Draco abriu a porta do chalé e Hermione ficou na varanda, vendo o lago e as árvores que rodeavam a propriedade. Estava escuro, devido à falta de iluminação no local e eles contavam apenas com a luz fraca da lua crescente.

O lugar era simplesmente mágico e romântico. Era seu lugar favorito em Nova Esperança. Passou tantas tarde com Draco, conversando. Até mesmo mergulharam dentro do lago. Tudo foi inocente, naquele tempo. Em que nada parecia atingi-los. As preocupações com suas vocações e a escolha de faculdade não os deixava nervosos. Apenas aproveitavam a companhia um do outro, de forma inocente. Quase pura. Ela imaginava que naquela noite, não seria assim. Encontravam-se como adultos, que já compreendiam o mundo, que já haviam visto muito. Que apenas ansiavam um ao outro. E Hermione sentia isso dentro de si. Ansiava por conhecer o homem que Draco se tornara. E por mais que não quisesse admitir, queria provar ela. Sentir seu gosto, seu hálito tocar o rosto dela. Sentir seu beijo e fazer amor com ele. Mas, temia tudo aquilo. Seu estomago se embrulhava apenas de pensar na possibilidade, como um adolescente com medo da novidade de ter suas primeiras experiências com seu namorado.

— Você quer entrar Hermione? — ele perguntou — Se desejar ir embora, eu vou entender. Mas, se quiser ficar, prometo que será uma noite agradável. Não faremos nada que você não queira. Podemos fazer como antes, quando passamos a primeira noite aqui. Um jogo de perguntas e respostas. E depois, podemos ver um filme e eu durmo no sofá e você na cama. Eu não me importo, de verdade.

Ela sorriu para ele, agradada com a forma doce que ele a tratava. Ele sempre dava uma escolha a ela. Nunca forçava nada. Talvez, por isso que nunca tenham se beijado. E que nunca tenha se tocado, de fato. Fervia por dentro, para sentir seu toque. Mas, queria refrear o instinto. Queria apenas conhece-lo, outra vez. E ver se realmente valia o risco se entregar a ele. Pois, sabia que no momento que se entregasse, ela não conseguiria esquece-lo, como fez da última vez. A dor seria mais intensa e sofreria mais.

— Está bem — ela concordou com os termos dele — Vamos fazer o jogo de perguntas, então.

Ele sorriu e abriu a porta. Ligou as luzes no interruptor, iluminando no corredor. Ela o seguiu e fechou a porta, usando a chave que ele lhe deu, para tranca-la. Eles seguiram para a sala e Draco ligou a luz. O lugar estava frio.

— Eu vou lá trás, ligar a calefação da casa, ok? — ele disse — Já volto. Se quiser pegar os cobertores, estão no quarto, no andar de cima. Pegue os travesseiros também.

Ela assentiu o vendo seguir pela cozinha, oposta a sala. O chalé era todo de madeira, mas muito bem conservado. Havia outros móveis ali. Mais modernos. Uma TV de plasma, na parede e uma lareira de pedra. Havia um tapete felpudo, de cor creme e um sofá cama, de cor bege. Hermione abriu e saiu da sala e subiu as escadas, indo para o único quarto do chalé. Entrou no lugar, acendendo a luz e encontrou a cama sem lençóis, apenas com os travesseiros por cima. Pegou no armário dois cobertores felpudos, de cor marrom e os travesseiros. Desceu as escadas, indo para a sala de volta e deixando em cima do sofá. Tirou as botas o casaco, deixando no chão e se cobriu. O controle da TV estava na mesinha de centro de vidro. Ela alcançou e ligou a tv, colocando direto no Netflix. Escolheu um filme de comédia, apenas para quebrar o gelo entre os dois. Não queria uma noite agarrada com ele. Apenas desejava um momento para conhecê-lo de volta.

Draco voltou em seguida e sorriu a vê-la no sofá.

— Então, você me permite sentar com você, Hermione? — ele pediu.

— Sim, pode sentar aqui — ela bateu com a mão aberta, ao lado dela.

Ele tirou os sapatos sociais e sentou ao lado dela, puxando um cobertor e se cobrindo. Ele se virou para ela, com um sorriso.

— Então, o que você escolheu para nós assistirmos? — ele perguntou — Comédia romântica, Hermione? Você sabe que não gosto muito.

Ele fez uma careta e ela riu.

— Bom, sou eu quem decido agora. Tenho a posse do controle — ela disse, mostrando para ele o objeto — E nem pense que vamos fazer alguma coisa. Estou aqui como sua amiga, hoje.

Ele a encarou com zombaria.

— É claro que está — ele disse, condescendente — Aposto que veio aqui para relembrar dos velhos tempos, não é?

Ela não queria responder àquela provocação. Nem entendia como tão facilmente cedeu sair com ele. De fato, se lembrava do passado. De tudo que viveram ali. Da amizade. Ele parecia sincero na boate. E ela se lembrou daquele Draco, que era gentil, implorando por companhia. Estava tão brava com ele, quando viu no cemitério, no primeiro dia que esteve em Nova Esperança, mas a raiva havia se dissipado, quando conversaram, ao menos. Se ela o perdoara? Talvez, um pouco. Ainda havia resquícios de rancor pelo passado.

— Nem vou responder a essa sua pergunta. Agora fica quieto que quero ver o filme.

Hermione aninhou as pernas nos cobertores e se cobriu até o pescoço. Recostou a cabeça no estofado, se sentindo bem e tranquila. Lembrou-se da mãe dela. Ao menos precisava enviar uma mensagem para ela. E foi o que fez, informando que estava com Draco e que voltaria pela manhã. Sabia que não iria conseguir ir pra casa tão cedo. Enquanto assistia ao filme, se sentia observada e percebeu que Draco a fitava, de vez em quando. Ele não estava prestando a atenção no filme, mas nela. Hermione não deu atenção, pois sabia que ele estava fazendo isso de propósito. Mas, estava gostando de estar ali. E pela primeira vez, deixou a guarda baixa em relação a Draco.

*-*-*-*-*

Rosália sentia que algo estranho iria acontecer. Sabia disso muito bem. Havia entrado na cozinha, para pegar o jantar. Se sentia um pouco indisposta e cansada. Havia recibo a mensagem de Hermione, que ela iria ficar fora de casa e não se preocupou muito. Talvez, um pouco. Mas, confiava em Draco. Sabia que ele iria cuidar dela.

Quando estava para alcançar um copo do armário, sentiu algo frio. Enregelado. Parecia que a cozinha havia baixado pelo menos dez graus. Ela sentiu arrepios percorrer a espinha e olhou para trás. Não podia acreditar no que seus olhos viam. O homem que estava diante da sua frente. Ela agarrou um copo de cristal, os seus preferidos. Era a única arma que tinha. Acreditou que ele estivesse morto. Ainda podia ver o furo da bala no seu peito, com o sangue seco. Ele sorriu, de forma maquiavélica, para ela.

— Finalmente eu te achei — ele disse, com a voz espectral — Agora não pode escapar de mim.

Ele avançou sobre ela. Rosália atirou o copo e pegou outras taças, tentando atingi-lo. Mas, não acontecia. Ele não era um morto vivo, como imaginou, mas um fantasma. Acreditou que ele poderia se levantar do caixão, em carne e osso, pelo que ele era. Mas, estava enganada.

Ela se esquivou, para fora da cozinha, andando de costas. Acabou tropeçando e caiu no chão. Ele pairou sobre ela, com um olhar sinistro. Os mesmos olhos gélidos.

— Tsc, tsc. Acreditou mesmo que se livraria de mim? – ele zombou dela, pairando a cima dela.

Rosália se sentia paralisada. Temia pela própria vida.

— Você vai pagar bem caro por tentar me destruir, Rosália. Nunca vou deixa-la em paz! – ele trovejou.

Ela tentou se erguer, mas não conseguia. Se sentia paralisada e se sentia sufocar, de repente. Ele ainda a olhava, com um olhar alucinado, até o momento que ela perdeu a consciência.

*-*-*-*-*

— Você disse que hoje seria uma noite de perguntas e respostas — Hermione se virou para ele, quando o filme acabou.

Draco assentiu, com a cabeça recostada no estofado, de olhos fechados.

— Eu respondo, se você responder — ele disse, com a voz baixa.

— Então, seja sincero comigo, ok? — ela pediu.

— Eu sempre sou — ele disse.

— Nem vou enumerar as vezes que você mentiu para mim, Draco — ela retrucou e escutou um suspiro dele — Enfim, quero saber por que você beijou Pansy, no parque, quando era para nos encontrarmos.

— Fácil — ele respondeu, sem abrir os olhos ainda — Eu era um idiota e optei por aceitar o plano dela, para afastar você da cidade. Eu sabia que meu pai estava tentando suborna-la e parecia querer atrapalhar nos negócios do seu pai, caso não nos afastássemos. Na época, eu não pensei em conversar com você..eu...- ele respirou fundo e abriu os olhos, olhando para ela — Eu realmente poderia ter resolvido tudo de forma adulta. Mas, era muito idiota.

Ela assentiu, se sentindo satisfeita pela resposta. Ainda doía em seu coração o que viu, mas ao menos ele tinha uma desculpa. Se for verdade, é claro.

— E você teve namoradas, em todos esses anos? — ela perguntou, curiosa para saber mais sobre ele. E um pouco ciumenta.

Ele sorriu.

— É minha vez de perguntar, Hermione.

— Ah, é claro — ela concordou, corando de vergonha.

— Bom, eu quero saber se você iria me deixar beijar você, quando viemos pela última vez nesse chalé? — ela corou, envergonhada. Não queria lembrar-se daquele dia. Havia fugido dele, com medo. Medo de dar vazão ao sentimento que tinha — Você gostava de mim, Hermione? Pensou em mim, além da amizade?

— Isso são três perguntas. Não vale. Escolha uma, para que eu possa responder.

Ele pareceu pensar.

— Bom, eu quero saber se você pensou em mim, além da amizade.

— Sim, eu pensei. Um dia eu pensei sim — ela respondeu, de forma evasiva.

Os olhos dele reluziram, demonstrando intensidade. Ela perdeu o folego, desviando o olhar para o chão.

— Agora é minha vez. Você namorou com Pansy, depois que fui embora?

— Está com ciúmes dela, Hermione? — ele provocou.

— Se atenha a pergunta, Draco — ela exigiu.

— Hum...eu não namorei ela, de fato.

— E namorou alguém?

Ele gargalhou.

— Hermione, por que quer saber da minha vida amorosa?

— Por que...por que...

Ela nem sabia o motivo, mas estava remoendo de ciúme. Quando o viu de braço dado com Astória, sentiu uma pontada estranha no peito. Sabia que não deveria exigir nada dele, pois não tinha nada.

— Hermione, eu não posso responder com muita precisão essa pergunta, mas quero que saiba que agora que você esta aqui, eu quero estar com você — ele disse, se aproximando dela, no sofá. Colocou o braço no ombro dela e ficou com o rosto bem próximo do dela. Podia ver seus olhos azuis acinzentados e sentir o hálito dele tocar sua pele. Era torturante — Eu quero você, como nunca quis outra mulher, Hermione. E vou perguntar a você de novo, eu posso beija-la?

Hermione engoliu seco. Não sabia se deveria ou não fazer aquilo. Sabia que se o beijasse, estaria perdida. Estava quase cedendo, quando escutou algo vibrar no sofá. Pegou o celular dela, para ver a ligação da sua mãe.

— Oi mãe.

— Filha, você pode vir pra casa hoje? — ela pediu, com a voz tremula — Não estou me sentindo bem e não quero ficar sozinha.

Hermione achou estranho aquele pedido.

— Er...claro, mãe. Estou indo.

— Obrigada, querida. Se puder passar na farmácia e comprar um antitérmico.

— Claro, mãe, até logo.

Hermione desligou o telefone, olhando para a tela, ainda sem entender o que houve.

— Está tudo bem? — Draco perguntou, ainda próximo dela, com o braço sobre o ombro dela.

— Minha mãe, ela não está se sentindo bem. Pediu-me para ir para casa.

— Eu a levo, Hermione — Draco se dispôs.

— Não é necessário, Draco. Sério mesmo.

— Eu insisto — ele disse, afastando o cobertor e levantando do sofá. Puxou o celular dele, digitando na tela — Vou chamar um carro para nós e levo você. E ainda quero saber se posso te beijar, Hermione.

Ela deu risada, balançando a cabeça.

— Eu acho melhor não, Draco.

A expressão dele murchou. Ele mordeu os lábios, sem fita-la, olhando para a tela do celular. Hermione se sentiu mal por isso, mas tinha medo de entregar seus sentimentos a ele. Não sabia se seria magoada mais uma vez. Logo o carro chegou e Hermione pediu para parar em uma farmácia. Comprou o antitérmico e depois, chegou em casa. É claro que Draco quis esperar na sala, enquanto Hermione subia para o quarto da mãe.

Foi até a cozinha, notando que o jantar que ela tinha deixado para sua mãe estava intocado na mesa e que havia estilhaços de vidro no chão. Hermione iria pensar naquilo depois. Apenas pegou um copo com água e subiu para o quarto dela. Não bateu na porta, apenas entrou, acendendo a luz. Ela viu sua mãe deitada, com a coberta até o pescoço, encolhida, voltada para a parede. Parecia estar chorando.

— Mãe, esta tudo bem? — Hermione perguntou, se aproximando da cama, com o remédio e o copo de água.

— Está sim, querida — ela respondeu, com a voz anasalada — Só deixa o remédio. Estou com muita febre e não quero que você pegue um resfriado.

— Mãe, a senhora...a senhora está bem mesmo? — Hermione deixou o remédio e a água em cima da mesa de cabeceira e sentou-se ao lado dela, tocando sua testa. Realmente, estava ardendo em febre — Mãe, não pode ficar coberta assim. E precisa tomar o remédio. Vamos, eu te dou.

— Querida, não precisa se preocupar comigo, estou bem — ela disse, fungando, de olhos fechados. O rosto estava vermelho. Devia ter chorado. Hermione mordeu os lábios, preocupada.

— Mãe, não faça assim — Hermione pegou o remédio antitérmico e a água – Vamos lá mãe, beba o remédio e tire essas cobertas de cima de você. Vai só aumentar a febre.

Rosália abriu os olhos, lentamente. Estavam avermelhados. Ela assentiu, fracamente e tomou o remédio. Voltou a se deitar e Hermione a cobriu, até a cintura.

— Vai ficar tudo bem mãe — Hermione disse, acariciando os cabelos dela.

— Obrigada por vir, querida. Eu...não sei, mas não estava me sentindo bem. E...tive medo — ela sussurrou. Os lábios estavam rechaçados e pálidos. Estava de olhos fechados e mal parecia respirar.

— Por que teve medo, mãe? — Hermione perguntou. E também queria saber por que ela quebrou um copo na cozinha e deixou de comer. Mas, no dia seguinte iria perguntar a ela. Depois que ela descanse e estivesse disposta.

— Eu...é bobagem, sabe. Já acabou. Tudo acabou — Rosália disse — Eu fiquei só com medo que...não queria você longe de casa. Mas, não é a mesma coisa agora que ele se foi. Você está segura. Eu sei que está. Mas, sinto que algo está errado.

— Mãe, do que está falando? Quem se foi?

— Esqueça querida. Só me deixei dormir, sim?

Hermione respirou fundo. Ainda havia muitas perguntas que sua mãe deveria responder, mas não naquele momento em que estava acamada. Ela a deixou no quarto, apagando a luz e fechando a porta. Deparou-se com Draco no corredor e quase gritou, devido ao susto. Colocou a mão no coração, sentindo as batidas frenéticas.

— Quer me matar? — ela disse — Poderia ter dito que estava ai.

— Eu não queria assusta-la. Apenas fiquei preocupado com sua mãe. E vi na cozinha tem caco de vidro para todo lado. O que houve?

— Eu não sei, Draco. Minha mãe esta falando coisas estranhas. Disse que estava com medo. Mas, que nem deveria ficar, porque alguém já se foi. E que estou segura agora. Não entendi nada.

Draco ficou estranhamente em silêncio.

— Você sabe de algo? — ela perguntou.

— Eu não sei. Talvez, sua mãe ainda esteja...frágil — Draco disse, em voz baixa — Vamos descer e eu a ajudo a limpar a cozinha.

— Não, Draco, não precisa. Você já fez demais por hoje.

— Eu insisto. Ter mais tempo com você me deixa feliz.

Ela sorriu, contente por ver que ele desejava estar em sua presença. Por mais que não devesse dar qualquer esperança. Ela queria fugir dos sentimentos que tinha por Draco. E assim que sua mãe estivesse bem, ela voltaria a Londres. Não iria viver naquela cidade, por tanto tempo. Então, ter algo com Draco estava fora de cogitação.

Eles desceram as escadas juntos e ele a ajudou descartar o vidro quebrado. Sua mãe havia quebrado pelo menos quatro taças, que estavam no armário. O que era estranho. Ela adorava aquele jogo de taças. Por que havia feito aquilo? Depois de descartar o vidro em uma caixa de papelão e deixar na frente de casa, Hermione jogou toda comida fora, que havia feito para o jantar. Suspirou, triste por ver que o progresso da mãe dela não estava sendo como esperado. Ela nem mesmo queria frequentar o psicológo, como Hermione sugeriu algumas vezes.

Draco chegou por trás dela, a abraçando. Hermione deixou que ele a tocasse. Era muito bom estar nos braços dele.

— Está tudo bem, Hermione. Eu estou aqui pra você, não importa o que aconteça — ele sussurrou, no ouvido dela.

O peito dela doeu ao ouvir aquilo. Não poderia se render de novo ao que sentia por ele, mas não conseguia resistir a ele.

— Draco...eu...não quero que pense que isso, o que temos, ira mudar...porque não vai — ela diss, lentamente — Somos apenas amigos agora.

— É pelo que aconteceu, no passado? É por isso que não quer me dar uma chance? — ele perguntou, se afastando dela — Por favor, olhe para mim.

Ela se virou para ela, sentindo o ar faltar, ao ver a dor e raiva em seus olhos cinzentos.

— Não é só por isso...eu só não quero me envolver com ninguém...eu estou com a cabeça cheia — ela respondeu, mas se sentia confusa. Queria abraça-lo, mas ao mesmo tempo, fugir dele. Fugir do que sentia.

Ele balançou a cabeça, cruzando os braços.

— Hermione, por que não admite que gosta de mim? Por que não quer me dar uma chance? Sempre esta arranjando desculpas, para me evitar. E estou cansado disso. Esperei anos para poder ver você de volta. Eu acreditei que nunca mais a veria. E estamos agora, perdendo tempo...tempo demais!

Ele estava irritado e era visível nos seus gestos. Passou a mão pelos cabelos platinados, com um olhar agoniado.

— Hermione, me diga, por que quer tanto me afastar?

— Eu não sei tá legal! — ela respondeu, de forma ríspida — Só me deixa sozinha. Eu preciso pensar. Estou confusa demais com tudo que esta acontecendo. E preciso pensar em minha mãe, não em uma relação com você. Eu só tenho amizade a oferecer. E se isso não é o bastante, pode ir embora.

Ele mordeu os lábios, claramente ofendido.

— Eu...- ele engasgou com as palavras — Só que eu não te vejo como uma amiga, Hermione. Eu nunca a vi assim. Talvez, no começo. Mas, eu passei a amar você. Desejar você.

Ele se aproximou dela, tocando seu rosto. Ela se inclinou para trás, para o balcão da cozinha.

— Draco, não faz isso...- ela pediu, empurrando ele pelo peito.

— Não fazer o que? — ele perguntou, com a voz profunda, tocando o lábio dela, com o dedo polegar — Eu só quero ficar com você, Hermione. Até quando vai me torturar?

Hermione respirou fundo, sentindo o corpo tremulo. Queria muito ceder ao desejo que sentia por ele. Mas, o medo falou mais alto, dentro dela. Ela se esquivou dele, indo para a porta dos fundos, ele a seguiu.

— Draco, eu preciso pensar...eu nem sei se vou ficar aqui. Vou voltar para Londres — ela abraçou a si mesma, tentando controlar a tremulação em seu corpo.

— Eu poderia visita-la, Hermione. Não há desculpa para ficarmos juntos — ele disse, atrás dela — Não há nada que me impeça de ir até você. Só você mesma que está impedindo de ser feliz.

— Você não entende que eu não quero isso? Que não quero sentir o que sinto? Que não desejo ficar vulnerável? Você já me magoou o suficiente, Draco. Não sei se quero sentir isso de novo.

— Eu jamais faria isso de novo, Hermione. Só me deixe cuidar de você — ele pediu, com a voz doce, tocando o ombro dela — Por favor.

— Não, Draco. Eu pedi a você que queria só sua amizade. Não quero mais nada...só respeite minha decisão, por favor.

Ele soltou um muxoxo, se afastando dela.

— Se é assim que deseja. Será Hermione.

Ela escutou ele se afastar e se virou, para vê-lo dar a volta na casa. Ela o seguiu.

— Para onde você vai?

— Embora, Hermione — ele respondeu ríspido — Não era isso que queria? Estou indo embora.

— Draco, eu posso te levar para casa. Eu tenho um carro. Não quero vá sozinho.

— Eu não quero ficar perto de você agora, Hermione — ele parou de frente para o portão, tentando abri-lo. Mas, estava emperrado — Essa droga não está...abrindo!

— Deixe que eu tente — Hermione afastou a mão dele, destravando o trinco.

Ele passou por ela, rapidamente.

— Draco, não precisa ser assim...ainda podemos ser amigos — ela disse, com a voz estrangulada.

Ele parou de andar, já na calçada.

— Você não entende? — ele disse, com a voz tensa — Eu não quero sua amizade. Eu quero você. Se não posso tê-la, é melhor que eu não a veja. Vai ser melhor assim.

— Draco...

Ele não ficou ali, para conversarem, apenas continuou andando, pela calçada, até desaparecer na esquina. Hermione sabia que havia sido dura com ele, mas ele tinha toda a razão ao querer se afastar. Ela estava o magoando. E estava sendo hipócrita ao ficar longe dele, por medo de se magoar. Já estava o torturando demais. Mas, dentro do seu peito, ela pensava de forma irracional, não consigo deixar de ansiar por ele.