A Marquesa
14 Teatralidade e Ilusão
onheço a vida bem o suficiente pra saber que não podemos acreditar que as coisas vão ser sempre iguais, não importa o quanto à gente queira. Moriarty poderia continuar sendo aquela mulher envolta em um antro de mistério e não uma assassina que fazia de tudo para demonstrar o seu poder.
Agora em meio às sombras observo o quanto Watson pode ser perspicaz o que ela pode fazer para alcançar os seus objetivos e me sinto grato por tê-la do meu lado, acompanhei todos os seus passos e me sinto pior a cada vez que a vejo chorando por minha causa. Depois da captura de Jamie Moriarty no galpão, Watson foi para a casa, para a nossa casa e tudo o que gostaria de fazer era bater naquela porta e abraçá-la novamente. Infelizmente ainda não era à hora e voltei para meu recente esconderijo relembrando a noite que me deparei com uma possível morte iminente...
Gostaria de estar dançando com Watson naquele momento (se não fosse um tolo realmente estaria fazendo isso) não que Irene fosse uma mulher desprovida de beleza na verdade estava deslumbrante, mas não tanto quanto a Joan. Não deveria estar comparando as duas não eram objetos para colocar pontos positivos em uma ou outra, contudo Irene me fascinava com sua áurea de mistério, mas, sobretudo Watson despertava em mim um sentimento que nunca sentira antes.
— Sabe o que acho – Começou Irene tirando-me de meus devaneios – que deveríamos jogar uma partida de xadrez.
— Seria ótimo. – Pois assim ocupo minha mente com outras coisas a não ser os cabelos da Watson, o sorriso da Watson e sua desenvoltura na pista de dança, quis completar, mas claro que não o fiz.
Andamos por alguns minutos até uma parte mais distante da casa não havia ninguém ali, os amantes para o jardim a leste e os outros convidados dentro do salão de baile era apenas Irene e eu naquele recinto. Ou seja, um bom lugar para cometer um assassinato.
Irene entrelaçou os seus dedos aos meus e por fim achamos uma mesa para nos sentar esta já estava com um jogo de xadrez no centro, assim como as outras mesas que possuíam jogos de tabuleiro variados.
— Vamos fazer diferente, a cada jogada vencida contamos algo que o outro não saiba, deixa o jogo mais animado, irreverente. – Irene me dá uma piscadela gesto que finaliza todas as suas frases enigmáticas.
— Farei o que quiser senhorita. – Eu disse entrando no jogo.
É claro que eu já desconfiava de algo, Watson não quebraria uma taça de vinho nem me repetiria para eu ter cuidado se algo não estivesse acontecendo, ela desconfiava de Irene Adler, porém eu desconhecia o motivo.
O jogo se discorria e revelamos coisas bobas, mas eu sabia que Irene estava tensa e mentindo, pois não parava de tentar manter contado visual e seu pulso estava contraído. Mentiras são fáceis de serem descobertas, disse para mim mesmo.
— O xadrez está no fim, mas me pergunto quando terminará as suas mentiras? – Encarei-a neste momento.
— Sem lições de moral, querido, mentir para si mesmo é a pior mentira e não sou eu que faço isso todos os dias da minha vida.
— Podemos terminar esta conversa sem sentido e partir para os finalmentes.
— Se é isso que deseja! Nunca consegui um inimigo a minha altura, alguém com quem eu pudesse competir e você aparece com sua mente inigualável e superior, porém você possuí um ponto fraco Sherlock e quando o descobri simplesmente você perdeu a graça para mim. – Ela começa a andar em volta da mesa – Voltei para Londres e assassinei um em cada estado desse medíocre país e você não conseguiu resolveu nenhum destes crimes estou decepcionada Sherlock, realmente decepcionada.
Ao mesmo tempo em que senti meu rosto ficar vermelho de fúria meu corpo agiu instantaneamente, cobri o pescoço de Irene com as duas mãos e obrigava ela olhar no fundo dos meus olhos perdendo o ar pouco a pouco.
— Eu te amava, Irene. Você seria a última pessoa que eu desconfiaria.
— Anda Sherlock, me beija ou me mata. Nós sabemos que você só é capaz de uma única coisa. — Falou ela estreitando os olhos.
Apertei mais fundo à pele de seu pescoço até a marca das minhas unhas permanecerem lá, eu não era um assassino ao contrário dela e abaixei minhas mãos me afastando da pessoa horrível que estava a minha frente.
— Por favor, Irene. Te peço a verdade, pelo menos uma vez.
— Não me chame de Irene meu nome é Jamie Moriarty e já sei a pergunta que quer que eu responda é como se ela estivesse estampada na sua face. A verdade é que eu nunca te amei, Sherlock eu apenas admiro a sua inteligência e como ela não é tão útil assim irei terminar com o que você começou.
Uma dor lancinante percorreu todo o meu corpo, já estava em pedaços por dentro e antes de cair puxei o seu colar de pérolas fazendo o mesmo arrebentar.
— Uma facada acima na terceira vértebra da coluna faz causar uma hemorragia interna no ser humano causando uma morte lenta e angustiante. — Moriarty se abaixou ligeiramente. — Pena que não vou poder assistir, tenho que me despedir não sou bem vinda aqui.
Ela sai com o andar triunfante sem ao menos olhar para trás. Um casal passava por ali e a mulher soltou um grito apavorante que deve ter sido ouvido pelo salão inteiro. Minha mente começou a funcionar rapidamente, Irene quer dizer Jamie se sentiria vitoriosa ao saber que conseguiu matar o seu maior inimigo e ficaria mais fácil capturá-la já que seu ego a faria não se preocupar com mais nada, a faria achar que não seria acusada, claro que eu precisaria da ajuda de Marcus Bell e do Capitão Gregson para tornar tudo real, estiquei o braço e peguei uma pérola que estava próxima a mim. Uma multidão começou a se formar coloquei a pérola embaixo do meu braço alguns instantes da Watson me ver no chão com uma considerável poça de sangue em volta. Ela ajoelhou do meu lado e tudo o que eu queria era acabar com aquela encenação e secar as suas lágrimas.
— O que aconteceu? – Ela disse.
— Irene Adler. Ela é M. Ela é Moriarty. Jamie Moriarty. – Disse eu forçando uma voz rouca que sinceramente deu certo.
— Eu prometo Sherlock que irei fazê-la pagar por tudo, mas fique aqui comigo. – Ela encostou sua testa na minha com a respiração ofegante e as lágrimas caindo, molhando um pouco o meu rosto. – Quero que assista estando sempre ao meu lado, eu...
Quase desisti de tudo para não vê-la passar por isso e me surpreendi quando os seus lábios se encostaram aos meus e soube que as explicações do que eu sentia estavam claras naquele momento.
— Obrigado. – Disse eu surpreendido.
Pressionei a pérola na minha axila, uma técnica antiga para parar o bombeamento de sangue por alguns segundos do miocárdio até o pulso e dar a impressão de que o coração já não está batendo mais, fechei os meus olhos ouvindo o choro da Joan ao fundo e logo após ela não estava mais ali e eu estava sendo carregado para a casa de um médico. Na carruagem contei todo o meu plano a Marcus Bell e este mesmo contrariado, concordou.
Abri a porta do minúsculo casebre e me sentei em frente à lareira acesa lembrando os inúmeros procedimentos para conter a hemorragia, entretanto nenhum deles conseguiu restaurar o meu coração. Em cima da também pequena mesa de centro um envelope aguardava para ser lido, era do departamento policial com os dizeres:
Esta na hora de voltar à ativa, Sherlock.
Capitão Tobias Gregson
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