A Marquesa
21 Tons do Pitoresco
esmo sendo criança, eu era do tipo que precisava fazer alguma coisa. Nunca fui uma mera espectadora. Sempre quisera agir, dar um jeito nas coisas, e até mesmo nas pessoas. A calmaria pós resolução de crimes era nostálgica, aquela sensação de levantar da cama sem nenhum objetivo para o dia era entediante.
O cheiro de chá fazia cócegas em minhas narinas e foi à válvula para eu me despertar finalmente. A casa estava cheia, Sra. Hudson misturava lentamente o chá e, Sherlock e Kitty estavam sentados na mesa.
— Bom dia, Watson. – Disse Sherlock com o clássico sorriso de lado, eu adorava o sorriso dele, meio torto, meio infantil, com um toque de surpresa, como se não pudesse acreditar na própria felicidade.
— O que você acha? – Falou Hudson, provavelmente eu havia me demorado em meus devaneios.
— Pode repetir, por favor? – Disse eu.
— Ela está dizendo que tenho poucas roupas e que compraremos algumas esta tarde. Você irá conosco! – Kitty falou praticamente bufando.
— Acredito que Sherlock precisará da minha presença aqui. – Respondi.
— Hoje não, Watson. – Falou Sherlock com um falso desdém.
— Obrigada. – Sorri para ele por trás da xícara.
A Regent Street parecia um desfile da alta sociedade inglesa, as estradas com carruagens trazendo mães e filhas, desesperadas para causar boa impressão, eram constantes. Kitty se deliciava com aquilo fazendo piadas sobre as garotas em temporada, Jennifer Hudson colocando defeitos na alfaiataria do local e eu estava realmente feliz por elas entrarem em minha vida.
— Está um calor dos infernos? – Falou Hudson.
— Pode deixar que eu vou buscar três chás gelados para nos refrescar. – Disse eu dando uma piscadela e vendo de relance as duas se sentarem em um banco próximo.
Sabe quando você acredita que algo extraordinário irá acontecer com você? Como ganhar um prêmio, receber uma proposta surpreendente de casamento ou apenas beijar pela primeira vez. Hoje eu sinto isso! Mal eu sabia que mais tarde eu iria me arrepender por ter pensado aquilo, pois extraordinária é uma palavra inutilizada para a situação que se sucedeu quando eu levei uma forte pancada na cabeça.
—Devia ter batido com menos força. – Disse uma voz masculina.
— Nem bati tão forte assim. – Falou um segundo homem.
— Olhe ela está acordando! – Disse um terceiro.
Tudo girava quando abri os olhos, meu estômago parecia uma moradia para milhares de borboletas e instintivamente levei minha mão até a nuca dolorida. Eu estava deitada no banco de uma carruagem com três cavalheiros me encarando e aquilo provavelmente não teria um bom resultado.
— O que vocês querem comigo?
— Aguarde senhorita tem alguém que precisa falar com você. – Falou o homem que parecia ser o líder.
As janelas estavam tampadas com panos pretos e eu tive a impressão de ter viajado por toda a Europa enquanto estava naquela carruagem. Os rapazes colocaram uma venda em meus olhos e me fizeram caminhar apenas guiadas por eles, eu estava curiosa, mas meu instinto de sobrevivência gritava um desesperado: “Fuja”.
Assim que retiraram minha venda estava sentada de frente a Morland Holmes que me encarava atrás de sua mesa repleta de papéis.
— Poderia simplesmente ter me chamado? – Ironizei.
— E iria perder toda a emoção – falou semelhando-se ao Sherlock – as situações estão complicadas para os meus negócios agora Joan é preciso discrição.
— O que deseja então? – Falei, pois me incomodava com a presença do pai de Sherlock que sempre manipulava toda a sua volta.
— Tenho um aliado importante nos Estados Unidos que necessita de um detetive, prometi inicialmente Sherlock, mas você é tão competente quanto ele.
— Se entendi bem, você está querendo me enviar para o outro lado do oceano para fortalecer suas alianças ou o que quer que seja?
— Joan, você me pediu um favor recentemente, me pediu alguns dos meus homens para capturar Moriarty e ficou me devendo um favor.
— Era pelo seu filho, era por ele, não entende. – Falei consternada.
— Sherlock nem me considera um pai, ele é indiferente, fingi que eu não existo e nunca em sua existência me deixou participar da vida dele. Já você Watson veio me pedir um favor e tem agora uma dívida para arcar. Preciso da resposta o mais breve possível.
Morland me entregou um envelope pardo que continha as principais anotações para o novo emprego:
Nome: Gareth Lestrade.
Ocupação: Inspetor Policial.
Residência: Nova York, Estados Unidos da América.
Nacionalidade: Britânico.
— Lestrade trabalha no Departamento Policial de Nova York e sua equipe está necessitando de ajuda, seus principais colaboradores foram convocados pelo FBI e a cidade possuí tantas barbaridades criminais quanto Londres.
— Não está preocupado com a justiça e a paz social, Morland.
— Gareth é um amigo e só isso que irá saber. É apenas um ano e você irá gostar de trabalhar em outro lugar com novas situações a serem resolvidas.
— Não fale por mim, Morland... Darei-te a resposta em breve.
Assim que virei às costas para ele os cavalheiros me interceptaram e colocaram novamente a venda nos meus olhos e, retiraram o envelope de minhas mãos. Na carruagem, só pude pensar nos pontos positivos e negativos daquela proposta; Morland com certeza tinha um favor para com Lestrade e como eu também estava em dívida com o aquele senhor minhas alternativas se resumiam em apenas afirmações, mas por outro lado Max dissera que os Estados Unidos era um ótimo país para viver e que as pessoas viviam democraticamente.
Parei com o turbilhão de pensamentos e só gostaria de chegar a Baker Street, porém a carruagem rodava e rodava e parecia que nunca iria chegar a um ponto específico. Mais tarde, me deixaram no mesmo lugar em Regent Street que eu estava durante a tarde, agora caminhava tendo em minha volta apenas os comerciantes recolhendo os seus pertences. Cheguei na 221 com a sombra do anoitecer.
— Onde você estava fanfarrona? – Gritou Kitty da cozinha.
— Encontrei meu irmão e sua esposa. – Falei a primeira coisa que me veio.
Subi as escadas e fui direto procurar Sherlock, ele não estava no quarto, então me dirigi para o terraço e encontrei-o admirando suas abelhas.
— Sherlock? – susurrei, aproximando-me.
Eu tomei sua mão com suavidade e imaginei os poucos dias que teríamos juntos, não poderia recusar a proposta de Morland, pois ele é capaz de fazer da minha vida um tormento até ficar quite com sua pessoa.
— O que houve? – Falou ele notando minha urgência.
— Somente uma competição e quando se trata de competições eu sempre ganho. – Disse metaforicamente.
— Sempre?
— Sempre que importa. — Sorri, sentindo a alma ficar livre e as preocupações e esvaírem.
Os dedos dele encontraram as fitas duplas das alças e as puxaram para afrouxar o corpete.
— Preciso de você, agora. – Disse eu ruborizando.
— Eu vivo para servi-la.
— É mesmo? – Perguntei intrigada.
— Eu vivo para servi-la na cama. – Ele acrescentou.
Sherlock me beijava e me carregava ao mesmo tempo, tinha certeza de que ele sabia aquele caminho de cor, pois não teve nenhuma dificuldade de descer do terraço para o quarto. Num instante a camisa dele estava no chão, deixando-o nu de cintura para cima. Lançou-me um olhar sexy e eu estava excitada. Ele ergueu o meu queixo e inclinou para me beijar, enquanto puxava meu vestido para baixo. Eu estava despida e ele passava sua mão cálida pelas minhas costas e me puxava de encontro ao seu corpo. Ele me carregou até a cama e suas mãos deixavam rastros de fogo por todo o meu ser, fez minhas pernas se abrirem e se aninhou ao meu lado, eu podia senti-lo rijo e insistente, mas dessa vez não houve medo, não houve apreensão, apenas a irresistível necessidade de tê-lo. Sherlock chegou mais perto e retirou suas calças mostrando toda a sua masculinidade eu agarrei seus ombros quando ele preenchia-me cada vez mais.
— Sherlock! – Arquejei.
Algo dentro de mim se tencionou e se distendeu e eu tinha certeza que meu corpo ia se desfazer. Quando já não podia aguentar nem mais um segundo, atingi o auge e algo explodiu dentro de mim. Ele enterrou o rosto em seu pescoço e soltou um grito primal.
Por um minuto, dois, três, talvez cinco, ficamos apenas respirando. Ainda me abraçando ele se acomodou do meu lado e falou:
— Eu te amo, Joan Watson. Sempre te amarei.
Gostaria de falar alguma coisa eloquente e extremamente pomposa, mas dei-lhe a resposta mais condizente.
— Eu também. – E isso bastou.
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