A Marquesa

12 O último caso de Sherlock Holmes


ra 21 de Março de 1882 e eu ainda não tinha me levantado da cama, olhava para o teto como se ele fosse um sábio que daria as respostas de todas as perguntas que me atormentavam. Era fatídico que não poderia acusar Irene Adler sem provas e apenas um machucado não a faria ser condenada, o bilhete era outra incógnita que eu sabia muito bem o que significava, porém os outros veriam como uma frase qualquer.

A casa estava vazia por sinal e isto só aumentou os meus temores, Sherlock sabia se defender é claro, mas mesmo assim algo sombrio pairava no ar, resolvi ir diretamente para o departamento policial acompanhar as investigações. Antes de sair da residência algo me chamou a atenção sobre a mesa dois convites para um baile de máscaras com os seguintes dizeres:

Os membros da Konnecticult House convidam vossa senhoria para nos prestigiar com a sua presença no saudoso

Baile de Máscaras

Realizado às 20 horas na Brutor Street esperamos que sua fantasia seja deslumbrante e que a diversão seja sua maior companhia.

Simplesmente ignorei os convites esse era o horário de ação de M e provavelmente estaríamos em seu encalço e dessa vez implorava para que conseguíssemos prendê-la.

Em todo o pequeno percurso até a Scotland Hard fiquei pensando qual seria a atitude de Sherlock ao saber que sua amada é a nossa assassina, não gostaria que isto estivesse acontecendo com ele, já era difícil ele se apaixonar e ter uma decepção dessas acabaria com suas chances de viver outro amor futuramente. Sherlock foi a primeira pessoa que avistei no departamento e pelo visto estava ali desde cedo – devido às roupas serem as mesmas de ontem – estava concentrado em alguns papéis.

— Bom dia, Watson! Vejo que está mais calma agora.

— Estou mais calma ontem foi um dia estressante, pediu desculpas a Irene Adler por mim? – Falei tentando manter o contato visual.

— Sim, mas terá a oportunidade de fazê-lo hoje à noite no baile de máscaras. Iremos eu e ela e você e o Marcus.

— Obrigada por me incluir nessa sem saber minha opinião.

— Disponha! Você merece um pouco de descanso. – Sherlock dava um condescendente sorriso de lado.

Sherlock não gostava de festas, ou essa mulher estava o transformando ou algo muito estranho acontecia ali, infelizmente as duas alternativas poderiam estar corretas. Mais uma vez o dia se passou em um borrão e não consegui ligar nada concreto de M como Irene Adler.

O espelho me lembrava do tempo que não tinha tantas preocupações, aquele período em que me arrumava para bailes e festas e meu único objetivo era fisgar um marido não sabia que sentiria falta daquela época, mas, aqui estava eu almejando uma vida menos agitada. Por outro lado sabia que M estava com Sherlock e que não haveria nenhuma morte no dia de hoje. Meu vestido era azul marinho e estava usando o traje completo com espartilho e crinolina meu cabelo com as pontas onduladas se prendiam a um penteado com somente as duas primeiras mechas presas formando um arco, estava tão distraída com minha imagem que não percebi a presença de Sherlock.

— Watson, você está linda!

Sherlock usava o mesmo terno que usou quando fomos ao casamento de Oren no ano passado e me olhava como seu eu fosse a mulher mais linda que ele já viu.

— Porém falta algo e já desconfio o que seja... – Disse ele.

Não sabia o que ele estava falando quando saiu do quarto, mas quando voltou deparei com uma joia belíssima na mão de Sherlock, ele delicadamente se posicionou às minhas costas e colocou o colar que realmente deu um brilho a mais em todo o meu traje. Ele não havia tirado as mãos ainda em meu pescoço e forçava para que meu corpo não denunciasse o iminente desejo que sentia naquele momento me virei para ele e disse:

— Me sentiria culpada se algo acontecer com você.

Passei a mão pelo seu rosto sentindo em minha palma sua barba ainda por fazer e dei um passo para trás poucos instantes antes de meu corpo todo estremecer.

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Gostaria de estar dançando com Watson naquele momento não que Irene fosse uma mulher desprovida de beleza na verdade estava deslumbrante, mas não tanto quanto a Watson. Não deveria estar comparando as duas não eram objetos para colocar pontos positivos em uma ou outra, contudo Irene me fascinava com sua áurea de mistério, mas, sobretudo Watson despertava em mim um sentimento que nunca sentira antes.

— Sabe o que acho – Começou Irene tirando-me de meus devaneios – que deveríamos jogar uma partida de xadrez.

— Seria ótimo. – Pois assim ocupo minha mente com outras coisas a não ser os cabelos da Watson, o sorriso da Watson e sua desenvoltura na pista de dança, quis completar, mas claro que não o fez.

Andaram por alguns minutos até uma parte mais distante da casa não havia ninguém ali, os amantes para o jardim a leste e os outros convidados dentro do salão de baile era apenas Irene e ele naquele recinto.

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Olhava de poucos em poucos minutos para Sherlock e Irene no outro lado do salão especialmente para Irene que era uma grande ameaça em qualquer lugar enquanto não estivesse na cadeia. E percebi quando os dois de mãos dadas saíram provavelmente para uma caminhada no jardim, controlei minha vontade de ir logo atrás e continuei dançando com Marcus que se mostrou um grande dançarino e libertino também já que distribuía piscadelas para todas as solteiras mais próximas o que me arrancava muitas risadas.

Um grito cortou o ar e a música parou no mesmo instante Marcus estava a postos e passou por meio da multidão curiosa que procurava o motivo do pânico fui me aproximando cada vez mais e não estava preparada para o que vi. Sherlock deitado no chão e uma poça de sangue se formavam do seu lado esquerdo a mão tentava conter o sangramento e só percebi que estava prendendo minha respiração quando me ajoelhei do seu lado.

— O que aconteceu? – Falei dificilmente e com os olhos marejados.

— Irene Adler. Ela é M. Ela é Moriarty. Jamie Moriarty. – Disse ele num sussurro agonizante que mostrou toda a dor que estava sentindo.

— Eu prometo Sherlock que irei fazê-la pagar por tudo, mas fique aqui comigo. – Encostei minha testa a sua com a respiração ofegante e as lágrimas caindo. – Quero que assista estando sempre ao meu lado, eu...

Sabia como completar a frase, porém os lábios dele estavam ali extremamente beijáveis e não pensei duas vezes dando a ele um beijo de dor e de súplica.

— Obrigado. – Disse ele por fim.

E tudo que restou foi o silêncio

Notas finais
Informação sobre os acessórios: Citei algumas vezes a crinolina e o espartilho, mas não havia explicado a história por trás deles; o espartilho todos conhecem e ele ainda é utilizado já a crinolina caiu completamente no gosto popular, várias mulheres perderam suas vidas por causa deste acessório em diversos tipos de acidentes, a eletrocussão era o mais frequente deles, ela se constitui de uma gaiola de ferro para fazer os vestidos ficarem mais rodados. Deu uma dorzinha no coração de publicar este capítulo, mas tudo pertence a um contexto maior. Não me julguem e até o próximo capítulo ;)