A Marquesa
13 Xeque - Mate

vento que anunciava o fim do inverno brincou ao redor dos meus tornozelos, e fiquei arrepiada. Tudo parecia de acordo – meu desespero, a dor no meu peito por causa do esforço, o frio, o vento, o cinza. Era assim que os cemitérios deveriam ser certo? Ao menos, é sempre assim nos livros. Frios, sombrios. Alguma vez o sol brilhou enquanto você visitava a sepultura de alguém que amava? Duvido.
Em pé na frente do túmulo de Sherlock Holmes achava uma ironia, a possibilidade de sua vida ser resumida a apenas um traço, ali estava sua data de nascimento, sua data de falecimento e naquele traço todas as suas ações, todas as suas conquistas, toda a sua vida realmente era injusto.
Não consegui continuar morando no sobrado e me mudei para a casa de Oren e Gabriella temporariamente em todo o canto daquela casa em Baker Street via Sherlock algo que fazia me lembrar dele e com certeza não poderia me afogar em minhas tristezas, tinha um objetivo e este era acabar com a vida de Moriarty.
Cheguei mais cedo no departamento policial e uma calmaria incomum pairava no ar, mesmo com o gênio difícil de Sherlock todos estavam de luto por ele. Dirigia-me para a mesa de Marcus enquanto este já proferia algumas palavras:
— Olá, Watson. Agora que descobrimos que M é Jamie Moriarty está mais fácil achar informações sobre ela. – Disse Marcus Bell.
— Passei a noite analisando as cartas que Moriarty enviou para Sherlock e cheguei a uma única conclusão; é uma subversão de fatos, teríamos que ter as cartas que Sherlock a enviou para termos uma linha cronológica de acontecimentos, separadas são apenas cartas de amor.
— Joan, admiro seu entusiasmo em resolver este crime – Marcus reduzia seu tom de voz – mas espero que não mergulhe de cabeça e acabe decepcionada.
— Já estou decepcionada, Marcus, pode ter certeza.
Sentei em uma mesa vazia e posicionei todas as cartas encima dela, havia lido e relido cada uma, sem resultado obviamente, só fazia um dia que Sherlock havia morrido e não poderia falhar com a promessa que fiz a ele.
Anotei todos os endereços das cartas que ela enviara e resolvi seguir outra estratégia, peguei as cartas e o papel com os endereços e fui direto para a biblioteca pública da cidade, talvez os endereços fossem falsos, mas mesmo assim não deixaria de tentar. Entrei na seção de jornais e respirei fundo, pois teria um longo trabalho pela frente, enquanto olhava cada jornal na seção das celebridades e pessoas importantes, refletia que provavelmente Moriarty não trabalhava sozinha e meu plano era descobrir pessoas que estavam nos mesmos lugares que ela, pessoas influentes na sociedade que poderia ser seus cúmplices.
Das suas cinqüenta cartas já estava na trinta e dois e a lista com duzentos nomes se reduzia a cada endereço da carta seguinte, escureceu e ligaram as lamparinas minha visão já ardia por causa do esforço e tentei acelerar um pouco mais o processo, depois de algumas horas, ouvi uma voz:
— Senhorita vão fechar a biblioteca neste momento. – Era o guarda do local – Peço para que termine suas leituras amanhã.
Levantei pedindo desculpas e dizendo que não tinha visto à hora passar não tinha pesquisado as últimas cinco cartas, mas já sabia exatamente quem era o cúmplice de Jamie Moriarty. Seu nome era Joshua Vikner.
Durante a noite formulei o melhor o plano para atingir Moriarty estava decidida e confiante só deveria seguir corretamente cada etapa. Agora sentada neste estofado afirmei que Sherlock não afirmaria o que estava fazendo a porta rangeu e a pessoa que eu estava esperando veio até a mim.
— É um prazer conhecê-la, Joan Watson. – Falou Morland Holmes – Veio até a mim me pedir uma ajuda?
— Sim, é sobre o assassinato do seu filho, sei quem o cometei e como poderemos a encurralar. Porém preciso de alguns homens que trabalham par você.
Morland concordou com minha idéia, mas sabia que futuramente pediria algo em troca, tinha agora uma dívida com ele, mas valeria a pena, não passei muito tempo com ele e observei que era totalmente o oposto de Sherlock. Na verdade nunca tinha ouvido Sherlock comentar do pai até o momento que ele abriu o seu escritório em Londres. O dia todo passei instruções para os oito dos melhores seguranças — ou capangas como eu os chamava – do Sr. Holmes e me sentia pronta para por o plano em prática.
Joshua Vikner era professor de economia em uma faculdade particular de Londres, a arquitetura da mesma era lindíssima e fiquei caminhando pelos jardins da mesma até o momento do término das aulas. Perpassei os corredores até a sala que Joshua estava acabando de dar aula, os alunos saiam da mesma quase correndo com um desespero enorme de sair da escola, desci as escadas da enorme sala e mirei apenas as suas costas, antes de me sentar em uma das cadeiras de madeira virei para um dos capangas e acenei para que o mesmo fechasse a porta e para outro para que fechasse a porta lateral, o professor vendo a porta se fechar foi até ela e só notou a minha presença instantes depois.
— Creio que nossa conversa será rápida, professor. – Disse eu usando um tom firme que até o presente momento não sabia que possuía.
— Quem é você? O que quer? – Falou ele com raiva.
— Quantas perguntas! Vamos fazer o seguinte você responde uma e eu respondo outra. Primeiro as damas, seja cavalheiro. – Me levantei caminhando em sua direção Joshua estava confuso – Desde quando conhece Jamie Moriarty?
— Como sabe da existência de Moriarty? – Cuspiu ele.
— Não, não, não somente idiotas respondem perguntas com outras perguntas.
— Você é Joan Watson não sei como ele não matou o seu amiguinho anos antes dele representar uma ameaça para nós era uma tola apaixonada, mas pelo menos viu que não era tarde de mais para concluir o serviço.
— Sei que não irá responder a mim por bem então não tenho escolha.
Bati palma e seis capangas entraram e em um segundo carregaram Joshua Vikner dali não deixando rastro nenhum para trás, amarraram ele e colocaram atrás da carruagem e agora só faltava uma etapa para meu plano concluir.
Joshua Vikner não contribuiu facilmente e os capangas tiveram que recorrer à violência se fosse alguns dias antes me oporia piamente a este método, mas uma sensação de vingança percorria todo o meu ser. Obrigamos Joshua a enviar um bilhete para o endereço que Jamie estava poderia sim invadir sua casa com a polícia tirá-la de lá e prendê-la, entretanto gostaria que ela mesma fosse ao meu encontro para ver uma pessoa que ela amava ser machucada assim como ela fez com Sherlock.
28 de Março as 1 e 52 da madrugada estava rodopiando em volta de mim mesma sem resposta alguma de Moriarty, o galpão abarrotado de capangas em todos os cantos e Morland poderia chamar a qualquer momento a polícia. Um estrondo do portão enferrujado sendo aberto me despertou, Moriarty caminhava com seu pequeno exército na minha direção e todos ficaram em alerta
— Meu primeiro instinto foi matá-lo. Tranquilamente e discretamente. Mas então, quanto mais eu aprendi sobre ela mais curiosa ficava. Então finalmente aquela parecia ser uma mente que rivalizava com a minha própria e não tive outra escolha senão destruí-la. – Falou Jamie Moriarty.
— O que passou não pode ser mudado, mas você tem escolhas. – Falei – Ou libertamos seu cúmplice e em contrapartida você assume seus crimes ou o matamos a sangue frio na sua frente.
— A cada dia me surpreendi mais, Watson. – Ela passou as duas mãos em meu rosto e afastei-as rapidamente. – Você tem apenas uma escolha para o seu próprio bem, deixe-me ganhar.
Moriarty virou para trás e num piscar de olhos o galpão se tornou um campo de guerra. A polícia infiltrou o local e junto com os capangas derrubava um a um os companheiros de Moriarty esta virou para trás e me viu armada assim como o Capitão Gregson e Marcus Bem que a cercava de todos os lados. Tudo que eu disse foi:
— Sabemos quem venceu agora.
Esfreguei meu olhos quando vi Jamie Moriarty e Joshua Vikner serem algemados não poderia acreditar e isso me arrancou um profundo suspiro de alívio, tinha cumprido a promessa que fiz a Sherlock e me sentia feliz por isso.
Apesar da luta, sempre houve amor, o lugar seguro, o lar para onde voltar e a casa 221 da Baker Street nunca foi um lugar tão aconchegante quanto agora.
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