A Marquesa
16 Indelevelmente Sua
inha mãe puxou o cobertor até o meu pescoço, a cama era enorme para o meu tamanho e meus cabelos castanhos extremamente encaracolados cobriam grande parte do travesseiro, me deu um beijo suave na bochecha e olhou no fundo dos meus olhos, dizendo:
— Tenho tanta coisa para lhe ensinar, minha pequena. Espero poder fazer isso servindo-lhe de exemplo. Seja forte. Seja cuidadosa. Seja conscienciosa. Nunca se ganha nada quando se escolhe o caminho fácil. Ame seu irmão, porque ele é sangue do seu sangue, e, quando se sentir insegura ou os tempos forem difíceis, será ele que ficará do seu lado. Ria. Ria alto, e sempre. E, quando as circunstâncias pedirem silêncio, transforme sua gargalhada em um sorriso. Não se acomode. Saiba o que quer e corra atrás. Se não souber o que quer seja paciente. As respostas chegarão no tempo devido, e pode ser que você venha a descobrir que o que o seu coração deseja estava bem debaixo do seu nariz o tempo todo. Sinto que você está ficando sonolenta então tenha bons sonhos.
Mary soprou às velas e fechou a porta em meio à escuridão a vi dando um sorriso para mim. Era o primeiro sorriso que vi ela dar durante anos.
Acordei e Sherlock não estava do meu lado, nunca sonhei com a minha mãe e desde que havia saído da Casa Watson’s não sentia saudades dela, porém me fez querer reencontrá-la.
Vesti-me rapidamente e vi Sherlock preparando um café na cozinha.
— Bom dia, Watson. – Disse assim que entrei no cômodo e em seguida me beijou me deixando surpreendida.
— Tenho que me acostumar com isso. – Falei rindo.
— Eu também. – Voltou a preparar o café – Capitão Gregson nos espera no departamento policial e disse ser um caso complicado dessa vez.
— Sonhei com algo diferente esta noite tenho que ir ver minha mãe. Peça perdão por mim ao Capitão Gregson.
— Irei é rezar para que Mary Watson não arranque um membro do seu corpo. Desejo boa sorte para você!
O dia era frio, mas o seu estava azul. Segui diretamente para minha antiga casa notando uma movimentação diferente em frente a mesma, havia duas carruagens, uma delas identifiquei rapidamente como a de Oren e a outra não sabia a quem pertencia. Os criados me cumprimentavam alegremente com abraços e elogios não tive nenhuma dificuldade para circular pela casa.
Alguns sons vinham da sala de jantar e o criado já a postos abriu a porta para mim. A mesa estava cheia e os homens presentes nela levantaram para me saudar.
— Joan, que surpresa vê-la por aqui. – Falou Oren – Soube da volta repentina de Sherlock Holmes.
— É uma grande história, deveria ter te enviado uma carta para por você a par dos acontecimentos.
— Quem é essa belíssima moça, Mary? – Disse o desconhecido que estava agora ocupando a cadeira que meu pai sentava em todas as refeições e que depois que deixou a casa permanecia vazia.
— Arthur, essa é Joan Watson. – Falou minha mãe rispidamente.
— Sou Joan Watson senhor, detetive na Scotland Hard. Prazer em conhecê-lo. – Me apresentei formalmente já que Mary não faria isso.
— Impressionante, uma mulher detetive não é meu filho? – Olhou par o outro cavalheiro sentado na mesa. – Me chamo Arthur Morstan, capitão do 34° Regimento de Infantaria de Bombaim, na Índia, sou encarregado com outros oficiais da vigilância dos presidiários que cumprem pena nas ilhas Andamã.
Oren me encaminhou para a cadeira que estava vazia e acenou para o criado minha mãe não estava gostando da minha presença e várias vezes dirigia-me seus olhares de soslaio carregados de fúria.
— Estou em Londres para capturar um dos fugitivos da ilha – Continuou Arthur – há suspeitas de que pertence a uma quadrilha de tráfico sexual.
— Se quiser estarei disposta a ajudá-lo com o caso, já que trabalhamos em áreas semelhantes. – Falei interessada.
— O problema que já faz seis meses que ele fugiu e mesmo com a segurança do local ele escapuliu e depois de um tempo é que percebemos sua façanha, ele pode estar em qualquer lugar do mundo...
— Não vamos falar somente de trabalho – disse o filho de Arthur – permita-me apresentar; sou Max Morstan biólogo e escritor nas horas vagas.
Max Morstan era um homem loiro e com estatura próxima a minha. Sua beleza não consistia na regularidade dos traços, nem no padrão vigente no final do século XIX, nem no brilho do rosto, mas, sobretudo numa expressão aberta e amável e naqueles grandes olhos azuis profundos. Parei de observá-lo não queria me tornar uma devassa.
O desjejum aconteceu tranquilamente, os olhos de minha mãe brilhavam ao olhar para Arthur Morstan e agradeci por estar naquele momento tão especial para ela, Oren e Gabriella nos contava sobre o seu casamento e eu as minhas aventuras como detetive. Todos riam e batiam palmas e realmente me senti em família.
Durante a noite retornei para Baker Street e ao chegar lá Sherlock me aguardava no terraço, onde nos sentamos lado a lado e olhamos as estrelas, ele meu deu a mão e abriu um lindo sorriso. Realmente existiam dias perfeitos.
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