A Marquesa

10 Londres coberta de Sangue


pós alguns segundos formulando uma resposta educada para aquela mulher tudo o que disse foi:

— Sim, sou Joan Watson e me desculpe não poder conversar um pouco mais com você pois tive uma interminável noite de trabalho e preciso descansar.pós alguns segundos formulando uma resposta educada para aquela mulher tudo o que disse foi:

Não estava recorrendo à falsidade, eu realmente gostaria de sentar e conversar com Irene Adler e analisar seu comportamento, seu modo de falar e suas expressões, mas naquele momento o objeto de observação era eu.

Subi as escadas e rapidamente já estava em minha cama, perdi a noção do tempo e quando abri os olhos o sol estava brilhando lá fora, não era uma pessoa que deixava meu humor variar em relação aos espíritos do tempo, mas um dia ensolarado me deixava com um ânimo maior e um sorriso no rosto.

Sherlock estava na mesa da cozinha remexendo vários papéis ao mesmo tempo, identifiquei-os como sendo os que eu trouxera para analisar em casa, não tive raiva porque acredito que foi um erro não tê-lo envolvido no caso que parecia tomar uma proporção enorme.

— Bom dia, Watson! – Disse ele me surpreendendo, pois ainda achava que ele estava com raiva da minha intromissão – Vejo que teve uma noite mais agitada que a minha ontem.

— Me desculpe não tê-lo envolvido nesta investigação, acreditei que poderia resolvê-la sozinha, mas temos uma única pista parece um crime perfeito. – Falei franzindo a testa.

— Não existem crimes perfeitos, Watson. Os seres humanos são imperfeitos por isso eles não conseguem praticar ações que levam a perfeição.

— Mesmo assim, a única pista que temos é que as duas vítimas foram envenenadas com tálio e isto causou paralisia muscular e levou-os a morte.

— Começaremos então a procurar lugares em que este elemento pode ser encontrado.

— Pode ser um passo inicial, mas o que mais me chamou atenção, Sherlock foram as cenas em que encontramos os corpos; o de Richard Norman debutando sua filha em um salão de festas pomposo e elegante e o de Wesley Sousa perto de um lixo em um beco mal iluminado onde provavelmente era sua moradia.

Montamos uma linha cronológica de acontecimentos na parede que já estava marcada de tantos papéis que colávamos, meu olhar encaminhava diretamente para aquela letra que estava presente nos dois crimes, poderia ser um nome, uma palavra, qualquer coisa, porém agora era apenas uma pintura sem sentido.

— Não conseguiremos conversar com William Crookes – Sherlock disse me tirando dos meus devaneios – por ser um homem ocupado em suas experiências científicas ou com qualquer coisa que se faça dentro de um laboratório, entretanto temos de ir a Kensington para notificar se houve algum furto de tálio.

E assim estávamos na carruagem nos encaminhando para a próxima etapa da investigação enviamos uma carta para o departamento policial para mantê-los informados. Alisava meu vestido de segundo em segundo estava incomodada com aquele silêncio e Sherlock parecia querer falar algo, mas ainda não havia tomado iniciativa. No momento que minha atenção foi desviada para o que acontecia nas ruas lá fora, Sherlock falou:

— Fiquei irritado por você ter lido algumas cartas minhas, mas não devia ter te repreendido. – Sherlock se sentou ao meu lado e pegou minha mão parece que ele sabia que não conseguia pensar direito com essa proximidade – Vocês mulheres têm uma curiosidade insaciável, pois assim que Irene te viu você me fez inúmeras perguntas de você...

Tentei ignorar o fato de ele ter relevado a minha atitude somente pelo fato de Irene Adler ter feito a mesma coisa de forma diferente nem ouvi o resto da fala dele e só me dei conta te ter articulado os lábios depois que ouvi o sou da minha voz.

— Você a ama? – Falei me arrependendo em seguida do que tinha dito – Perdão, não precisa me dar satisfação das coisas que faz fui uma tola.

— Trocamos cartas há cinco anos, logo após uma semana que nos conhecemos aqui em Londres, conhecia mais ela do que eu mesmo me conhecia, não é amor e nem acredito neste sentimento, creio que o amor é um ilusório passado pela sociedade para livrar as pessoas deste labirinto de sofrimento que é a vida.

A mão de Sherlock subia e descia lentamente pelo meu antebraço enquanto dizia as palavras e um tremor percorreu por todo o meu corpo, instintivamente retirei minha mão da dele, ele não estava falando sobre mim aquele sorriso bobo não se destinava a minha pessoa por isso não me permitiria ter instantes de prazer enquanto ele pensava em outra mulher.

Um silêncio mortal reinou até chegarmos ao nosso destino. Vários estudantes caminhavam pelo gramado da universidade, todos eram homens era um clima tão jovial que fiquei com mau humor pelo fato de as mulheres não participarem daquele universo de sonhos e oportunidades.

Caleb nos recepcionou em frente à entrada principal era o guia de visitas técnicas há dois anos e Sherlock nos apresentou como um casal de estudiosos de novos elementos químicos e grandes admiradores de William Crookes fingimos prestar atenção quando ele nos explicava sobre a história da instituição quando resolvi tentar uma nova tática.

— Sherlock, irei ao toalete por um instante.

— Claro ! Sabe como são mulheres grávidas.

Sherlock disse dando um sorriso condescendente para o guia que apenas respondeu:

— Parabéns, sra. Holmes.

Segurei minha risada até estar fora da vista deles, Sherlock poderia ser um ator se quisesse suas desculpas eram as mais convincentes.

Os alunos me olharam como se eu fosse um animal selvagem adentrando na escola deles e caminhei decidida até um corredor com uma placa que falava “Projetos de Iniciação Científica” entrei em uma sala que não havia ninguém e fui até uma bancada de vidro que trazia uma porção de sais esverdeados com uma plaquinha com os dizeres Tálio (Tl).

Uma risadinha me fez dar um pequeno pulo de susto para trás.

— E a cena se repete, sou o professor Peter Capellupi e me impressiono com moças interessadas em ciência. – Disse ele vindo apertar minha mão demoradamente.

— Por que disse que está se repetindo a cena?

— Uma moça ruiva com cabelos longos estava fazendo uma pesquisa sobre venenos há alguns meses, mas não vamos falar sobre ela vamos falar sobre você.

Vi que aquele homem estava desesperado por uma mulher e jogava o que era chamado por ele de charme em todas as pessoas do sexo feminino. Tentei usar algo que não achava que não tinha a sedução, e por fim me surpreendi com os resultados.

Me passei facilmente por outra pessoa e tocava nele sem pudor para que se sentisse a vontade para falar tudo o que quisesse comigo, não perguntei mais sobre a outra mulher com certeza mais tarde a polícia faria isso e terminei o assunto assim que consegui algumas gramas de tálio dando uma desculpa de que minha família ficaria louca se não voltasse para casa naquele momento.

Sherlock estava apoiado debaixo de uma árvore e Caleb não estava com ele, à visita já deveria ter terminado. Virou para mim e disse:

— Se demorasse um pouco mais teria pegado o papel e escrito um livro completo sobre a história desta universidade. Descobriu algo?

— Sim e não foi pouca coisa.

Nos encaminhamos diretamente para o departamento policial depois que contei os detalhes para o Sherlock, Scotland Hard estava um verdadeiro caos. O motivo? Mais dois assassinatos foram cometidos naquele inicio de noite, um em Hammersmith e o outro em Wandsworth os dois por envenenamento. Marcus não estava então conversamos com o Capitão Gregson que passava a mão pelos cabelos a cada minuto.

Peter Capellupi seria investigado naquele mesmo dia e esperávamos que ele pudesse nos dar mais informações sobre o furto de tálio. Pois tudo o que tínhamos era:

Uma letra M que era a assinatura do nosso serial Killer.

O tálio como fonte do envenenamento das vítimas.

Nosso assassino era uma mulher.

E quatro assassinatos em dois dias.

Sherlock já estava imerso nas análises dos crimes recentes sentado na mesa de Marcus Bell e eu estava apoiada de costas na mesa ao seu lado, a única idéia que tive foi pegar o mapa pendurado na parede em minha frente e circulado os locais em que ocorreram os assassinatos, a partir daí tudo começou a fazer um pouco mais de sentido. Nossa assassina queria demonstra o seu poder e matar uma pessoa em cada distrito de Londres. Chamei Sherlock rapidamente e disse:

— Já sei como podemos parar essa série de assassinatos o novo destino de M é Lambeth.

Olhamos para o mapa que parecia nossa âncora de salvação nele estava circulada City of Westminster, Chelsea, Hammersmith e Wandsworth um roteiro de assassinatos que nossa criminosa percorria.

Notas finais
Estou vendo que muitas pessoas estão pulando alguns capítulos então devo avisá-los que um capítulo está relacionado ao outro e se pular algum a história não fará tanto sentido. Sobre o capítulo de hoje: *Relembrando William Crookes foi o descobridor do Tálio em 1861. *E para ver o mapa citado pela Watson acesse: https://viverlondres.files.wordpress.com/2013/04/londres-distritos.png