beleza do dia era uma obscenidade, o céu azul completamente sem nuvens me fez deduzir que aquele seria um dia extremamente quente, diferente da maioria dos dias de Londres constituídos de frio e chuva. Coloquei meu vestido azul turquesa relembrando a segunda noite de amor entre mim e Sherlock e um sorriso bobo insistia em compor os meu lábios.

Arthur Morstan estava sentado na sala de estar encarando Sherlock que analisava alguns papéis atenciosamente. Assim que entrei Morstan caminhou em minha direção, falando:

— Que honra ver esta preciosidade novamente. – Beijou a minha mão direita suavemente e um leve rubor me subiu nas faces.

— Agora descobri como conquistou Mary Watson. – Falei Brincando.

— Watson. – chamou Sherlock – O Sr. Morstan veio pedir sua ajuda para encontrar este criminoso...

Ele me entregou um maço de folhas e na primeira delas havia um auto-retrato desenhado perfeitamente.

— Este é Del Gruner não pertence ao estereótipo de um criminoso, era um empresário de sucesso na Índia, geria uma empresa de ferro e aço e com certeza seria alguém que veríamos recebendo o prêmio de empreendedor do ano se não tivesse seguido o caminho do crime. – Arthur falava e andava pela sala em pequenos passos. – Porém, descobriu um ramo extremamente lucrativo, o tráfico sexual e, sua primeira vítima foi Tabitha Laird que era secretária em sua empresa descobrimos seu cadáver em uma casa em que ela era obrigada a vender o seu corpo, ela possuía uma marca de ferro quente nas suas costas.

— Acredito que ele esteja usando ainda essa marca nas outras mulheres, um assassino quando possui uma “assinatura” a utiliza em todos os seus crimes. – Disse Sherlock – Assim como, o M de Jamie Moriarty e a cruz que Sebastian Moran fazia em todos os corpos que assassinava.

— Del Gruner foi preso depois de um ano de investigações, ninguém suspeitava dele até acharmos a arma do crime na empresa que trabalhava. – Continuou Morstan – Era tão perspicaz que na prisão influenciava a todos a acreditarem que era inocente, até mesmo os funcionários e alguns policiais nos julgavam dizendo que prendemos a pessoa errada.

— Nesta folha, consta que há seis meses que Gruner fugiu e os relatos dizem que seu plano de fuga foi tão bem elaborado que nenhum dos outros presos notou sua ausência. – Falei.

— Claro que ele teve ajuda dos funcionários e dos presos que ocupava a mesma cela, ele praticamente liderava os outros. Minha missão é capturá-lo. Foi um erro em minha gestão e não posso deixá-lo livre, entretanto quero saber se tenho a ajuda de vocês nessa jornada?

Sherlock e eu nos entreolhamos e rapidamente eu disse:

— Aceitamos este caso.

Em questão de instantes a 221 praticamente se transformara em um depósito de caixas; dossiês de Del Gruner, relatórios do assassinato de Tabitha Laird e tudo sobre a fuga do criminoso estavam naquelas caixas, teríamos um longo trabalho pela frente e começamos a traçar planos.

— Temos que visitar todos os cabarés, casas de prostituição e motéis de Londres alguém deve conhecer Del Gruner ou ser colaborador dele. – Falou Sherlock.

— É boa esta estratégia, mas não vamos encontrar estes lugares somente consultando a lista de endereços da cidade, já que a prostituição é ilegal em Londres.

Sherlock subiu as escadas e pegou uma pequeno livro de couro preto meio empoeirado e começou a correr os dedos pelas páginas.

— Já vou pedir desculpas antecipadamente Watson, mas frequentei lugares assim em tempos sombrios. – Disse me olhando por cima do bloquinho.

— E foram muitos já que escreveu quase um livro sobre eles.

Era uma quinta-feira e para alguns o fim de semana começava neste dia. A Sra. Hudson ajeitava com agulha e linha nas mãos as calças que estavam um pouco grandes em mim.

— Não acredito que terei que me sujeitar a isso. – Falei furiosa.

Para conhecer todo esse mercado do sexo, tive que me disfarçar de homem, uma mulher não entrava em lugares assim e quase deixei Sherlock ir sozinho se Hudson não tivesse feito um trabalho tão bom. A cartola escondia o meu cabelo e o bigode falso me deixava masculina, as roupas de Sherlock eram grandes, mas com os ajustes se encaixaram em meu corpo.

— Watson – Disse Sherlock no primeiro degrau da escada – você é o homem mais sexy que eu já vi.

— Desculpe senhor, mas gosto de mulheres! – Falei engrossando a voz.

O primeiro prostíbulo que fomos estava cheio e entendi o porquê de ser um mercado extremamente lucrativo era como um rodízio de mulheres, a dona nem as mulheres que conversamos conheciam Del Gruner e duas das mulheres reconheceram Sherlock e ele sem graça se despediu delas. Em outro estabelecimento também lotado não obtivemos nenhuma resposta afirmativa e o mesmo se sucedeu nos outros nove lugares em que procuramos, já era madrugada e aquele era o último local que Sherlock conhecia, ficava na beira de uma estrada movimentada e era muito frequentada por trabalhadores braçais que muitas vezes não cheiravam nada bem. Um deles se aproximou de nós e disse:

— Conheço esse homem, uma vez fui ao estabelecimento dele e ele não deixou nem eu colocar os pés dentro do local, disse que era para a classe alta.

— Pode nos passar o endereço? – Falei rapidamente.

— Calma, apressadinho, deve ser sua primeira vez.

O homem nos deu o endereço e Sherlock deu a ele uma generosa gorjeta que o fez dar um sorriso de orelha a orelha.

O bairro era nobre e a fachada da casa escondia o seu propósito às luzes estavam acesas e a porta estava aberta. Assim que entramos uma recepcionista veio nos atender com um sorriso falso nos lábios.

— Bem-vindos! Espero que estejam prontos para a melhor noite de suas vidas.

— A mulher está mancando e olhe como está ereta, como se estivesse sentindo dor. – Sussurrei para Sherlock.

— Vocês podem escolher quem quiser e fiquem à vontade.

Entramos em uma sala com estofados de couro vermelho e paredes da mesma cor uma mulher tocava piano e outras andavam por todos os lados da sala. Sherlock andou diretamente para a ruiva que tocava habilmente o piano, seus pés estavam amarrados na cadeira, percebemos assim que Sherlock jogou sua moeda no chão e levantou delicadamente o vestido sem ela perceber.

— O que querem? Só toco piano não estou aqui para outras atividades.

— Viemos te ajudar. – Falei – Simplesmente colabore conosco.

— Somos detetives da Scotland Hard e estamos aqui para prender Del Gruner. Precisamos saber tudo o que você sabe sobre ele.

Ela continuou tocando, era realmente bonita, mas os olhos eram vazios e não possuíam mais cor. Aquele homem havia roubado sua alma.

— Eu sou Kitty Winter e esse mostro me iludiu com uma proposta de um emprego bom que pagava duas vezes mais do que os demais, estava desempregada, precisava do dinheiro, o mesmo aconteceu com as outras, ao todo são 34 mulheres que sofrem eu suas mãos.

Kitty falava com uma fúria imensa, os procedimentos, a forma como Gruner as tratava, nunca pensei em matar ninguém, mas aquele homem merecia uma morte dolorosa. Saímos para não levantar suspeitas, tínhamos um plano e logo toda essa barbaridade seria interrompida e as mulheres libertadas.

Quando todo o departamento estava unido, assim como, Arthur Morstan e Max Morstan iniciamos as operações. Os policiais arrombaram a porta da casa e as mulheres foram retiradas do local algumas chorando e outras desmaiadas, estavam todas com várias marcas nas costas. Eu e Sherlock procurávamos Kitty, ela não estava junto com as outras e comecei a ficar com medo de não encontrá-la, depois de cinco portas vimos a mesma encolhida em um colchão no chão do minúsculo cômodo, ela não demonstrou surpresa ao nos ver apenas agradeceu por todas as outras.

— Del Gruner não está aqui, ele vem durante a noite como uma assombração para pegar o dinheiro e castigar àquelas que não dão bastante lucro.

— Kitty. – Sherlock se abaixou – É o fim de tudo isso, uma nova vida, você tem o poder de mudar tudo, a oportunidade de tentar de novo.

— Na verdade, nada muda e ninguém jamais muda. – Disse ela seca.

— Kitty Winter você aceita ser uma detetive?

Minha boca se abriu e tive que cobri-la tamanha foi a surpresa, era realmente tinha potencial, mas eu não imaginaria que Sherlock procurava uma nova aprendiz.

— Aceito. – Falou Kitty e Sherlock ajudou ela a se levantar.

E aquela palavra se espalhou no ar e eu não consegui dissolvê-la.

Notas finais
Muitas coisas para falar: 1) A história está chegando na reta final, faltam apenas alguns capítulo para eu concluí-la. 2) Amo leitores que fazem capas (cof cof *Ana* cof cof) então se você manda bem no photoshop e esta disponível irei amar receber a sua arte. 3) Obrigada pela recomendação Sammye, já agradeci em mensagem privada, mas tenho que agradecer também por aqui. Adorei ler estas lindas palavras sobre A Marquesa. ♥ 4) Nestas férias vocês me verão mais vezes por aqui... Kitty Winter é uma personagem da série com uma história fantástica, desde que assisti os episódios que ela aparece fui montando mentalmente uma versão para a todo o ocorrido que se sucedeu e com certeza ela não poderia faltar neste universo criado por mim. Desejo a todos boas férias! Beijos ;)