A Matemática do Prazer

14 - Dizima Periódica


Notas iniciais
Hello gente. Desculpe se demorei, estava na trilogia da minha vida provas/trabalhos/deveres e não consegui ter tempo o suficiente para escrever, mas aqui estou.>Pessoas, tenho uma pergunta: Por que ninguém recomenda mais ou comenta? Reduziu bastante os comentários e tem muito tempo que ninguém recomenda. Está chata, ou algo assim? Podem me falar, ok?Bom, esse capítulo está enorme. Novamente são dois posts em um, então me agradeçam por ser boazinha e postar tudo de uma vez! :)>Pode conter erros, ok? Sem revisão nenhuma! (Senão não postaria a tempo). - Boa leitura! (:

Pegamos um táxi dois quarteirões do nosso prédio, não aguentei caminhar mais que isso. Sim, eu era uma sedentária. Porém agora, que estamos sentados na base de mármore da estatua de Alice no país das maravilhas nos deliciando com nossos tacos, não consegui me imaginar largando esse meu hábito.

–... Então eu fiz a lista para contar quantos ex-namorados tenho, mas depois tive a ideia de procurá-los, dar uma nova chance, ver se ainda damos certo... – contei para Damon com sinceridade. Bom, parcial, mas ainda sinceridade, já que ocultei a existência daquele artigo na revista e o porquê de fazer tal lista, jamais contaria que foi conselho de um padre, muito mesmo de um padre que eu já dormi.

– Hum... – falou terminando de mastigar enquanto eu dava uma mordida em meu taco. – Mas por que insiste nisso? Por que não procura conhecer novos caras? Sei lá. – deu de ombros. Mastiguei lentamente ganhando tempo para pensar em uma desculpa.

– Bom, se meu pai encontrou a felicidade em uma ex-namorada de tantos anos atrás, por que eu não poderia também? As pessoas mudam, não é? – sorri para ele. Novamente não era mentira, pois aquele era um de meus motivos, mesmo não sendo o principal.

– Oh sim, se acredita nisso... – deu de ombros, divertido. O ar próximo a Damon sempre era leve e despreocupado e eu amava estar nessa atmosfera. – Trabalho é trabalho! Até mesmo ele sendo para você e eu não acreditando muito nisso... Eu irei te ajudar sim. – sorriu para mim.

– Obrigada. – respondi feliz, mas com a voz obstruída já que estava comendo. Ele riu de mim e eu sorri de volta. Ele passou o dedo no canto de minha boca retirando um pouco do molho de taco que tinha sujado ali de forma calma, mas eu fiquei observando ele brevemente. Eu gostava de Damon, ele era uma pessoa boa e me fazia feliz mesmo não dando o um tratamento igual para as mulheres de se “relacionava”, o que o deixava menos encantador para mim... Ou mais! Realmente ele me confundia. Mas pelo o que pude notar dele é que ser amiga dele era melhor do que alguma namorada temporária. Machucaria menos e me alegraria mais.

O maior relacionamento que ele pode ter tido, sem que transasse com ela nas primeiras vinte e quatro horas, devia ser com a mãe dele, no máximo; na pior das hipóteses seria comigo, mesmo ele tendo essa regalia em meus benditos sonhos.

Conversamos por mais algum tempo, nos conhecendo um pouco – devia enfatizar o quanto éramos estranhos ao outro? – andando a esmo pela cidade, admirando os lugares, nos familiarizando com o outro e quando julgamos ser tarde o suficiente para podermos voltar para casa, após almoçarmos no Subway, e não encontrarmos aquela mulher, pegamos um taxi de volta, rachando a corrida no final – já que, até aquele momento eu que havia pagado tudo. Dava para notar que Damon não era o tipo de cara cavalheiro.

Subimos as escadas e fomos direto para a minha casa, em silêncio por garantia. Senti-me uma foragida pretendendo me esconder no local mais óbvio de me encontrarem enquanto abria a porta o mais quieta possível.

Entrei irrompendo pela porta rápido e Damon me seguiu, assim que a tranquei novamente olhei por todo chão em busca da chave do apê dele. O chão estava limpo. Droga!

– Ela ainda está lá. – foi ele quem disse me olhando. Seu tom dizia-me que ele estava um pouco irritado pela insistência na mulher.

– Relaxe, Damon. – disse condescendente. – Podemos fazer algo até ela sair da sua casa. – disse passando por ele e tirando o leve casaco que usava e o colocando no braço do sofá. Quando me virei para ele, Damon estava me olhando de soslaio maliciosamente.

– Algo? – ele perguntou caminhando certeiramente em minha direção, prendi a respiração com sua aproximação decidida, mas desviou no último segundo passando por mim e sentando no sofá a minhas costas. Soltei um suspiro me recuperando e me sentando ao seu lado.

– Sim. Podemos jogar algo, ou assistir um filme no volume baixo, para ela não escutar... – sugeri inocente ao fingir não notar sua provocação anterior.

– Hum... Que tipo de jogo? – Pôs o braço no encosto do sofá atrás de minha nuca e se virou para mim.

– Xadrez, baralho, quebra-cabeça, dominó... – qualquer coisa que me entedie o suficiente para não me concentrar em você! Completei em silêncio ao sugerir. Ele torceu a boca.

– Esses tipos de jogos... – murmurou baixo com descaso. – Bom, acho que não tenho muitas opções então você escolhe.

– Tudo bem. – me levantei rápido e me ajoelhei em frente a estante para ver que tipo de jogos eu tinha. Procurei por algum tempo e só encontrei dois. – Bom, tem bingo ou pega-varetas. Qual prefere?

– Morrer de tédio. – respondeu brincalhão e se sentou no tapete com as costas apoiadas nos pés do sofá. Ergui uma sobrancelha para ele. – Ok! Pega-varetas. – disse rolando os olhos para mim. Sorri para ele me aproximando e sentando com as em posição de índio e abria o tubo com as varetas, fiz menção de despejar o conteúdo, mas Damon me interrompeu. – Hey, deixe que eu faça isso, não quero que roube no jogo. – piscou para mim.

– Não será necessário o uso de tal artimanha, meu querido Damon. – declarei como uma verdadeira Lady. Minha mãe ficaria orgulhosa de me ouvir falando assim. – Eu garanto! – ri abertamente com ele.

– Veremos! –desafiou e jogou as varetas sobre o tapete.

Jogávamos amistosamente, porém entravamos, na maioria do tempo, em discórdia.

– Mexeu e eu vi. – Damon disse conciso.

– Está imaginando coisas! – afirmei. – Só está agindo assim porque eu peguei a preta que vale mais pontos. – disse como uma criança contrariada. – Se não sabe brincar, não brinque. – falei manhosa.

– Não estou brigando por isso, estou reclamando que você está roubando. – falou cruzando os braços. – De qualquer forma eu estou ganhando o jogo, por isso começou a roubar. – deu-me língua.

– Oh pobre criança indefesa. Não me diga que isso tudo é porque agora estou há dois pontos de você. – falei com a voz fina e acariciando seus cabelos. – Não te fará menos homem perder para mim, Dam. – falei normal e roucamente, próximo a seu ouvido.

Ele virou para me responder, me olhando compenetrado dentro de meus olhos que estavam na mesma altura dos seus, a iminência de nosso contato era arrepiante e foi interrompido pelo som de metal arrastado sobre o assoalho do chão, nos arrancando daquela esfera de tensão que formou entre nós quando nos viramos em sincronia em direção da porta vendo o molho de chaves, finalmente, no chão do hall de entrada.

– Ela se foi? – sussurrei com medo ela ainda estar do outro lado da porta.

– Vamos esperar um pouco para garantir. – respondeu do mesmo modo.

Aguardamos alguns instantes e eu me levantei caminhando até a porta e verificando pelo olho-mágico o corredor, verificando que o mesmo estava vazio, me abaixei para pegar as chaves e me virei encontrando Damon parado logo atrás de mim.

– Ainda está ai? – ele murmurou no meu ouvido. Sua voz intensa e leve me fez arrepiar um pouco, e não confiando em minha voz só meneei a cabeça.

– Já se foi. – falei após me assegurar de que não gaguejaria.

– Então eu vou indo para casa. – se afastou um pouco e me olhou com um sorriso torto.

– Tudo bem. – lhe entreguei as chaves, sorrindo também.

– Mais tarde quer me ajudar a pesquisar sobre seus ex-namorados? Hoje à noite não tenho ensaio nem nada marcado, pensei em começar a procura-los logo. Está interessada? – perguntou simplesmente, com um convite que me soou inseto de qualquer malicia de sua parte, já que ele era explicito quanto a suas indiretas. Pareceu um amigo convidando o outro para fazer companhia a ele enquanto limpava o quarto. Nada de mais a meus olhos.

– Sim. Claro. Que horas posso passar lá? – sorri para ele, animada com a ideia de stalkear os outros.

– Daqui umas duas horas, sei lá. – deu de ombros.

– Ok. Tomo banho e apareço por lá. – ele piscou pra mim daquele jeito dele: sexy e espontâneo. – Tem algo contra pizza? – perguntei a Damon.

– Só quando não posso comê-la. – respondeu brincando e coçou a nuca. Ele parecia sempre tão descontraído. Ri de sua brincadeira.

– Idem! Então eu comprarei uma para nós comermos. Não quero que tenha algo contra pizza. – ele riu assentindo.

– Beleza. Tchau Lena. – me deu um abraço rápido e saiu.

– Até daqui a pouco Dam. – sorri e fechei a porta logo que ele passou.

Voltei para a sala arrumando a bagunça que fizemos com as varetas e lavei as louças que estavam na pia, em seguida. Depois de ir para meu quarto e arruma-lo por alto, fui ao banheiro a fim de tomar um bom banho.

Limpei-me cuidadosamente sob a água quente e após algum tempo no processo de perfumar meu corpo, saí com a toalha em torno do meu corpo. Peguei meu celular e liguei para uma pizzaria fazendo o nosso pedido, escolhendo os sabores que mais amava: marguerita e calabresa. Somente depois de acertar o local de entrega e desligar, pensei em Damon. Será que fiz mal em não perguntar o sabor que ele gostaria? Bom, agora era tarde.

Fui para meu quarto e peguei uma calcinha e andei até meu closet procurando algo para vestir. Peguei um short cintura alta e uma blusa tomara-que-caia de botões. Coloquei um par de brincos pequenos, de pérola com um pequeno Strass, pus dois braceletes de prata e calcei uma rasteirinha nude com pedras rosa e turquesa.

Olhei-me no espelho enquanto aplicava rímel e logo após, um perfume que gostava muito. Pensaria que estava me produzindo demais para somente ir na casa de meu vizinho, mas sempre tive esse tipo de vaidade, sempre gostei de me sentir bonita, e esse hábito – o de se arrumar bastante – era um dos poucos que eu gostava quando era obrigada a frequentar os ritos da alta-sociedade quando mais jovem.

Observava meu reflexo enquanto penteava meus cabelos devagar, tomando cuidado para não puxar os fios ao desembaraça-los. Olhei o resultado final e completei com um brilho labial transparente.

Encaminhei-me para a sala com a minha carteira, a lista, meu celular e o netbook comigo, deixando-os na mesinha em frente ao sofá enquanto ia a cozinha tomar um copo d’água.

Respondi algumas mensagens que minhas amigas deixaram em um aplicativo e sentei no sofá para assistir um pouco de TV esperando a pizza chegar.

Assisti P.S: Eu te amo até a parte em que a Holly vai até a Irlanda e se lembra de como conheceu Gerry e se apaixonou por ele. Eu sorri para a tela emocionada com aquilo, claro que eu já tinha visto o filme, mas agora eu tinha uma nova percepção dele. Eu me via desejando um amor daqueles, alguém que me amasse o suficiente para fazer tudo o que Gerry fez para Holly.

Via-me também na relação de Holly com as amigas, todas querendo que ela arranjasse alguém para seguir em frente, e me lembrei de minhas amigas me dando uma força dizendo que eu encontraria uma pessoa que gostasse de mim, que eu me apaixonaria novamente.

Mas ao contrário de Holly, eu não pranteava por um amor perdido, mas ainda vívido dentro de mim, eu sofria pela a possibilidade de nem ter um, o medo de nunca poder viver as experiências que tanto desejava, de ficar sozinha.

Eu sempre achei que o problema fosse eu, agora eu tinha mais certeza disso. Por que, simplesmente, nenhum homem que tive em minha vida queria ficar comigo pelo o que era, e não pelo o que eu daria? Ou por que eu tinha o incrível dom de estragar qualquer relacionamento que possivelmente daria futuro?

Blang!

Respirei fundo e percebi que lágrimas de auto piedade e raiva caíam de meus olhos. Por isso que eu devia fazer o que estava fazendo, não havia espaço em minha vida para outro cafajeste! E mesmo do meu jeito torto de lidar com decepções, eu não suportaria outra.

Levantei-me e sequei minhas lágrimas com as pontas dos dedos, peguei a carteira e abri a porta, um entregador baixinho com cara de japonês sorria para mim com a caixa de pizza na mão e vestido com um uniforme completamente variado entre o vermelho, o verde e o branco – as cores da bandeira da Itália –, inclusive na mochila quadrada e grande que estava pendurada em suas costas.

– Srta. Elena Gilbert? – perguntou ele assim que me viu com a voz contendo um forte sotaque que eu reconheci como japonês – assim como suspeitava – de acordo com meus conhecimentos adquiridos por intermédio dos filmes com Jackie Chan e Jet Li.

– Sou eu. – sorri fraco para ele, ainda havia vestígios, em meu humor, de minha sessão mártir.

– Há uma entrega para a senhora... – ele gesticula com a caixa quadrada na mão.

– Sim. – sorri novamente.

– Grande de marguerita e calabresa. – diz lendo um papel em sua mão. – Confere? – questiona-me.

– Confere. – respondi. Ele era engraçado. – Sabe me informar o valor, por favor? – perguntei abrindo a carteira.

– Hai – diz ele e franzo o cenho. – Oh, desculpe, quis dizer “sim”. – corrige nervosamente, assenti entendendo com um sorriso. Ele tinha cara de ser um sujeito muito atrapalhado. – São dezenove dólares e setenta e cinco.

– Certo. Aqui está. – falei entregando a ele uma note de vinte. Ele sorri faz uma reverencia oriental, que eu imito achando engraçado, e se vai.

Entro em seguida, desligando a TV e colocando o netbook empilhado sobre a caixa de pizza, deixo a carteira em casa e levo o celular e a lista. Desligo a luz e saio trancando a porta – realizando um verdadeiro malabarismo ao equilibrar a caixa com meu net, em uma única mão.

Atravesso o corredor e penso em tocar a campainha, mas dou de ombros e texto a porta, a encontrando aberta, decido entrar logo. Não avisto Damon, mas pelo horário eu estava atrasada vinte minutos pelo o que combinamos. Vou para a cozinha e caminho até a bancada para colocar a pizza lá.

– Damon? Já estou aqui! – falo alto colocando a caixa sobre o mármore.

– Já notei Srta. Invasora. – viro encontrando ele saindo de seu quarto passando uma camisa branca regata pela cabeça. Oh! Dava para ver que ele havia saído do banho naquele momento, seus cabelos e parte de seu peitoral ainda estava molhado até onde eu podia ver a água escorrer até encontrar o cós de sua bermuda jeans.

Olho para outra direção com o peso de minha reflexão anterior em minha mente, Damon era tudo o que eu procurava na cama, mas não era isso que eu buscava atualmente. Precisava de algo maior do que sexo, seja ele ruim ou arrasadoramente bom, como notavelmente que o de Damon era.

– Tudo bem? – pergunta ele divertido. Eu gostava que ele fosse assim comigo, companheiro, mesmo ele sendo galinha a maioria do tempo e eu me divertisse desse jeito. Assenti sorrindo para ele. – Ah, que mania feia, entrando na casa dos outros sem ser chamada. – brinca ele logo em seguida.

– Tecnicamente eu fui convidada há duas horas pelo o senhor dono da residência. – digo superior e dando um sorriso igualmente vitorioso.

– Hum, está com a língua afiada, né? Logo te dou um jeito. – rolo os olhos e ele ri abertamente.

– Trouxe a pizza que prometi para nós. Espero que goste de marguerita e calabresa. Esqueci-me de perguntar de quê você gostava. – dei de ombros e apontei com o dedão por sobre o ombro em direção à bancada atraindo seu olhar naquela direção.

– Oh que coisa linda! Ela trouxe nosso papá, meu Deus du xéu! – disse infantilmente. Ele veio até mim e apertou minha bochecha, se divertindo com a expressão em minha cara, que certamente era uma careta.

– Cresce Damon! – digo, me desenvencilhando dele.

– Ok aborrecida! – fala dando de ombros e abrindo a caixa. Hum! O cheiro estava ótimo. – O que quer para beber? – pergunta abrindo a geladeira e retirando ketchup, mostarda e maionese e pondo em cima da pia.

– Tem uma cerveja geladinha? – perguntei me jogando no sofá igual ele fazia lá em casa e me pus a analisar a seu apê. Quando entrei aqui hoje mais cedo não notei muito como era, mas a cara gritava “Damon!” em todas as paredes e até no chão, e não é pela organização que digo isso, ele até que era desorganizado, havia algo – acho que uma meia nas melhores nas hipóteses – sobre a estante que continha uma enorme coleção de discos de vinil.

Ouço sua risada e olho para ele que pegava duas garrafas e meneava a cabeça sorrindo.

– O que foi? – pergunto o olhando.

– Não sei o porquê de ainda esperar que você venha me pedir um suco diet com salada em algum momento. – rola os olhos dando de ombros.

– Outch! Isso é um elogio ou uma critica, por que não consegui classificar direito. – digo rindo.

– Isso é uma anomalia! – enfatiza olhando para mim enquanto me acompanha na risada. – Mas ainda assim soa tão Elena. – rola os olhos descrente.

– Sou única, baby. – brinco.

– Claro, claro. Se você diz. – ergue as mãos como se mostrasse estar desarmado. Gargalho com isso e me levanto para comer.

– Vamos logo que essa pizza está me seduzindo. – sento de frente a ele no banco alto que tem ali.

– Oh! Que injusto! Estou tentando fazer isso desde que te conheci e essa pizza consegue fazer isso em apenas alguns minutos? – fica falsamente indignado ao mesmo tempo em que aperta os lábios para não rir.

– Não vamos por em saldo o charme que esse queijo derretido tem... – digo pegando uma fatia e lentando mostrando o queijo que salivava minha boca. – em comparação ao seu. O queijo ganha de lavada. – dou de ombros dando uma mordida e dando um baixo gemido de aprovação.

– Ai, essa doeu! Me sentindo pior que um queijo agora! – disse rindo pondo a mão sobre o peito.

– Fazer o que, né? – brinco dando de ombros. Fazendo-o rir enquanto mastiga. – Eca Damon! – digo o repreendendo erroneamente.

– Desculpe minha ilustre dama. – gesticula. Torço a boca, mesmo sabendo que era idiota, eu não gostava de ser chamada assim, mesmo quando era pequena, era quase como se rebaixassem a si perante a mim, ainda que minha mãe sempre dissesse que era bobagem e era um tratamento de respeito, sempre tive essa impressão e por isso nunca gostei, mas eu sabia que Damon tinha feito de brincadeira.

– Morre! – falo e bebo um gole da cerveja que ele abriu para mim, sentindo o liquido gelado refrescar minha garganta.

– Não posso fazer isso. Você sentirá minha falta. – fala ele com certeza na atitude. Ri ironicamente e comi mais um pedaço.

Era realmente divertido estar com Damon, parecia que éramos amigos de uma vida, nas brincadeiras e ironias que trocávamos, até nas criticas, fazia parecer que sabíamos de todos os segredos que o outro guardava.

– Hey! Esse pedaço era meu! – ele reclama quando pego o último.

– Era, do verbo não é mais. – digo rindo dele.

– Ok. Pode comer e ficar enorme de gorda. Comeu seis pedaços da pizza e ainda me rouba esse.

– Ficarei gorda com prazer. E eu só comi três, mentiroso. – respondi dando um tapa nele.

– Elena, por favor, seja normal e diga que não quer ficar gorda. Por que não pode ser igual às outras mulheres? – passa a mão pela cabeça e fico em dúvida que ele fala sério eu está brincando.

– Eu não sou igual às outras porque cansei de ter que seguir o que me impõem. Passei mais da metade da vida agindo e sorrindo pelas aparências, o que eu menos preciso agora, depois de abandonar tudo aquilo, é agir como as pessoas superficiais que convivo. Tudo se tornaria um esforço em vão. – falo num tom leve, mas sei que se ele olhar em meus olhos vai ver sinceridade e mágoa queimarem lá. Evito olhar para ele a partir disso e me concentro em terminar minha cerveja.

– Está certa. – ele diz por fim e eu olho para ele finalmente, vejo que ele me observa mais cuidadosamente, eu sorrio e ele espelha o gesto. – que tal xeretarmos agora alguns dos seus ex’s? – sugere.

– Adoraria. – sorrio amplamente. Ele se levanta e eu imito-o, pegando as garrafas de cerveja, enquanto ele pega a embalagem de pizza e jogamos no lixo.

Lavo as mãos na pia e ele segue para a sala. Chego na mesma e olho para o painel que está na parede contrária ao sofá e há um esquema de cordas ligando fotos, nomes e alguns dizeres à papeis presos na malha verde com plugues em dourado e prata.

– Percebi que até agora eu não tinha realmente acreditado que você era um “pesquisador”, mas devo confessar que agora estou impressionada. – falo sentando ao seu lado o observando ligar seu notebook.

– Obrigado. Mas devo perguntar, o que a convenceu, excelentíssima dama? – pergunta olhando para mim enquanto se recostava no sofá. Decidi ignorar a como ele se referiu a mim. Outra vez.

– Nada menos do que aquilo. – aponto para o painel a nossas costas e ele se vira um pouco para olhar.

– Oh, aquilo é só uma aposta que fiz com Tommy, ele é o baterista da minha banda. Eu tenho certeza de que a namorada dele o trai, mas ele não acredita, então apostei com ele. – deu de ombros e voltou a atenção para o seu computador.

– E por que tem tanta certeza? – perguntei agora que analisava melhor o esquema.

– Porque ela dormiu comigo. – falou simplesmente.

– Ah, e você diz isso na cara dura? – digo um pouco indignada com a situação, me viro para ele o intimando. – Isso é traição dupla! Como olha na cara do seu amigo, seu infeliz? – vocifero tomando partido de não sei quem, mal conheço a pessoa – na verdade nem me recordava dele –, mas o defendo pelo o que eu acredito ser correto. Damon começa a rir descontroladamente a me ver daquela forma. – Do quê você ri? Idiota! Palhaço! – dou seguidos tapas nele. Parece que nem arranha, pois ele continua rindo. Não posso culpa-lo por isso, sendo eu fraca e ele forte e robusto, meus tapas seriam meras carícias.

– Rio assim porque você reagiu dessa forma. – tenta controlar-se um pouco, o suficiente para falar com clareza. – Eu disse que dormi com ela, mas não quando isso aconteceu. – sua expressão denunciava como ele estava se achando neste momento em que ele tinha revelado sua pegadinha, finalmente. – Sei que ela é dada, rodada e arrombada. Conheço pessoas que ela “fica” enquanto não está com Tommy, e por isso que eu apostei com ele. Melhor se decepcionar agora, do que quebrar o pescoço de tanto chifre que leva na cabeça. – falou mais calmo.

– Oh sim. – só disse isso enquanto assimilava o que Damon me falou. Parecia-me tão estranho ele agir em prol de alguém, talvez houvesse lados dele, ideais e atitudes, em que eu não estava à par. E eu não era a única, pelo jeito. Quantas facetas esse diamante bruto tinha? Não sabia sequer estimar, mas esse pensamento me trouxe o ímpeto de conhecê-lo como realmente é, o que eu podia vislumbrar em momentos como estes.

– Bom, agora que seu momento “justiceira” acabou, – deu uma risadinha. – você tem sua lista aí?

– Sim. Só um instante. – levanto e vou até onde meu netbook com a lista está. Levanto a tela e pego a lista que estava presa entre o teclado e o display voltando a me sentar no mesmo lugar em seguida. – Aqui. – lhe entrego as duas folhas.

– Ok. Tem alguma preferência por quem começar? – perguntou lendo por alto.

– Não. – começo a observa-lo ler, sentindo minhas bochechas esquentarem como da outra vez, mas agora ele estava realmente lendo.

– Hum. Agora entendi o porquê daquela sua amiga loirinha te zoar por causa do telhado. – riu alto se referindo a Rebekah, e me olhou malicioso. – Inusitada você, hein? – me deu uma ombrada de leve.

– Ai Damon. Pare. – falo constrangida e passo a mão por meu cabelo.

– Oh! Faz as coisas e depois fica com vergonha? – pergunta voltando a ler.

– Não era exatamente eu naquele momento. – digo complacente.

– Entendo... – fala mais distraído do que tudo. – Aham! Cama-elástica? – ergue uma sobrancelha para mim.

– Há coisas na vida que você se arrepende de fazer... – falo como uma diplomata.

– Ah é? Você se arrepende deste teste de flexibilidade? – pergunta curioso e com um sorriso sacal. Olho para o lado e coro. Não consegui mentir.

– Deste especificamente?... Não! – admito e ele cai na gargalhada.

– Sabia. – abraça-me pelos ombros. – Se falasse que não mentiria. – continua rindo.

– Para Damon. Por que está rindo? – falo fazendo uma careta irritada.

– Porque você se envergonha de coisas que não tem volta. – dá de ombros e penso naquilo. Ele tem razão.

– Ok! Mas vamos com isso, por favor! – falo por fim querendo encerrar o assunto e dar continuidade ao anterior.

– É pra já, chefia! – seu sorriso leve fio direcionado a tela do computador enquanto ele abria alguns programas e arquivos que jamais tinha visto.

– Aqui! – com a voz de Damon, levantei minha cabeça de seu ombro onde estava “descansando a mente” pelas últimas duas horas, pelo o que pude verificar no canto direito da tela de seu computador, na verdade eu estava dormindo, mas para todos os efeitos...

Não consegui me manter acordada após duas horas em que ele estava procurando, parecia uma fração de pessoas que simplificava, simplificava e simplificava enquanto diminuía o numero de candidatos, até que ele chegava em uma fração indivisível, onde todas as variável – características – tornasse o cara vetado e novamente ele voltava para aquela dizima periódica que tinha infinitos nomes iguais para se verificar um a um enquanto arredondava o número para um algarismo inteiro.

– O que encontrou? – pergunto zonza. O correto seria “quem”, mas estava aérea demais naquele instante.

– Encontrei um de seus ex’s. – rolou os olhos. – Dentro de suas especificações: solteiro e heterossexual e mora na Filadélfia atualmente, com seu cachorro e trabalha na Beauty Line.

– Hum. E quem é? – perguntei já desperta e prestando bastante atenção.

– Me deixe ver... – fala subindo a tela do que parecia um relatório do departamento de polícia pelo emblema da Pensilvânia. – Rod Adkins.

Leio o que está escrito na lista sobre ele. "Relacionamento totalmente baseado em sexo, sem envolvimento. Obcecado por seu cão. Seu nome significa ‘bastão’ e o dele era, com certeza, enorme".

– Oh, me lembro dele. – falo e Damon rola os olhos para mim outra vez. – Me desculpe se minha sonseira pós-cochilo lhe ofende. – falo ranzinza.

– Não me ofende nenhum pouco, ao contrário, me diverte. – fala tranquilo. – E o que pretende fazer agora?

– Ir atrás dele. – falo com obviedade.

– Do nada? Sozinha? – ele pergunta se virando para mim.

– Sim. Ou acha que pediria para encontrar eles só para saber se estão bem? – é minha vez de rolar os olhos para ele.

– Desculpe. – riu. – E pretende ir de que até lá? São cento e trinta e oito quilômetros...

– Putzz! Sabia que estava esquecendo algum detalhe! – ralho alto e ele ri.

– Você tem carro? Nunca te vi usar um... – pergunta enquanto salva algo em uma pasta em seu computador.

– Não. – digo emburrada.

– Não há de quê. – ele fala do nada.

– Hã?– fico sem entender.

– N-ã-o h-á d-e q-u-ê. – repete lentamente como se eu fosse uma doente mental.

– Pelo o que? – pergunto estressada.

– Pela carona. – dá de ombros.

– Você vai me levar até a Filadélfia? – pergunto para confirmar ou para desmentir o fato.

– Por que não? Não tenho nada para os próximos dias, você está desempregada, não tem impedimentos. E lá tem umas mulheres... gatas! – estala a língua com um sorriso de lado.

– Ok! Isso é estranho. – rio dele.

– Se não quer eu posso ir para Coney Island procurar companhia para alguns dias. – fala relaxado.

– Não! – protesto imediatamente e um sorriso amplo se desenha em seus lábios. – Só estava desconfiada, não costumam me oferecer esse tipo de coisa. – falo me explicando.

– Sou inesperado Eleninha. Você é a mulher que passou mais tempo perto de mim que não tenha cedido à meus encantos. Estou curioso para conhecer quem foi o campeão que te fez cair na cama dele. – fala normalmente, como se estivéssemos conversando sobre como o tapete dele estava limpo – não estava, para constar. – E também tem o bônus das mulheres gostosas.

– Certo. – cerro os olhos tentando imaginar como funciona a lógica dele, mas desisti em poucos momentos. – Eu aceito. – eu sorrio e ele imita. – MAS eu irei pagar a gasolina e vamos rachar a estadia. – falo querendo ser justa. Ele não tem culpa se sou uma pobre que não tem carro, mas eu poderia pagar o combustível até lá, porém ele que se dispôs a ir então não pagaria para ele dormir, iriamos dividir.

– Tudo bem, posso viver com isso. – fala distraído. – Também estava duro para pagar à gasosa, aquele carro bebe demais. – murmura baixinho. Olho para ele, espantada. Que droga, me fodi! Tentei normalizar minha situação e perguntei o que mais queria saber.

– Quando é que vamos?

– Amanhã, se quiser. – desliga o notebook e se vira para mim.

– Te devo algo a mais por isso? – falo de brincadeira.

– Noops! – ele sorri.

– Tudo bem. Agradeço por isso, Damon. – falo e em seguida bocejo. Estava e pelo jeito já era de madrugada.

– Não há de quê. – repete o que disse antes e ambos rimos com isso.

– Acho que vou para casa, então. – me levanto e pego minhas coisas. Ele anda atrás de mim até a porta.

– Até amanhã. – ele fala abrindo a porta.

– Até amanhã. – falo saindo e me viro. – Obrigada de novo. – falo com sinceridade e ele sorri. Chego próximo a si e dou um longo beijo em seu rosto. Me afasto e atravesso o corredor, destrancando o cadeado.

– Boa noite, Elena. – ele fala encostado no batente com um seu típico sorriso de lado.

– Boa noite, Damon. – dou a ele um sorriso doce e fecho a porta.

Caminho até meu quarto profetizando para mim mesma que daqui para frente às coisas dariam certo. Durmo, assim.

Notas finais
E então? Comentem pra mim, viu? Recomendem se puderem! :)Mas gente, estou adorando o Nyah desse jeito! Está cada vez melhor! (Exceto pelas horas que tenho que esperar por causa na manutenção, mas é necessário!)Falando de coisa boa, Ian Somerhalder. Bem, gente, não sei se essa novidade vocês irão gostar, mas hoje eu vi no twitter gente comentando e procurei saber. Viram que uma fã louca do One Direction falou que se os integrantes da banda não a seguissem no twitter ela iria matar o cachorro do Ian? Barbaridade essa menina! Não gostei! Crueldade com os animais, isso sim! O Ian até respondeu, ou comentou, algo sobre isso no twitter também. Super apoio a atitude dele.Mas bom, agora me deixem um recadinho aqui em baixo e prometo e os próximos serão bem melhores e espero que também mais em breve. Kisses n' bites, my loves! ♥