A Marriage Is Coming
9 Capítulo 8 - "Hey, sweetie!"
Notas iniciais
Capítulo 8 – “Hey, sweetie!”
Olhei para o final do corredor, só para me certificar que ninguém me veria saindo do meu – antigo – quarto. Sorri ao constatar que não havia ninguém ali. Peguei minha bolsa transversal com alguns pertences que eu precisaria pela manhã e saí do quarto, andando na ponta dos pés cobertos pela meia cinza. Com certeza atravessar o jardim de casa com a meia seria uma péssima idéia, por isso mesmo eu havia pego o chinelo e estava carregando ele na mão. Desci as escadas na ponta dos dedos e quando estava entrando na cozinha dei de cara com Anne fazendo chá. Ela soltou um riso nasal e eu sorri, constrangido.
— Não se preocupe, não vou contar pra ninguém. – Ela disse e eu assenti, andando até a porta do fundo da cozinha. Mas antes me virei, movido pela curiosidade.
— Está tudo bem? – Ela negou com a cabeça, jogando a água da chaleira na caneca, colocando o pacote do chá em seguida. – O que aconteceu?
— Digamos que eu estou me sentindo mal. Eu não consigo dormir. Acho que eu estou nervosa. – Eu olhei no fundo dos olhos dela, reconhecendo qual era a coisa que a incomodava.
— Você vai pedir ela em casamento, não vai? – Os olhos dela passaram de cansados para alegres, assentindo. – Calma, ela vai aceitar.
— Essa não é minha preocupação. Eu queria fazer uma cerimônia bonita, que marque a gente, mas não teremos esse dinheiro. – Ela explicou. Eu sorri, entendendo o dilema.
— Olha, não precisa ser grandioso para ser memorável ou maravilhoso. O amor de vocês é o suficiente. E mesmo assim, dá pra fazer uma cerimônia simples que seja incrível. De qualquer modo, o que decidirem, eu topo ajudar. – Comentei e ela negou com a cabeça.
— Não será necessário, seria abusar demais. – Ela ficou aparentemente desconfortável e eu neguei.
— Imagina. Eu ficaria feliz de ajudar, além do mais, você já é família. – Ela sorriu, eu dei um abraço nela e saí da cozinha, deixando-a sozinha com seus pensamentos.
Joguei o chinelo na grama e subi nele. E isso foi o que bastou pra eu ir correndo até a cerca que separava – só fisicamente, mesmo assim quase nunca funcionou como algo que separa vizinhos, afinal, Grizelda sempre entrava em casa por ali. Sim, eu só to enchendo o saco dela que vai ler isso mais tarde. ~enxerida – e abri o mesmo. Assim que passei por ele eu fui, silenciosamente, afinal, nunca é demais não ser capturado na noite que você supostamente não pode dormir com seu noivo, mas você e ele são teimosos, então você vai dormir com ele na casa da mãe dele, quebrando assim algumas tradições de casamento.
Coloquei a mão na maçaneta brilhosa esperando, e rezando, que estivesse aberta. Assim que girei e a porta do fundo da cozinha abriu, eu lembrei de quantas conversas havia tido com Johnson “É melhor vocês começarem a fechar essa porta ou alguém vai matar vocês”, eles tinham sorte de ser só o noivo, não um sinistro que entrava na casa dos outros pra matar, ou pegar nude de alguém. Pois é, que família não tranca a porta do final da cozinha? Ou melhor, que família não tranca qualquer porta? O mundo é um lugar perigoso, quer calmaria pede pra ficar no Céu.
Olhei o balcão de mármore vermelho e olhei pelo vitral da cozinha, aproveitando o silêncio e calmaria antes de escutar meu coração explodindo ao tentar subir as escadas em silêncio e ainda sim morrer de medo, porque se fosse Grizelda que me visse eu poderia ser mandado pra minha casa de volta com algumas marcas de vassoura. Se fosse Johnson, eu provavelmente seria nocauteado.
Quando parei no corredor, a luz do corredor estava ligada, o que significava que o banheiro estava com alguém. Eu deveria ter menos de um minuto pra chegar no quarto de Jeff antes da virada à direita que dava no banheiro. Comecei a andar apressado, rezando para que pelo menos fosse ele no banheiro, o que faria menos sentido já que ele era alguém que ia antes de dormir pra não ter que acordar no meio do sono. Assim que eu escutei a descarga eu senti o coração parar. Eu comecei a dar passos largos, e quando parei em frente do quarto com a mão na maçaneta, o som de algo sendo destrancado – obviamente a porta – soou, ao mesmo tempo que entrei no quarto, alguém saía do corredor. A porta atrás de mim se abriu e Jeff me segurou por trás, colocando os dedos na minha boca porque eu não havia notado que ele não estava na cama, o que me assustou pra caralho. Ele acendeu o quarto ao mesmo tempo que fechava a porta atrás de nós.
— Ei, querido. – Ele disse.
— Puta merda, Jeff que susto do caralho! Eu não achei que estivesse no banheiro. – Comentei e ele meneou com a cabeça, rindo.
— Você falou para nos encontrarmos no meu quarto, já que eu estaria aqui de qualquer modo. E como não iria dormir, fui pro banheiro. E você decide entrar no meu quarto ao mesmo tempo.
— Não é como se a gente nunca tivesse feito isso antes. Ainda bem que só teve uma vez que seu pai me nocauteou. – Ele quase soltou uma risada maior, mas coloquei a mão na sua boca, vendo-o em seguida a abrir e chupar meu dedo indicador. – Okay, vejo que o caminho que vamos será igual nossa primeira vez esgueirando pra casa um do outro.
— Bons tempos; não é? – Ele sorriu e eu senti a perna bamba.
Eu senti as mãos dele descendo para minha bunda, me puxando, fazendo com que eu entrelaçasse as pernas na sua cintura, enquanto ele apagava a luz e eu agradecia a lua por brilhar tanto aquela noite. Ele me deu alguns beijos no meu pescoço, mordiscando a pele entre o ombro, me fazendo mais sensível ainda. Jeff cutucou entre minha bunda por cima do pano da calça de moletom, em seguida entrando com a mão levemente morna, me fazendo gemer e jogar a cabeça para trás. Ele beijou o meu peito e se ajoelhou na cama, nos deitando, seu corpo me cobrindo, não só fisicamente, mas também de beijos. E a noite seria longa.
.~.~.
Na manhã acordamos com o despertador. Jeff já havia acordado, na verdade. Estava fazendo carícias na minha cabeça e dando beijinhos na bochecha antes mesmo do despertador despertar, tentando me acordar antes do tempo, o que havia dado certo, mas continuei fingindo que estava dormindo pra ele continuar me fazendo carinhos. Infelizmente o despertador me assustou, o que resultou em eu praticamente pular e abraçar ele, o assustando para em seguida ele começar a rir.
— Estava fingindo dormir, não? – Ele perguntou e eu soltei um sorriso de quem foi pego no ato, vendo-o assentir. Ele já sabia, mas havia ficado quieto. – Vamos descer para comer? – Assenti.
Descemos com ele me abraçando por trás, assim que entramos na cozinha Grizelda olhou para nós e negou com a cabeça.
— Vocês não têm jeito, não é mesmo? – Eu assenti, fazendo-a rir. – Enfim, comam e depois você, futuro senhor Max Gardner-Scoot vai voltar pra sua casa começar seus preparativos, entendido? – Eu assenti, sabendo que não dava pra enrolar ela mais, afinal, era dia do meu casamento.
.~.~.
Me olhei no espelho, o estômago tão apertado de ansiedade que eu não estava conseguindo comer. Eu havia tido uma crise de ansiedade – sim, eu tenho o maldito Transtorno – dez minutos atrás e agora me recuperava, puto da vida por uma crise chegar logo no meu dia de casamento. QUAL É DEUS?!
Dianna estava me ajudando com os adereços enquanto minha mãe ajeitava meu cabelo e Inês arrumava a flor azul no meu terno. Lea estava de pé dando apoio moral e me acalmando da crise. Sam e Kurt haviam saído para comprar meu remédio que coincidentemente havia acabado e eu não sabia disso. O resto dos convidados estava chegando na igreja, e me desejavam boa sorte por mensagem – no caso os meus amigos, porque a minoria da festa era muita velha e não sabia mexer muito nos aparelhos novos. Meu pai entrou na cozinha e colocou a mão no meu ombro, olhando pelo espelho pra mim, eu sorri e agradeci mentalmente por ele estar ali. Ele retribuiu o sorriso e apertou a mão ali, esquentando o local.
Os próximos acontecimentos foram basicamente Sam e Kurt chegando com o remédio, eu engolindo com pressa e quase morrendo engasgado e a gente correndo pra limusine. Depois disso eu só lembro de ter acordado na Igreja. Sim, eu dormi. Esse era o problema do remédio, me dava sono, e misturando que eu estava me recuperando de uma crise, era inevitável não dormir. E como era quase uma hora até a igreja, ia levar um tempo, o movimento do carro não ajudou. Na verdade, eu agradeço por ter dormido, senão eu ia parecer um zumbi entrando por aquela porta.
Olhei para o enorme portão de madeira da igreja e respirei fundo. Saí do carro e peguei na mão da minha mãe e em seguida na do meu pai. Dianna, junto da esposa e de Sam e Kurt, entraram na Igreja, indo procurar seus lugares. Nós quatro restantes subimos a escadaria e paramos de frente para o portão, eu respirando fundo, nervoso de algo dar errado, não, meu medo não era ter dúvidas sobre aquilo, eu realmente queria oficializar aquilo entre eu e Jefferson Scoot. Eu amava aquele homem com todo meu coração e estava querendo mais que tudo dividir minha vida com ele, no papel e onde mais desse. O meu medo de verdade é se algo atrapalhasse ou alguém se opusesse; vocês sabem... essas merdas que acontecem em livros, séries e filmes em casamentos.
O portão começou a abrir e meus pais entrelaçaram seus braços nos meus. Inês colocou uma mão no meu ombro. E assim nós entramos.
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