Ele tentou realmente encontrar as palavras certas para dizer o que ele era. Como por exemplo: “Sabe, eu preciso de você, Hermione, pois sou amaldiçoado. E sabe o que eu sou? Uma espécie de besta. Meio lobisomem, mas sugo a energia vital dos humanos, como o sangue. O que isso me torna? Eu não sei. Se isso me torna poderoso? Com toda certeza. Mas, por favor, não tenha medo de mim, pois é você quem vai me libertar do meu sofrimento.”

Mas, as palavras não vinham. Estavam engasgadas em sua garganta. A todo momento ele olhava de soslaio para ela, no corredor, seguindo para sua sala de estar. Ela parecia tensa. Era normal que estivesse, pois havia presenciado a “loucura” de sua mãe. Mas, era seu estado normal no momento. Desde que a lua cheia havia chegado, ela estava agitada. Antes, na verdade. Queria que ele fizesse o sacrifício de sangue, para que eles não fossem castigados pelos deuses e perdessem sua riqueza. Com certeza, o império que seu pai construir com o sangue de inocentes seria destruído. Mas, o que Draco construiu, não. Ele já estava há anos se esforçando para ser reconhecido, de forma legal e honesta. Não precisava de nada do que seu pai construiu, a custo de mortes.

Ele abriu as portas de correr, de cor branca, da sala de estar e convidou Hermione a se sentar. Havia uma grande lareira, de proporções muito maiores do que uma normal. Um ser humano de altura poderia ficar de pé ali. Exageros de Lucius, é claro. Ele sempre teve mania de grandeza. Algo que Draco tentava lidar, com sua própria personalidade. Ele queria estar o mais distante possível da imagem do seu pai. Mas, não conseguia se acostumar com algo que não fosse a altura do que já estava acostumado. Se o vinho não fosse de qualidade, ele não beberia. Se o quarto não fosse o melhor, como a suíte máster de um hotel, ele não se hospedava. Entre outras coisas pequenas do cotidiano. Mas, ele estava se esforçando para melhorar. Até mesmo vestiu roupas comuns, para sair à rua e não ser reconhecido. Isso já era um avanço e tanto para ele, que sempre conviveu com o luxo.

A sala era intimidadora e ele sabia disso. Havia um quadro enorme, sobre a lareira. Uma paisagem do mar, com a sensação de que ia e vinha. As pinceladas era precisas. Uma relíquia de Septimus Malfoy, seu bisavô. Um pintor conhecido e aclamado entre o século XIX e XX. O mais interessante sobre ele era que sua vida fora longa para os padrões humanos. Era o sangue humano. Era isso que o tornava forte, saudável e seu envelhecimento era devagar, para padrões humanos. Assim como todos os descendentes Malfoy que se estabeleceram na Inglaterra. Eles eram feiticeiros e manipulavam a energia. E um deles descobriu como conseguir manter a fortuna na família, sem perder o prestigio e riqueza, nunca. Com o ritual de sacrifício na lua cheia, derramando o sangue de um ser humano e bebendo, poderia se ter uma vida extensa, evitar doenças, além de atrair a riqueza para eles. Isso fazia com que os deuses (eles tinham uma visão panteísta do mundo e pagã) lhe dessem o que queria, apenas com o sacrifício humano. A energia da morte era revertida em poder para eles. E os deuses ofereciam a riqueza infinita.

Hermione sentou-se sobre o sofá longo, de cinco lugares, de cor vermelha. Sobre o chão, havia um tapete de cor cinza que cobria metade da sala. O chão era de madeira tratada. As paredes, em tom branco gelo, com um teto decorado com moldura, nos cantos. E havia até mesmo um mini bar, para as visitas, com um armário com bebidas caras e de bom gosto. Draco deixou que Hermione relaxasse no sofá e pegou dois copos de cristal e colocou whisky para os dois. Voltou com o copo, oferecendo a ela, que aceitou, mesmo relutante. Draco sentou-se em uma das duas poltronas de couro envelhecido e a observou. Estava preocupado com o que ela estivesse pensando. E estava também tenso, tentando escolher as palavras para lhe explicar sua própria história.

— Então...-ela disse, olhando para o lado, parecendo desconfortável, sem tocar na bebida, deixando-a sobre um porta copos, sobre a mesinha de centro feita de vidro.

— Então — ele disse, começando a se sentir um completo idiota.

— Você iria me dizer o que está acontecendo Draco – ela incentivou, com um arquear de sobrancelhas – Mas, o que vejo já é claro. Sua mãe não está bem e é um perigo para todos nós.

Ele mordeu os lábios. Ela nem sabia o que realmente estava acontecendo. Se soubesse, iria atirar nele ali mesmo e depois em Narcissa.

— Hermione, eu não creio que possa entender como vou explicar o que está acontecendo com minha mãe. Realente, ela não está bem – ele concordou com ela, bebendo um gole do seu whisky – Mas, há um motivo muito mais complicado do que saúde mental. Acredita em interferências espirituais e maldições?

Ela demonstrou entender, como se tivesse ouvido falar daquilo, mas logo sua expressão mudou para neutralidade.

— O que quer dizer com isso? – ela perguntou, parecendo desconfiada.

Seria difícil convence-la de qualquer coisa, se ele não mostrasse a ela, ou se ela não acreditasse nele. Hermione sempre fora cética demais.

— Não sei como começar o assunto, para ser sincero – ele confessou – Mas, apenas que há algo que minha família tem. Uma herança muito peculiar.

— Que tipo de herança?

— O tipo que só lhe causaria problemas – ele respondeu, de forma irônica – O tipo que causa problema, por gerações. E que só o primogênito irá receber. E que estará fadado a carregar consigo. Minha família está amaldiçoada, Hermione, por buscar poder.

Ele esperou pela reação dela, que não veio. Nem olhar incrédulo. Apenas atento.

— E devo dizer que não é algo da imaginação. Eu sofro com ela, desde que nasci – ele continuou – Meu pai também, meu avô, meu bisavô, meu tataravô...não sei quando começou, mas começou com um simples grimório. Algo que temos na família.

— Espera, grimório? Está me dizendo que está falando de algo mágico? – ela parecia achar a ideia absurda.

Era comum que pensasse assim, afinal, nem ele conseguia acreditar.

— Exatamente, estamos falando da magia negra – ele respondeu, vendo o rosto dela franzir. Mas, mesmo assim, ele continuou – O que quero dizer, Hermione, é que foi através desse livro, que um bruxo porta, para fazer seus experimentos, pode-se dizer, que contem descrito poções, encantamentos, feitiços, minha família usou desse conhecimento para ter o poder. Eles queriam a glória eterna para suas gerações e usaram de um ritual que poderia vir a causar consequências. Todas as noites de lua cheia, era oferecido um sacrifício de sangue, aos deuses, para que a família Malfoy sempre fosse rica e poderosa. E dizia-se no livro que se bebesse do sangue de suas vítimas, poderia se obter poder, força, além de parar o processo de adoecimento comum. E o mais interessante e estranho é que o envelhecimento é mais demorado. Se não acredita em mim, eu mostrarei fotos do meu pai. Tenho algumas guardadas. Ele continuava jovem, mesmo tendo cinquenta anos quando morreu.

— Esse ritual os torna imortais? De que tipo de poder estamos falando? – ela perguntava, apenas com a curiosidade acadêmica, que sempre demonstrou ter. Avaliava a situação com olhos céticos, mas sem descartar a hipótese.

— Não nos torna imortais. Ainda morreremos, mas será mais demorado. Meu bisavô atingiu a idade de cento e trinta anos. Viveu desde o começo do século dezenove até o a década de quarenta. Meu avô, Abraxas Malfoy, viveu menos. Oitenta anos. Ele levou um tiro do melhor amigo. Mas, também demonstrava envelhecimento diferente para idade dele.

— E a maldição? Onde entra? – ela perguntou.

— Toda magia tem uma consequência, Hermione. Quando é para a tirar a vida de uma pessoa, ou quando se interfere no livre arbítrio ou quando se causa caos do equilíbrio do universo. O universo tem leis e se auto regula. Quando alguém interfere, ele irá se regular de novo e a pessoa terá que enfrentar as consequências dos seus atos. É a simples lei da ação e reação. Se você ferver água, ela irá evaporar, se atingir o estado de ebulição. Agora, vamos ser mais profundos na reflexão, se você matar alguém, será punido pela lei humana.

— Nem sempre. Meu pai foi morto pelo seu e não foi punido – ela acusou.

Ele respirou fundo, tentando manter a calma ao ouvir aquilo.

— A justiça humana é falha, Hermione. Não somos Deus. Não vamos conseguir fazer tudo perfeitamente – ele argumentou – Mas, meu pai já foi severamente punido, por seu ato. Mas, eu não quero usar essa palavra, punido, mas sim, tem responsabilidade por seus atos. E terá que que arcar com as consequências dele. No momento em que nós fizemos esse ritual de poder, nós acabamos amaldiçoados. Um dos meus antepassados raptou uma jovem para fazer o ritual. Ele não sabia que ela era filha de uma feiticeira poderosa. Em sua fúria, ela jogou sobre nossa família sua maldição. Que no caso, o primogênito da família Malfoy seria amaldiçoado a se transformar uma besta. E com o tempo, se não amasse de verdade, apenas o poder, nenhum de nós iria quebrar essa maldição. Não há como reverter, sem que se ame de verdade e seja amado.

— E o que seria essa besta? Que tipo de animal seria? O que isso implica? – ela sempre fizera tantas perguntas, de uma vez só, que Draco ficava atordoado sempre em responder. Era comum ela ser inquiridora.

— Eu não sei o que somos. Somos uma espécie de lobo, mas em formato humanoide. Ficamos irracionais nessa situação. É necessário se controlar muito bem para não ceder ao instintos assassinos. Muitos dos meus antepassados mataram vilarejos inteiros devido a sua fúria assassina. E há o fato de que com o tempo, perdemos a racionalidade, a cada vez que nos transformamos. Pelo menos, é o que está relatado em diários. E meu pai é prova viva da insanidade – ele riu consigo mesmo.

— Eu não se posso acreditar nisso – ela disse, confusa – É informação demais. É algo fantasioso. Não faz o menor sentido e lógica. E agora, fica a questão, onde sua mãe entra nisso?

— Bom, é ai que entra interferência espiritual. Meu pai morreu, mas continua nos rondando – ele disse, com pesar – E está tentando tomar o corpo da minha mãe. Me obrigar a cumprir com os assassinatos – ele disse daquela maneira, pelo fato de que era homicídio o que sua família fazia.

— E você alguma vez já...fez isso? – ela perguntou, receosa – Era isso que seu pai fez com o meu?

Ele não sabia como responder aquela pergunta.

— Eu nunca matei, se quer saber – ele ignorou a questão do pai dela – Mas, se quer a verdade, eu já provei do sangue delas e observei o que meu pai fazia.

— Era o que fez com Amélia – ela murmurou.

— Infelizmente sim. Naquele dia eu estava com você, pois não queria mais ver aquilo – ele confirmou – E depois que você foi embora, eu só quis me afastar de tudo. Não queria mais fazer parte disso.

— Draco, é tudo muito estranho. Não sei no que acreditar, me perdoe – ela disse, se levantando. Ele se levantou também, preocupado com a reação dela – Eu não acredito em nada disso. Para mim é demais. Eu preciso ir para casa.

— Eu levo você, Hermione – ele ofereceu, querendo passar mais um tempo com ela. Ela negou com a cabeça.

— Eu prefiro pedir um Uber – ela disse, se aproximando da saída.

Ele andou até ela, tocando seu braço.

— Por favor, me deixe leva-la – ele pediu – Por favor.

Ela respirou fundo.

— Está bem – ela concordou.

Eles seguiram em silêncio até a saída da mansão e Draco foi até a garagem que carros. Havia cinco carros. Dois antigos. Um deles era um Rover 100, o outro era uma Maverick amarela. Dos mais novos, um deles era um carro esporte vermelho, o outro era uma minicooper azul, e o que ele mais gostava, uma BMW vermelha. Ele abriu a porta do carro para ela e Hermione entrou. Depois contornou o carro, para entrar pela porta do banco do motorista. Ajeitei os espelhos e deu a ré, para sair da garagem.

Seguiram o caminho em silêncio, então Draco ligou o rádio. Tocava uma música de rock na rádio. Era a banda The Cure. Combinava bem com o ambiente sombrio daquela cidade e de como ele estava se sentindo por dentro.

— Eu sempre gostei de ouvir música com você e sair assim – ela comentou, quebrando o silêncio – Nós fazíamos muito isso.

Ele ficou alegre de ouvi-la falar sobre o passado.

— Hermione, eu nunca me esqueci de nada do que tivemos – ele confessou – E estou ainda tentando entender o fato ter deixado que meu pai interferisse nas minhas escolhas. Eu tive tanto medo de te ferir, mas eu fiz justamente e perdi você.

Ela respirou fundo. Talvez, estivesse avaliando suas palavras. Ele reza para que sim.

— Eu também sinto muito – ela disse – Por ter sido estupida com você – as palavras dela fizeram ter esperança de novo, em relação aos dois, algo que não tinha mais — Eu só queria saber, você teve alguma coisa haver com a morto do meu pai? Eu só espero...só quero acreditar que não...

— Nunca, Hermione – ele negou com a cabeça. Queria parar o carro e conversar com ela por mais tempo. Mas, sabia que isso seria afasta-la. Apenas continuou dirigindo, prestando atenção na rua, iluminada pelas luzes dos postes e pela lua cheia no céu. Naquela noite, fora quase incontrolável não se transformar. E o melhor, era deixa-la em casa. Se estava racional, talvez fosse por pouco tempo – Eu jamais faria isso. Mas, se quer a verdade, meu pai não tinha consciência do que fazia.

— Você estava presente? – ela perguntou.

— Estava – ele respondeu com a verdade.

— E quem atirou no seu pai? – ela perguntou.

— Fui eu – ele respondeu. Mas, com uma mentira dessa vez.

— Você? – ela perguntou surpresa – Você fez isso por que?

— Porque...- Como explicar aquilo para ela? Ele não mataria seu pai. Mas, estava protegendo outra pessoa importante para ela. Não queria causar mais dor a Hermione – Era necessário. Está feito e acabou.

— Entendo – ela murmurou.

Chegaram na casa dela, depois de quinze minutos. O silêncio havia pairado sobre eles. Então, ao invés de sair do carro, ela o fitou. E parecia triste. Pegou sua mão e a beijou. Draco sentiu o toque quente dos seus lábios sobre sua pele e pela primeira vez, pode sentir o carinho dela de volta, depois de tanto tempo.

— Eu sinto muito por seu pai. Eu...eu deveria dizer a polícia...você deveria – ela balançou a cabeça, mordendo os lábios – Mas, não sei. Estou com uma estranha lealdade por você.

Eles se fitaram, longamente dessa vez. E ele sentiu que algo mudava no ar. Sabia que era o momento ideal. Só precisava aproximar mais seu rosto do dela. E foi o que fez. Com a forma doce que ela falava, ele acreditou que finalmente poderia demonstrar o quanto a amava. E que nunca a esqueceu. Era tão estranho ama-la tanto, sem nunca ter provado seus lábios, ou ter sentindo seu corpo. Mas, ali estava ali, rendido, com o coração querendo sair pela boca. Ele simplesmente puxou sua nuca, beijando-a.

Fora um choque, no início. Era algo eletrizante, profundo. Ela retesou, sem permitir que o beijo continuasse, mas ele insistiu, entreabrindo os lábios dela com sua língua. E ela cedeu, gemendo. Aquele som era tudo que ele precisava, para aprofundar o beijo. E fora algo indescritível. Draco nunca sentiu aquele misto de sensações. Nenhuma mulher havia lhe provocado o sentimento de frenesi, de desejo enorme. De querer extravasar toda a emoção que sentia. Nunca esteve tão apaixonado em toda sua vida. Ele apenas, no momento, buscava os lábios dela, mordiscava, lambia e sentia-a tremula em seus braços. Ele também tremia por inteiro, pela excitação, pelo novo. E por ama-la tanto. E o melhor tudo, era estava retribuindo, puxando sua nuca, acariciando seu rosto, seus cabelos, suspirando em seus braços.

Contudo, algo aconteceu. Ele não sabia o que poderia ser. Ela simplesmente o empurrou pelo peito. E não olhou para ele.

— Draco...eu...isso...- ela balbuciou, passando a mão pelos cabelos bagunçados, pois eles desfizera seu coque. Estava sobre os ombros, caindo em cascata. E era um visão tentadora.

— Isso foi tudo que sempre quis – ele disse, aproximando a mão do rosto dela, tocando seu lábio com o polegar. Ela apenas o fitou, receosa – Não diga que não me quer Hermione. Você retribuiu. Você me deseja.

— Eu...não sei...isso...preciso pensar – ela se afastou do toque dele e abriu a porta do carro – Nos falamos amanhã.

Ela fechou a porta do carro e parecia fugir dele. Teve dificuldade de abrir o portão da frente, praguejando. Ele sorriu para si mesmo, ainda sentindo o gosto da boca dela.

— Ah, sim, amanhã vamos conversar, Hermione – ele disse para si mesmo.

*

Harry fazia sua ronda matinal, pelas ruas, com o carro da viatura, acompanhado do seu parceiro, John. Era um dia comum, ao menos parecia ser.

— Harry, freia – John pediu.

Harry parou, na estrada, com o coração disparado. Ele não poderia estar imaginando que via na estrada. Mas, tinha o formato de um corpo humano. Não de um animal.

Eles desembarcaram do carro e puderam ver o que estava diante deles, entre a calçada e a estrada. O local era rodeado por árvores, bem próximo da casa dos Malfoy e dos Lovegood. Harry se lembrava de ter encontrado dois corpos na mata, no final do mês passado, muito perto dali. Era curioso encontrar outro. E pelas condições, a pessoa tinha tido a garganta cortada, recentemente. Ainda não estava em estado de putrefação e ele havia passado por ali, a noite. Não havia nenhum corpo.

Ele foi até o carro e pegou o rádio, informando a delegacia do ocorrido:

— Central, aqui é o policial Potter. Repito, central, aqui é policial Potter – ele disse – Encontramos um corpo na estrada principal. É uma mulher, branca, entre vinte e vinte cinco anos.

— Mais um para a coleção? – John perguntou, olhando para a jovem, deitada de bruços. O sangue estava formando uma poça, abaixo dela – Parece que esses malucos estão criando um padrão aqui.

— Eu espero que não seja um padrão – Harry disse, olhando para a moça, com pena e raiva, ao mesmo tempo.

Ele sabia que algo estava muito errado. E que aquele padrão de assassinato estava se repetindo por muito tempo. Mas, ninguém na delegacia o escutava sobre isso. O delegado e o prefeito não desejavam que sua cidade perfeita se tornasse um lar de um serial killer. Na cidade deles não. E se negavam a ver que havia um. E Harry estava desconfiado de quem fosse. Ele sempre desconfiou. Mas, agora com Lucius morto, quem poderia ser?