A Maldição de Sangue - Dramione
22 Capítulo 22
No final das contas, Draco e Hermione foram direto para um restaurante que ele conhecia e tinha entrada VIP. Era um prédio com terraço coberto, com amplas janelas. E ao redor, tinha um bosque, sem muitos prédios altos em volta para atrapalhar a vista do local. Era possível ver o céu pontilhado de estrelas, sem lua, aquela noite. E Hermione sentia-se pela primeira vez segura, depois de tanto tempo ao deixar Nova Esperança.
Antes que ela pudesse puxar a cadeira acolchoada para se sentar, Draco veio em seu auxilio.
— Permita-me – ele pediu, puxando a cadeira pra ela.
Hermione não pode deixar de rir. Ele estava sendo cavalheiro para impressiona-la. Mas, era agradável ter as atenções dele daquela forma. Ela se posicionou para sentar na cadeira e ele a empurrou para mais perto da mesa. Depois que ela estava acomodada, ele sentou-se a frente dela. Havia um lindo arranjo de flores sobre a mesa. Eram lírios brancos, dentro de um vaso de vidro. Hermione ficou observando a flor, porque, de fato, não sabia como se portar diante da presença de Draco. Já fazia tanto tempo que não ficavam juntos. No dia que ela fora na boate com Luna não contava para ela. Aquele momento, naquele restaurante, era o que de fato tornava tudo mais sério. E ela não sabia o que pensar. Deveria se portar como sua velha amiga? Deveria esquecer as desavenças? Ela já estava cansada de brigar com ele. Não suportava mais guardar magoas e ele somente se mostrava cortes com ela. Se preocupando. Mas, havia ainda a questão do pai dele, Lucius, poder ter matado o seu pai. Ainda tudo era nebuloso em sua mente. E sua mãe com certeza, estava envolvida naquela situação. Mas, ela ainda não sabia responder aos seus questionamentos. E naquela noite, ela preferia baixar à guarda e dar uma chance para Draco. Ao menos, para serem amigos novamente.
— O que gostaria de provar essa noite? – ele perguntou, olhando para ela com olhos intensos.
A baixa iluminação do terraço não permitia que ela pudesse ver a cor dos seus olhos com clareza. Pareciam ter escurecido.
— Não há um menu? – ela perguntou, desviando os olhos dele.
— Há sim, mas eu gostaria de saber se você tem alguma preferência – ele respondeu.
— Hum...deixe-me ver – ela colocou a ponta dos dedos sobre o queixo, dando batidinhas leves, fingindo pensar e voltou seu olhar para ele. Draco estava expectante – Será que eles têm batatas fritas?
Sua pergunta fez Draco rir de forma humorada. Ela também riu, mas afinal, em um restaurante fino não teria batatas fritas. Mas, nada que o dinheiro pudesse comprar.
— Hermione, eu vou escolher para você, pode ser? E depois, eu compro suas batatas fritas – ele disse isso e puxou a mão dela que estava sobre a mesa, acariciando. Seu toque era gentil e ao mesmo tempo, causava intensos arrepios pelo corpo dela — Estou muito feliz que tenha aceitado sair comigo, sabe? Eu quase acreditei que você iria me ignorar para sempre.
Ela engoliu a seco. Essa era sua vontade, mas todo o esforço que ele estava fazendo para se aproximar dela contava muito para que ela mudasse sua opinião sobre ele. Mas, isso não significava que ela havia esquecido tudo que ele a fizera passar.
— Estou inclinada a te dar um chance – Os olhos dele reluziram em expectativa e isso fez o coração de Hermione amolecer. E até mesmo ela retribuiu o aperto de mão dele, sentindo o seu toque quente sobre sua pele – Mas, quero entender algo.
— Posso explicar o que você desejar, Hermione. Qualquer coisa é só me perguntar.
Ela se preparou mentalmente para a pergunta, então, mesmo hesitante, ela perguntou:
— Você não está noivo mesmo de Astória Greengrass? – ela havia perguntado devido ao fato de que as duas famílias realmente iriam se unir, quando Draco era mais novo. E ela sabia disso.
Draco deu um sorriso, parecendo gostar muito de ver Hermione insegura quanto aquele assunto.
— Estou detectando ciúmes em você? – ele brincou.
Hermione fez uma carranca para ele, soltando a mão.
— Não fique brava – ele pediu, rindo – Eu não tenho nada com Astoria. Ela é uma velha amiga.
— Velha amiga, isso eu sei. Mas, eu também sou, é claro. E não seria bom ela nos ver juntos e pensar que nós...bem...
Ela não queria falar sobre o beijo que trocaram. Fora algo que nunca pensou que aconteceria. Desejou durante um bom tempo aquele beijo, enquanto era amiga de Draco, mas quando ela o viu com Pansy Parkinson, tudo desmoronou. Toda sua vontade de tê-lo ao lado de se arrefeceu. E seus sonhos caíram por terra. Ela pensou que um rapaz como ele nunca iria olhar para ela. Somente não esperava ser destratada. Contudo, ele tinha seus motivos. Motivos esses que era para afasta-la de um pai sanguinário, que não aceitaria a união dos dois.
— Eu não tenho nada com ela, Hermione, eu lhe garanto que não — ele insistiu em dizer, com um sorriso genuíno e se recostou na cadeira, com ar vitorioso — Percebo que você está insegura. Mas, eu já disse que a amo. Eu apenas estou esperando que você admita que sente o mesmo por mim.
Sua voz continha certa insegurança. Hermione podia ver que ele estava cheio de expectativas quanto a isso, devido ao seus olhos procurarem os dela com tanta paixão, mas ao mesmo tempo, medo. Ela não sabia o que sentia. Era tão confuso para ela seus sentimentos.
— Você é muito convencido — ela brincou, para que eles pudessem desviar daquele assunto sério. Draco continuava sorrindo, mas de forma hesitante — Eu preciso conhecê-lo de novo, Draco. Você não é o mesmo garoto que eu conhecia. Você é uma incógnita para mim.
Ele assentiu.
— É justo. Então, podemos começar agora mesmo. Pergunte o que desejar.
Ela queria perguntar várias coisas, mas não sabia por onde começar. Não teve tempo de formular uma pergunta, pois o garçom veio a mesa deles, perguntando sobre o pedido. Ela deixou que Draco escolhesse o prato que seria servido aquela noite e ele pediu um champanha. Logo, foi colocado sobre a mesa um balde com gelo e o champanhe dentro e a bebida fora servida em duas taças. Draco pegou a dele e pediu que eles fizessem um brinde a um novo começo.
— A um novo começo — Hermione disse, depois de brindar com ele e tomar da sua taça. O gosto do champanhe era agradável no paladar.
Os dois se fitaram longamente, até que Draco quebrou o silêncio entre eles.
— Como você passou esse tempo longe daqui? Gostava de Londres?
Hermione não sabia por onde começar e o que falar. Era um tempo solitário, mas o qual ela dividiu com Vitor, seu ex.
— Bom, como você sabe, fui embora com Vitor Krum — ela respondeu.
— Sei, o jogador de futebol — Draco disse, com certo desdém. E isso fez Hermione rir — O que, o que foi? Por que está rindo?
— Acho que você também tem ciúmes, Draco — ela alfinetou.
O sorriso que ele deu a ela era convencido
— De fato, não gosto de dividir nada do que é meu — ele respondeu, de forma provocante.
Hermione gargalhou dessa vez.
— Você me considera sua prioridade agora, Draco?
— Hum, considero você minha, mas infelizmente, eu não poderia tê-la — ele disse, com azedume.
— Ok. Vamos mudar de assunto — ela pediu, pois de fato, era estranho ainda falar aquelas coisas com ele — Como eu ia dizendo, eu e Krum nos tornamos um casal. E pude me formar e lecionar como sempre me imaginei fazendo. Meu pai sempre quis que eu cursasse Direito, mas nunca foi o que quis fazer na vida. E bem, a confecção de roupas veio de uma forma inesperada. Eu apenas queria ter mais dinheiro, para me separar de Vitor. Nós nunca nos entendíamos — Ela sorveu o champanhe, pensando no quanto ela e Vitor era incompatíveis. Ele nunca a escuta sobre o que ela gostava, e na verdade, eles mal conversavam. Ele alegou que Hermione poderia ter dito que isso a incomodava, pois era um fato que Vitor não era alguém que mantivesse uma conversa por muito tempo. Ele era calado e reservado — Mas, acho que nós dois erramos, sabe? Nós dois simplesmente nos acomodamos.
Draco assentiu a observando atentamente, com verdadeiro interesse.
— E depois, veio à traição dele e eu não pude mais ficar naquela relação. Eu acho que a culpa era minha de fato. Eu apenas saí de Nova Esperança por causa dele e eu não o amava de verdade — Admitir isso era algo que ela não esperava fazer. De fato, nunca o amou. Ela o admirava e até mesmo gostava dele, mas não era um sentimento forte — Então, acho que depois disso, minha vida foi...- Ela pensou nos anos de solidão e de trabalho interrupto. Não havia tempo para pensar, pois não era isso que ela desejava fazer — Bom...foi bastante monótono.
— Eu já tinha visto suas roupas — ele comentou, com orgulho dela — E você tem talento. Passou esses anos aprendendo algo importante, Hermione. Eu sempre admirei você, pois tudo que você faz é com o seu coração. Com afinco e tudo de forma perfeita. Eu posso dizer que isso me inspirou a buscar meu próprio caminho, quando resolvi montar a minha empresa. Cursei engenharia, não apenas para meu pai, mas para mim. Eu queria ser independente dele. Mas, foi através do seu exemplo que percebi como eu deveria seguir meu caminho. Você é honesta, integra e nunca se deixou seu espírito ser quebrado, apesar das ameaças do meu pai e eu ter quebrado sua confiança. Eu sinto tanto por isso...- ele olhou para o lado, com um olhar cheio de remorso. E era um dos momentos que Hermione o viu vulnerável e deixou de lado toda sua mágoa — Eu deveria ter conversado com você, dito a verdade, que precisava proteger você. Quando você recusou o dinheiro do meu pai para se afastar de mim, eu deveria ter te contado os planos dele. Eu deveria...
— Não pense no que deveria ter feito Draco — ela pediu, colocando a mão sobre a dele. Ela não estava apreciando vê-lo martirizado — Eu sei que poderia ter evitado nossa briga e meu afastamento, mas duvido que eu não teria desistido de ficar aqui na cidade ao ouvir a verdade sobre seu pai. Eu te amava e estava disposta a lutar por nós dois, mas nada acabaria bem.
— Eu daria tudo para que me amasse de novo — ele puxou a mão dela e levou aos lábios, beijando com carinho — Eu quero ser amado por você, Hermione.
Sua voz era baixa e aveludada, parecendo uma súplica da parte dele. E ela sentiu todo seu corpo responder ao seu toque. Ela queria dizer que estava em vias de fato para ama-lo novamente. Estava de novo se apaixonando, mas era pelo homem diante de si, não o garoto que conheceu. Contudo, o jantar fora servido, interrompendo-os. Draco soltou a mão dela e os dois ficaram em uma clima constrangedor. Hermione não sabia o que falar, por isso optou por comer.
O jantar terminou rapidamente. E ela não sabia como eles poderiam terminar a noite. Foi quando ela teve uma ideia.
— Draco, o que acha de nós pegarmos um sorvete e comer dentro do seu carro? Podemos parar perto do lago e ficar lá, como já fizemos antes.
Ele sorriu, de forma satisfeita.
— Eu acho perfeito.
*
— Qual você quer? — ele perguntou, antes de sair do carro.
— Quero ir com você para escolher — ela pediu.
— Não quer que eu pegue? Eu adoraria fazer isso por você — ele se ofereceu.
— Não. Eu escolho e pago pelo sorvete.
Draco bufou, contrariado.
— Você poderia me deixar agrada-la uma vez na vida, Hermione Granger?
Ela gargalhou.
— Não.
Ele revirou os olhos e sorriu. Aproximou o rosto dela, a deixando sem ar. Sua boca estava centímetros da dela e ela sentia seu hálito toca-la de forma íntima. Seus olhos eram intensos e ela sentiu aos lábios formigarem. Sentiu o desejo subir, de forma avaçaladora, se inclinando para beijo-lo.
— Eu acho que devemos ir então — ele se afastou e ela soltou um muxoxo de descontentamento. Ele fizera de propósito.
Eles saíram do carro e Hermione seguiu na frente, entrando no mercado, que era da família Lovegood. Ela cruzou o estacionamento, pisando duro, com raiva da provocação de Draco. Se ele queria brincar, ela iria mostrar para ele que sabia muito bem jogar aquele jogo.
Draco se aproximou em passadas largas e a puxou pela cintura, fazendo com que ela parasse de andar e virou-a para ele.
— Por que a pressa, meu amor? — ele perguntou, com um sorriso presunçoso.
— Eu...não...- ela estava sem palavras. Como ele poderia ser tão idiota? — No carro...você fez de propósito, não foi?
— Eu fiz algo que a magoou? — ele perguntou, com tom inocente, colocando uma mecha de cabelo dela atrás da orelha.
— Ora, não se faça de tolo — ela respondeu, ríspida.
— Eu não sei... realmente, não estou entendendo o que fiz — Mas, dessa vez ele sorriu de forma provocativa. E aproximou o rosto do dela, se inclinando para beija-la.
Hermione afastou o rosto e ele beijou sua bochecha. Depois, riu.
— Pronto, agora estamos quites — ela se afastou dele, ainda irritada, mas sorriu. E nunca se sentiu tão vitoriosa na vida.
— Hum, isso vai ter revanche, senhorita — ele brincou indo atrás dela.
*
Hermione comeu do seu pote pequeno o sorvete de creme, com raspas de chocolate, sentada dentro do carro de Draco. Eles escutavam uma música acústica, conversando. Ela nunca se sentiu tão em paz. Estava amando estar com ele. Os dois se provocaram o tempo todo, até que ele conseguisse roubar um selinho dela. Draco prometeu que a faria implorar por ele. O que estava quase conseguindo, mas ela não queria perder. Ela desejava que eles fossem apenas amigos, até ela sentir que poderia confiar nele.
— Me deixe provar do seu sorvete — ele pediu, tirando a colher da mão dela e pegando o sorvete, levando a boca — Hum...isso aqui está muito bom. É melhor que o meu de chocolate.
Ele tentou puxar o pote da mão dela, mas ela puxou para trás, encostando a cabeça já janela.
— Nada disso, Malfoy. Você comeu todo seu sorvete e ainda quer o meu? — ele perguntou indignada.
— Eu quero sim — ele respondeu, com um sorriso enorme — E eu quero outra coisa também.
— O que...- ela não teve tempo de responder, pois ele encurtou o espaço entre os dois e colocou seus lábios aos dela, em um beijo ardente.
Ela sentiu todo seu corpo corresponder, e buscou sua língua de forma ávida. Então, ele se afastou, puxando o pote de sorvete dela.
— Ora, você me enganou! — ela reclamou se sentindo um idiota por ter caído naquele golpe baixo.
Ele comia o sorvete, rindo dela.
— Me desculpe, mas você perdeu dessa vez, meu amor.
— Para de me chamar de seu amor — ela reclamou, cruzando os braços.
— Mas, você é, Hermione — ele passou o pote de sorvete para o banco de trás e puxou a nuca dela, olhando-a nos olhos, de forma profunda — Me deixe amar você hoje.
— Eu... Draco...ah...- ela ficou sem palavras, sentindo seu coração bater rápido.
Ele não esperou qualquer resposta e dizimou a distância entre eles, puxando-a para um beijo doce e envolvente. Depois puxou-a para seu colo. Pelo banco estar afastado, ele conseguiu encaixa-la perfeitamente e ainda toca-la com suas mãos. O beijo se aprofundou. Os dois estavam tão envolvidos que se esqueceram de tudo ao redor. Draco afundou seus dedos nos cabelos da castanha, de forma que todo o corpo dela se arrepiou. Ela fez o mesmo, tocando os cabelos da nuca dele, puxando-o para si. Mesmo que estivessem colados um ao outro, não parecia suficiente.
E o que eles não sabiam era que o telefone de Hermione tocava sem cessar no banco de trás. E não notarial tão cedo, aquela noite.
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