A Maldição de Sangue - Dramione
13 Capítulo 13
Draco não esperava que sua mãe fosse lhe causar tanta dor de cabeça. Amava-a muito, mas quando ela tentava decidir por ele o que ele deveria fazer, isso o irritava muito. Depois de sair de um reunião de trabalho e fechar mais um contrato para sua empresa de construção civil, a Dracus Construction, ele não esperava que ela estivesse com a senhora Greengrass na sala de estar. Seu caminho para o quarto passava pela escada. Ele teria que passar pelo saguão, passando do lado sala de estar com portas francesas e indo subir a escadaria de mármore. Se ele teria chance de escapar dela? Infelizmente, não.
— Draco, querido — ela chamou ele.
Draco respirou fundo, colocando sua melhor mascara de contentamento ao vê-la. E ver a senhora Greengrass. Ela tinha cabelos castanhos, amarrados em um coque elegante e grandes olhos azuis. Era tão bonita quanto Astória, sua amiga de colégio. E possível noiva. Não estava na certo, de fato. Ele nunca a pediu em casamento, pois sabia que nunca poderia amá-la. Seu coração já não lhe pertencia há muitos anos. E por mais que tentasse esquecer Hermione com outras mulheres e tentar se apaixonar, nenhuma parecia tocar seu coração e alma. Muito menos Astória, que ele sentia pura e simples amizade.
Ele entrou no cômodo e sorriu para as duas mulheres elegantes, trajada com vestidos que custariam uma pequena fortuna.
— É muito bom vê-las — ele disse, sem realmente sentir. Na verdade, estava cansado e estafado.
Fora um longo dia, tentando manter seu nome e fechar contratos bilionários. Algo que conseguiu, há muito custo. Estava tentando há anos mostrar que era capaz de gerir uma empresa tão bem sucedida quanto a de seu pai. E ele havia, enfim, conseguindo clientes da França. O que era perfeito para ele. Sua carteira de clientes aumentou somente por fechar aquele negócio. Mas, havia Alec Nott que continuava ligando para ele, enviando e-mails e convocando-o para reuniões. E a incerteza de que antigos amigos do seu pai viessem até a mansão de novo, tentar fechar negócios escusos com ele. E por último, o fato de que a lua cheia estava bem próxima e o próximo sacrifício deveria ser feito. Ele não iria fazer isso, de maneira alguma. Mas, Narcisa, sua mãe, estava com medo de represálias. E medo de perder o luxo que tinha. Ele temia que ela fizesse alguma besteira em nome do poder que tinha.
Havia outra coisa que também o preocupava. Hermione. Ele precisava que ela ficasse com ele, não só por ele ter sentimentos profundos por ela, mas para interromper sua maldição. Para que ele não se tornasse o que seu pai foi em vida. Ele temia enlouquecer, como ele. E temia se tornar aquilo que mais temia. Algo que ele nem sabia o que era, de fato. Quando seu pai se transformava em uma fera, ficava irracional. Causava problemas. E não tinha mais controle racional sobre si mesmo. Só foi piorando, com o passar dos anos. O que seu pai era de fato? Um ser bestial. Não era humano. E isso tudo por causa de uma maldição, que havia passado para ele. Draco sentia isso em suas veias e já teve transformações desagradáveis. Quando procurou uma solução para seu problema, seu pai disse que ele precisaria da pessoa certa. Aquela que estaria destinada a ele. Algo que Lucius não tinha para si. Ele não amava nada, exceto o dinheiro, então a maldição o atingiu e o deixou cada vez mais debilitado, com o passar dos anos e havia noites em que se portava como uma fera, tendo que ser contido pela esposa e filho, ou ele sairia para caçar suas vitimas. Era o que aconteceria com Draco, se ele não conseguisse estar com sua eleita, sua amada. E ele sabia que era Hermione. Sentia essa conexão desde o instante que a viu.
— Igualmente, Draco — A senhora Greengrass disse, com amabilidade — Como tem passado?
— Muito bem e a senhora?
— Ótimo, mas um pouco triste pelo seu pai. Era um homem excelente. Alec está inconsolável — Ela estava sendo dramática, é claro.
Ninguém amava Lucius, a não ser Narcisa. Era vísivel que ela apenas suportava a situação, mas demonstrava sinais de que estava perdendo a batalha. Seus olhos estavam cobertos de olheiras e ela levantava tarde. Apenas recebia as visitas, para manter as aparências, algo que ela foi ensinada a fazer, por sua família ser muito influente. Não poderia se permitir chorar. Os Black eram tão poderosos quanto a família Malfoy, mas perderam o prestígio, com o passar dos anos. Muitos deles seguiram por outros caminhos, longe da alta sociedade, incluindo Sirius Black e Andromeda Black, que se casou e se tornou Andromeda Tonks. Sua tia as vezes vinha até a cidade, mas só aparecia em ocasiões especiais. Residia em Londres e se mantinha ligada a Nova Esperança por causa de Ted Lupin, seu neto, que vivia com a família Potter.
— É claro. Meu pai vai nos fazer falta — Draco não estava mentindo. Seu pai ao menos mantinha tudo em ordem, apesar dos sacrifícios. No momento, Draco estava aturando uma torrente de problemas e tentando se desvencilhar da imagem do pai. Então, realmente, ele fazia falta.
— Sem Lucius, não é a mesma coisa — Narcisa disse, um pouco melancólica — Sinto falta do meu marido.
Draco não queria estar ali, para ouvir sua mãe lamentar. Pediu licença, para ir para seu quarto. Tomou um banho, em sua suíte, depois trocou de roupas. Iria correr, algo que sempre fazia no final da tarde. Quem sabe, ligaria para Hermione, mas seria apressado demais? Provavelmente seria. Deixaria que ela sentisse sua falta. Precisaria ir com calma com ela. Quase desistiu de conquista-la, pela forma que fora tratado, mas sua vida dependia disso.
Quando saiu do banho, encontrou sua mãe sentada em sua cama, com os braços cruzados. Com certeza, ela queria conversar. Ele respirou fundo, fechando mais o roupão. Sentia-se muito desconfortável com isso. Deveria pensar em comprar uma casa para si e deixa-la com a mansão. Teria muito mais privacidade.
— Oi mãe, a senhora pode esperar para me trocar? — ele pediu.
Ela o fitou, com um ar avaliativo.
— Apenas quero que pense nos negócios da família, Draco — ela começou a falar, com a voz tensa — Arietta me contou que você não esta participando de nenhuma reunião de negócios com Alec, muito menos cuidando da empresa.
Draco suspirou. Era sobre isso? Ele já havia dito que não faria parte de qualquer negócio que Lucius tivera feito em vida.
— Mãe, eu já expliquei que vou tocar apenas meus negócios, como sempre fiz, em anos. Alec pode muito bem tocar a empresa. E eu apareço em algum evento, ou festa. Eu já estou providenciando com meu advogado a venda das minhas ações e toda documentação, para passar a Alec a empresa.
Narcisa empalideceu.
— Não pode fazer isso. Não pode! — ela exclamou — Quer nos destruir?
— Eu não vou nos destruir, vou nos livrar desse legado que conseguimos pelo sangue de inocentes — ele enfatizou, sem se alterar — Você sabe muito bem o que meu pai fez, mãe. Sabe muito bem que ele agiu de forma antiética para ter tudo que tem. Eu estou fazendo meu império, com minhas próprias mãos, sem derramar uma gota de sangue.
— Você sabe que não podemos parar os rituais. Não podemos parar com que estamos fazendo, Draco. Pense no nosso futuro, pense no que construímos.
Ela parecia desesperada, apertando as mãos. Estava pálida, com os ombros encolhidos. Franzia os lábios, pensativa.
— Mãe, não se preocupe. Eu nunca vou deixa-la passar necessidade. Eu te amo e você sabe que vou cuidar de você. Mas, tudo que veio para nós, será perdido. Alec com certeza não será atingido, pois ele não tem relação com o que nossa família fez. Vamos apenas limpar nosso nome, ok?
Ela negou com a cabeça, se levantando.
— Não pode fazer o que bem entende. Não pode desfazer o que foi feito por gerações, pelos antepassados. Tudo virá a tona. Todos se voltarão contra nós. Aí, então, seremos amaldiçoados!
Draco tentou se aproximar dela, tentando acalma-la com um abraço, mas ela repeliu, com uma carranca.
— Não vou permitir que destrua tudo que construí, nunca, nunca!
Ela desferiu um tapa no rosto de Draco, que se esquivou. Sua mãe nunca bateu nele, nem quando era uma criança levada. Aquilo era muito estranho. Ele a segurou pelos punhos, vendo que ela estava tentando arranha-lo com suas unhas cumpridas.
— Mãe, por favor, pare. Pelo amor de Deus!
— Você é uma vergonha, uma vergonha. Destruindo tudo que é meu — a voz dela estava alterada. Nem parecia sua mãe, que era sempre gentil e amável.
— Mãe, a senhora está fora de si — ele disse, tentando contê-la — Se acalme.
Ela se debateu e ele apertou-a contra si, tentando acalma-la, mas ela tinha algo estranho, uma força excessiva e conseguiu se desprender dele e pegar um vaso de cerâmica, em cima da mesinha de cabeceira dele e atirar contra Draco. Ele desviou e o vaso espatifou contra a parede. Draco nunca a virá daquela maneira.
— Mãe, por Deus, pare — ele pediu. Não queria machuca-la.
Saiu do quarto, pegando a chave na porta e a trancando. Escutou objetos se quebrando lá dentro. Esperou que ela parasse e realmente parou. Mas, ainda a frase que ela dissera, há poucos instantes, ecoava em sua mente: " Você é uma vergonha, uma vergonha. Destruindo tudo que é meu". Seu pai sempre dizia aquilo para ele. Sempre que podia repreende-lo. Seria possível que seu pai estivesse se comunicando através de sua mãe? Nada era impossível, de fato.
Tremia da cabeça aos pés. Temia que sua mãe tivesse perdido o juízo, mas não seria esse o caso, se sua teoria estivesse correta, sobre os mortos voltarem como fantasmas ou espíritos. Ele escutou o choro baixo de sua mãe e abriu a porta. Pode vê-la encolhida no chão, abraçando os joelhos, com a cortina de cabelos loiros caindo sobre o rosto.
— Mãe — ele se agachou e a abraçou — Estou aqui, mãe.
— Filho — ela disse, em um soluço — Não sei o que aconteceu, filho. Estou tão confusa.
— Está tudo bem. Está tudo bem mãe.
Ele ficou abraçado com ela no chão, até que o choro dela cedesse e ela quisesse se levantar, se trancando no quarto. Draco tentou fazê-la sair, mas sem êxito. Não sabia o que fazer, mas não iria desistir de ter sua própria liberdade. Iria encerrar aquela maldição consigo mesmo. Não teria medo, se precisasse morrer para isso.
*-*-*-*-*-*
Depois de correr seis quilômetros, no bosque perto da sua casa, Draco voltou para mansão, apenas para encontrar Pansy, Theo e Astória aguardando ele em sua sala de estar. Ele chegou, com a respiração rápida e suando. Olhou para seus amigos, que pareciam estar tramando algo.
— O que vocês estão fazendo por aqui? — ele perguntou, um pouco irritado. Só queria dormir, depois daquele dia infernal.
— Ora, como assim, o que estamos fazendo aqui? É meu aniversário, seu idiota — Pansy disse, se levantando do divã preto. Parecia uma gata prestes a fincar as unhas nele.
— Ó, me perdoe Pansy...eu não estou em um bom dia — Draco confessou, passando a mão pela nuca — Meus parabéns. Devo estar esquecendo mais alguma coisa, não estou?
Ela assentiu, assim com Theo e Astória, que riam de canto.
— Vamos na boate. Eu já tinha te convidado no mês passado, poxa — ela disse, cruzando os braços e batendo o pé com uma bota de salto agulha, impacientemente.
— Hum...ok, vocês vão precisar esperar.
E eles esperaram. Saíram no carro de Theo, um conversível vermelho. Depois que deixaram o carro no estacionamento e Draco ouvir Pansy falar mal de Potter, o que era irritante, ele a viu. Não imaginava que Hermione estivesse ali, naquela boate. O destino devia estar zombando dele. Ele queria correr imediatamente para ela. Até mesmo se soltou do braço de Astória. Ela gostava de exibi-lo, enquanto eles andavam juntos. Era algo que faziam até mesmo nos tempos de escola.
— Aquela não é a Granger pobretona? — Pansy disse.
A música estava alta, mas Draco pode ouvir claramente a provocação.
— Pare de chamar as pessoas assim, Pansy — Astória ralhou. Ela sempre fora a mais tranquila do grupo. E a que mais defendia as pessoas fragéis. Algo que irritava Pansy. Mas, as duas nunca deixaram de serem amigas.
— Há, como se eu deixasse mesmo. Aquela lá tem um amigo metido a besta, que prendeu meu pai.
— Seu pai foi incriminado, Pan. Não tem como esconder que ele roubou do próprio sócio e guardou seu dinheiro da Suíça. Além do fato de que ele tentou assasiná-lo. Não se pode fechar os olhos para isso — Draco disse, sem ao menos ter dó da amiga. Se ela iria falar da mulher que ele amava, ele iria alfinetar.
— Como pode falar sobre isso? Draco, pensei que fosse meu amigo! — Pansy protestou — Theo, me leve para o bar, preciso beber alguma coisa.
Theo suspirou e arrastou a esposa temperamental para longe. Astória olhou para ele e olhou ao longe, Hermione, que dançava com Luna Lovegood, na pista. Alguns rapazes estavam em volta delas e Draco queria torcer o pescoço de cada um deles.
— Vá lá, antes que você perda a garota — Tory disse, no ouvido dele.
— Como você...?
— Eu sei de tudo, Draco. Vá logo. Eu quero me divertir hoje, também — ela o fitou, com um sorriso, mas que não chegou aos seus lábios. Ele sabia que ela o amava, mas ele não poderia retribuir seus sentimentos.
— Obrigado, Tory — ele disse.
Se afastou, indo direto para a pista de dança. Não era muito seu estilo estar naquele lugar, mas iria dançar com sua garota. Ele chegou por trás dela, a puxando. Ela resmungou e virou o rosto, ficando surpresa em vê-lo.
— Oi meu amor — ele disse, no ouvido dela.
— Draco? O que pensa que esta fazendo? — ela disse, com a voz alterada.
— Dançando com você — ele respondeu, falando em seu ouvido ainda. Sabia que isso só iria provoca-la, mas precisava chamar sua atenção, antes que o moreno, com um coque na cabeça, que tinha um ar de topera, tentasse rouba-la para si.
Ele a puxou, para que ela se virasse e eles ficaram cara a cara. Ela o fitou com um misto de raiva e desejo. Ele a puxou pela cintura, colocando os seus corpos.
— Hermione, não sabia que iria sair para a farra hoje — ele aproximou a boca do ouvido dela.
— Nem eu sabia que você estava saindo com a Greengrass e a largou para vir aqui. Isso é totalmente nojento — ela disse, em se ouvido. Sua voz demonstrava sua irritação, mas ela não se soltou dele. O que era um bom sinal.
— Astória é minha amiga, Hermione. Está com ciúmes? Você sabe que sou seu. Estou esperando que me reivindique — ele provocou.
— Não precisa me falar o que faz da sua vida. E não estou com ciúmes. Você não é meu, pode fazer o que quiser.
Ela estava brava, era visível. Ele beijou sua bochecha, apenas para ver a reação dela. Ela parecia querer esganá-lo.
— Hermione, não negue que você me quer — ele insistiu — Não é só amizade que você quer comigo. E eu já disse que quero você.
— Não quero falar sobre isso — ela disse, se afastando dele e saindo da pista.
Ele a seguiu. Segurou sua mão, apenas para não perdê-la, no meio do mar de corpos. Havia tantas pessoas ali, que ele se sentia sufocado.
— Hermione, vem comigo — ele pediu — Eu tenho acesso livre ao terraço.
— Não mesmo — ela se negou, indo para o bar — Uma cerveja, por favor — ela pediu ao bartender.
— Por favor, vem comigo. Aqui é sufocante demais — ele a prensou, no balcão. Sabia que ela iria ficar muito brava com ele, por estar a segurando pela cintura e ficando colado demais a ela, mas temia que outro homem tentasse toca-la.
— Draco, por que você não vai embora, se está ruim por aqui? — ela perguntou — E você está perto demais. Não sabe o que é espaço pessoal?
— Eu sei o que é. Mas, não quero ninguém apalpando você.
— Há. Mas, é o que você está fazendo — ela respondeu.
Era terrível não poder ver o rosto dela, só a profusão de cachos tentadores dela. Ele beijou sua cabeça, sentindo seu cheiro de jasmim.
— Eu faço isso nas melhores das intenções — ele provocou, beijando o pescoço dela — Vem comigo, por favor.
Ele estava passando mal ali. Não suportava a luz baixa e a quantidade de pessoas era excessiva demais para ele. Fazia muito tempo que não ia em uma boate. Não estava acostumado com isso.
— Ah, está bem — ela pegou a cerveja que o bartender entregou a ela — Onde é esse lugar?
— Vem, eu te mostro.
Ele a guiou por entre as pessoas, tentando passar. Talvez, se conseguisse conversar melhor com ela, poderiam dar um passo a mais na relação complicada deles. E ele poderia se redimir pelos anos que a magoou, além da forma que precisou fazê-la ir embora.
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