A Marquesa
24 Efêmero e Lancinante

lguém puxava levemente a minha coberta, não precisa adivinhar quem seria Sherlock constantemente ultrapassava as grades do berço e vinha até o meu quarto e implorava para dormir seu sono inquieto comigo. Impressionava-me com a maneira que ele se assemelhava ao pai; na fisionomia, nas atitudes e também no gênio forte e decidido. Peguei-o no colo e coloquei do outro lado da cama.
O cuco do relógio avisava o momento de despertar e logo teria que enfrentar o trânsito caótico de carruagens de Nova York para chegar ao departamento policial. Desci até a cozinha onde uma pessoa me aguardava.
— Bom dia, Joan. Espero que tenha dormido bem, pois pelo que li no jornal o crime que trabalhou ontem era bastante difícil. – Disse Nancy.
— Não foi difícil, foi inacreditável, o assassino alegou ter matado os pais por causa de um indivíduo que estava controlando sua mente. E no final descobrimos que foram as drogas que tiraram sua sanidade mental.
Trouxera Nancy para Nova York um pouco antes de Sherlock nascer, ela cuidava dele e seu marido era jardineiro, havia também duas moças para ajudá-los. Eles estavam felizes ali e abandonaram a vida precária que tinham em Holywell Street.
Dei um beijo na testa de Sherlock e o deixei aos cuidados de Nancy, ao abrir a porta ouvi a barulheira típica de Nova York, naquele lugar cada pessoa vivia a sua vida e fazia suas atividades, não era como Londres onde cada gesto seu era observado, mas, na verdade, sentia falta das pessoas cumprimentando nas ruas e querendo saber como você está se sentindo, ali era prezado o individual.
Gareth Lestrade era um bom policial, mas bastante midiático, adorava estampar as capas dos jornais mais famosos da cidade, principalmente o The New York Times, e se gabava por todos os crimes que já resolveu, não era como Tobias Gregson que dava respeito às conquistas de sua equipe, Lestrade tomava tudo como se fosse seu próprio esforço, não me admirava que ele fosse amigo de Morland Holmes.
Os raios da alvorada anunciavam um novo dia, eu poderia lidar com qualquer crime no dia de hoje, homicídios diversos causados por fatores variados, porém o que eu não saberia é que teria que encarar meus erros do passado naquele momento.
Chegando ao NYPD deparei com a última pessoa que achei que veria ali, Sherlock Holmes, estava sentado em uma cadeira na sala de Lestrade e os dois pareciam ter uma conversa bastante animada, me senti como se tivesse levado um soco na boca do estômago e sensação não foi nada boa, tentei caminhar diretamente para a minha mesa evitando encontrar com ele, mas percebi que Gareth apontava para mim dando o sorriso que sempre se destinava aos repórteres.
— Joan Watson – Chamou Sherlock – venha até aqui!
Aproximei-me devagar, temendo que Lestrade tivesse deixado escapulir que eu tivera um filho, eu deveria contar para Sherlock, mas a coragem me faltava.
— Gostou tanto assim de Nova York? Já faz quase dois anos. – Sherlock tinha algo diferente em seus olhos como se olhasse para uma joia preciosa e o brilho dela reluzisse em seu olhar.
— Gosto bastante daqui, entretanto, sinto falta da vida em Londres.
— Precisávamos da Watson aqui – Lestrade entrou na conversa – estávamos defasados de profissionais e os crimes não paravam por falta de pessoal. Quando ela chegou foi como ordem a partir do caos.
— Tomei conhecimento dos casos que você solucionou neste departamento, estou orgulhoso; na verdade, um pouco triste por não estar presente em cada um deles.
— A Scotland Hard precisava de você. – Falei enfaticamente.
— Watson, o departamento hoje está mais tranqüilo que o normal, tire o dia de folga e leve o Sr. Holmes para conhecer a cidade.
Fiquei desesperada diante daquela proposta, mas já era a hora de Sherlock saber toda a verdade, por mais que eu não estivesse preparada para as conseqüências.
Mal entramos na minha carruagem e ele foi direto ao ponto:
— Andei investigando sua fuga repentina de Londres e com certeza Morland Holmes estava metido nisso. Você não precisava vir para Nova York, você não tinha uma dívida com ele, eu gostaria de destruir o império de Morland Holmes, pois ele destruiu um dos melhores momentos que tive em minha vida.
— Eu tenho orgulho do que fiz. – Consegui dizer mesmo atordoada – Não importa o que você disser. Todas as conquistas que consegui foi por mérito próprio. Seu pai foi apenas a alavanca para eu conhecer outro mundo.
— Não estou tentando desmerecê-la. – Ele baixou o tom de voz – Estou dizendo Watson que ainda gosto de você e tê-la distante foi uma das maiores torturas que já enfrentei.
— Você gosta Sherlock é de um mistério e uma aventura para desvendar!
— E você foi minha maior aventura. – Falou ele se aproximando.
Os olhos dele encontraram os meus e, de alguma forma, suas mãos foram parar nos meus ombros, segurando-me com tanta intensidade que eu não poderia desviar os olhas, não resistiria, mesmo se quisesse. Não disse nada, permitindo que seus olhos perguntassem por ele.
Sherlock inclinou o corpo para frente e me beijou, devagar e com reverência, como se tivesse me aclamando. Algo cálido e encantador começou a tomar o meu peito e eu não conseguia explicar; ele estava esquentando o meu sangue. Começou em meu coração e então, lentamente, percorreu os braços, o ventre, e desceu até as pontas dos pés. Era algo que já conhecia e ter novamente foi um presente encantador.
Sherlock me deitava sobre o assento estofado da carruagem, ergui a mão e alisei os cabelos dele, enquanto Sherlock mordiscava todo o seu pescoço. Não queria nada além de segurá-lo, de guardá-lo para si e nunca mais soltá-lo. Ele puxou a camisa, soltando-a da calça e eu enfiei as mãos por baixo do tecido, correndo-as pela pele quente.
— Como eu a quero – arfou ele, pressionando os quadris contra os meus. – Quero deixá-la nua, mergulhar dentro de você e nunca mais deixá-la escapar.
Naquele instante percebi de forma abrupta que a carruagem estava parada há certo tempo e logo eu e Sherlock começamos a nos recompor Estávamos muito corados, com os lábios inchados e os cabelos totalmente desgrenhados.
— Ainda bem que não estamos em Londres, pois alguém já teria colocado o rosto na janela da carruagem e espalhado esta barbaridade em todo o quarteirão.
Quando pisei no primeiro degrau, veio à tona o meu próximo desafio, me esquecera disso na carruagem e agora já estava na frente de minha casa, respirei fundo e abri a pesada porta de madeira.
— Mamãe! Mamãe! Mamãe! – Gritou uma voz familiar lá de dentro.
Sherlock com o cenho franzido entrou na casa e a criança vinha correndo pela escada abaixo. Assim que ele chegou até a mim, falei:
— Este é o meu filho, Sherlock Holmes.
E Sherlock de pé, confuso e hesitante, percebeu na hora quem era o pai daquela criança, quando os olhinhos do pequenino se encontraram com os seus. Ele se abaixou e os dois desconfiados se abraçaram..
— Tenho muita coisa para te ensinar pequeno Sherlock.
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