A Marquesa
5 Inocência

enina de 12 anos desaparece em Londres
Sendo, a quarta criança nesta série de desaparecimentos, a jovem Maria Harrys brincava sozinha na calçada em frente à sua casa, quanto foi surpreendida por uma carruagem que a levou. Ninguém testemunhou o ocorrido e a polícia começa a suspeitar da existência de um serial killer viciado em crianças com idades abaixo de 14 anos.
Estava sentada na mesa da cozinha folheando o jornal, com um copo de café na outra mão, sentia-me desesperada para entrar de alguma forma naquele caso, que seria o mais interessante de um mês resolvendo histórias como traição de maridos, responsáveis por assaltos e traição novamente.
— Não precisamos de permissão para investigar um caso, — disse Sherlock entrando no recinto rapidamente – iremos hoje à tarde à cena do sequestro.
Não era de se suspeitar que vários jornalistas ficassem do lado de fora da casa dos Harrys, procuramos não despertar atenção e começamos a formular teorias.
— Maria estava aqui – disse eu apontando – provavelmente prestando a máxima atenção em seu brinquedo, quando a carruagem chegou e a levou descendo esta rua.
Caminhamos, fazendo o caminho que o veículo percorreu, a rua era reta com uma única curva no final, de lá uma estrada de terra que se destinava a uma mata pouco frequentada. A sede já estava me consumindo e Sherlock ter tirado o casaco e desabotoado os cinco primeiros botões da sua camisa, não me ajudava muito a controlar minhas vontades.
— A polícia percorreu este caminho da estrada de terra, porém estas gramas estão amassadas. – Falou ele virando para o lado esquerdo. — Alguém passou por aqui, pode ser nosso assassino ou uma pessoa qualquer procurando um lugar escondido para fazer coisas proibidas.
— Espero que seja a primeira opção. – Proclamei.
Uma cerca de arame farpado impedia nossa passagem, Sherlock a pulou com facilidade e abaixou o arame para eu passar o que não deu muito certo porque meu vestido rasgou na barra e acabei tropeçando.
— Certamente a polícia não fez este caminho. – Disse ele me ajudando a levantar.
As árvores atrapalhavam a visão plena do lugar, fomos cada um para um lado e depois de minutos de caminhada uma poça de sangue seco e vários ossos empilhados me fizeram paralisar e refletir sobre a barbaridade do ser humano, tudo que fiz foi gritar.
— SHERLOCK!
Ele chegou arfando e parou do meu lado, quando disse.
— Não sei identificar se esta ossada é da criança que estamos procurando, mas um trabalho realizado desta forma, só pode indicar que uma corja de traficantes de órgãos está à solta nesta cidade.
Fomos o mais rápido possível para o departamento policial, o caso não pertencia a Scotland Hard e, por isso, o acesso as informações eram restritos. Logo, o detetive Nicolau Fisher, adentrou no recinto e conversou conosco a sós. Detetive Fisher, era gordo e de altura mediana, sua cabeça raspada e a voz firme, se assemelhava mais a um general do exército, do que a um investigador policial.
— Agradeço a colaboração de vocês. – Disse ele – Porém este caso envolve muito mais do que pensam, o Sr. Harrys é membro do Serviço Especial da Coroa, uma organização secreta que resolve assuntos da mais alta escala para a família real da Inglaterra e sua filha ser assassinada não pode ser uma mera coincidência.
— Então o corpo era realmente de Maria? – Perguntei.
— Sim, a perícia constatou com plena certeza. – Falou o detetive – Não podemos deixar a Scotland Hard e seus poucos recursos, entrarem num caso, de tamanha importância para este país. Espero que não se intrometam mais!
E assim ele saiu, deixando Sherlock pensativo numa cadeira e eu nervosa rodopiando a passos largos na pequena sala. Afinal, nós que fizemos a investigação sair da estaca zero.
Em menos de 48 horas depois, o caso deu uma reviravolta tremenda. Foi noticiado o nome da assassina de Maria Harrys e Sherlock me deu um tremendo susto, quando quase derrubou a porta do quarto, para me mostrar o jornal, ele se sentou aos pés da cama e começou a ler a notícia.
Encontrado o corpo da assassina de Maria Harrys
A polícia fez um ótimo trabalho, ao chegar a conclusão do assassinato da menina de 12 anos, que morreu de forma bruta, há poucos dias atrás. Entretanto, a culpada por este crime (Ellen Ross) não poderá pagar pela barbaridade que cometeu, já que jaz em uma mesa de pedra na perícia local e aguarda ser liberada para um funeral altamente desonroso.
— Temos que entrar neste caso, Watson, o mais rápido possível.
A área que ocorreu o assassinato de Ellen, estava interditada e muitos curiosos rodeavam o local, Sherlock e eu caminhamos na direção que o detetive Fisher estava, ele não gostou da nossa presença, pois franziu a testa a ponto de quase unir as suas duas sobrancelhas.
— O que fazem aqui? Não quero os dois se envolvendo neste caso. – Disse ele.
— Já está mais do que claro, que o senhor não consegue resolver esse enigma sozinho, precisa de ajuda, assinamos um termo de confidencialidade ou qualquer coisa que quiser, mas este caso não pode continuar parado do jeito que está. – Falou Sherlock.
— Se dois assassinatos em menos de uma semana para você é algo parado, me preocupo com seu conceito de “agitado”. – Ironizou Nicolau.
— Então acredita que Ellen também foi assassinada? – Entrei na conversa.
— É claro, seu corpo está com 12 perfurações, uma mulher sozinha não conseguiria esta proeza, o mais impressionante é o que encontramos bem próximo ao corpo, um bebê recém-nascido.
Mesmo não conseguindo entrar na cena do crime, Sherlock nos encaminhou até a sede da perícia, ele tinha um colega que trabalhava lá e mais ou menos uma hora depois encontramos o corpo de Ellen Ross, esticado na mesa de pedra e coberto por um lençol branco do pescoço para baixo.
— O bebê, que estava com ela, não era filha dela – disse o colega de Sherlock – seu corpo dá total certeza disso, a mulher foi esfaqueada com doze facadas aleatórias e cada golpe foi desferido violentamente contra ela.
— Vejamos, está mulher primeiro rapta Maria Harrys e tira todos os órgãos do seu corpo, dias depois é encontrada em sua casa no subúrbio de Londres, esfaqueada e com uma criança recém-nascida, realmente não entendo como estes dois crimes são diferenciados e relacionados simultaneamente. — Falei em tom indignado.
— Watson, está claro que Ellen não conseguiria raptar a garota, retirar seus órgãos e depois transportá-los, somente com suas duas mãos, ela tem comparsas, uma equipe, só precisamos saber quem eles são. E sei o lugar em que podemos descobrir. – Falou Sherlock que alterava o peso do corpo para frente e para trás num movimento hipnótico.
Tudo estava silencioso, em geral todos os conventos são assim. Sherlock se encaminhava, neste momento, para a casa de Ellen Ross e não iria sair de lá sem dar uma olhada no lugar e eu não pude conter minha curiosidade de conhecer a criança indefesa, que já havia se deparado com os atos da morte.
A madre superiora que coordenava o convento, me encaminhou até a ala que ficava o orfanato. Uma grande sala abrigava mais de 20 bebês e a freira me direcionou até a criança que eu gostaria de ver, ela mordia seu próprio pé e seus olhos eram de um azul escuro muito lindo, se divertia tanto que automaticamente um sorriso veio ao meu rosto, passei a mão pela sua cabecinha com poucos cabelos e peguei-a no colo, meu maior erro, porque sabia que não conseguiria tirá-la dos meus braços depois.
Naquele momento, em Liverpool, no outro lado da cidade, Sherlock já burlara a autoridade de Nicolau Fisher e adentrara na casa de Ellen Ross, a equipe de Fisher procurara qualquer indício que fosse capaz de clarear os crimes, tudo estava sendo revirado e Sherlock não aprovou nem um pouco a técnica nada delicada que estavam utilizando, começou pela sala, cozinha, varanda, sem resultado algum e depois caminhou para o quarto de hóspedes que lhe chamou bastante atenção, já que as cores das paredes perto da cama se destoavam, batendo na parede inferior percebeu que o espaço estava oco e chamou Nicolau e sua equipe para que utilizando a força, conseguissem abrir o local em que Ellen e seus cúmplices desconhecidos retiravam os órgãos das pessoas e praticavam suas atividades, o local fedia e constituía-se de uma exposição de esqueletos humanos.
— Este caso está longe de terminar. – Disse Sherlock.
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