A Marquesa
9 A Mensageira da Morte

sobretudo de Sherlock estava um pouco molhado devido a garoa baixa que caía sobre a cidade, ele imaginava que naquele momento Joan estaria tomando um chá forte lendo um jornal sentada na poltrona de forma nada elegante com as pernas por cima do móvel sentira falta dela neste pequeno tempo de ausência, amava seu sorriso e seu jeito de ser, porém nada comparado ao que sentia quando estava com Irene que parecia ter o poder de dar a vida a ele novamente. Chegou ao sobrado e notou algo estranho a porta estava destrancada e não via nenhum sinal da Watson correu para a cozinha onde havia várias garrafas de vinho vazias e logo concluiu que sua parceira havia bebido demais
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Estava acordada a certa de vinte e cinco minutos atrás, mas não conseguia sequer me mover minha cabeça parecia estar cheia de tijolos e a claridade parecia um arqueiro pronto para me fazer de alvo caso eu abrisse os meus olhos.
Alguém pisava forte e com passos largos escada a cima tentei sentar e vi Sherlock abrindo a porta do meu quarto fazendo o maior esforço para fazer barulho, fiquei perplexa com o ar malicioso que contornava o seu ser.
— Pelo que vi a festa estava boa ontem e... – Começou ele a falar, porém de repente fitava alguma coisa no chão não via o que era e antes de abrir a boca percebi o erro que havia cometido.
— O que isto está fazendo aqui? – Sherlock estava com as cinco cartas de Irene Adler em mãos e sua expressão estava altamente furiosa.
— Calma, eu posso explicar. – Falei agora de pé tentando resolver a situação.
— Me responda então!
Não sei se já passei por isso antes, mas não tinha palavras, nenhuma sequer, se explicasse que estava no seu quarto quando vi a gaveta com fundo falso ele iria me acusar – com razão – que estava intrometendo em suas coisas e se eu falasse que queria descobrir quem era aquela mulher e o que diabos ela tinha de interessante ele me acusaria de estar com ciúmes, o que de certa forma também era verdade. Então, fiz do silêncio as minhas palavras.
Sherlock saiu do quarto e caminhou diretamente para o seu, fiquei parada no corredor olhando quando ele fechou a porta e se trancou no seu próprio mundo, se não estava me sentindo bem aquilo era mais um motivo para a minha ruína. Cuidei para que minha aparência ficasse um pouco melhor e não o vi durante toda à tarde.
Lia um livro quando ouvi duas batidas suaves na porta uma carta foi jogada por baixo da mesma e rapidamente a abri.
Sherlock Holmes e Joan Watson
Baker Street, 221 B.
Registrado Urgente
Consultores, solicito a presença de vocês em City of Westminster, número 31 imediatamente para a solução de um novo assassinato.
Cordialmente,
Tobias Gregson.
Vesti minha capa, minhas luvas, toca e cachecol, devido ao frio acima da média, pensei em chamar Sherlock, mas era suficientemente capaz de resolver aquele crime sozinha deixei o envelope na mesa de centro caso ele resolvesse sair do quarto e saber por onde eu estava, fechei a porta devagar e caminhei pela rua evitando olhar para a única luz que estava acesa naquela casa.
A carruagem já estava chegando ao destino, muitos curiosos estavam atrás da clássica fita amarela de interdição, algumas pessoas choravam ao dar depoimento para os policiais e jornalistas faziam de tudo para entrar no local, um estereótipo de cenas criminosas. Não era uma residência comum e sim um salão de festas, nada estava quebrado, sem indício de brigas de combate corpo a corpo, exceto por um cadáver que se estendia no centro do salão, a boca espumada o braço direito esticado e o rosto na mesma direção o outro braço pendia encima da barriga e os olhos esbugalhados
— Onde está Sherlock? Não me diga que tem um encontro amoroso hoje. – Disse Marcus Bell brincando.
— Não conversamos desde cedo ele está trancado no quarto.
— Se sentir algum cheiro estranho me fala talvez ele esteja dissecando um defunto. – Marcus riu e me levou a rir também – Sem mais delongas, este é Richard Norman ele estava apresentando sua filha para a sociedade teve sua morte causada após beber uma taça de uísque depois de brindar o futuro da filha.
— É como se o assassino tivesse escolhido à hora certa. – Disse eu.
— Temos cacos de duas taças, uma a dele e a outra da filha o que dificulta o trabalho da perícia, com certeza, foi morte por envenenamento, mas vamos descobrir ainda por qual elemento e a quantidade de dose ingerida.
— Um indivíduo se contorce todo depois de ser envenenado, entretanto a vítima se esforçou para esticar o braço e apontar naquela direção.
Andamos em uma linha imaginária indicado pelo olhar e pelo braço de Richard perto da porta de entrada e saída bem ao lado do portal achamos nossa primeira pista daquele assassinato uma pintura com uma única letra:
M
Antes que pudéssemos formular teorias, Gregson entrou no salão e nos informou que estávamos sendo solicitados em Chelsea para um novo crime, fomos eu e Marcus e me arrependi de não ter chamado Sherlock, pois estávamos de frente com uma noite turbulenta de assassinatos.
O percurso até o distrito de Chelsea era um pouco maior em relação onde estávamos à carruagem estava na maior velocidade permitida possível e sacolejava bastante. Alguns policiais estavam no lugar que era um beco estreito entre duas casas havia um lixão verde enferrujado e atrás um idoso morador de rua com uma porção de comida sobre o colo, poucos centímetros acima da cabeça da vítima notamos a mesma pintura e a mesma letra da cena do crime anterior:
M
— Os dois assassinatos foram cometidos pela mesma pessoa, já é um passo inicial – Falou Marcus Bell – Não estou lembrado desta assinatura no portfólio de crimes do departamento policial por isso, creio que é um novo serial killer dando trabalho para a polícia.
— Concordo com você, mas não vejo motivo para matar uma pessoa que aos olhos da sociedade é invisível, os crimes são relacionados quanto ao assassino, todavia os motivos que levaram cada um a serem vítimas são diferentes.
Fomos diretamente para a Scotland Hard que estava a todo vapor. O capitão manuseava inúmeras folhas ao mesmo tempo e parou suas atividades para nós receber, Marcus descreveu a cena do crime e logo após montamos um quadro com todas as informações contidas.
Pesquisas, sugestões, teorias fizeram a noite passar rapidamente e o sol iluminar o departamento todos trabalhavam atentamente e tudo parecia ser um caminho em círculos que não dava a lugar algum.
Fomos até a perícia onde dois corpos lado a lado estavam tampados por lençóis brancos, lá tivemos a segunda pista daquele homicídio duplo.
— O mesmo elemento foi encontrado na taça de vinho de Richard e em meio à comida de Wesley – começou o legista a falar — o Tálio, este composto geralmente é encontrado na forma de sais. Os mais comuns são o sulfato de tálio usado contra ratos e baratas e o acetato de tálio, que compunham alguns cremes e loções pra eliminar pêlos corporais indesejados. O tálio atacou os testículos e o coração das vítimas causando uma paralisia muscular.
— Diz aqui que possuía uma dose de 900mg na taça e na comida. – Falei olhando a folha de relatório.
— Sim, uma dose letal com efeito imediato. – Concluiu o legista.
Analisamos mais uma vez os corpos e não encontramos nada significativo, juntei todos os papéis mais importantes para levar para Baker Street e olhá-los com mais calma.
Quase dormi na carruagem e desci da mesma procurando a chave que havia esquecido, bati na porta e a última pessoa que imaginava a abriu.
— Olá, você deve ser Joan Watson. – Disse uma mulher loira de cabelos curtos que vestia somente uma camiseta de Sherlock e possuía o olhar mais cínico do mundo.
Certamente aquele dia não seria nada bom.
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