Notas iniciais
Oi gente vou mudar o formato de postar o capítulos. Não vai ser por título de capítulo, mas por números.

Hermione não conseguiu ficar tranquila, no dia seguinte. Ainda se lembrava da forma que tratou Draco. Estava irritada com ele, por tudo que aconteceu. Pela forma que foi tratada. Não conseguia perdoar facilmente. Era algo que demorava para ela, esquecer as ofensas e seguir adiante. Ela deveria perdoar Draco, por tudo que houve? Não saberia dizer. Temia estar perdendo a oportunidade de viver um amor que lhe fora negado, com Lucius a ameaçou, anos atrás. Contudo, era muito orgulhosa para admitir a si mesma que fora dura com Draco. A única coisa que fez foi enviar uma mensagem, pedindo desculpas por qualquer coisa e que eles poderiam ser amigos. Amigos, não era tão ruim assim, afinal, já foram amigos. Talvez, ela pudesse perdoa-lo, mas não ter qualquer relacionamento amoroso. Ora, quem estava enganando? Ela o queria, tanto quanto ele demonstrou que ele a queria.

Hermione Granger pedindo desculpas? Não posso acreditar no que estou lendo. Desculpas mais que aceitas. Estou pensando seriamente em passar na sua casa e ver se você jogou fora a cesta de café da manhã que te dei. Quero saber se desfrutou do meu presente, além do fato de saber se seu pedido desculpas e amizade são sinceros. São mesmos, senhorita?

Hermione gargalhou pela mensagem que leu. Parou a máquina de costura. Respirou fundo e disse por mensagem que estava dividindo a cesta de café da manhã com sua mãe. Então, era muito verdadeiro o pedido desculpas e o pedido de amizade.

Eu fico aliviado, Hermione. Eu pensei que nunca mais poderia falar com você. Posso vê-la hoje a noite? Por favor?

Ela sentiu o coração disparar por ler aquela mensagem. A forma que ele parecia desesperado para ficar perto dela era comovente. E ao mesmo tempo, eletrizante.

Sinto muito, Draco. Mas, tenho um encontro com minha amiga de escola. Luna Lovegood, conhece ela?

A mensagem dele chegou em seguida. Ela já sabia que os dois se conheciam, é claro. Ele frequentava o mercado do pai dela.

Conheço sim. O pai dela é dono do mercado Lovegood, que vende produtos orgânicos. Gosto dessa garota. Não tanto quanto eu amo você, Hermione.

Ela engoliu seco por ler aquela mensagem. Não se daria ao trabalho de responder. Tinha medo de estar se iludindo com ele, como da última vez.

Que tal amanhã, então?

Ela respondeu:

Sinto muito, mas vou trabalhar amanhã. Tem um evento. Um vernissage. Estou trabalhando na galeria de arte de Nicolas Linford. Então, pode ser domingo?

A resposta dele demorou dessa vez. Tanto que ela pensou que ele deveria ter desistido de falar com ela. Hermione então, voltou ao seu trabalho, mesmo ansiando por uma resposta dele. Sabia que estava pisando novamente em terreno perigoso. Seu coração estava prestes a se apaixonar de novo por Draco. E daquela vez, pelo Draco adulto, que abalava seus sentidos. E que com certeza, poderia partir seu coração. Além do fato, de é claro, ela acreditar que o pai dele assassinou o seu. O que era péssimo. Aquela relação nunca daria certo, mas com a visita dele a sua casa, na noite anterior, ele a deixou vulnerável de novo. Com vontade de dar uma chance a ele. Nem que fosse para ver até onde ele iria com aquilo tudo.

A mensagem dele chegou por volta do horário do almoço, enquanto Hermione fazia seu macarrão com molho branco. Ela olhava para janela e via Rony trabalhar no telhado da edícula, dessa vez, com Ted apenas subindo na escada e entregando ferramentas. As vezes o menino entrava na cozinha, apenas para conversar com ela. E Hermione, que se apaixonara pelo garoto, dava chocolate para ele.

Está bem, então. Domingo. Mas, talvez eu passe pela galeria. Prometo não incomoda-la. O que acha?

Ela olhou para a tela do celular. O que responderia? Seria uma boa ideia ele estar no mesmo lugar que ela? Ela temia falhar no seu primeiro dia de trabalho, ao vê-lo lindo de morrer e sexy, em seu melhor terno.

Hum...espero que você não me atrapalhe, Malfoy. Eu estarei a trabalho.

Cinco segundos depois, ele respondeu:

Eu prometo que serei bem comportado. Estou pensando, na verdade, em pegar você para almoçar agora. Cedo demais?

Ela riu. Ele não tinha jeito.

Cedo demais, Draco. Vamos com calma, ok? Somos amigos, apenas isso. Então, nos vemos no sábado. E domingo. Você escolhe o que faremos.

A resposta dele veio em seguida:

Pode deixar, Granger. Eu sei o que vamos fazer no domingo. Uma pena não poder te ver agora. Você está linda demais.

Hermione ignorou totalmente a mensagem dele, mas seu coração parecia bater rápido no peito. Ela também queria dizer que ele estava lindo. Muito mais do que do período de escola. Mas, resolveu ficar calada.

Depois que terminou o macarrão e colocou o molho, chamou Ted para almoçar e Rony. Ele ainda estava em cima do telhado e olhou para ela. Não parecia gostar da ideia.

— Vai, Rony, é só um almoço — ela pediu.

— Vou almoçar em casa, Hermione — ele disse — Ted pode comer aqui, se ele quiser.

— Rony, não faz isso. Eu fiz macarrão demais para mim. E tenho certeza que você vai gostar — ela estava insistente, pelo fato de ainda gostar dele como amigo.

Ela sabia que nem deveria implorar, pois ela mesmo demorava para esquecer o que as pessoas faziam para ela. Era justo que ele também ainda guardasse rancor, é claro.

— Não, obrigado de verdade, Hermione. Vou continuar meu trabalho e já estou indo para casa — ele respondeu, dessa vez, com a voz mansa. E parecai agradecido.

— Está bem. Mas, amanhã, você não escapa. Pode ir almoçar comigo. Minha mãe vai estar em casa.

Ele soltou um suspiro. Parecia desconsertado.

— Está bem, amanhã então.

Ela sorriu e ele retribuiu, mas logo ficou sério. Era bom demais para ser verdade, que iria conseguir quebrar o gelo com ele.

— Vem, Ted. Vamos almoçar — ela convidou o garoto, que estava no pé da escada.

O menino correu atrás dela e Hermione serviu o prato para ele, com um copo de suco de laranja. Sentaram na mesa de madeira, um de frente para o outro. O menino comia avidamente o macarrão.

— Me diga, Ted, como você conheceu o Rony? — ela perguntou. Estava curiosa para saber quem eram os pais dele. Se era Remo Lupin, pois o sobrenome dos dois era igual.

— Eu moro com tio Harry — ele respondeu, com um sorriso — E tio Rony me leva para seu trabalho, porque ele gosta de mim. Tia Gina cuida de mim, quando estou em casa.

— Ó, então você mora com Harry? E seus pais?

Ele fez uma careta, desviando o olhar. Seus castanhos marejaram. Hermione se sentiu mal por pressiona-lo.

— Me perdoe, querido — ela disse, puxando a mão dele. Ele apertou, mas ainda não olhava para ela.

— Meus pais morreram — ele respondeu — Um acidente de carro.

— Entendo. Eu sinto muito — ela disse — O bom é que você tem Harry. Ele é um bom amigo.

— Sim, ele cuida de mim faz tempo — o menino respondeu, largando o garfo em cima da mesa. Fitou ela com os olhos avermelhados, mas não derrubou uma lágrima — Tio Rony disse que seu pai também morreu.

— Sim...ele faleceu no começo do mês — Hermione respondeu. Ela não sentia tanto a dor da perda. Mas, incomodava um pouco. Ela não parou para refletir tanto e sentir a dor do luto. Sempre fugia das próprias emoções — Eu gostaria que soubesse que pode vir na minha casa quando quiser Ted. Sou sua amiga.

Ele sorriu, fracamente. Rony apareceu na porta da cozinha em seguida. Estava suado, com as mangas da camisa xadrez, azul e preta, dobradas. Ele parecia mais forte, do que quando eram namorados. E estava muito bonito, com os cabelos ruivos grandes, batendo no pescoço.

— Vamos, Ted. Hora de ir — ele disse.

— Deixe-o terminar de comer, Rony — Hermione pediu.

Rony a fitou, por alguns segundos. Parecia vê-la pela primeira vez. Depois, endureceu o maxilar.

— Preciso deixa-lo com Gina, agora. Pode colocar a comida dele em um pote, por favor? — ele pediu, de forma educada.

Seus olhos azuis demonstravam frieza. Algo que Hermione nunca viu nele. Apenas assentiu para o pedido do ruivo e colocou o restante da comida no pote e entregou a Ted, que agradeceu, indo embora com Rony. Seu amigo de infância não se despediu, mas ao menos, haviam tido uma conversa civilizada.

*-*-*-*-*

Luna a buscou por volta de oito horas da noite, com a caminhonete do namorado. Rolf estava corrigindo provas e iria encontra-las mais tarde, na boate que Luna havia convidado Hermione para ir. Hermione colocou um vestido bordo, com mangas curtas, uma meia calça, com lã por dentro e botas pretas com cadarço. Colocou por cima um sobretudo preto e cachecol. Deixou os cabelos cacheados e soltos, muito bem comportados. Passou uma leve maquiagem nos olhos e um batom vermelho. Fazia muito tempo que não saia com uma amiga e queria se sentir bem aquela noite.

Se despediu da mãe, que ficou no sofá, enrolada nas cobertas, com Bichento em seu colo. Ela parecia melhor, o que era um alívio para Hermione. Quando entrou no carro com Luna, ela checou mais uma vez se Draco havia enviado uma mensagem, mas ele não falou com ela, o dia todo. Ela deveria estar tranquila com isso, pelo fato de ter rechaçado ele várias vezes. Deveria ficar contente com isso. Quando saíram do carro, Hermione deixou o sobretudo e cachecol dela no guarda volumes, pois o lugar esta quente demais.

— Parece irritada — Luna disse, ao lado dela, quando entraram na boate.

— Um pouco, mas vai passar — Hermione disse. Ela não queria admitir, mas queria falar com Draco e estava ficando irritada consigo mesma por estar carente.

— Vamos nos divertir então, vem — ela disse, puxando Hermione pela mão.

As duas foram até o bar e pediram dois shots de tequila, tomando com limão e sal. Foram logo para pista e dançaram juntos. Alguns rapazes flertavam com elas, deliberadamente. Elas riam e Luna mostrava a aliança. Um deles parecia não ligar para isso e queria muito a loira, mas ela fugiu com Hermione para fora da pista, rindo.

— Luna, você provocou todo mundo, de propósito — Hermione disse, rindo.

— É claro que não. Sou inocente — Luna.

Hermione olhou para o lado e congelou. Apesar de estar com a iluminação baixa, ela reconheceria ele em qualquer lugar. Ele andava ao lado de uma moça de cabelo longos e escuros. E vestindo um blazer, com camisa branca. Draco estava ali e estava ao lado de Astória Greengrass, sendo acompanhado por Pansy e Theodore Nott. Hermione engoliu seco, ao ver como Astória segurava o braço do loiro, parecendo a vontade.

— Ah não — Luna disse.

— O que? — Hermione parguntou, com a voz falha.

— Não olha pra lá — Luna disse puxando a amiga para longe da cena que revirava seu estomago.

— Acho que eu já vi, Luna. E eu nem deveria ficar irritada. Ele não meu namorado.

Mas, por dentro ela se sentia péssima.