A Maldição de Sangue - Dramione
23 Capítulo 23
O clima entre eles, dentro do carro, era algo que Hermione nunca esperou que tivesse em toda sua vida. Nunca, em nenhum momento Vitor a tratou daquela maneira apaixonada e romântica. Nunca beijou seus lábios daquela maneira, nem a puxou contra si com tanta avidez. Ela sentia todo corpo estremecer diante do seu toque. Era como ter acordado de uma vida monótona, sem cores, para estar nos braços dele e se ver rodeada por sua luz, por sua vivacidade. Não somente luxúria entre os dois, mas algo mais intimo, mais profundo, que não precisava ser comunicado, apenas sentido. E o sentimento dela estava transbordando. Ela começava a despertar para uma nova realidade, em que não conseguia se ver sem Draco. Esperava apenas que ele sentisse o mesmo e não estivesse brincando com ela.
O beijo foi interrompido, de repente. Ele ainda não havia retirado sua mão do rosto dela, mas fez uma careta de desagrado. Um barulho de zumbido, parecendo abelhas voando, preencheu o carro. Era o celular de algum deles tocando. Hermione olhou para ele, também, chateada pelo momento que foi cortado, simplesmente pelo toque de um telefone.
— Será que é o seu, ou o meu? — ela perguntou.
Ele apalpou o próprio bolso, puxando o objeto retangular e checando.
— Não, deve ser o seu. É melhor atender. Pode ser uma emergência — ele disse, com um ar sombrio — É o que eu não espero.
Foi naquele momento que ela viu uma foto dela, mais recente, sentada em um banco de praça com seus cabelos soltos. Mas, como ele havia conseguido aquela foto. O celular vibrou de novo, chamando a atenção dela. Ela olhou para Draco, que parecia sem graça.
— Atenda, Hermione — ele aconselhou.
Ela sentiu o estomago se retorcer de repente. Tinha medo apenas de pensar o que poderia ser. Passou para o banco de trás, e puxou o celular da bolsa. Havia três chamadas perdidas de Luna. O que ela poderia querer àquela hora? Então, uma mensagem havia despontado na tela.
"Hermione, onde você tá? Vem para o hospital agora. Sua mãe precisa de você!"
Hermione sentiu o corpo inteiro tremer, de repente. Era como se todo o mundo se tornasse frio de repente. Por que sua mãe estava no hospita? Será que ela estava bem? Será que ela teve algum tipo de problema de saúde? Será que ela chegaria a tempo, para não ver sua mãe morrer...
— Hermione — Draco chamou ela, preocupado — O que houve?
— Minha mãe...Draco — ela soluçou de repente.
Ele tomou o celular da mão dela e parecia ter entendido a situação. Ela ainda estava no banco de trás, se abraçando, pensando no que aconteceria se sua mãe morresse. Elas perderem a intimidade, depois que Hermione foi embora da cidade para viver em Londres. Mas, se ela perdesse sua mãe agora, agora que tudo estava melhorando, agora que ela sentia que queria recuperar o tempo perdido, nunca iria se perdoar. Perdera tanto tempo imersa nos seus próprios problemas pessoais, que esqueceu da sua família. Se esqueceu do seu pai, que se fora sem dizer adeus. E agora sua mãe poderia também estar prestes a partir.
— Hermione se acalme — Draco pediu, com a voz serena — Tudo vai ficar bem. Não deve ser nada.
— Como pode saber? Luna nunca que perde a calma...e de repente essa mensagem...a meu Deus...- ela sentia como se fosse desmaiar, pela pressão baixa.
— Eu vou ir até lá, ok. Fica tranquila. Fecha um pouco os olhos e descansa.
Ela fez o que ele pediu, mas abriu os olhos a cada instante, tentando ver se já tinham chegado ao hospital. O trajeto parecia longo, excruciante ao mesmo tempo. O tempo parecia contra ela, parecia que tudo estava desabando em sua cabeça, também. Por que tudo de ruim parecia acontecer naquela cidade? Primeiro seu pai, depois descobriu que Lucius poderia tê-lo matado. E sua mãe tendo ataques psicóticos, alegando ver seu pai e Lucius. E por último, a mãe de Draco. O que havia naquela cidade? Era uma maldição daquele lugar? Seria possível mesmo que forças estranhas estivessem por trás de cada evento misterioso e esquisito que aconteceu naquela cidade? Nunca em toda sua vida passou por nada parecido. Muito menos ouviu falar de um pacto de sangue. O qual Draco havia dito que sua família fizera. Ele dizer que era amaldiçoado a ser uma besta, caso não conseguisse quebrar a maldição. Tudo isso era demais para ela processar.
Finalmente o carro havia parado no acostamento. Hermione desceu, sem esperar por Draco, apenas atravessando a rua e entrando pelas portas automáticos do hospital, indo direto para a recepção.
— Por favor, preciso...- ela tomou o ar, enquanto a recepcionista a encarou com os olhos indiferentes — O quarto de Rosália Granger.
— Documentos, por favor — a recepcionista, com um crachá escrito o nome Sara, pediu.
Hermione procurou pela carteira, mas não encontrou.
— Eu não trouxe. Mas, por favor, me ajude — ela implorou, sentindo algo quente percorrer por seu rosto. Estava chorando.
— Sem documentos, não posso libera-la para entrar — Sara disse, firme.
— Mas, que história é essa? Minha mãe pode estar morrendo!
Draco entrou naquele instante, carregando a bolsa de Hermione e o celular dela. Chegou perto do balcão e deixou a bolsa em cima.
— Aqui, Hermione.
Ela o olhou agradecida e fulminou a recepcionista que a olhava com um ar indiferente. Hermione pegou a carteira, com as mãos tremulas e Draco a ajudou a tirar seus documentos e entregou para Sara. Ela fez o cadastro, que parecia não ter fim. Depois, liberou a entrada somente de Hermione para UTI.
— O que ela tem? — Hermione perguntou, histérica.
— Senhorita, vou ter que pedir para se acalmar. O médico vai explicar tudo.
— Eu preciso ir junto com ela — Draco interveio.
— Somente a família pode entrar, senhor — Sara disse, com a voz irritada.
— Uma ova que vou ficar esperando aqui fora — ele se exaltou.
Naquele momento, Luna despontou no corredor, acompanhada de Rolf. Ela tinha os olhos inchados e vermelho.
— Pelas vozes, eu sabia que eram vocês — ela disse, chegando perto de Hermione.
A morena se jogou nos braços da amiga. Luna a abraçou, tentando conforta-la.
— O que houve, Luna? O que minha mãe tem? — ela perguntou, exasperada.
— Vem, vamos conversar primeiro na sala de espera — Luna convidou.
Os quatro saíram da recepção e fora para sala de espera, cheia de cadeiras, com uma TV mostrando as senhas de atendimento ao publico. Hermione não conseguia se conter, sentada na cadeira. Draco segurava uma mão de Hermione, beijando seu dorso repetidamente, enquanto Luna explicava para ela o aconteceu aquela noite.
— Sua mãe tentou ligar para você, mas só dava na caixa postal — ela explicou. Hermione se sentiu mal por ter tido um momento tão romântico com Draco, se esquecendo da própria mãe — Então, ela me ligou. Disse que não encontrava o colar de proteção em nenhuma parte e que via Lucius na casa. Depois, a ligação ficou muda. Eu corri para lá e encontrei ela deitada no chão, pálida. O médico explicou que ela teve uma parada cardiáca.
— Ah meu Deus — Hermione levou a mão a boca, dessa vez, chorando sem cessar. As lágrimas embaçavam seus olhos.
— Hermione — Draco disse baixinho abraçando ela.
— Eu sinto muito — Luna murmurou — Eu deveria ter reforçado o campo de proteção, para que Lucius não tivesse achado uma brecha para entrar. Fui descuidada.
— Isso não é sua culpa, Luna — Rolf disse.
— Não mesmo — Hermione concordou, limpando as lágrimas, se afastando de Draco um pouco — Eu ainda não consigo acreditar em nada disso...mas, é tão estranho...todas essas coisas ruins acontecendo. Narcissa, minha mãe, meu pai e Lucius...O que está acontecendo?
— Hermione, é as interferências espirituais — Luna explicou, de forma calma. Seus olhos azuis estavam sérios — Eu acredito que esta sendo mais difícil do que parece conter o espírito de Lucius. O nosso grupo sofreu ataques depois que foi feito o ritual para falar com ele, na lua cheia. A maioria das mulheres estão doentes, de cama, sentindo-se fracas, como se suas energias tivessem sido sugadas. Apenas eu e a líder estamos bem, Hermione. Há algo errado. Parece que a cada dia que passa, Lucius está mais forte. Ele deve estar se alimentando das energias dos vivos. Precisamos encontrar um jeito de para-lo.
Hermione mal ouviu o que Luna falou. Não conseguia acreditar nas ideias excêntricas de Luna. Era algo inconcebível para ela. Quando se morria, simplesmente não se tinha mais contato com a pessoa. Seu corpo já estava apodrecendo de baixo da terra. Ninguém havia voltado para contar o que tinha do outro lado. Além do mais, ela era cética. E muito racional. Apenas limpou os olhos e sem querer ofender, ela disse
— Lu, eu preciso ver minha mãe. Não quero falar sobre isso.
— Tudo bem, amiga. Vá lá. Eu entraria, mas eles não permitem, se não for da família.
Ela abraçou Luna, agradecendo por tudo e sua amiga apenas acariciou os cabelos dela.
— Vai dar tudo certo. Dê isso a sua mãe — ela entregou outro colar de proteção, com uma pedra de topázio transparente — Não deixe ela tirar, tudo bem?
Hermione apenas assentiu, nesse momento, apenas entorpecida. Ela seguiu pelo corredor e tomou o elevador para o quarto andar. Foi liberada para entrar na UTI e conversou com o médico de plantão, que disse que sua mãe estava estável no momento, apenas estava em observação. Ela havia parado de respirar e precisou ser entubada. Hermione tentou não demonstrar o quanto estava abatida, mas era impossível.
Ela entrou na enfermaria, onde outros pacientes também estavam em estado grave, acompanhada do médico, já com o jaleco e mascára, para não contaminar o ambiente e chegou perto do leito em que seu mãe estava deitada. Ela estava com um semblante abatido, mas sem nenhum sinal de derrame. Hermione respirou mais aliviada.
— Doutor, posso por isso na minha mãe? — ela perguntou, mostrando o colar em sua mão.
— Claro, vá em frente — ele respondeu.
Ela chegou perto da mãe, na cama. E mesmo que não acreditasse em magia, em paranormalidade, ela colocou o colar em sua mãe, tocando a testa dela, com a mão tremula.
— Vai ficar tudo bem, mamãe — ela disse.
*
— Para onde vocês vão agora? — Luna perguntou, se preparando para sair do hospital com Rolf, quando Hermione voltou para a sala de espera.
— Eu vou ficar, quero saber se ela vai acordar — Hermione respondeu.
— Não é melhor descansar? — Draco sugeriu.
— De jeito nenhum! — Hermione respondeu, em tom que não admitia contrariedade.
Luna sorriu.
— Não há como mudar a ideia dessa menina, Draco. Se acostume com isso e faça companhia para ela.
— Com toda a certeza que vou — ele disse, puxando Hermione para um abraço — Eu nunca vou deixa-la. Nunca mais.
Hermione sentiu o peito aquecido quando ouviu isso. Depois, se despediu de Rolf e Luna, agradecendo mais uma vez pela ajuda. Ficou com Draco na sala de espera, os dois abraçados. Ela apenas implorava para que tudo ficasse bem. E se realmente Deus existia, que ele pudesse amparar sua mãe.
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