me considerava um desastre inerente à cozinha e tentava de todo modo desviar minha atenção do moreno que agora se localizava ao meu lado; foquei-me completamente na tarefa.
Comemos em silêncio, mas agora já não era incômodo, o ar pesado se fora e eu estava contente com isso. Quando terminamos simultaneamente, eu não deixei de cair na gargalhada junto a ele. Agora parecíamos duas crianças idiotas curtindo a manhã de desenhos sem supervisão de adultos.
Pus as louças na pia e fomos para a sala, aquilo provavelmente tinha sido um almoço para nós, já que, quando olhei para o relógio no instante que entrei no ambiente, ele marcava onze e trinta e dois. Nos esparramamos no sofá.
– Então Elena. Pode me explicar sobre ontem e me falar o que disse que diria hoje? – Damon questionou logo quando pôde.
– Certo. – mordi o lábio tomando coragem. Em algum ponto entre ontem e agora eu decidi contar a verdade a ele. – Não quero sua ajuda para encontrar alguns amigos para uma festa. Quero sua ajuda para encontrar meus ex-namorados.
– Hum. – pareceu ponderar internamente. Aguardei sua reação aflita. – Posso ver quantos são? – parecia curioso e ainda incrédulo. Bom, acho que não era rotineiro alguém fazer isso, não é? Assenti e fui à busca de meu caderninho com a lista revisada, somente com os nomes e descrições dos caras que eu procurava.
– Aqui está. – voltei lhe estregando já na referida página. Sorriu de leve para mim e voltou sua intenção para a lista. Sentia-me enrubescer em vê-lo ler aquelas coisas, quando há pouco estava transando com ele, mesmo que não saiba, mentalmente. O arrependimento me tomou quando sua risada preencheu o ar ao meu redor.
– Bem, Elena. Se você não tivesse me contado sobre essa de ex’s, certamente eu teria achado que você estava planejando uma orgia e nem iria me convidar! Só tem homem nessa lista! – riu novamente. O acompanhei.
– Se tivesse mulher, seria estranho. – respondi.
– Não! Seria diversificado! – Damon rebateu.
– Que horror, Dam! – corei olhando para o lado.
– Hum, hum! Essa carinha é de réu em cadeira elétrica. – falou e apertou de leve minha bochecha. – Pode falar à realidade que eu aguento, Lena. – engoli em seco, ponderando internamente. Que mal faria contar, afinal?
– Um vez, na faculdade, eu quase fiquei com a minha colega de quarto. – falei baixo, com o rosto quente. Ele era a quinta pessoa que sabe disso; somente eu, Sarah, Kath e Dan, quando fui me confessar, sabiam, e por mim não seria do conhecimento de ninguém. – Graças a Deus não rolou nada, foi a bebida e a curiosidade no começo, mas de verdade eu não queria, nem ela então parou ai.
– Bom, posso conviver com isso. – ele ri relaxado e me sinto aliviar com sua compreensão. Não sei o porquê, mas queria que ele me conhecesse por completo e tinha uma enorme esperança que me aceitasse. Talvez por ter me aceitado como sou até agora e não ter me exigido nenhum tipo de comportamento.
– Obrigada. – sorri para ele, me embebedando de seus olhos brilhosos.
– Não há de que. – sorriu de volta. Voltou sua atenção a lista com curiosidade. – Pois bem, o que eu ganho em troca se te ajudar? – virou-se para mim com um sorriso convencido.
– Hum, estava pensando em dinheiro. Quanto você quer por cada um deles? – perguntei gostando de estar, finalmente, negociando com ele. Era muito mais confortável conversar sobre isso do que sobre mim.
– Sabe, esperar algum tipo melhor de satisfação. – olhou sugestivamente para mim, mesmo pega de guarda baixa, não esbocei nenhuma reação além de um sorriso.
– O que teria em mente para isso? – me fiz de desentendida. Queria ver se teria coragem de falar abertamente sobre esse aspecto.
– Em mente? Várias coisas. Com vontade? Absolutamente. Agora, a permissão para por ambos em prática? Isso você pode me dar. – Mordeu o lábio e sua mão, que estava no encosto do sofá escorregou para meu ombro e ele iniciou uma caricia provocante, indo e vindo, em meu braço.
Respirei fundo e, inesperadamente, arrepiei com sua carícia. Ok! Nem tão inesperadamente assim, logo que ele era uma pura virilidade, me fazer arrepiar era o de menos.
– Acho que isso que você quer, eu já não posso dar... – o respondi, ofegante. Minha voz tremulava levemente, mas consegui estabilizá-la o suficiente para falar.
– Porque não quer ou... – arqueou uma sobrancelha sugestivamente.
– Porque o assunto aqui não é nada disso! – retruquei. Estava um pouco envergonhada para contar a ele sobre a realidade com essa de procurar meus ex’s.
– Oh! – exclamou somente e afastou sua mão de mim. Ok! Eu fui grossa com ele.
– Desculpe-me, Damon. – disse arrependida, pondo a mão em meu pescoço, o olhando de soslaio.
– Vou pensar no seu caso... – disse de forma convencida com um biquinho muito sexy e convidativo com seus lábios carnudos.
– Oh sim, senhor humildade. – debochei.
– Oh sim, senhora convencida. – remendou-me e pôs as duas mãos na cintura de forma autoritária e até afeminada, me imitando.
– Vamos acabar com isso e retornar a questão de forma de pagamento. – racionalizei tentando me focar no assunto central.
– Já disse o que quero... – Damon, vulgo Bipolar, mudou da dissimulação para a malicia imediatamente. Oh! Senti-me um objeto do modo que ele sugeriu, não sabia se era brincadeira ou não, todavia me resignei da mesma forma.
– Eu não sou uma prostituta! – respondi um tanto ácida, outro, rancorosa. Esse era todo o ponto delicado de minha situação, mesmo que sabendo que era exatamente isso que eu era, se tornava muitíssimo doloroso ouvir tal insinuação.
– Não foi isso que quis dizer! Eu só estava... – calou-se.
– Insinuando algo? A única diferença entra uma prostituta e eu nesse seu pedido é que ela recebe dinheiro em troca, eu receberia informações! – quando dei conta da situação, eu estava de pé o olhando magoada, mas com raiva além de tudo em minha atitude, enquanto ele parecia perdido e surpreso.
– Desculpe Elena. Eu estava somente tentando brincar com você. – disse de forma arrependida, seus olhos sugaram minha atenção e olhá-lo era como pedir por uma dose de amnésia, meu ímpeto era que minha reação fora totalmente infantil perante sua brincadeira, no fundo eu me sentia diminuída quando sugeriam algo desse porte, ele como sambar com a verdade na minha cara.
Abri a boca para responder só que fui cortada pelo barulho da campainha. Oh glória! A campainha hoje deu para me interromper nas melhores ocasiões. Resignei-me com a ideia de que talvez fosse a intervenção divina pela qual clamei nas ultimas 24 horas.
Levantei-me calmamente e visualizei um Damon alarmado. Franzi o cenho com isso, mas o que quer que seja, tinha interrompido uma potencial briga.
Abri a porta e uma ruiva peituda me olhou afoita. Olhei para trás, onde seus olhos, rápidos, se direcionavam, varrendo todos os cantos; já não via Damon mais. Onde ele tinha ido em menos de dois segundos?
– Oi. Desculpe o incômodo, mas queria lhe perguntar se, por acaso, tinha visto o vizinho aqui da frente, Damon? – Oh céus! Não acredito que ele fez isso de novo!
A soma de minha recente briga com ele, a raiva que estava e a oportunidade que agora me perguntava onde ele estava, me deu ideias. Ah, como a sensação de “dar o troco” era ótima. Se ele esperava que eu o acobertasse mais uma vez, estava enganado. Chega de se esconder no meu apê.
– Sei sim. – escorei no batente da porta com um sorriso para ela, ouvindo um gemido de desgosto à minhas costas em seguida. É Damon, veja como é frustrante! Pensei. Os olhos dela esbugalharam com intensa esperança. – Ele está aqui. – ela me olhou descrente e seguiu me analisando por todo o corpo, como se avaliasse o nível da concorrência. Óbvio que me senti bem com o torcer de boca que ela esboçou no fim, já que, pela sua linguagem corporal, notei que ela não tinha gostado, mas seu olhar mortal era algo magnifico para meu bel-prazer.
– Pode chama-lo? – questionou entre dentes.
– Claro, claro. – respondi fulgente, animada. Virei-me para ir procurá-lo, porém foi uma atividade dispensável, pois ele já estava ao alcance das vistas parecendo tremendamente irritado com a mulher que ali estava.
– Ah, amorzinho! Estava te procurando, você sumiu e não apareceu por muito tempo, fiquei preocupada. – a ruiva fez uma voz fanha para conversar com ele, como se conversa com bebês. Pus a mão discretamente sobre minha boca, rindo dele. O gesto atraiu seu olhar fugaz para mim, mas logo encarava a outra.
– Não precisava ficar, podia ter, simplesmente, ido embora. Seria um favor. – Damon falou, revirando os olhos. – Mas já que pergunta. Estou aqui, resolvendo com a Dra. Gilbert sobre alguns sintomas que estou sentindo há dois dias, como minha vizinha, se prontificou a me ajudar, mas quando ela ia me examinar, você chegou. – mentiu descaradamente, a olhando confiante.
– Oh! Perdão tchuquinho. Não queria atrapalhar. – me olhou sem todo aquele ar de ciúme. – Você é medica de que área? – me perguntou e arqueei a sobrancelha para o moreno como quem diz: eu vou contar.
– Não sou médica. Sou... – Damon me cortou.
– Ela ainda não é formada. – explicou para ela, que assentiu como se entendesse. – Está no sexto período de Odontologia. – o azul de seus olhos, fixos em mim, gritavam “colabora”.
– Oh, mas então porque você veio pedir para que ela te examine? – questionou confusa. Uh Damon! Explica essa.
– É que estou com uma enorme dor no siso e estava com medo de ser algo grave. – disse dramatizando.
– Awn! Tadinho de você, môzi. – ela disse melosa e acariciou seu rosto. Caralho, que mulher insuportável. Pela cara de Damon, ele concordava com meus pensamentos.
– É! É! – ele respondeu impaciente. – Que tal irmos e deixarmos Elena à vontade em sua casa? A não ser que ela se lembre de que más ações têm reações igualmente ruins quando se precisa de informações. – pesquei a indireta e congelei. Oh porra! Esqueci que precisava dele, no meio de toda essa confusão última.
Ele saiu pela porta com uma cara nada boa e a baranguete o seguiu com os saltos garrando no assoalho, toda destrambelhada.
Desgraça! Como eu iria me redimir com Damon depois dessa? Por que sou tão imatura? Nem pensei nos contras de minha “vingança” e agora tinha que pensar numa maneira de aliviar meu lado, pois era evidente o quanto ele estava puto ao sair.
Céus! Passo a mão por meu cabelo e me viro para a sala procurando algo que me desse uma ideia. Sorrio e corro pegando minha bolsa, o celular e a chave do cadeado, calçando a sapatilha que estava ao lado da porta; saio logo em seguida, correndo. Toco a campainha e logo a ruiva abre.
– Oi! Tchau! – passo por ela entrando como quem está superapressada e capturo a atenção de Damon que estava sentado no sofá com a guitarra na mão. – Damon! Venha comigo! Precisamos correr para o consultório! Seu caso e gravíssimo! – falo de maneira a parecer extremamente preocupada e aflita.
– Hã? – Damon franze o cenho, desentendido. Ergo uma sobrancelha pra ele e aperto os lábios, finalmente ganhando compreensão dele ao perceber minha tática. – Oh! Meu Deus! Vamos então! – se levantou de qualquer forma entrando no teatro.
– O que? Mas... – a ruiva estava pasma e ainda na porta, a mantendo aberta.
– Desculpe Mandy, você sabe como eu queria ficar aqui com você. – rolei os olhos. – Mas a saúde é nosso bem mais precioso! – assenti.
– Ai, bebê! – pareceu emocionada com suas palavras, se derretendo com elas. – Mas o que você suspeita ser? – ela vira para mim com um olhar temeroso. E AGORA, JESUS?
– Suspeito que seja um tumor... – é isso era grave o bastante. – Maligno! – dei uma incrementada. Meu semblante ficou negro com minha atuação. Seus olhinhos se encheram de lágrimas e Damon quase riu. Ok! Estava com pena dela.
– Mas isso pode dar no dente? – ela questionou baixinho.
– Pode dar até no cu, meu bem. – Damon deu de ombros. – Quer dizer: Oh meu Deus, será que tem tratamento? – viu a burrada e concertou rapidamente ao ver nossas caras.
– Sim, é possível, eu verifiquei no livro da faculdade lá em casa. – respondi como uma profissional dando um diagnostico a uma paciente em estado terminal. É! Eu era boa nessa de atuar. Se nada der certo, faço bico de figurante na TV. – E Damon, se iniciarmos o tratamento imediatamente, talvez tenha cura.– falei para ele da mesma maneira.
– Vá logo, mon-mon. A escute, ela parece ser uma profissional competente! – ela disse esperançosa.
– Claro que é! – só eu ouvi a ironia? – Mas quais são minhas chances de vida? – ele perguntou num tom profundamente tocado, quase emocionado.
– Poucas! Muito poucas! – meneei a cabeça de forma trágica. A ruiva começou a chorar copiosamente.
– Nossa história de amor mal começou e já nos vem essa desgraça! – manhou. – Mas iremos enfrentar isso, juntos! – ela afirmou o abraçando.
– Acho melhor você me esquecer, Mandy. Não posso deixar você desperdiçar seu tempo com alguém fadado à morte! – disse com falso altruísmo. Que cínico! Mas admitia que fosse até necessário o que ele fazia, por ela ser uma insuportável, mas seria muito mais eficaz caso ele não ficasse com nenhuma! Rum! Ela chorava de mais e eu decidi intervir.
– Mandy, toma uma água com açúcar e se acalma que eu e Damon vamos iniciar a bateria de exames e quanto você estiver melhor, pode ir em bora e deixar a chave da casa debaixo da minha porta. Pode ser Damon? – ela assentiu, e olhei para ele pedindo autorização.
– Claro. – concordou indiferente me olhando com um misto de orgulho, cumplicidade e malicia.
– Ok! Então vamos! – o puxei pela camisa e acenei me despedindo da moça que chorava.
Esperei descermos um lance de escadas para comemorarmos o quanto eu sou demais.
– Admita! Eu sou um gênio! – me gabei, convencida.
– Graças a Deus por isso. – sorriu para mim de lado.
– E então... Estou perdoada? – o olhei de soslaio com um sorriso leve.
– Só se você me perdoar, de verdade. – ele respondeu e senti meu humor ficar menos extrovertido. – Não quis insinuar nada, estava brincando, não sabia que o assunto era delicado. – assenti o ouvindo. – Se você quiser, jamais brincarei com você novamente! – ele falou em tom de promessa e eu parei no meio da escada e me virei para ele, e ele para mim, começamos a rir simultaneamente da impossibilidade de aquilo acontecer.
– Está perdoado. – Disse após alguns instantes, quando já estávamos perto do hall de saída do edifício. – Mas só se... – pensei se era aquilo mesmo que eu quero naquele momento.
– Só se...? – disse sugestivamente, atento para me ouvir. Sorri com aquilo. Nunca o vi empregar sua atenção com nenhuma outra mulher, mas comigo ele sempre parecia atento e pronto para me ouvir. Sim. Eu queria aquilo.
– Se você me der um abraço. – digo com um sorriso envergonhado. Ele sorri faceiro e me envolve em um abraço apertado e depois me girando, ganhando a atenção das pessoas que transitavam pela calçada e me fazendo rir alto com aquilo.
– Então... Aonde nós iremos, agora que eu tenho um tumor maligno? – debochou enquanto começávamos a caminhas no sentido norte da rua, sem destino especifico.
– Não sei! – dei de ombros, não me importando muito com isso.
– Hum. Que tal irmos comer tacos e você me conta melhor essa história dos ex’s e tal? – sugeriu.
– Tudo bem. – sorri. – mas só se formos à barraquinha do Central Park, perto da estátua de Alice, lá vendo o melhor taco que comi em minha vida! – conjecturei animadamente.
– Não pensaria diferente. Se for a barraquinha que estou imaginando... O Sr. Bell faz um taco ótimo. – Assenti admirada. Tínhamos os mesmos gostos gastronômicos. Ri.
– É nele mesmo. – articulei.
– Bom, muito bom! – esfregou uma mão na outra como quando sai tudo como os conformes. Ri de seu gesto idiota.
– Hey Dam! Tive uma ideia para o nosso trato. – falei me virando para ele e começando a andar de costas.
– E o que seria, Curupira? – zombou.
– E se eu deixasse você se esconder na minha casa e te desse uma quantia em dinheiro menor, e em troca você procurasse os caras para mim? – expliquei. Ele pareceu analisar a ideia de forma brincalhona, mas eu, como sempre, dei de estabanada e tropecei em alguém que andava no sentido oposto. Só senti seus braços me segurarem antes de meter a cara no chão e sua risada contagiante mediante ao grito agudo que dei.
– Ok! Por hoje chega de incorporar personagens folclóricos e trate de andar certo! – repreendeu de brincadeira e eu sorri para ele.
– Andar certo é tão chato! – fiz bico, arrancando uma risada dele. – E então? Aceita a proposta?
– Ok! – ele respondeu.
– “Ok!” o que? – questionei, querendo uma resposta concreta.
– “Ok!” eu aceito a proposta. – revirou os olhos e eu comemorei.
– Vamos nos divertir tanto! – disse sonhadora, nos imaginando como Sherlock Holmes e Dr. Watson desvendando os mistérios e vida de meus ex’s.
– Só seria divertido caso houvesse suor e gemidos envolvidos nisso. – ele brincou e eu ri nervosamente. Hoje de manhã foi divertido, então. Mas só em meus sonhos. Ponderei mentalmente olhando para qualquer ponto além da visão que me deixasse mais confortável diante a situação.
– Não pense nisso, mon-mon. – imitei a voz da ruiva ao respondê-lo e começamos a rir alto enquanto continuávamos a caminhar pelas ruas até o Central Park.
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