A Maldição de Sangue - Dramione
9 Capítulo 9
Hermione abriu a janela, para comprovar se estava correta, quanto a sua dedução de que uma pedrinha fora atirada em sua janela. Ela pode ver a sombra de alguém, no jardim.
— Granger, é melhor descer aqui, para conversarmos. Ou quer que eu suba na árvore e entre no seu quarto?
Ela ficou quente por dentro, só de pensar nisso. Várias vezes ele fizera isso, pois ela ignorava seu chamado.
— Não esta velho para subir em árvores, Malfoy? — ela perguntou, com zombaria.
— Por isso mesmo. Estou bem velho para isso. Venha conversar comigo aqui em seu jardim.
Ela revirou os olhos. Não podia vê-lo direito, por causa da escuridão. Saiu do quarto, tentando fazer o minímo de barulho. Mas, a cada passo que dava, o chão parecia ranger sobre seus pés. Estava ainda com suas botas e com a mesma roupa que usou, quando viu ele pela tarde. O que era perfeito, pois não queria aparecer de pijama. Se iria encontra-lo, queria estar ao menos com uma roupa bonita. Queria bater a própria cabeça ao ter aquele pensamento.
Chegou até o fim da escada, dessa vez, sendo acompanhada por Bichento. Ela foi até a porta e a abriu. Draco estava sentado no balanço e olhava para frente. As luzes dos postes iluminava um pouco sua figura. Ela percebeu que ele estava despojado, trajado com um moletom preto, calça jeans e tênis de lona. Parecia o mesmo garoto que conheceu anos atrás. Bichento chegou perto dele e estava com os pelos eriçados. Não parecia gostar da presença do rapaz.
— Seu gato não gosta de mim — ele comentou — Uma pena que a dona dele tenha a mesma opinião.
— Gatos sentem quando alguém é perigoso para o dono. E você é perigoso — ela provocou.
Ele apenas deu de ombros.
— Eu não sou perigoso, Hermione. Jamais lhe faria mal. Eu juro.
Ele parecia sincero, mas ela não acreditava nem um pouco nele. Tentou pegar Bichento, que começou a fazer sons estranhos. Silvos altos e com as costas arqueadas. Ela baixou a mão para pega-lo, quando Draco disse:
— Não toque nele, Hermione. Ele vai machuca-la.
— Como se você entendesse de Bichento. Ele jamais...- ela havia colocado a mão nas costas dele e recebeu suas garras em sua mão. Ele saiu em disparado, em seguida — Aí!
— Eu disse que isso iria acontecer — Draco se levantou, ao ver Hermione pressionando a palma da mão no dorso da outra. Ele a pegou, beijando. Ela sentiu o corpo se arrepiar inteiro — Vai ficar tudo bem. Acho que meu beijo vai curar você.
Hermione gargalhou. Como ele poderia ser tão amável e engraçado? Ela se lembrava disso, quando a implicância dele com ela diminui muito. E ele tentava impressiona-la de todas as maneiras possíveis naqueles dias em que eram amigos.
Ele ainda segurava a mão dela, acariciando o dorso ferido, com o polegar. Aproximou o rosto do dela, quase encostando os lábios nos dela. Ela engoliu seco. Podia sentir sua respiração beijar o rosto dela. Sentir a fragância do seu perfume amadeirado. E sentia sua energia mudar, como se quisesse envolve-la. Ela estava quase cedendo, quando se lembrou do seu pai. Desviou o rosto, assim que ele tentou beija-la. Sua boca tocou a bochecha dela, causando um formigamento em contato com a pele. Ele não parecia mais o garoto tímido da escola, mas um homem prestes a toma-la para si.
— Hermione — ele sussurrou, contra sua pele — Me deixe beija-la...me deixe sentir seu gosto, por favor.
Ela se afastou, soltando a mão, respirando fundo. Evitou seu olhar e podia ver da varanda a lua crescente, em um tom prateado. Os cabelos de Draco pareciam ter o mesmo tom aquela noite, quando ela o fitou de volta. E ele não era mais o garoto que conhecera, realmente. Era um homem diante dela. E que parecia deseja-la muito. Ela quase estava deixando que ele a beijasse.
— Eu sei que estraguei tudo, nosso passado — ele disse, em voz baixa — Eu sei que disse coisas ruins demais para se esquecer. Mas, me perdoe. Me de uma chance Hermione. Eu amo você.
Ela riu, amarga. Nunca iria acreditar naquelas mentiras. Draco havia destruído todo sentimento nobre que nutria por ele.
— Não fale mentiras — ela disse, com desdém — Acha mesmo que vou acreditar nisso tudo? Em seu discurso ensaiado? Eu não sei o que você quer, não faço ideia das suas intenções quanto a vir aqui falar comigo, mas eu não vou acreditar em uma palavra que você diz, Draco. Depois do que presenciei e você ter se negado que a polícia examinasse o corpo do seu pai, me deixou ainda mais desconfiada. Aposto que ele fez o mesmo com meu pai, o mesmo que fez com Amélia!
Ela respirava fundo, apertando os braços em volta de si mesma. Draco não disse nada. Estava estranhamento quieto.
— Não vai negar? Não vai dizer nada? — ela provocou.
— Eu não sei o que quer dizer com isso tudo, Hermione. Não sei como a morte do meu pai tem relação com a morte do seu pai. Ao que soube, ele morreu de infarto. Sua mãe mesmo me contou. Então, não sei como deduziu alguma coisa parecida.
A voz dele não estava tremula. Estava calmo e sereno. Enquanto ela, estava fervendo de raiva por dentro pela dissimulação dele.
— Acha mesmo que vou acreditar nisso? Seu pai foi encontrado a quinhentos metros do meu, na mata. E estava com a garganta cortada — ela esperou ele falar, mas ele não disse nada — Então, admite que destruiu todas as provas que tinha, para não mostrar que seu pai é um assassino?
— Chega dessas tolices! — ele vociferou — Eu não vim aqui para ser insultado.
— Então, vá embora. Eu nunca te convidei para vir aqui.
Contudo, ela não queria que ele fosse. Ela queria que ele negasse tudo aquilo. Que explicasse o motivo para ele ter sido tão duro com ela, doze anos atrás, quando ela viu o que o pai dele havia feito com Amélia. A forma como ele se negou a denuncia-lo. A forma como Lucius a coagiu e ele não fez nada. Simplesmente disse para ela ir embora da cidade. A tratou como se ela fosse uma qualquer. Ela ainda se lembrava das palavras exatas que ele disse. E repetiu isso para ele, quando viu que ele não fez menção de sair.
— Você me disse Draco, há doze anos, coisas horríveis. Inclusive que eu era patética, por achar que alguém como você estaria apaixonado por mim. Vai negar isso também?
Ele respirou fundo. Fechou a distância entre eles e segurou o rosto dela. Ela se assustou com o movimento brusco.
— Hermione, eu disse tudo aquilo para proteger você. Você precisava partir. Não era seguro para você aqui, meu amor — ele beijou a testa dela, suspirando — Me perdoe. Por favor. Me perdoe.
Parecia fazer uma prece. Como se desejasse a algum deus invisível que atendesse sua suplica. Ela não era benevolente para atende-la, tampouco. Se afastou dele, sentando no balanço. Escutou ele bufar e o viu ficar a frente dela.
— Hermione, por que não acredita em mim?
— Porque você nunca entrou em contato comigo, todos esses anos. E porque você arranjaria qualquer desculpa para conseguir meu perdão. Agora, só vá embora.
— Eu não fui atrás de você, porque não podia. Não era seguro. Não poderia fazer isso.
— Então, admite que seu pai era o problema?
— Eu não vou responder a essa pergunta, Hermione. Não posso.
— Quem cala, consente.
— Eu...- ele respirou fundo — Eu vou embora, por hoje. Amanhã nós vamos conversar. E você vai me ouvir, quer queira, quer não.
Ele deu as costas para ela e desceu a escada da varanda.
— Como se eu fosse obedecer você — ela retrucou.
— Eu sei que não. Mas, nao custava tentar — ele disse, se afastando ainda.
E o maldito simplesmente riu.
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