A Marriage Is Coming
10 Capítulo 9 - "The beggining"
Notas iniciais
Capítulo 9 – “The beggining”
Minhas amigas da famosa girlband (nome) começaram a tocar Hitchhiker, de Demi Lovato, eu já segurando o choro porque achava ridículo quando o casamento sequer havia começado e geral caía no choro, não seria eu o primeiro a fazer isso. Meus irmãos biológicos entraram atrás de Inês, e eu soltei um riso nasal, me sentindo num exército. Havíamos ensaiado aquilo pouquíssimas vezes, somente para a entrada parecer um pouco mais “coreografada”, quando na verdade eu decidira ficar o dia anterior sem fazer nada. Mas não por ter preguiça, e sim porque eu havia terminado tudo do casamento e não iria ficar ensaiando uma entrada que era insignificante comparando ao fato de que eu iria surtar mais tarde por estar casando com quem eu amava e tivera a sorte de ser meu primeiro amor.
... As long as you’re the driver I’m your hitchhiker
Yeah, Yeah
Don’t even know where we’re going, oh
You make me live in the moment, oh
Keep driving us baby, baby…
Evelyn e Brett se levantaram. Cada um de um lado da passarela – realmente espero que possa chamar de passarela por onde estou passando, senão, eu realmente não sei –, vieram na minha frente, nós todos andando juntos e eu senti uma lágrima imbecil descer do meu olho esquerdo e eu ri, uma medida de esconder a vergonha por ser tão hipócrita e ter sido realmente o primeiro a derramar lágrimas.
… Until you came and picked me up…
Eles me deixaram ali na frente com Jeff e praticamente se dissiparam. Cada um indo para um lado das fileiras. Segurei a mão dele e viramos de frente para o padre. Ele sorriu para nós e deu uma leve tossida, enquanto a música cessava.
— Estamos aqui hoje para a cerimônia de Jefferson Scoot e Max Gardner. Unindo esse amor que é mantido e renovado por anos. – O padre começou e eu olhei nos olhos de Jeff, focando ali e tentando não pensar que estávamos na frente de pelo menos 100 pessoas, tudo bem que eram amigos e familiares nossos, mas eu não gostava de ter aquela atenção toda em mim. Tudo bem. Era meu casamento e eu estava amando aquilo, mas ter aquela atenção como se esperassem algo de mim... por isso mesmo eu não queria me casar no método ‘tradicional’ em primeiro lugar. Agora estávamos ali e eu não me arrependia, só queria que algo tirasse a atenção deles de mim, mas era um casamento, o que eu esperava? Uma distração enorme que os faria correr para fora da Igreja? Sim. E foi o que aconteceu.
Eu não sei e depois também não consegui entender. Portanto, não vou tentar descrever como se eu soubesse. Só sei que do nada um som alto veio de fora da Igreja, e começou a ter música e gritaria, o que fez mais da metade correr para fora, talvez por medo ou por curiosidade, eu só sei que eu ri, na verdade gargalhei como nunca.
— Okay... devemos continuar? – Ele perguntou e eu assenti. – Então podem começar os votos.
— Certo... – Eu suspirei, respirando fundo. – Eu não escrevi um voto depois que desisti de escrever porque não estava dando e eu ficava preocupado de não dar certo. Então, vou fazer um agora... Eu acho que nos conhecemos numa época que precisávamos um do outro e desde então viemos aprendendo sobre o que é amor e como lidar com essa coisa doida. Eu só consigo lembrar que nos separamos três vezes até a última que foi por circunstâncias de sermos enganados. O legal, não que ser separado de você seja legal, é que pudemos descobrir como acreditar um no outro e crescer ao lado um do outro. Minha vida jamais seria a que é agora se você não estivesse nela, se a gente não tivesse lutado para manter isso e não quisesse isso. Eu penso várias vezes no quanto eu te amo e no quanto eu me sinto feliz do seu lado, em todos os momentos, seja na tristeza e brigas que são inevitáveis, seja na felicidade e momentos fofos, ou até nos momentos mais loucos que vivemos. E é incrível olhar em retrospectiva e ver que chegamos onde estamos agora. Eu com você. Você comigo. E não importa o que venha no futuro, eu sei que vamos estar lado a lado. – Terminei com ele limpando as lágrimas que escorriam pelo meu rosto. Pensando em retrospectiva, naquele momento eu queria muito beijar ele, mas estávamos também tentando seguir uma ou outra tradição da Igreja. Irônico.
— Antes de tudo, espero que não esteja se preocupando de não ter escrito um voto, porque você disse isso do modo mais amável que poderia ter feito. E eu também não escrevi. – A pequena porcentagem de gente sentada riu, eu acompanhei. – A melhor memória de todas, para mim, é quando nos conhecemos de fato. Não quando nos vimos ou fomos “obrigados” a nos falar por algum trabalho na época do Ensino Médio, mas quando nos conhecemos mesmo. Quando você e eu nos falamos pela primeira vez graças ao processo do Kurt e Sam. Lembro que nesse mesmo dia brigamos justamente pela abordagem que faríamos no juiz. E você riu. E isso me deixou fascinado, como alguém sequer poderia rir numa situação daquela, no meio de uma briga desesperada?
— Prazer eu. – Disse, vendo-o sorrir ainda mais abertamente.
— ... E naquele momento eu quis te dar um beijo. Eu desejei poder te abraçar e ficar a noite com você. Eu não sabia o que era aquilo que eu estava sentindo e por que estava sentindo, só queria. Claro que sabemos que a história não se desenrola assim, mas essa é minha memória mais doce. Passamos a noite conversando sobre várias coisas além do caso e foi a melhor madrugada que eu vivi na época que não estávamos juntos. – Ele terminou e foi minha vez de limpar as lágrimas dele. Lhe dei um selinho.
— Isso foi lindo. – O padre limpou os olhos com as costas das mãos, segurando um eminente choro emergindo. – Vamos fazer isso logo pra eu poder chorar. Jefferson Scoot você aceita Max Gardner na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-o, respeitando-o, sendo fiel até que a morte os separe?
— Claro.
— E você, Max Gardner aceita Jefferson Scoot na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-o, respeitando-o, sendo fiel até que a morte os separe?
— Óbvio que sim.
— Então já podem se beijar. – E ele realmente começou a chorar. Eu beijei meu marido e puxei ele para fora da Igreja, correndo para não começarem a jogar arroz em nós, o que devo notificar que não deu certo. Eu sei a simbologia disso, mas isso ia grudar na minha roupa e eu não queria chegar em casa com arroz grudando em tudo quanto lugar do corpo. Mas quando se trata de jogar coisas nos outros, o povo é rápido.
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Eu ri, batendo palmas quando a batida de Bad Boys, de Alexandra Burke e Flo Rida, começou a tocar. Levantei da cadeira – que eu havia acabado de sentar para descansar – e vi meus amigos e antigos companheiros do Dance Club se juntaram ao meu redor. Era uma música contagiante e legal. Instantaneamente lembrei dos passos para aquela dança. Foi minha primeira apresentação com o Dance Club, aquela música e lembrava até hoje do tema daquela final: feminicídio. Foi um ano importante para nossa escola, um ano importante para todos nós.
Jeff me olhava dançando, seus olhos descendo pelo meu corpo, eu já tinha a camisa aberta até a metade, estava sem o blazer e indo em direção a ele. Sentei no seu colo e retirei seu blazer cinza, vendo a camisa azul que eu iria adorar retirar mais tarde. Ele estava muito gostoso naquele terno, eu queria mesmo retirar aquela camisa, mas me controlei e sorri para ele, puxando-o para a dança. Apesar de ele não saber dançar, como ele dizia, eu consegui conduzir ele numa boa.
A música trocou para uma valsa, apoiei a mão no ombro dele, enquanto o mesmo me puxava para mais perto, eu ri e lhe dei um beijo.
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— Você aqui?! – Alex questionou, olhando para Johnny e eu somente ri, observando a cena a uns dois metros. Pelo choque que haviam feito quando se encontraram, eu sabia que aquele era o garoto que Alex me contou no dia anterior.
— Ou melhor, o que você está fazendo aqui? – Johnny perguntou e Alex riu, o escárnio fingido aparecendo.
— Minhas mães são amigas dos noivos. – Alex disse como se fosse óbvio. – E você?
— Os noivos são amigos dos meus pais, na verdade, se conheceram graças aos meus pais. – Johnny disse e eu coloquei a mão no rosto, segurando a gargalhada. Aquilo ia ser incrível. – Que azar o meu, no mesmo local que o seu.
— Aposto que você adora. – Eles tinham sorte de ser uma festa, porque senão todos estariam olhando para eles. Cutuque meu marido (sim, vou ficar falando isso toda hora) e ele se virou para mim, questionando com a sobrancelha. Apontei para os dois. Ele sorriu claramente se identificando. Alex se aproximou perigosamente de Johnny, quase colando suas testas. – Não adora Johnny?
— Qual é Alex. – O som da voz de Johnny diminuiu e ele encostou a testa na de Alex. – Vai desenhar, vai.
— Que tal eu desenhar eu te beijando? – Alex estava todo cheio de atitude. Isso mesmo garoto!
— O que? – Johnny arregalou os olhos e Alex mordeu o lábio inferior dele, puxando e soltando em seguida. – Você está mexendo com fogo, Eleanor. – Johnny citou o nome do meio de Alex, segurando-o na camisa social preta.
— E estou louco pra me queimar. – Eu quis muito berrar e bater palmas naquele momento.
— Ótimo! – Johnny puxou ele e deixou Alex assumir o controle.
— Eles serão um casal que resolve tudo na malícia. – Jeff comentou e eu olhei pra ele, fazendo meu olhar de ah, jura? / espere mais tarde, ele riu. – Identificações...
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— Irmãozinho querido... – Brett surgiu por detrás de mim, me fazendo virar para o olhar sério.
— O que você aprontou Brett? – Ele riu.
— Por que eu teria aprontado algo?
— Sua entonação está mais fina e você chegou com o seu típico irmãozinho querido de quando fez algo e está louco pra me contar. Na maior parte das vezes foi besteira. Outras vezes foi algo legal que eu não esperava e você achou que eu iria ficar puto. Então...? – Eu questionei e Tom saiu detrás dele. Eu semicerrei os olhos, algo estava acontecendo ali.
— Eu e Tom estamos namorando! – Brett disse e eu sorri, levantei e abracei os dois.
— Que ótimo! – Eu comentei e Jeff riu, acompanhando os dois na minha frente. Jeff os abraçou e eu encarei meu irmão, ou melhor, meus irmãos. Isso era tão estranho ainda. – Meus irmãos estão se namorando. – Comentei, vendo-os gargalhar.
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— Eu gostaria de falar algumas palavras. – Eu disse pegando o microfone. Se eu já estava estupidamente bêbado? Pode crer. – Eu sou um homem sortudo. Olha aquele pedaço de mal caminho que é meu marido!
Todos bateram palmas e assoviaram, fazendo Jeff rir. Eu acompanhei sua risada.
— E tem mais! Meus pais ali, eu pedi algo muito ruim para eles. Pedi que fingissem que não tinham se divorciado para eu poder me dar bem com minha mãe biológica que é cristã. Desculpa Luke, papai, mãe e Anne. Vocês não deveriam ter que ter feito o que fizeram por mim, eu me sinto super culpado e saibam que eu super apoio vocês e amo demais. Luke você é como um pai pra mim e Anne, você pode ser nova na nossa família, mas você é família e preciso te notificar, minha mãe deu luz a um povo meio sem parafuso. Olha eu chorando bêbado quase caindo aqui. – Apontei para mim, que obviamente chorava.
— Eu não me arrependo. – Ela disse de longe e eu fiz um coração de mão. Jeff me abraçou, após subir ao palco.
Dei um beijo nele.
— E desculpa Inês, não ter sido honesto com você. Talvez eu só não seja o que você esperava. – Eu disse, sorrindo triste, mas aceitando a realidade dos fatos e me aceitando. Sabendo que não era ela quem me definia, muito menos era ela quem era minha mãe. Ela havia me gerado e agradecia por isso, mas minha mãe era Eleanor.
— Você não é o que eu esperava, mas isso não me decepciona, tenho orgulho de ver em qual família veio parar. Uma família cheia de amor. – Ela respondeu e eu sorri, feliz por aquela resposta.
— Agora vou descer e ir pra casa, curtam essa festa galera! – Todos bateram palmas.
— Nós amamos Jax! Nós amamos Jax! – Eles começaram a gritar o nome do nosso shipp e eu abracei Jeff, rindo feliz por como aquela festa havia terminado.
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Avisei minha irmã que iria embora para casa, abraçando ela, em seguida Cassie. Agradeci por tudo e eu saí do local com Jeff.
— Preparado para irmos para nossa casa? Cara, agora estamos casados! – Eu o abracei, sendo girado.
— Agora eu posso falar que meu marido também é advogado. Ou que meu marido é um ótimo dançarino. – Jeff disse, me beijando a cada elogio.
— E eu posso dizer que meu marido é quente. Ou que meu marido sabe cozinhar muito bem. E até mesmo que meu marido sabe como inovar no sexo. – Eu sorri, fazendo ele rir e me puxar para dentro da limusine.
— Motorista, vamos pra casa. – Ele informou, em seguida levantando a divisória. Eu sorri malicioso pra ele e pulei no colo dele.
E é assim que chegamos ao tempo presente. Eu estou deitado sobre o braço dele, que está me abraçando, terminando de escrever nosso diário de casamento (pela minha visão, depois vou ler o dele) que foi uma ideia da minha terapeuta. Vou te fechar agora, okay, diário? Quem sabe nos vemos por aí.
Assinado,
Max. ♥
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