Não foi uma noite fácil para Hermione, nem para Draco, que se remoía de um lado a outro, deitado na cama, pensando em como iria resolver seus problemas. Gostava muito de Hermione, amava-a de verdade. Mas, não poderia força-la a estar com ele e ver no que ele iria se transformar, com o tempo. Ele já podia, de fato, se tornar uma fera, assim como seu pai. Mas, depois de um tempo, passaria ser uma, assim como seu avô Abraxas Malfoy foi. Como ele nunca teve a mulher certa para quebrar sua maldição, se tornou um monstro terrível e sanguinário. Não era um vampiro, de fato. E muito menos um lobo. Draco não sabia o que eles eram. Mas, eles poderiam se transformar em uma espécie de lobo, contudo, humanoide. Andavam sobre duas patas, tinham garras, o corpo era coberto por bastante pelo e tinham graças, ao invés de mãos. A boca tinha caninos afiados e os olhos se tornavam duas fendas. Draco precisava se controlar, para não se transformar a noite. De fato, estava fazendo muito esforço para obter o controle. A maldição afetou seu pai, no estado mental, o deixando cego, parecendo buscar apenas uma coisa, o sangue das vítimas que bebia. Causando acidentes, que Draco e Narcisa precisavam abafar e tirar Lucius de cena. É claro que Draco sabia que agia de forma errada, ao proteger seu pai, mas temia que o segredo deles viesse à tona. Que fossem descobertos e quem sabe, fossem estudados. Presos, com certeza seriam. Mas, seria examinados minuciosamente e isso sim, era o que lhe dava medo.

Era injusto, de fato. Ele nunca pediu para ser um Malfoy, nem para estar sob aquela maldição terrível. Muito menos, fazer sacrifícios de sangue aos deuses, que seu pai e avô cultuavam. Eles acreditavam que assim, poderia obter glória e poder. Draco não sabia se foram os sacrifícios que trouxeram a riqueza a sua família, mas estava disposto a pagar o preço e não ter que fazer parte daquilo. Sabia que sua mãe era contra isso. Ela queria continuar com os rituais e mostrou isso, aquela noite. Antes de ele sair para a boate, ela se mostrou incontrolável, o atacando e dizendo coisas que jamais diria a ele. Draco não sabia o que pensar daquilo. E apenas entrou na mansão, com tudo escurecido e se trancou em seu quarto. Queria ficar só. Precisava pensar em uma alternativa para não ser envolvido por aquela loucura que era carregar a maldição de sangue. Parecia que se intensificava, com a aproximação da lua cheia. Seus caninos pareciam maiores e suas mãos estavam formando garras. Ele respirou fundo, tentando concentrar a mente, para voltar ao normal. Foi até o espelho do banheiro, acendendo a luz do cômodo e pode ver que havia conseguido mais uma vez obter o controle sobre seu lado animal. Apenas seus olhos pareciam ter as pupilas em fendas. Ele sentiu a raiva crescer dentro de si. A indignação por ser amaldiçoado. Fechou os punhos com força e atingiu o vidro com uma das mãos. O espelho estilhaçou, diante de si e cortou suas juntas. A ardência era bem vinda e era disso que precisava para se controlar. Controlar os instintos para sair e caçar. Não seria como seu pai. Nunca, de maneira alguma. Jamais provaria o sangue de uma pessoa inocente.

Ele saiu do banheiro, com a mão sangrando. Abriu a gaveta de meias, do seu armário e apenas enrolou a mão, sem se importar em lavar e desinfetar o machucado. Se preocuparia com isso no dia seguinte. Sentou na cama, tirando os sapatos e as roupas, deixando-as empilhadas no chão. Deitou-se na cama, sem se cobrir e fechou os olhos. Somente precisava se acalmar. Dormir, talvez, o ajudasse.

*

Hermione fitou o teto, ao acordar pela amanhã, sentindo o peito dolorido. Não havia decidido nada quanto a Draco. Estava confusa ainda. Sua noite de sono fora estranha e ao mesmo tempo lhe deixou ainda mais conectada com Draco. Sonhou com o chalé no lago. Os dois conversando, de mãos dadas, vendo uma criança de cabelos loiros. Um menino, brincando com um cachorro de pelo dourado. Um labrador.

O coração dela se enterneceu ao ver a criança. E tinha certeza que era dela com Draco. Ele parecia tão feliz e completo. Era assim que ela se sentia. Ao despertar, sentiu o desespero de estar distante daquele futuro. Mas, o medo ainda estava fazendo morada em sua mente. Deu um prazo a si mesma para falar com ele e dar uma chance ao que os dois tinham. O prazo de uma semana para tentar entender o que sentia e se queria mesmo aquele futuro com Draco. Talvez, estivesse deslumbrada demais com o modo carinhoso dele e talvez, ele não a quisesse tanto assim. Tentou não colocar expectativas nele, para não entrar em parafuso.

Levantou da cama, sentindo-se pronta para o dia. Precisava comprar o vestido para a noite do vernissage e Luna havia combinado de levar Hermione em uma loja de roupas de grife. Era um exagero, mas Nicolas havia dito que o vestido precisava ser perfeito para aquela noite. Então, faria jus ao seu pedido. Depois, devolveria o vestido, é claro. Tentaria ver se podia alugar, para não ficar com a peça, afinal, nunca iria usar uma roupa tão elegante em outra ocasião. Talvez, só nesses eventos da galeria. Mas, pretendia que fosse uma pequena temporada, enquanto tentava um trabalho como professora em alguma escola da região. Até o momento, não encontrara nada.

Depois de ter tomado banho, escovado os dentes e colocado um jeans, botas e um sobretudo de cor bordo, desceu as escadas, para fazer o café. Ozzy pulou saltitante, ao vê-la na cozinha. Ela percebeu que o cachorro estava com os pelos indisciplinados e precisava urgente ir no pet. Primeiro, iria cuidar do café e acordar sua mãe. E foi o que fez. Preparou uma bandeja com frutas e um suco de laranja. Além de torradas. Subiu as escadas acompanhada de Ozzy e bateu na porta, com a bandeja equilibrada na palma da mão. Sua mãe não atendeu e Hermione não iria deixá-la dormir, até tão tarde. Já passava das dez da manhã. E ela precisava verificar a temperatura dela.

Hermione entrou no quarto e viu que sua mãe estava encolhida na cama, com os cobertores sobre seu corpo. Ela colocou a bandeja em cima da mesa de cabeceira e se aproximou dela. Sua mãe estava com o rosto franzido, de olhos fechados. Estava pálida demais.

— Mãe? — ela chamou.

Rosália não respondeu. Parecia distante, murmurando palavras inteligíveis. Hermione colocou a mão na testa dela e percebeu que a febre não tinha cedido. Tentou acorda-la e Rosália abriu os olhos, pastosos, olhando alheia. Parecia estar desconectada da realidade e isso preocupou Hermione.

— Mãe, a senhora está ardendo em febre — Hermione informou, afastando os cobertores.

— Frio... frio...- Rosália sussurrou, virando para o outro lado — Não...ele vai voltar...

— Quem vai voltar mãe? — Hermione perguntou.

— Ele vai voltar. Vai me fazer pagar — ela murmurou.

Hermione franziu o cenho e apenas não deu atenção as palavras dela. Havia deixado o remédio antitérmico na cabeceira e fez Rosália engolir o comprimido. Depois, levou a bandeja de volta para a cozinha e procurou um termômetro pela casa, encontrando em uma gaveta da pia. Subiu, para ficar com sua mãe e monitorar a temperatura. Ozzy estava deitado na cama, aos pés da dona, com um olhar triste. Seu bigode parecia deixá-lo com uma expressão ainda mais melancólica.

— Eu sei, garoto — Hermione murmurou, olhando para sua mãe.

A febre estava baixando aos poucos. O que era um alívio. Hermione acabou se recordando dos momentos que passou com sua mãe, quando estava doente. Ela sempre estava lá, cuidando dela. Até mesmo quando caiu de bicicleta, ralando todo o joelho. Chorou tanto aquela tarde, que Harry disse que ela era uma garota mimada. Mas, sua mãe ficou com ela, cuidou do machucado e até deu um beijo, dizendo que iria sarar em breve. Hermione respirou fundo, ao ter aquela lembrança. Observou os cabelos brancos da sua mãe, nas temporas. O rosto com algumas rugas de expressão. Hermione nascera quando ela tinha completado vinte anos. Algo que atrapalhou na faculdade de Rosália, mas ela não cansava de dizer a Hermione que foi o melhor presente que ela recebeu. Uma filha. Hermione sentiu as lágrimas umedecerem seus olhos. Procurou ver a febre de volta, apesar do resmungos desconexos da sua mãe. Estava estável. Mas, Hermione estava preocupada com o fato de sua mãe não acordar.

Ela ligou para Luna, explicando a situação, perguntando se havia como ela ajudá-la a colocar sua mãe dentro do carro e leva-la para o hospital. Luna disse que viria em breve e Hermione aguardou. Passou vinte minutos de espera, até que Rosália abriu os olhos.

— Hermione? — ela chamou.

Ela olhou para sua mãe, se aproximando da cama.

— Sim?

— Água, por favor — ela pediu.

Hermione correu para pegar um jarro com água na cozinha e trouxe, com um copo. Serviu a água e segurou o copo, ajudando sua mãe a beber a água. Ela estava suada, com os cabelos e a camisola grudando no corpo. Respirou fundo, fechando os olhos de volta.

— Mãe, quero levá-la ao hospital — Hermione disse, preocupada.

— Não precisa, querida. Só estou doente. Preciso apenas dormir. Me sinto tão cansada — Rosália disse, com a voz fraca.

— Não, mãe. A senhora precisa ir para o hospital. E tomar um banho, para ajudar na recuperação.

— Eu não quero me mexer. Dói tudo — ela disse, encrespando os lábios, sem abrir os olhos — Sonhei com seu pai, sabia?

— Verdade? — isso atraiu a atenção de Hermione, que se sentou na cama, ao lado dela.

— Sim — ela respondeu — Ele parecia bem. Com um terno elegante. Ele me salvou, Hermione. Ele me salvou ontem também.

— Salvou do que, mãe? — Hermione perguntou, sem entender.

— Querida, poderia abrir a janela? — Rosália pediu, sem responder a pergunta da filha.

Hermione suspirou e foi até a sacada. Abrindo-a. Dali, ela pode ver caminhonete de Luna estacionando. A loira saiu do veículo, acompanhada de Rolf.

— Mãe, Luna e o namorado dela estão aqui. Vamos para o hospital, por favor.

— Está bem, querida. Mas, não é nada demais, só uma gripe — Contudo, para Hermione parecia algo grave.

*

Depois que Rolf ajudou a descer Rosália no colo, pois ela havia perdido a força nas pernas, o que deixou Hermione assustada, eles rumaram para o hospital, com Luna dirigindo a caminhonete dela. Em seguida, Hermione deu entrada no hospital, com os documentos de Rosália e a carteirinha do plano de saúde. Eles aguardaram o médico avaliar, na sala de espera e o mesmo constatou uma virose. Ela só precisaria tomar alguns antibióticos, que ele prescreveu e Hermione pegou a farmácia do hospital.

Deixaram Rosália em casa, com Hermione tentando fazê-la tomar o remédio. O que foi mais difícil. Sua mãe parecia arredia, não querendo tomar mais nada. Luna precisou intervir, com seu modo doce e tranquilo, para convencê-la de que o remédio não iria matá-la.

Assim que deixaram o quarto, escutaram o grito de Rosália. Hermione entrou, rapidamente, junto com Luna. Sua mãe estava encolhida, na cama, trêmula.

— O que foi mãe? — Hermione perguntou.

O ar do quarto parecia frio demais, como se tivessem ligado ao ar condicionado.

— Filha, saia, por favor. Ele está aqui — ela apontou para o vazio — Está aqui e quer nos matar.

— A senhora está vendo quem? — perguntou Luna, sem debochar ou com ceticismo.

— Lucius, Lucius está aqui. Pare, pare. Me deixe!

Rosália começou a gritar, com as mãos do ouvido. Se debatia e isso assustou Hermione. Luna, com algo na mão, começou a falar com o vazio.

— Saia dessa casa. Você não é bem-vindo. Não vamos tolerar sua interferência.

Ela disse com tanta convicção e firmeza, que o ambiente se aquietou. Até a mãe de Hermione parou de se debater, tentando atacar uma força invisível. Ela apenas deitou na cama, respirando profundamente.

— O que foi isso? — Hermione perguntou confusa — Por que minha mãe falou de Lucius? — ela perguntou para si mesma.

— Algo está errado, Hermione. O espírito de Lucius quer vingança e ele tem um poder além do normal, para um espírito comum. Ele consegue manipular a matéria ao redor e causou a doença da sua mãe. Precisamos blindar a casa — ela disse, séria. Hermione franziu o cenho, descrente. Não acreditava em nada do que Luna disse — Precisa acreditar em mim, Hermione. A vida da sua mãe está em jogo. Eu vi seres alados levarem Lucius. Mas, não vai durar tanto tempo. Preciso de ajuda das minhas amigas, para expulsa-lo de fato. Ele não devia estar circulando por aqui. A alma dele é corrompida pelo mal. E ele é perigoso.

— E o que você sugere que façamos? — Hermione perguntou, tentando não ser condescendente.

— Você tem sal grosso?

*

Rolf, Hermione e Luna usaram o sal grosso, colocando nas entradas da casa, nas janelas e Luna usou um giz branco, traçando símbolos nas entradas e no batente das janelas. Um ela reconheceu como o pentragrama. Luna acendeu incensos, na sala de estar e ficou sentada em posição de lótus, concentrada. Havia traçado um pentagrama do chão, com um círculo por fora e ficou dentro.

— O que ela está fazendo? — Hermione perguntou a Rolf, na porta da sala.

Aquilo tudo era demais para Hermione compreender. E parecia que estava lutando com o invisível ou com algo da imaginação.

— Está chamando ajuda espiritual — Rolf respondeu, sem zombaria — Ela vai tentar se livrar do espírito de Lucius assim. Mas, eu duvido muito que consiga sem o grupo dela. Eu pude sentir a energia de morte vindo daquele homem.

Hermione tentou não revirar os olhos. Aquilo tudo era absurdo demais.

— E o pentagrama e o circulo? — perguntou.

— Para proteção. Nenhuma força de fora vira atingi-la, enquanto estiver concentrada.

Hermione queria muito que simplesmente aquela loucura acabasse e sua mãe voltasse ao normal. Só de pensar em perde-la também, ou vê-la insana estava revirando seu estômago. Deixaria que Luna continuasse com aquele ritual estranho, se isso fosse ajudar. Aguardou que Luna voltasse ao normal, para enche-la de perguntas. Luna explicou que conversou com um ser mais experiente que ela e ele informou que o espírito de Lucius não era comum. Estava sobre uma maldição muito forte, lançada a séculos, na família Malfoy. E que todos os filhos homens seriam atingidos, se tornando feras, pelo fato de pactuar com o derramamento de sangue, para conseguir poder. E que Lucius ainda estava impregnado pela magia negra, que atingia a família, a gerações. Ele aprendeu com isso, a manipular a matéria ao redor e o amigo espiritual de Luna estava tentando controla-lo do outro lado. Por enquanto, a família de Hermione estaria livre da presença perniciosa de Lucius.

— Onde você aprendeu isso tudo? — Hermione perguntou, enquanto limpava o chão com um pano molhado, apagando a marca do pentagrama no chão de madeira.

— Eu era da Wicca, Hermione. Aprendi a cultuar a deusa. E fazer rituais. Aqui nessa cidade, há bruxas que cultuam a deusa da lua. E eu faço parte. Nós aprendemos tudo juntas e nos reunimos na lua cheia e nos solstícios de verão e inverno. Faz parte nossa estar sempre cultuando e cuidando da natureza, e orando para que a cidade seja protegida. Vou precisar comunicar a elas o que estava acontecendo, debaixo de nossos narizes.

Hermione não entendia nada do Luna dizia e a da sua empolgação quanto as bruxas e a Wicca. Nada fazia sentido e eram só crendices. Hermione terminou de limpar tudo e verificou se sua mãe estava bem. Ela não tinha febre e continuava dormindo, dessa vez, mais calma.

— Ok, depois de tudo isso, ainda preciso comprar meu vestido. Você vem comigo? — Hermione pediu a Luna, no corredor, perto do quarto de Rosália.

— Claro que sim — Luna respondeu, animada — Vamos comprar um vestido para arrasar hoje.

Rolf pediu para ficar em casa, pois não iria com elas até o shopping da cidade. Disse que iria enlouquecer se tivesse que acompanhar Luna em todas as lojas do lugar e ela perceber que nenhum modelo de vestido era bom o suficiente.

— E você sabe que é linda, meu amor. Mas, insisti em me deixar maluco com essa procura — ele disse dentro do carro.

Luna fez beiço, o que Hermione achou engraçado. A relação dos dois era bonita e Rolf não implicava com o lado místico dela. Parecia até compartilhar dos mesmos pensamentos.

Depois que deixaram Rolf em sua casa, que ficava bem próxima a de Luna, elas partiram para o shopping. Hermione começou a questionar tudo que Luna viu, enquanto estava em transe, em sua sala de estar.

— Bom, eu conversei com uns amigos do outro lado. São como nós, mas não vivem no nosso plano, entende?

— Isso é loucura, mas acho que compreendo.

— Eu sei que parece algo de outro mundo, mas consigo ver entre outras dimensões, Hermione. E eu nunca mentiria sobre isso — Luna disse, séria, concentrada na rua, girando o volante para a esquerda, para entrar no estacionamento do shopping, que era coberto — Eu apenas preciso fechar os olhos e me concentrar. Já sua mãe, pode ver esses espíritos de olhos abertos. O que é complicado, para quem não está acostumado.

Luna parou o carro em uma vaga e as duas desembarcaram. Ela ativou o alarme e rumaram para dentro do shopping.

— Mas, chega de falar disso, por enquanto. Precisamos urgente encontrar seu vestido para a noite — Luna disse, olhando para Hermione com um sorriso enorme — Estou muito animada para ver essa exposição.

— Não sei como você conseguiu convencer Nicolas de dar um convite para você.

Luna gargalhou. Elas andavam pelo corredor, indo em direção a primeira loja de grife que apareceu.

— Eu sou ótima em conseguir o que quero — ela piscou para Hermione, que a fitou com um olhar zombeteiro.

— Aterrorizar o homem não conta como persuasão — Hermione zombou.

Elas entraram na loja, sendo recebidas por uma vendedora de cabelos pretos e curtos, estilo chanel, vestindo um terninho, saia tubo, até o joelho e sapatos scarpin. A camisa era social, com botões, na cor branca. O restante do look era em preto. Ela olhou para Luna e Hermione com um olhar esnobe.

— Em que posso ajuda-las? — ela perguntou.

— Queremos ver um vestido de galã. Dois na verdade — Luna disse — E é por conta de Nicolas Linford.

Os olhos da vendedora brilharam. Parecia que o nome Linford, assim como o de Malfoy, abriam realmente as portas, Hermione pensou, com desdém. Não que não gostasse de Nicolas, não via nada de mal nele. Mas, parecia que os ricos tinham vantagem em tudo. Antes que Luna falasse sobre ele, a vendedora as tratou com esnobismo. O que era ridículo. Elas eram clientes e deveriam ser tratadas com respeito devido.

Hermione provou vários vestidos naquela loja, mas nenhum parecia favorecer seu corpo. Hermione não era curvilínea. Sempre fora magra e um pouco baixa. Um metro e sessenta. Então, a maioria dos vestidos eram maiores do que ela, no comprimento, ou apertavam demais no busto. Parecia que o modelo do vestido era para jovens muito magras. Hermione pediu para ver outra loja e Luna, animada, a acompanhou. Hermione só não esperava ver Gina, no corredor, caminhando com uma menina ruiva e ao lado dela, Rony.

Gina estacou, surpresa em ver Hermione. Rony apenas acenou, sem estar incomodado. Ao que parecia, a conversa que ela teve com ele, no dia anterior, havia surtido efeito. Ele não era seu amigo, mas a tratou com cordialidade. Até mesmo a cumprimentou. Seu sorriso aumentou mais ao pousar os olhos em Luna. Gina estava estranhamente calada.

— E quem é esse garotinha? — Hermione perguntou, olhando para a menina ruiva, que segurava a mão de Gina, um pouco encolhida. Parecia tímida. Hermione já sabia que era Lilian, filha de Harry e Gina. Mas, não custava tentar quebrar o gelo.

— É minha filha — Gina disse.

— Ora, Gin, pare de ser tão mal educada. Você não vê há anos Hermione. Seja mais simpática — Luna ralhou.

Gina lançou um olhar feroz para Luna.

— Você não deveria se meter na minha vida Luna. Faço o que bem entendo! — ela retrucou, ríspida.

— E lá vamos nós de novo — Rony falou, suspirando.

Hermione ficou constrangida com aquilo e resolveu que era hora de ir embora.

— Foi bom ver vocês — ela disse, puxando Luna pelo braço.

— É, foi muito bom mesmo — Luna disse, com tom condescendente.

Somente Rony se despediu, mas também não tinha um sorriso no rosto. Hermione suspirou, desalentada e quando chegou na próxima loja de grife, nem deu atenção para a vendedora que olhava com um ar esnobe para ela e Luna. A mesma coisa aconteceu. Luna falou o sobrenome Linford e a gerente ficou extasiada, pois a vendedora não sabia quem era Linford.

Luna e Hermione provaram vários vestidos, até que Hermione encontrou o modelo perfeito. Era vermelho mate, com mangas até a metade do braço, aberto nas costas, com uma tira prendendo na altura da base da coluna. E na parte da frente, um laço vermelho. O vestido era aberto nas costas e com fendas na parte frente. Combinava muito bem com uma calça de alfaiataria preta, como a vendedora havia explicado, pois o vestido era totalmente aberto nas costas. E combinou com um sapato de salto agulha, estilo scarpin, no tom azul metálico. Ela estava perfeita. Profissional e elegante.

— É esse que vou levar — Hermione disse, se olhando no espelho, orgulhosa de si mesma.

— Eu gostei do vestido, mas não quer provar outros? — Luna perguntou.

— Não, é esse mesmo.

Na hora de pagar, ela usou o cartão de crédito de Nicolas, que ele havia deixado com ela. O valor da compra era exorbitante, mas fora ele quem havia dito que ela poderia pagar o preço que fosse. Luna escolheu um vestido com tecido mole, azul marinho, com mangas de renda, até os punhos e decote e u, mostrando seu busto. O vestido era rodado, indo até os joelhos. E combinou com sapatos prateados, no estilo scarpin. As duas saíram satisfeitas da loja, mas Hermione não parava de pensar em Gina. Ao menos, Harry havia mandado uma mensagem para ela, perguntando se Hermione estava bem. O que doía em seu coração era ver que sua melhor amiga de infância a odiava.

*

Quando Hermione chegou em casa, com Luna, ela checou se sua mãe estava bem. Rosália estava mais calma, mas ainda acamada. Precisou ministrar o remédio novamente e a fez tomar uma sopa. O horário das sete horas chegou muito rápido e Hermione já estava pronta. Passou uma maquiagem leve e deixou o cabelo preso em um coque elegante.

A limosine que Nicolas havia prometido, estava na porta, esperando Luna e Hermione. Rolf iria encontra-las na recepção do local do evento. Hermione agradeceu mentalmente por não ver Nicolas no carro. Não sabia que ficaria tão nervosa na presença dele. O estomago dela embrulhava, enquanto sentia o carro deslizar suavemente pelas ruas.

Elas saíram do carro, quando chegaram em frente a galeria de arte. Um tapete vermelho estava estendido, como Hermione havia pedido para o pessoal que estava organizando o evento. Não havia ninguém no local e Hermione precisava verificar os últimos detalhes do evento. Colocou até mesmo um microfone, acompanhado de um rádio, pois o evento seria para mais ou menos duzentas pessoas e precisava circular e falar com a equipe contratada.

Os quadros estavam posicionados nas paredes e Hermione passou em cada sala, vendo se tudo estava correto. O prédio escolhido para a galeria era de três andares, com lances de escada em espiral, na cor preta. O chão era de madeira polida e tratada e havia um grande lustre no saguão. As janelas das salas e ambientes eram no estilo francês. Todas as paredes eram na cor branca, para apenas dar foco nas exposições. Alguns quadros eram abstratos e Hermione não entendia nada. Até mesmo fotografias de rostos desfocados, paisagens e prédios, estavam molduradas, no tamanho de 1x1,20 estavam penduradas. Hermione gostava da arte neoclássica e o renascentista. O seu forte nunca foi arte abstrata e conceitual. Até mesmo a realista era algo que preferia. Entender a subjetividade do artista por trás da tela era algo que demandava tempo para ela. E muitas vezes se frustrava com isso.

Depois que tudo estava pronto, os convidados chegaram por volta das oito e meia da noite. Luna e Rolf ficaram em um canto, apenas observando os quadros, enquanto que Hermione recepcionou os convidados, constando os nomes na lista. Os garçons circulavam pelo ambiente, nos três andares, com canapés, quitutes e champanhe. Hermione agradeceu mentalmente por não ver nenhum conhecido de fato. Seu medo era ver Astoria, Theodore e Pansy. Poderia até mesmo ficar feliz em ver Draco, entre os presentes, mas ele não estava ali. Nicolas chegou em seguida, depois que o prédio estava cheio.

— Então, como estamos? – ele perguntou, quando avistou Hermione na entrada do local.

— Muito bem, senhor Linford – ela respondeu, em tom profissional – Sem incidentes e já fizemos uma venda.

— Excelente. Me deseje sorte essa noite, Hermione – ele piscou para ela e entrou.

Aquela noite ele optou por um terno prateado, sem gravata, com os primeiros botões da camisa branca aberta. O traje o deixava muito extravagante. Hermione constou na lista que todos os convidados estavam no local, então, fechou as portas e circulou pelo ambiente, verificando mais uma vez se tudo estava bem. Ela deveria descer e ficar na recepção no prédio, para fechar as vendas, depois. Quando chegou no térreo, se assustou ao ver Draco entrar, acompanhado de Astória. Ela estava linda, trajada com vestido branco marfim, com mangas curtas e com a saia fluida, arrastando no chão. Seus cabelos negros estavam soltos, fazendo cachos nas pontas, caindo em uma cascata castanha, até os ombros delicados. Draco estava bonito, com um blazer preto, camisa branca sem adição da gravata, calça de alfaiataria escura e sapatos sociais, Oxford, na cor marrom. Hermione desviou o olhar e agradeceu por eles não terem a visto. Olhou na lista mais uma vez, mas não encontrou o nome dos dois. Saiu de trás do balcão e procurou por Nicolas. Parou em seguida, ao vê-lo cumprimentar Astória e Draco, em uma das salas. Se ele não estava bravo com Draco ali, então Hermione não precisava intervir ou falar nada.

Ela voltou para seu lugar, atrás do balcão e deixou o notebook ligado, a máquina de cartão na tomada e deixou o site do banco aberto. Alguns clientes pediram os valores dos quadros e Hermione informou. Precisou explicar para alguns o motivo do valor das peças e conseguiu fechar negócio, de forma fácil. Ela entendia de arte, então compreendia cada quadro, mesmo sem gostar de alguns, em particular. Um, que ela percebeu que ninguém olhava, quando circulou mais uma vez pelas salas, era com uma paisagem bucólica, com árvores frondosas. O céu azul, com tons salmão, um barco em um lago, que parecia refletir as cores do céu e não havia uma representação humana. Era lindo. E Hermione queria aquele quadro. Se conectou emocionalmente com a peça, pois remetia aos tempos que passava com seu pai, pescando. Até mesmo os momentos em que passou com Draco, no chalé do lago. Seu peito se comprimiu, pois ele estava acompanhado da sua possível noiva. E ele havia dado chances demais a ela. Hermione nem deveria ficar brava, é claro. Mas, estava. Fervia por dentro. Contudo, nem ao menos iria ficar naquela cidade. E Draco lembrava demais do passado que teve ali e não queria recordar mais. Ela havia se dado uma semana para pensar com relação a ele. Mas, nem ao menos precisava, pois ele havia escolhido seguir em frente, de forma rápida, ela pensou, amarga.

Se virou, se assustando com a presença de Nicolas, atrás dela.

— Me perdoe, senhor, eu apenas vim checar as salas e me distrai com um quadro – ela disse, tentando conter o tremor na voz.

Nicolas sorriu, jovial.

— Por favor, senhor não. Senhor é meu pai – ele brincou – Só me chame de Nicolas, por favor.

Ela riu. Ele era engraçado e muito diferente do que um chefe deveria ser. Talvez, porque provavelmente tivessem a mesma idade.

— Está bem, então. Nicolas – ela pronunciou o nome dele, se sentindo estranha. Sempre agia de formalmente com as pessoas, até que pegasse intimidade com elas – Então, vou voltar agora e...

Ele a segurou pelo antebraço, de repente. Ela o fitou surpresa.

— Eu só queria dizer que a escolha do vestido é perfeita. Além do fato que você me deu muita sorte hoje – ele sorriu.

Ela ficou um pouco desconsertada e lhe deu um sorriso amarelo. Por trás do ombro dele, pode ver Draco a fitando, um olhar irritado, mas continuava acompanhado de Astória. Ela queria revirar os olhos para ele, mas não fez isso. Apenas sorriu para ele e para Nicolas. E não foi um sorriso falso. Mas, provocativo.

— Não há de que, Nicolas. Espero que aproveite sua noite – ela disse, se afastando dele.

Sentiu o cheiro da sua colônia a seguir ainda. E ficou na recepção, sentindo o corpo inteiro tremulo. Fora uma batalha que teve, naquela sala. Não com Nicolas, mas com Draco. Ela ainda o amava, era um fato inegável. Mas, ele seguiu em frente tão rápido. O que a incomodava muito. Ela sabia muito bem que estava errada por ter aqueles sentimentos. Ela deu chance para que ele segue adiante, sem ela. Infelizmente, não mandava em seu coração.

Draco passou novamente no saguão e seguiu com Astória para fora, sem olha-la. Hermione sentiu o peito se apertar e sentia-se sufocar. Infelizmente, foram suas ações ao afasta-lo que fizeram Draco a trata-la com indiferença fria. Ele nem ao menos veio cumprimenta-la. Acreditou que poderiam ser amigos, em sua tola ingenuidade, mas ele havia deixado claro que não desejava sua amizade. Ela engoliu o bolo se formava em sua garganta, forçando as lágrimas a não saírem. Mas, uma infelizmente, rolou. Ela limpou com indicador e sentiu que espremia suas unhas, com a outra mão, na palma da mão. Relaxou os músculos e percebeu que estava sendo observada por Nicolas, que carregava uma taça de champanhe na mão e na outra, tomava o líquido de cor dourada, espumante. Ele se aproximou do balcão e lhe entregou uma taça. Ela aceitou, sem pestanejar e bebeu o líquido, sentindo o champanhe fazer cócegas em sua garganta.

Nicolas se recostou no balcão, de costas para ela.

— Sabe, eu acho que meu amigo não fez bem em trocar uma beldade como você, por Tory. Apesar de gostar muito dela – ele disse, parecendo fazer apenas uma observação, mas que feriram o ego de Hermione. Astória, é claro, nunca a tratou mal na escola. Ela era perseguida pela irmã dela, Daphne Greengrass.

— Não sei do que está falando – ela desconversou – Mas, agradeço pelo champanhe.

— Não há de que, Hermione. Mas, sabemos do que eu estou falando – ele insistiu, se virando para ela e apoiando os braços no balcão. Seus olhos azuis intensos a encaravam, como se pudesse mesmo ver através dela – Eu sei que Draco sempre gostou de você. Eu só não imaginei que seria você, exatamente.

— O que quer dizer? – ela perguntou, cautelosa, segurando a haste da taça de cristal, com força excessiva.

Ele pareceu notar isso. Seus olhos miraram sua mão, por alguns segundos e voltaram ao rosto dela. Ele parecia sério.

— Eu acredito que saiba o que quero dizer. Ele nunca parou de mencionar você. Em nenhum instante, quando nos conhecemos – ele disse, em tom estranho. Como se guardasse certo rancor. Ela não entendeu por que ele falava daquela maneira, mas compreendeu que a relação dos dois parecia ser de aparências – Eu não entendo por que ele simplesmente jogou fora a oportunidade de poder estar com você. Eu confesse Hermione que a achei deslumbrante, quando a vi pela primeira vez. E fiquei encantado com sua inteligência. Estou ainda mais grato por tê-la aqui na galeria. Os meus amigos e conhecidos aqui não param de elogiar sua forma de se comunicar e o quanto você entende de arte.

— Não sei onde quer chegar com essa conversa – ela disse, com a voz fraca. Não queria se abrir para ele e dizer que amava Draco. Nem gostava do tom dele, como se Draco a tivesse rechaçado.

— Eu quero dizer que eu não a deixaria escapar – ele respondeu, depois de um tempo, fitando seus olhos – Mas, esse é Draco. Tolo e orgulhoso.

— Você não sabe nada sobre ele – ela teve a estranha necessidade de defende-lo.

Nicolas balançou a cabeça.

— Ao contrário, eu o conheço desde que entramos na universidade e fomos apresentados por amigos – ele disse, veemente – A não ser que você, Hermione, tenha dado um fora nele. Ele parecia bem irritado hoje.

Ele sorriu, de forma ferina. Hermione não negou nem afirmou o que ele queria saber.

— Não sei por que estamos conversando sobre isso – ela disse, séria – Eu preciso me concentrar agora, no meu trabalho, Nicolas.

— Ah, é claro. Peço perdão por tomar seu tempo – ele se afastou do balcão e não parecia abalado com a rispidez dela – Eu vou lhe dizer algo, que espero que guarde, Hermione. Eu não sou de desistir do que quero. Eu nunca desistiria de alguém como você. Você vale muito mais do que as lágrimas que iria derrubar por ele.

Hermione iria responder, com uma resposta mordaz, mas uma senhora veio até o balcão, pedindo informações de um quadro. Hermione fitou Nicolas, com um olhar dardejante, que ele retribuiu com um sorriso inocente. O restante da noite, ele passou nro balcão, deixando quitutes para ela e taças de champanhe. Ela não iria reclamar, é claro. Ele estava a bajulando. Mas, ela estava com muita fome e com as pernas doloridas, por ficar em pé. Luna foi embora, depois de um tempo, com Rolf e prometeu que elas se encontrariam no domingo, para conversar mais sobre o caso da mãe dela e sobre o espírito de Lucius.

O evento terminou por volta das onze horas da noite e Hermione coordenou o fechamento do prédio e ajudou Nicolas com o carregamento de alguns quadros, que deveriam voltar a Londres. Alguns carregadores auxiliaram, para deixar dentro de um caminhão de transporte.

Tudo estava pronto para fechar, mas Hermione correu para a sala adjacente ao saguão e observou o quadro bucólico, que tanto chamou a atenção dela. Ela passou o dedo sobre a pintura a óleo e viu em baixo, uma assinatura preta, rabiscada, no canto inferior da tela, do lado direito. Havia uma placa de metal, em baixo do quadro, com o nome do artista.

— S. Malfoy – ela murmurou – Quem é S. Malfoy?

— Septimus Malfoy – ela escutou a voz de Nicolas, atrás dela. Ela se virou, com o coração acelerado – Ele era bisavô de Draco. Viveu no período entre século dezenove e vinte. Um quadro lindo, não é mesmo?

— Sim, é sim – Hermione se virou, para contempla-lo – Deve custar uma fortuna.

— Sim, de fato. Mas, Draco não quer vende-lo. Ele deixa o quadro apenas para exposição e porque sabe que eu sei cuidar dessas relíquias melhor do que ele próprio.

— Parece que você e Draco são bem íntimos – ela comentou, olhando de soslaio para Nicolas, que estava com os braços cruzados, fitando a pintura.

— Somos, muito mesmo – ele respondeu e virou o rosto para ela, parecendo sério demais – Eu diria que quase irmãos. Eu vivia na mansão dele. Já conheci seus pais. Sei coisas demais para uma pessoa.

Ele ficou estranhamente calado e evitou olha-la. Isso aguçou o interesse de Hermione.

— Que coisas você sabe? – ela perguntou.

Ele pareceu desconsertado.

— Er...nada demais. Problemas de família. Acho que você deveria conversar com Draco sobre isso, afinal, são segredos de família.

Ela não parecia convencida. Sabia que havia algo estranho e Nicolas era a chave para saber mais sobre Draco, e sobre Lucius. Deveria perguntar diretamente a Draco, mas não se sentia mais confortável em fazer isso. Afinal, havia perdido a amizade dele. Nem sabia por que estava tão curiosa, mas tudo relacionado a Draco aguçava sua vontade de saber mais sobre ele. Era o mesmo sentimento que teve na infância e adolescência. Uma curiosidade estranha em saber como era a casa dele por dentro, como eram seus pais e como ele era, de fato. Ele mostrou pequenos vislumbres, anos atrás. Mas, nada que saciasse a curiosidade dela.

— Bom...não sei por que você começou com esse assunto. Era para me deixar curiosa? – ela perguntou, com um sorriso.

— Eu...na verdade pensei alto – ele disse – Vamos para casa, Hermione? Eu levo você.

— Está bem – Hermione se resignou – Mas, não pense que vou deixar o assunto passar.

Ele gargalhou.

— Parece que você é muito enxerida. Se quer tanto saber, pergunte a Draco. Eu sou um tumulo quanto aos segredos dos meus amigos.

Eles andaram lado a lado, desligando as luzes e fecharam a porta do saguão. Pararam em frente ao carro, um conversível preto. Estava estacionado do outro lado da rua. Ele abriu a porta para ela e entrou pela porta do motorista. Colocou o cinto e fechou a porta.

— Você está fazendo isso de propósito, Nicolas – ela ralhou, parecendo mais à vontade com o rapaz.

Ele riu, ligando o carro e dando a partida.

— Não mesmo. É feio contar segredos de outras pessoas. Você contaria os segredos dos seus amigos?

— Hum...acho que não.

— Então, não me pergunte mais.

Ele dirigiu em silêncio, parecendo concentrado. Hermione recostou a cabeça no banco, sentindo as pernas doloridas e pesadas. Ele poderia manter os segredos de Draco a salvo, mas Hermione não iria conseguir aquietar sua curiosidade, agora que se reascendeu. Apesar de ter ouvido coisas estranhas de Luna, aquela tarde e não acreditar, sabia que Nicolas seria a pessoa a explicar para ela melhor o mistério que rondava a família Malfoy.

Notas finais
Link vestido Hermione: https://s2.glbimg.com/akOlYg7m-fotj5J9DZJ6rNC6h6A=/smart/e.glbimg.com/og/ed/f/original/2014/01/12/emma6.jpg Gente, percebi que em vários capítulos coloquei o nome da Narcissa errado. Peço desculpas por isso.