A Maldição de Sangue - Dramione
7 Capítulo 7
Não seria fácil para Draco explicar certas coisas do passado a Hermione. Ela era desconfiada e com uma inteligência aguçada. Ela sempre tentava ir a fundo para saber se o outro estava falando a verdade ou não. Ele poderia optar pela via mais fácil, a verdade. Mas, a vida não funciona dessa maneira. Nem todos querem contar seus segredos e se expor. E ele não contaria os dele. Talvez, quando realmente sentisse que seria seguro contar, pudesse abrir o jogo com ela. Por enquanto, optava por omitir e conquistar a confiança da garota que sempre mexeu com seus sentidos.
O garotinho que tinha dentro dele ainda se lembrava de Hermione, sendo a mais inteligente da turma e que sempre tinha as respostas certas na ponta da língua. Esse garoto Malfoy ainda se lembrava de como ela era a garota que o desbancou em sala de aula. Que mostrou ser a melhor. E que precisou ouvir muitas coisas ruins do pai. Mas, ele não se importava de fato. Nunca quis ser o melhor em nada, por mais que isso fosse incutido em sua mente infantil. Ele só queria amigos e queria se divertir com eles. Não desejava frequentar tantas aulas extracurriculares, para entrar em uma faculdade. Não queria aprender música clássica, ou desenho, muito menos seguir o ofício do pai. Mas, ele foi moldado e não teve opção se não seguir a corrente. Não havia ninguém para resgata-lo, nem sua mãe, que parecia omissa em sua educação. Ela era somente a esposa troféu. A esposa perfeita. Quase uma duquesa, mesmo os Malfoy não sendo da realeza. Mas, seu pai acreditava que eram. Ele sempre dizia que deveriam ter algum parente dentro da nobreza. E que acabou ramificando a família Malfoy, com plebeus, infelizmente.
Eram tantas teorias tolas e fúteis, que deixavam Draco irritado. Ele fugia dessas conversas, se trancando em seu próprio quarto. E dentro do seu mundo, naquelas quatro paredes, ele colocava para fora toda sua criatividade. O mundo que gostaria de construir. Percebeu que poderia seguir a carreira do seu pai, sendo engenheiro, pois desejava construir coisas, para facilitar a vida das pessoas. E gostava muito do desenho técnico. Poderia ter ido para arquitetura, mas, optou pela construção. O que estava dando frutos para ele, atualmente. Fora sua melhor escolha. A sua pior, ter deixado Hermione partir, com uma ideia errada sobre ele. Mas, infelizmente, ele precisava que ela se fosse, ou seu pai iria destruir a família dela. Então, o velho estava morto e ele descobriu que não devia ter dado ouvidos as ameaças dele. Saber que também tinha pouco tempo e que a maldição iria consumi-lo em breve, o deixava ainda mais irado. Poderia ter terminado toda maldição, encerrado consigo mesmo os problemas da família Malfoy, se tivesse escolhido seu amor verdadeiro. Parecia que a bruxa velha que os amaldiçoara, sabia bem qual era o amor da vida dos Malfoy, o dinheiro. Por isso, fora irônica ao lançar a maldição sobre a família deles.
A porta da loja abriu, fazendo um barulho de campainha e Draco despertou dos seus pensamentos. Hermione estava saindo, sem nada em suas mãos, a não ser sua bolsa de couro, sobre os ombros. Ela estava muito bonita, com seus jeans escuro, cardigã branco, combinando com botas de escalada. Usava um colar, com uma pedrinha de zircônia. Ela sempre fora simples, ao se vestir. Mas, não menos bonita. Ela era toda delicada, com seu rosto em formato de coração e cabelos cacheados. Nos tempos de escola, ela tinha os cabelos muito armados. Ele gostava de provoca-la, ainda mais por causa dos dentes encavalados. Ele não sabia que já estava com sintomas de uma paixonite aguda. E como um garoto comum, para chamar a atenção da garota que gostava, usava de táticas ofensivas. Pois, se não fizesse isso, só receberia indiferença. E ele não suportava a indiferença.
— Granger — ele disse, se afastando da parede. Usava seu sobrenome ao falar com ela, pelo simples fato de gostar dele — Conseguiu comprar sua maquina?
Ela virou a cabeça para o lado e suspirou, audivelmente.
— Você ainda está aqui? Por Deus!
— Isso tudo é felicidade por me ver? — ele perguntou, deliberadamente a provocando.
— Malfoy, não estou feliz em vê-lo. Nunca estaria feliz. E não vou estar. Além do mais, tenho mais o que fazer, para discutir com você.
Ela começou a andar, indo na direção contraria. Draco precisava voltar ao escritório, mas não poderia ir, se não conseguisse falar com ela. Acompanhou ela, mesmo que pudesse, talvez, ter a pele arrancada, pela raiva que ela demonstrava ter dele.
— Granger, não precisa ser assim. Podemos marcar um jantar? Quero sua amizade de volta. Lembra como éramos juntos?
— Eu lembro que você era uma farsa — ela cuspiu as palavras. Ele a encarou de canto, percebendo como ela estava alterada. Com o rosto avermelhado. Punhos em riste. Aquilo era o sinal de que ele levaria um soco no rosto. Isso já acontecera algumas vezes, em sua vida. Mas, estava disposto a pagar o preço — Você se fingia de santo, incompreendido. O filho solitário e sobrecarregado. Mas, nós sabemos como terminou essa história. Você acabou com tudo que tínhamos, na noite de Halloween. E seu pai...eu nem tenho o que comentar disso. Talvez, você me mate para encobrir os crimes dele.
Draco mordeu o interior da bochecha. Se ela pudesse compreender seu pai. Ele não era mais o mesmo, durante anos. Estava incontrolável. Como justificar também, anos de um ritual, que nem ele mesmo poderia ter fugido? Ele quebraria tudo isso, em breve, é claro. Sua família iria mergulhar em obscuridade. Perder tudo, mas ele recomeçaria tudo novamente.
— Hermione, se pudesse conversar sobre isso, sobre tudo que aconteceu...eu quero explicar tudo isso...- na realidade, ele não queria, mas se precisava falar sobre isso com ela para fazê-la entender tudo, ele faria exatamente isso. Daria todos os seus segredos, apenas para tê-la de volta.
— Eu não quero ficar perto de você, Malfoy — ela disse, ríspida — Não quero explicações. Eu vou descobrir a verdade sozinha. Eu sei muito bem que voce andou encobrindo os crimes do seu pai. E seu pai matou o meu pai!
Draco congelou. Aquilo estava indo pelo caminho que ele não desejava.
— Eu não sei do que está falando, Hermione.
— Não me chame de Hermione. É Granger para você — ela vociferou. E não parou de caminhar.
Estavam perto de um estacionamento e Hermione entrou. Ele a seguiu.
— Se me seguir mais um pouco, vou gritar. E isso vai ser ruim para você. Não detesta escândalos?
Ela pegou em seu ponto fraco, realmente. Ele ficou para trás, vendo ela pagar o ticket de estacionamento do guichê e entrando no carro dela. Ela passou por ele, sem olha-lo e Draco engoliu seco. Não gostava de ser os centros das atenções, mas já estava sendo. Todos o olhavam com curiosidade. Voltou para o escritório, sentindo a derrota consumi-lo. Não poderia perder. Não, não poderia. Ele precisava dela. Seria um pouco egoísta, dessa vez. Deixou-a partir, por medo de vê-la em perigo. Agora, não havia perigo algum. Então, ele a tomaria para si, sem pensar nas consequências.
*-*-*-*-*-*
Hermione acreditava que as pessoas poderiam receber uma segunda chance, mas infelizmente, Draco tivera uma com ela e desperdiçou. Ela não compreendia os motivos dele, de agora, procura-la. Ele mesmo a expulsou da sua vida. A tratou mal, assim como seu pai. Lucius teve a capacidade de tentar suborna-la, para se afastar do filho. Era claro que, Lucius desejava que seu filho se casasse com uma mulher de estirpe, algo que ele dissera que Hermione não era. E que não tinha dinheiro para estar ao lado da família Malfoy. Ela ainda se lembrava das palavras dele:
— Infelizmente, seu avô destruiu todas as chances de você entrar para a alta sociedade. E você, minha cara, não pode tentar almejar tão alto assim. Sugiro que pare de alimentar as tolas esperanças do meu filho. Se quer dinheiro, eu mesmo lhe darei uma boa soma.
Hermione nunca se esqueceria daquelas palavras. Muito menos, do que viu ele fazer. Era um hipócrita. Dizia ser um bom cidadão, mas cometeu crimes hediondos. E provavelmente, seu pai fora uma vitima da insanidade de Lucius. Ela respirou fundo, tentando controlar a ansiedade, enquanto dirigia. Não queria nunca mais ter relações com a família Malfoy. Quando chegou em casa, se assustou ao ver uma caminhonete parada, ao lado da sua casa. Ela parou atrás o carro e saiu. Travou as portas com as chaves e entrou pelo portãozinho baixo. Entrou em casa, chamando por sua mãe, mas não a encontrou. Foi direto para a cozinha e viu que a porta dos fundos estava aberta. Viu sua mãe, de costas, conversando com alguém.
— Então, quanto vai ficar o conserto do telhado?
— Não vai ficar nada, senhora Granger — Hermione pensou ter ouvido a voz de Rony. Ela saiu para fora e viu o ruivo em cima da escada, de costas para ela, de frente para a edícula — A senhora e nossa conhecida. Não poderia realmente cobrar se...
Ele olhou para trás, parando de falar, ao ver Hermione ali. Ela engoliu seco, temendo a reação dele. Ele parecia surpreso. Virou o rosto e desceu as escadas, de modo firme e preciso.
— Obrigada Ronald — a mãe dela disse — Então, pode começar hoje o serviço?
— Eu...posso começar amanhã? Provavelmente vai chover em breve. Além do mais, preciso que o telhado esteja seco — ele estava fechando a escada.
— Claro, querido — ela respondeu.
Ele passou com a escada, contornando a casa. Hermione estava com as pernas bambas. Entrou dentro de casa, pegando um copo de água no filtro, em cima da pia. Não conseguia pensar direito. Fazia anos que não o via.
Seguiu para a porta da frente, apenas, para talvez, tentar conversar com ele. Afinal, eles eram bons amigos. Antes de tudo dar errado. Ela desceu as escadas da varanda e viu sua mãe conversando com ele. Rony olhou uma última vez para Hermione, parecendo sério e entrou na caminhonete, partindo em seguida.
— Ele parece ser um bom rapaz — Rosália comentou, se aproximando da filha, na escada da varanda — Ele era seu namorado no ensino médio, não era, Mione? Eu gostava dele. Mas, prefiro muito mais o menino Malfoy.
— Malfoy não é um menino. E já disse que ele não presta, mãe.
— Querida, ele é muito melhor do que Lucius nunca foi. Deveria tentar conhecê-lo e ver como ele é gentil. E muito bom — ela começou a subir as escadas, deixando uma Hermione atônita. Ela virou a cabeça, por cima do ombro e disse: — Vai querer um chá agora, querida? Vou fazer para mim.
— Sim...mãe.
Ela nunca imaginou que ouviria sua mãe defender Draco. Algo estava muito errado com ela, realmente.
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