A Marquesa
15 Entre o Etéreo e o Profano
erdi a hora novamente. Acostumei-me com Sherlock me acordando de uma forma nada delicada e de uns dias para cá não conseguia levantar na hora certa. Alguém estava batendo repetidas vezes na porta da casa, coloquei um roupão e fui atender o encarregado dos correios que me trazia um envelope de carta. Capitão Gregson solicitava minha presença no departamento.
Fazia uma semana da resolução dos crimes cometidos pela Moriarty, qualquer trabalho que faria dali por diante seria fácil, pois tinha certeza que nunca mais encontraria um maníaco como àquela mulher e estava dando tudo para me distrair um pouco com algum caso.
Algo parecia estranho na Scotland Hard, as pessoas me olhavam de soslaio e Marcus Bell me acompanhou desde a escada com assuntos triviais, me lembrei de minha mãe e os criados da casa que observavam eu e Oren em um sofá, quando éramos crianças e nos contaram que nosso pai havia saído de casa, nos tratavam como porcelanas que a qualquer momento pudesse quebrar e estava me sentindo exatamente assim naquela hora. Marcus Bell me encaminhava para uma sala mais distante do departamento, era um lugar com apenas uma mesa e cadeiras como recordava e nada parecia se encaixar aos dias normais em que trabalhava lá, assim que minha mente começou a formular uma pergunta ele abriu a porta e vi do lado de dentro a última coisa que imaginaria.
— Parabéns Watson, o caso Moriarty está oficialmente terminado. – Disse Sherlock Holmes.
No primeiro instante quis tocá-lo para me certificar se aquilo realmente estava acontecendo ou era apenas uma brincadeira de muito mau gosto, logo após pensei em abraçá-lo e agradecer por ele estar ali, mas o que fiz foi ficar de pé com a boca entreaberta sem conseguir tomar nenhuma atitude. Praticamente Marcus Bell me empurrou para dentro da sala e me sentou em uma cadeira, pensei que a qualquer momento poderia acordar e aquilo fosse apenas um sonho. Depois de ouvir a porta trancar e eu ainda continuar encarando Sherlock, ele disse caminhando até a mim:
— Nem toda companhia que temos na vida é passageira e superficial.
Levantei e fiquei bem próximo a Sherlock que esperava minha próxima atitude, de perto ele parecia um pouco cansado com olheiras e a barba por fazer. Estava furiosa e não me contive ao espalmar a minha mão no lado direito do seu rosto.
— Ai! – Gritou ele, já esfregando a área afetada.
— Como pôde Sherlock? Você não sabe... Você não imagina...
— Sei sim Watson o quanto sofreu com meu possível falecimento, estava do seu lado, porém escondido. Foi à melhor alternativa para capturar Jamie Moriarty. Ela, acreditando que seu inimigo estivesse morto se consideraria uma vencedora. – Sherlock contornava a mesa, distanciando-se de mim.
— É claro, você está sempre certo, Sherlock é o dono da razão como sempre. Para você sempre a uma única escolha, aquela que você faz e todos a sua volta têm que segui-la. – Meu tom de voz alterava em altos e baixos.
Caminhei para fora daquela sala, todos sabiam que ele não estava morto e viam meu sofrimento que era vazio e sem sentido, deveria estar feliz por ele estar vivo, deveria gritar aos quatro cantos que a vida me deu uma nova oportunidade, mas era egoísta o suficiente para pensar apenas no quanto fui imbecil perante aos outros.
Em Baker Street meus pensamentos chegaram ao lugar, de fato Moriarty não se escondia depois da falsa morte de Sherlock e a odiava ainda mais por atrapalhar em todos os sentidos a minha vida. Passado algumas horas voz familiar soava em frente a casa, dessa vez resolvi fazer diferente.
Assim que abri a porta e vi a face suplicante de Sherlock me joguei em seus braços encostando a boca nos seus lábios com tanto desejo que arrancou suspiros das pessoas que passavam pela rua naquele momento, me abraçou pela cintura e foi caminhando colado a mim até fechar a porta e estarmos apenas nós dois dentro daquela casa.
— Já disse o quanto às mulheres são complicadas. – Falou Sherlock com o sorriso atípico estampado em sua boca.
Ele não me deu tempo de responder e já estava me beijando novamente, a cada movimento que ele fazia eu estremecia com pequenos espasmos de desejo que aumentavam crescentemente.
— Você tem o sorriso mais lindo que já vi.
Ele deslizou uma das mãos até a minha nuca e desfez o penteado do meu cabelo, a outra mão descia lentamente pelas minhas costas e perdi o fôlego quando vi os intensos olhos azuis dele me olhando quando caminhávamos para o quarto. Assim que chegamos ao meu quarto, Sherlock reiniciou os beijos dessa vez de forma nada gentil, ele já não me provocava mais, ele me possuía.
Eu arfava cada vez mais alto enquanto suas mãos percorriam todo o meu corpo, o corpo dele estremeceu e seus lábios tentaram dizer o meu nome e assim percebi que exercia certo controle nele também. Ele me pegou no colo e me colocou na cama delicadamente desamarrando os fios do meu espartilho.
— A questão é: devo puxar este vestido para cima ou para baixo? Ou quem sabe os dois? – Refletiu ele.
— Eu não imaginava – Falei com a respiração saindo quente e úmida pelos lábios – que você tinha ideias tão pecaminosas.
Ele sorriu devagar e cheio de malícia, levou os lábios ao meu ouvido e murmurou:
— Você não viu nada ainda, Watson.
Com os dedos hábeis e experientes, Sherlock tirou o restante das minhas roupas e fiquei completamente nua em seus braços. Eu estava sendo tomada por espasmos de puro sentimento que me roubavam o fôlego, o equilíbrio e até mesmo os pensamentos.
Minhas mãos começaram a retirar as roupas de Sherlock em movimentos frenéticos e antes que eu me dirigisse às calças ele passou as mãos pelos meus cabelos e me deitou novamente. A respiração de Sherlock era irregular e os olhos eram vidrados de desejo ele me toucou em todas as partes e eu arfava constantemente, esperava pelo clímax mesmo não sabendo se haveria algum.
— Isto pode doer um pouco – ele proclamou – mas confie em mim.
Ele retirou as suas peças de roupas restantes e com um impulso forte me tomou por completo, nós movimentávamos em um ritmo lento e constante ele disse meu nome da forma mais bonita que eu poderia ouvir e eu agarrei os seus ombros, éramos tomados pelo prazer e cansaço quando nos posicionamos lado a lado ofegantes.
Dormi um sono pesado com Sherlock Holmes me abraçando, um sorriso travesso não saía de minha boca e agora entendia o significado exato de felicidade.
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