O som de pingos que ecoavam em minha mente me fizeram abrir os olhos em um sobressalto. Senti meu coração bater mais forte e minha respiração acelerar conforme o panico ia aumentando em meu peito. Meus olhos apenas capturavam uma vasta escuridão diante de mim, conforme minha visão ia se adaptando com o escuro eu ia conseguindo enxergar as pedras que tinham ao meu redor. Estava em uma caverna sombria e assustadora, o único som que ecoava ali eram das gotas que escorregavam nas pedras afiadas do teto. Com meus pés descalços em contato com o chão rochoso me fez ter arrepios em minha pele, além dos calafrios que aquele lugar me proporcionava. Sem saber onde estava, ou como sair de lá eu decidi seguir em frente no único caminho que tinha ali. Minha caminhada parecia nunca acabar, e a única coisa que conseguia enxergar era a vasta escuridão que tomava todo o caminho a frente.

Um bater de asas repentinamente ecoaram entre as parede rochosas me fazendo pular com o susto que havia levado. Congelada onde estava eu percorri meus olhos por todo o local, com medo do que eu poderia ver, foi quando identifiquei pares de olhos vermelhos me observarem não tão longe, não sabia dizer o que era, a escuridão apenas me permitia enxergar os olhos de cores fortes e brilhantes que se destacavam no escuro, fazendo meu cérebro criar varias paranoias do que poderia ser. Entre o silencio e o som das gotas que caiam eu consegui ouvir um som longínquo a minha esquerda, se assemelhava à asas batendo, porém não apenas um par, mas milhares. Forcei meu pescoço que estava travado pelo medo mover um pouco para a esquerda, foi quando meu corpo já tremulo começou a tremer ainda mais. Apenas conseguia enxergar aqueles mesmo pares de olhos se aproximarem, porém em uma quantidade muito maior. O som ficou cada vez mais auto a cada vez que eles se aproximavam mais, foi quando consegui fazer meu corpo se mover, corri para o lado contrario que aquelas coisas viam, corria o mais rápido que eu conseguia, porém não tão rápido quanto as asas que me perseguiam.

Senti garras afiadas perfurarem minha carne me fazendo gritar de dor, eu cai no chão gelado da caverna escura, e imediatamente senti mais daqueles bichos se aglomerarem em minhas costas. Unhas afiadas fincavam profundamente em minhas costas me fazendo gritar e espernear, foi quando senti os bicos naqueles animais arrancarem pedaços enormes de minhas costas, o meu próprio sangue quente que escorria por meu corpo me fazia entrar ainda mais em panico, os pedidos desesperados por socorro apenas ecoavam entre aquelas paredes fechadas sem ninguém para me ouvir. Foi quando consegui a visão de uma silhueta humanoide que se aproximava, eu estendi minha mão para ela e pedi por socorro, porém ela não fez nada, apenas parou próximo a mim e continuo a assistir o espetáculo. Com a visão embaçada pelas lagrimas grossas que escorriam dos meus olhos eu pude distinguir os cabelos brancos que se destacavam na escuridão, juntamente com pares de olhos vermelhos brilhantes que assistiam minha face desesperada. Mesmo no escuro eu sentia que aquela pessoa sorria para mim.

Minha cabeça foi empurrada para baixo por garras afiadas que fincavam em meu cranio, se emaranhando com meu cabelo, minha bochecha foi espremida contra o chão gelado, logo senti o sangue grosso e quente que escorria por meu rosto.

Foi quando acordei em um pulo em minha própria cama, suando frio e chorando eu gritei desesperadamente por minha mãe que veio correndo me atender. Já era manhã e conseguia ouvir os pássaros cantarem do lado de fora da casa, os raios de luz que passavam por minha janela iluminavam todo o quarto rosa, eu apenas pedi para mamãe me tirar dali.

Depois daquilo apenas voltei a entrar naquele quarto durante a noite, quando mamãe me colocou mais uma vez para dormir.

E mais uma vez eles não estavam lá para me protegerem do escuro.