A Maldição

1 Capitulo 1: Os Pioneiros 01: As crianças do outro lado da margem!


Notas iniciais
Duas crianças, o outro lado da margem do rio, um conflito, muitas duvidas, três homens, realidade ou loucura?

– Ei! Quem são aquelas crianças do outro lado da margem?

– Crianças? Onde?

– Lá. Veja, do outro lado da margem, entre aquelas duas árvores!

– Senhor eu nãos as vejo, que árvores? A onde?

– O que elas fazem aqui longe da aldeia, no meio desta floresta? Aqui não é lugar para crianças!

– Mas Senhor, queira me desculpar, mas eu insisto, não estou vendo criança nenhuma por aqui, a onde você as vê? Pode me dizer precisamente onde elas estão?

O jovem senhor apenas olhou por uns instantes para o rapaz que estava ali junto com ele, como se estivesse avaliando se responderia ou não aquela pergunta óbvia, no entanto, ele preferiu ignorar e interpelou outro companheiro de caçada que agora se juntava a eles para que definissem providencias já que a noite se aproximava e o dia não havia sido promissor, mesmo com toda a abundância de animais de caça que a floresta oferecia.

– Então, o que.... — Antes mesmo que Valentin que se aproximava dos dois companheiros de caça terminasse sua pergunta foi interrompido pelo Senhor que parecia muito ansioso, irritado e contrariado.

– Olhe lá Valentin, entre aquelas duas árvores após o córrego, no outro lado da margem, você as vê?

– Vejo o que meu amigo? — Devolve a pergunta de forma carinhosa e cordial, esboçando um sorriso acolhedor para o velho amigo.

– Diga-me Valentin, o que você vê então? O que está lá neste momento e não poderia estar? — Insiste o jovem Senhor demonstrando inquietação e ao mesmo tempo mudando o contexto da pergunta a fim de provar ao jovem rapaz que era tão evidente a presença daquelas crianças que se quer ele precisaria denunciá-las para que Valentin as visse.

O rapaz apenas acompanhava o diálogo entre Valentin e o jovem Senhor, ele mesmo já começará a sentir seus batimentos cardíacos acelerados, estava assustado com a situação surreal, pois aquele senhor insistia ver algo diante de si que ele não havia, que não estava ali, e percebeu de pronto que o fato dele não ter verbalizado a Valentin a presença das crianças era de fato uma provocação para si, e isto o assustou, pois percebeu que havia um problema ali, fosse com ele ou com o jovem senhor, alguém iria precisar de ajuda.

– Mas claro que vejo. Suponho que aquelas arvores sejam mais velhas do que nossas três vidas somadas, são centenárias sem dúvida. — Respondeu Valentin mesmo sem ter entendido muito bem a pergunta do amigo.

– Não são as árvores que estou lhe perguntando se está vendo, mas sim, para o que está entre elas, o que elas protegem e abrigam na margem do riacho. Está vendo? — Insiste o velho amigo, começando a demonstrar impaciência.

Valentin olha para o jovem rapaz como se procurasse com ele uma explicação para o comportamento estranho do velho amigo, no entanto o rapaz apenas fez uma careta como se denunciasse que estava tão confuso quanto Valentin, e permaneceu em silêncio apenas acompanhando o desenrolar daquela cena intrigante, afinal, devido a convicção do jovem senhor o rapaz já alimentava duvidas consideráveis se era ele quem estava deixando escapar a realidade ou aquele senhor estava incluindo mais ingredientes a sua realidade.

– Sem dúvida, se formos seguir pelo caminho das metáforas, o que me agrada muito. — Ele para, pensa e prossegue na sequência com entusiasmo. Valentin tinha um apresso imenso por debates calorosos e recheados de teorias pouco prováveis, adorava um duelo no campo das ideias.

– Devo-lhe dizer que aquelas duas arvores que citas com sabedoria impar neste momento um tanto quanto inesperado para mim, pois meu caro, devo-lhe dizer que esta sua repentina visão poética me alegra mas também me surpreende por demais, afinal...

– Por favor, Valentin! Pare com esta sua teorização sobre tudo e apenas me diga o que vê entre aquelas duas árvores, mais precisamente na margem do riacho guardada por elas. — O velho amigo interrompe Valentin de supetão e o intima que diga logo o que vê. Valentin por sua vez ainda não se deu conta do que acontecia, e insistia no seu íntimo que o velho amigo de uma hora para outra estava buscando explicações de contextos mais profundos para a simplicidade do que se poderia ver numa simples paisagem.

– Ande logo Valentin, diga a ele o que você vê, pois, você está me deixando mais nervoso do que ele! — Instiga o jovem rapaz, que clama por explicações para o que acontece no momento e vê em Valentin a resposta para a sua sanidade ou não.

Diante da pressão de ambos Valentin se agonia, fica ansioso, por um momento, achava que estava sendo desafiado por uma batalha de ideias no campo das metáforas, no entanto, naquele momento já não sabia mais o que estava acontecendo, começou a perceber a impaciência de ambos, o nervosismo, a agonia que eles estavam por sua resposta, diante deste novo entendimento da situação, Valentin decidiu ser o oposto do que é, é foi objetivo como talvez nunca tenha sido na sua vida inteira.

– Está bem, está bem! Vou dizer o que vejo. — Falou Valentin um tanto sem jeito e desconfortável com toda aquela situação inusitada.

– Deus seja louvado! — Ironiza o jovem rapaz. Valentin apenas o olha de canto de olho demonstrando com sua expressão que o tal comentário não lhe agradou nenhum pouco, mas não lhe faz nenhum comentário e tenta prosseguir até que de novo é interrompido, porém agora pelo velho amigo cada vez mais impaciente.

– Diga-nos o que vê somente isso, e diga de uma vez, sem rodeio. — O velho amigo está por demais de agitado e ansioso. Valentin começa a ficar preocupado e confuso, porém diante da situação, resolve ser pratico, direto e objetivo e descreve exatamente o que vê diante dos seus olhos.

– Bem senhores por mais estranho que isso possa estar parecendo ser, e de fato é, mas para satisfazer seus anseios vou lhes dizer o que vejo diante de mim neste exato momento. Estamos nós aqui, bem no centro da maior e mais hostil das Florestas das quais já conheci, e também a mais intrigante, misteriosa e encantadora de todas elas.

– Por favor, Valentin! — Repreende o Jovem rapaz ansioso, enquanto o velho amigo caminha de um lado para o outro com o olhar fixo no local onde diz ver as tais crianças. Valentin percebe que seu discurso não está confortando ninguém e muito menos atingindo o objetivo, afinal, sua opinião sobre a floresta naquele momento é irrelevante. Diante disso ele dá outra direção ao seu discurso ainda que contrariado.

– Está bem! Já entendi. — Ele faz uma pausa como se estivesse tentando se policiar, a fim de pontuar exatamente suas palavras na busca da objetividade e praticidade tanto reclamada pelos dois companheiros, e logo a seguir continua.

– O que vejo aqui é uma bela paisagem, no qual mal conseguimos ver o sol, e sim somos apenas contemplados apenas com alguns raios de sol que perfuram as frestas abertas deixadas pelas copas destas belas árvores, e se não fosse o fato de estarmos nas margens deste rio, que corta de fora a fora esta floresta estaríamos completamente refém desta neblina que inexplicavelmente predomina sobre esta floresta, e....

– O que vê do outro lado da margem Valentin, o que vê lá entre as árvores? — Interrompe aos berros e completamente sem nenhuma paciência o velho amigo que parece estar vivento uma tortura psicológica interminável imposta pela retórica de Valentin. E Valentin, confuso e se sentindo pressionado continua.

– Sim, eu sei, vou chegar lá! — Respira fundo, completamente confuso e continua com a ajuda do rapaz que lhe dá uma dica demonstrando a mesma agonia do velho amigo.

– Valentin, se detenha as duas grandes árvores, o que há entre elas, na margem do rio? — Valentin o olha, o suor lhe corre a testa, mesmo com o frio presente naquela floresta, ele morde os lábios, leva a palma da mão direita e forma de concha ao rosto, cobrindo o nariz e a boca ao mesmo tempo, e aos poucos vem descendo sua mão que começa a contornar sua extensa barba, até que ela se fixa a pequenos puxões no seu queixo que o faz pressionando o dedo polegar com o indicador, este é um movimento característico que denuncia que Valentin está sobre pressão e inseguro diante daquela situação.

– Mas eu já havia dito, sim eu vejo estas duas enormes arvores centenárias que se destacam entre todas as arvores que fazem parte da paisagem das margens deste rio, na verdade olhando agora elas me remetem a uma outra imagem. — Valentin diz isso se aproximando da margem do rio, caminhando lentamente e focado na tal imagem que diz agora poder ver. O velho amigo fica eufórico e suplica para que Valentin diga logo o que vê, enquanto o rapaz começa a ficar apavorado, imaginando porque só ele não vê. Valentin então continua.

– Não dá para ter certeza devido à forte neblina que agora se forma, mas quando venta, a imagem fica mais nítida! Claro, agora está claro! — Exclama Valentin.

O jovem rapaz olha apavorado para Valentin e retorna olhar para a margem do outro lado do rio novamente, fica ali parado, fixando seu olhar entre as arvores, procurando desesperadamente as tais crianças, porque só ele não via? O que havia de errado? Será que estava ele enlouquecendo e não o velho amigo como supunha? Por outro lado o velho amigo se anima, para de caminhar de um lado para o outro e se dirige em direção de Valentim, agarra-o pelos braços com força e fala entusiasmado e empolgado.

– Meu Deus! Você quer me enlouquecer homem? Diga a este garoto logo o que nós dois estamos vendo e ele não! E vamos logo, precisamos ajudá-las?

– Ajudá-las? — Pergunta em voz alta para si mesmo Valentin demonstrando surpresa com tal colocação do velho amigo.

O jovem rapaz volta a ficar confuso, pois percebeu que talvez Valentin não via as tais crianças, porém o que será que este via diferentemente deles? Valentin por sua vez não interpretou desta forma, mas sim julgou que o amigo apenas não tinha considerado o perigo da situação, afinal havia um risco muito grande daquelas crianças sozinhas nesta floresta ainda mais nas margens daquele rio. E assim, na extrema euforia continuou:

– Sim! Ajudá-las! Não há tempo, precisamos ir logo, ficar aqui discutindo não irá resolver nada, precisamos ir.

O jovem rapaz olha com cara de poucos amigos para Valentin e faz sinal para que este diga logo o que vê, pois aquela situação está ficando por demais de complicada, este por sua vez agora está totalmente confuso, sem entender absolutamente nada, ajudar o que? Aquelas árvores? Não há tempo para que? O velho amigo começa a se preparar para levantar acampamento ao mesmo tempo que inicia sua estratégia e planeja o resgate.

– Acredito que há uns três quilômetros descendo o rio há um caminho que possamos percorrer correr e atravessar o rio com uma certa segurança.

– Atravessar o rio? — Pergunta o jovem rapaz quase que de susto, parado, sem reação, apenas ali, em pé, acompanhando a movimentação do velho amigo que fala sem parar enquanto arruma suas coisas e continua vidrado na outra margem do rio.

– Sem barco? Não temos barco. — Argumenta Valentin.

– Há um local não muito longe daqui onde o rio é menos extenso, e segundo me disseram há uma travessia que liga uma margem a outra. Vamos logo o que estão esperando? — Indaga o velho senhor.

– Ande Valentin, diga o que você viu! — Confronta o rapaz Valentin, fazendo sinal que este diga logo e acabe com aquela confusão.

O velho senhor para de supetão fazendo cara de surpresa e olha para Valentin com uma expressão de confuso e abre os braços levemente como se tivesse perguntando afinal o que você viu? O que este garoto está dizendo? Valentin então respira fundo e percebe que há uma tremenda confusão ali, sente que há coisa está bem mais complicada e confusa do que havia imaginado, de fato ele não tinha entendido o tamanho da gravidade naquela situação e tenta em vão dizer o que afinal tinha visto.

– O que eu vi ainda meio que confuso, pois a distância....

– Valentin! — Interrompe o velho amigo com cara de irritado, sugerindo que o mesmo seja objetivo. Valentim de novo respira fundo, esfrega a mão nos olhos e continua falando e demonstrando na sua fala toda a sua insegurança naquele momento.

– Tive a impressão que estas duas arvores grandes são na verdade uma espécie de portão, pois percebam, que há uma trilha de arvores atrás destas duas que deixam o mesmo espaço que há entre elas como se fosse um caminho, formando assim, uma trilha, que é formada por arvores, agora fiquei curioso, para onde será que esta trilha nos leva?

O jovem rapaz, percebendo em fim que Valentin também não via as tais crianças, o interrompeu energicamente acabando com o mistério em torno da paisagem, e pela expressão de seu rosto advertiu que Benjamin não estava bem.

– Eu disse isso a ele, não tem nada ali, mas ele insiste em dizer que ali, na margem entre as árvores há duas crianças sentadas nos observando.

– Crianças? — Pergunta Valentin espantado.

– Sim Valentin, estão ali paradas, sentadas e olhando para nós. — Responde Benjamim. Valentin se acoca na margem do rio, e força seu olhar para o outro lado da margem procurando pelas tais crianças, mas o rapaz ainda muito ansioso questiona:

– Mas que crianças? Valentin, ele não está bem eu te disse que ele estava estranho. — Adverte o rapaz.

Calma Prudêncio! Calma. — Responde Valentin, e continua.

– Benjamim, calma, não precisa ficar nervoso, tenha calma. Apenas nos relate o que você está vendo agora, neste momento. — Valentin tenta acalmar o Senhor Benjamin, restabelecê-lo, tranquilizá-lo, e calmamente o segura pelos braços olhando firmemente em seus olhos, porém com ternura, tentando passar para o apavorado senhor tranquilidade. Este por sua vez, está tenso, suando frio, o suor escorre pelo rosto, suas mãos estão tremulas e geladas, a veia dilatada no seu pescoço denuncia que seus batimentos cardíacos estão alterados, seu rosto esta pálido em contrapartida, seus olhos estão esbugalhados, sua respiração ofegante intercalando com falsetes, seu olhar parece não ter uma direção certa, ao mesmo tempo em que ele olha para as supostas crianças logo em seguida ele desvia o olhar, como se não quisesse ver, mas, no entanto algo lhe puxa mesmo contra a vontade em direção a elas. E com dificuldade, voz tremula e quase sussurrando ele fala o que vê.

– Elas estão ali, bem ali, sentadas entre aquelas duas arvores. Estão nos olhando agora, o tempo todo, com a mesma expressão, com o mesmo olhar, elas são estranhas Valentin. Não dizem nada, não fazem nada, só nos observam atentamente, precisamos tirá-las de lá, é perigoso, precisamos logo ir até lá, antes que escureça.

– Mas como você consegue ver com esta nitidez toda Benjamin, diante desta neblina, há esta distância? Não há nada lá, olhe bem! — Desafia Valentin.

– Como não? Estão bem ali! Olhe bem que você verá! Olhe Valentin, olhe!

– Mas a gente mal consegue ver a margem do outro rio, há pelo menos um meio quilometro de distância entre as margens, e com esta neblina, não há como ver Benjamim! — tenta em vão racionalizar a situação o jovem Prudêncio na esperança de trazer novamente para a realidade o velho amigo.

– A menina agora esboça um sorriso Valentin! Ela está rindo de mim.

– Sorrindo para você? Meu Deus! Não há como ver uma coisa dessas mesmo considerando que de fato tivesse alguém do outro lado desta margem! — confronta novamente Prudêncio.

– Calma Prudêncio! — Valentin o adverte o empurrando e o afastando de Benjamim, fazendo-lhe uma careta dando-lhe a entender que o confronto naquele momento não é o melhor caminho. Este por sua vez ainda muito preocupado e agitado se afasta e acompanha atentamente o desenrolar daquela cena. Valentin enxuga o suor da testa com a mão e olha para Prudêncio como se procurasse uma sugestão de como agir naquele momento, mas o rapaz mesmo que aliviado por saber que na verdade não era ele que estava enlouquecendo, estava agora apavorado com o estado do pobre amigo. E Benjamin continuava a ver coisas cada vez mais estranhas do outro lado da margem do rio.

– Ela continua sorrindo e olhando para mim! — Benjamin parece cada vez mais apavorado. Então Valentin desiste de confrontá-lo e tenta acalmá-lo dando corda a sua imaginação.

– Tudo bem Benjamin, tenha calma, apenas nos diga o que você vê, talvez você seja especial e possa ver algo que não estamos preparados para ver. — Prudêncio olha para Valentin e faz uma careta de reprovação, Valentin por sua vez devolve a careta como se perguntasse se por acaso ele tinha uma ideia melhor. Então Benjamin responde.

– Tem duas crianças lá Valentin, cada uma delas estão sentadas nas raízes das arvores e escoradas nelas, bem nas proximidades da margem do rio. — Benjamin faz uma pausa, seus lábios tremem, suas mãos estão geladas e também trêmulas, os três estão acocados e ajoelhados na margem do rio, Benjamin está no meio, Valentin e Prudêncio tentam manter o amigo seguro o mantendo entre eles, pois temem qualquer ato inconsequente por parte do delirante amigo.

– Continue Benjamim, o que mais você está vendo? — Valentin o estimula.

– Numa das árvores está a menina, que continua me olhando fixamente assim como o garoto.

– Garoto? Há um garoto também? — Pergunta Valentin

– Sim, ele está escorado na outra árvore, também sentado, nos olhando, com o mesmo olhar penetrante da menina, há um olhar frio que me arrepia, me apavora vindo deles.

– Calma Benjamin, eles estão longe, a outra margem do rio, tenha calma.

– Não Valentin, eles estão mais próximos que você imagina, eu posso senti-los, eles estão aqui.

– E o que eles estão fazendo agora Benjamin.

– A menina parece estar se divertindo com tudo isso, ela tem um olhar indiferente, frio, calculista, mas ao mesmo tempo demonstra um sorriso sarcástico, parece estar se divertindo com o que vê.

– E o garoto? — Pergunta agora Prudêncio que incorpora também a estratégia de Valentin.

– Este continua ali, parado, sem nenhuma expressão no seu rosto, apenas movimenta a cabeça levemente para os lados de vez em quando, como se tivesse procurando o melhor ângulo para observar.

– Que idade eles têm Benjamin? — Pergunta Valentin.

– Não sei, mas parecem ter no máximo uns sete anos de idade, não mais que isso, elas são apavorantes, porque vocês não hás veem? — Considera Benjamin.

– Ainda não sabemos Benjamin, mas fique tranquilo, tenha calma, vamos descobrir tudo vai ficar bem, vamos....

– O que é aquilo? — Interrompe Benjamin tentando levantar-se e sendo acompanhado pelos dois amigos com todo o cuidado.

– Aquilo o que Benjamin? — Pergunta Prudêncio tão apavorado quanto Benjamin.

– Há um cesto enorme de palha entre eles coberto por um pano branco, e a há algo se mexendo naquele cesto, dá para ver.

– O que está há dentro do cesto Benjamin, você pode ver? — Pergunta Valentin.

– Não sei, não consigo ver, está coberto. Espere, espere!

– O que Valentin? O que você vê? — Pergunta Valentin totalmente envolvido no delírio ou na visão de Benjamin.

– O menino levantou-se e caminha até o cesto.

– E a menina?

– Ela continua ali sentada e agora sua expressão é uma combinação de satisfação, prazer, sarcasmo, frieza, eu não consigo decifrá-la, eu apenas sinto que ela está se divertindo muito com tudo o que está acontecendo. Agora ela tirou o olhar de nós e está olhando para o garoto que está olhando o pano branco que cobre o cesto.

Os dois amigos estão ali, apreensivos, completamente envolvidos em todo aquele delírio, já se perguntam o que de fato é real e imaginário, enquanto Benjamin descreve as cenas os dois amigos olham em direção as tais árvores na esperança de talvez puderem também ver as imagens descritas pelo delirante e pobre amigo.

– Meu Deus! O que eles vão fazer? — Exclama Benjamin com uma expressão de terror no rosto.

– O que Benjamin? — Pergunta Prudêncio.

– Ande, fale Benjamin! Diga logo! — Suplica Valentin.

– A menina também se levantou e agora está à frente do cesto junto com o garoto. Eles se olham Valentin, ela olha para o céu e ri euforicamente.

– E o garoto Benjamin? — Pergunta Valentin.

– Ele continua sério, com olhar frio, nos encarando friamente enquanto ela ri muito de braços abertos em direção ao céu. Ei! Espere um pouco.

– O que foi? — Indaga Valentin mais uma vez.