A Marquesa

18 Manual de Vingança de Kitty Winter


momento parecia infindável e infinito e eu precisava sair dali.

— Vamos Watson? – Disse Sherlock apoiando Kitty em seu braço direito.

— Irei ficar e vasculhar o lugar para achar mais pistas. – Minha voz estava entrecortada e ridiculamente eu mexia em meu cabelo.

Encostei-me na porta para dar passagem aos dois e assim que não os tinha mais em vista, comecei a olhar em cada canto daquele cômodo. Na frente do colchão, que já estava sujo, havia dois pratos; um com água e o outro vazio que provavelmente servia para colocar comida, fiquei revoltada com a forma que as mulheres eram tratadas ali, como se fossem animais de rua. Percorri minha mão pela parede e passando um tempo naquele lugar compreendi o que Kitty sentia a raiva, a frustração e a falta de esperança e, sobretudo, afirmei para mim mesma que seriam ótimos para ela os ensinamentos de Sherlock.

— Olá Watson. – Me sobressaltei vendo Max Morstan de pé na porta.

— Diga-me que veio aqui para avisar-me que encontraram Del Gruner em algum canto desta casa. – Falei.

— Bem que eu gostaria. Vim ver se estava bem, já que seu companheiro saiu carregando uma das mulheres daqui e você sabe...

— Claro que estou bem e Sherlock não é esse tipo de companheiro que você acha, ele é um parceiro de trabalho, apenas. – Disse eu mordiscando os lábios, a verdade é que ainda não me sentia segura para expor o que eu e Sherlock estamos vivendo.

— Me desculpe, não tive a intenção de insinuar alguma coisa. — Max passava a mão em seus cabelos um gesto que o deixava ainda mais belo. – Posso ajudar no que está fazendo?

— Sim, mas sei que vai achar o que faço entediante.

E então nós dois levantamos o colchão e olhamos em volta dele, no canto do colchão que ficava encostado na parede havia uma fenda e retirei de lá várias folhas que fui entregando para Max. Na frente dos papéis havia partituras e no verso havia um texto com um conteúdo bem peculiar, continha inúmeras formas de matar Del Gruner.

— Isso não é nada entediante. – Disse Max.

— Sabe a gravidade disso, Max? Kitty tem um desejo de vingança por tudo que Del Gruner a fez passar, a Scotland Hard não pode saber nem o seu pai. – Falei reunindo todos os papéis em minhas mãos.

— O que o seu pai não pode saber Max? – Arthur entrou no recinto.

Paralisei-me naquele instante e calmamente Max respondeu:

— Que Joan Watson irá jantar comigo hoje à noite, mas o senhor chegou e atrapalhou todos os nossos planos.

— Fiquem à vontade nem estarei em casa na hora que vocês marcarem. – Deu uma piscadela para o filho – Watson venha comigo precisa ver uma cena rapidamente.

A referida cena eram quatro lonas estendidas no chão e abaixo delas tinham quatro mulheres mortas com diversas manchas roxas pelo corpo e as clássicas marcas de ferro quente em suas costas, o local cheirava mal e mesmo assim Marcus e eu persistíamos em ficar ali, enquanto Arthur e Max de braços cruzados observavam.

— Desculpe incomodar, mas achamos isto. – Era um policial do departamento — Parece um recibo, porém o papel está rasgando e não dá para ver nada.

Marcus pegou a pequena folha e estreitou os olhos.

— Têm um desenho aqui no canto esquerdo, semelhante a uma coroa não me lembro de alguma empresa que tenha uma coroa como logomarca – Disse Marcus.

— Se desejar, senhor, eu posso procurar esta informação. – Falou o policial prestativo.

O restante da casa não tinha muitas pistas para dar, somente ilustrações dos maus tratos e da vida sofrida que aquelas mulheres passavam ali, gotículas de sangue por toda parte e muita sujeita. Era contrastante, o andar de cima um caos inigualável e o de baixo a imagem do luxo e do bom gosto para impressionar os clientes.

Não tinha mais nada ali, então se o recibo não significasse algo, teríamos que começar da estaca zero. Eu segura as folhas da Kitty em meus braços dizendo serem folhas diversas que poderiam auxiliar na investigação, quando foi terminada a ronda do lugar me dirigi para a saída.

Max estava lá fora encostado em sua carruagem, atravessou a rua em minha direção caminhando majestosamente e disse:

— Não foi uma brincadeira o que eu falei Watson. Te espero em minha casa às 08 horas da noite.

— Mesmo não tendo escolha, fico grata pelo seu convite.

Na Baker Street tudo parecia adormecido. Assim que entrei Sherlock me interceptou falando em voz baixa.

— Como foi Watson? Kitty está dormindo neste momento.

Contei os pormenores para Sherlock, desde os corpos até o recibo, não falei sobre as anotações da nossa nova hóspede, achei desnecessário.

A conversa terminou e subi as escadas com a cabeça doendo, entrei no quarto vago que Kitty estava dormindo e deixei as folhas na cômoda ao lado da cama, o sono dela era pesado e audível, como se ela não estivesse dormido durante anos e poderia sim, ser a verdade. No próximo dia com certeza conversaríamos sobre o significado de todas aquelas formas de vingança, mas não hoje, não agora, eu fechei a porta do quarto com uma sensação diferente consumindo o meu ser. Eu queria protegê-la!

O meu mal estar passou juntamente com a luz do dia. Escolhi o vestido branco que continha aquarelas de várias cores na barra e na região dos seios, o bracelete prata foi o acessório que escolhi para a ocasião. Sabe quando o dia é tão exaustivo que você urgentemente precisa mudar os ares? Hoje foi assim e para me livrar de tudo o que permeava a minha cabeça, via aquele jantar como uma âncora.

Sherlock insistiu para ir junto comigo, não só uma vez e sim várias, disse que eu estava muito arrumada para ir a casa de Arthur Morstan e eu, por outro lado, falei a verdade, que queria apenas alguns momentos sozinha sem crimes nem assassinos para pensar e ele sorriu me desejando uma boa noite.

Notas finais
Oi Pessoas :) Vale ressaltar, que pretendo publicar capítulos nas segundas-feiras e sextas-feiras neste mês de julho, então corre para se atualizar e não perder nada destes misteriosos crimes. No capítulo passado falei sobre uma lista de endereços, está lista era como a lista telefônica que temos atualmente, o diferencial é que no século XIX as listas continham apenas o nome e o endereço da pessoa, sua finalidade era de ser consultada a cada vez que se enviava uma carta. Por hoje é só... Abraços!