A Maldição Do Bruxo Scrooge
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Anderson M. é uma envelhecida mansão, construída em meados da Idade Média, como orfanato para crianças abandonadas. É um dos orfanatos mais visitados em toda a Europa. Desde então centenas de Órfãs viveram aqui, e hoje abriga 110 órfãs. Porém uma que se destaca entre as outras. Danielle – 17 anos alta, magra, pálida, cabelos negros e longos e olhos de um perfeito azul. Veio parar na Anderson M. Com apenas sete anos, depois de um terrível acidente que matou sua família.
Essa é sua história. De como sua vida mudou completamente: Todo dia de manhã Danielle acordava bem cedo, levantada com disposição e ia acordar suas amigas, Dorys – uma garota engraçada, baixa loira, magra, tão pálida quanto Danielle. E Amber – ruiva e bronzeada, um tanto alta, magra, e esquisita. Eram elas, as melhores amigas de Danielle, também sendo órfãs. As mesmas já estavam descartadas da lista de adoção. Quase maiores de idade, só iriam terminar o ensino médio, poderiam sair quando bem entendesse trabalhar fora, ou no próprio Anderson M.
Danielle despertou, deu uma tapa de leve nas costas de Dorys que dormia profundamente.
— Acorda Dorys! – exclamou.
-O que? – acordou a menina assustada.
— Temos aula – respondeu.
— Assim, isso – disse a menina sorrindo.
Danielle fez o mesmo com Amber, a mesma acordou antes da garota encostar as mãos nela. Lá fora na Anderson M. tudo estava calmo, como sempre, desceram as escadas um pouco atrasadas pra aula de história. Ao entrarem na sala de aula, deram de cara com um rapaz, ele poderia ter a mesma idade delas ou mais velho. Talvez uns vinte ou vinte e cinco anos ele tinha o cabelo loiro tenebroso alongado pelo ombro, era alguns centímetros mais alto, tinha uma pele alvejada, um pouco bronzeada, seus olhos eram azuis, mais carregados que os de Danielle, e sua boca, totalmente, impecavelmente delineada.
— Com licença, nos atrasamos – disse Danielle, ele virou e a admirou pela primeira vez, seu rosto mudou de expressão, agora ele abriu um sorriso de lado, como se semelhasse atônito ao vê-la.
— Sem problema, entrem – sua voz era musical e majestosa, assente e enigmática.
Elas aderiram e entraram na sala, Dorys ria pra Amber assinalando um lugar vago no centro, Danielle caminhou até o fundo e sentou na ultima fila, ainda recatada.
— Bem... Bom dia classe, sou Louis Fernand Morty, mais podem me chamar de Louis, não gosto de ser chamado de professor – ele sorriu – sou substituto do Sr. Élber, espero ser bem vindo, Sra. Marta disse que são as melhores alunas da Anderson M. – ele concluiu com um belo sorriso no rosto.
— Bem, primeiro de mais nada, quero conhecer melhor vocês, ficarei por aqui permanentemente, e espero avaliar cada uma — ele disse pegando uma ficha em sua mesa. — bem vamos começar, é... Ângela?- ele disse olhando pra turma.
— Aqui — disse Ângela, uma garota morena e engraçada, tremeu ao seu nome ser chamado. Louis sorriu para ela a anotou alguma coisa em sua prancheta.
— Bianca? – ele chamou.
— Presente – disse Bianca. Bianca era um modelo na Anderson M., do tipo CDF.
— Barbara? – ele chamou.
E apodou mais três garotas, todo o tempo Danielle ficava o admirando, não conseguia parar de olhá-lo, sempre com um pressentimento estranho.
— Danielle? – ele chamou.
— Aqui – Danielle alçou a mão, Louis sorriu para ela, e voltou para a ficha em suas mãos.
Louis sorriu – mas por dentro jazia gritando – seria essa a garota? Seria essa a escolhida. Danielle voltou a olhar para sua prancheta, lá permaneceu disfarçando esta perpetrando algo, para poupá-la de olhá-lo sempre. Louis chamou todas as alunas e sorria graciosamente para cada uma.
†
Mais tarde distraído, Louis não detinha de pensar na criatura fascinante hoje na sala de aula – Danielle. Ele sentiu a imagem expelida de Anabela. Não parava de maravilhar-se com a foto de Danielle em sua mão. Cabelos negros e carregados até a cintura, o rosto pálido e compassivo, os olhos azuis e cintilantes – semelhavam cogitar a luz de todos os mares – a boca cruel e ao mesmo tempo meiga. Só uma palavra – pensou. Apenas uma palavra a delineia – perfeita.
Danielle, a jovem e esplêndida Danielle... Tão perfeita e afetuosa. Micheli ficaria satisfeito com o resultado de seu plano.
†
Logo a pós a aula de cálculo, as três meninas voltaram para o dormitório. Danielle não deu muita cautela às duas garotas que falavam sem parar sobre o novo professor – quem era ele? – ajuizou.
Danielle soltou os longos cabelos e desmoronou na cama, lá ficou pacata almejando a hora do almoço. Amber e Dorys ficavam no canto a observando: botada de bruços.
— O que ela tem? – cochichou Dorys.
— Não sei – respondeu Amber, simulando ir ler.
Dorys almejava ir lá e saber o porquê, Mais isso já era quase natural entre elas e Danielle. A mesma chora sozinha por horas agarrando o retrato da família em suas mãos. Danielle é desigual de Dorys, opta não falar de seus problemas. Prefere sofrer recatada, sofrer em silêncio.
Danielle fechou os olhos, e tentou pensar em outra coisa, mais a imagem do professor vinha em sua mente... Louis, de onde ele teria vindo? E por que a olhara daquele jeito ao vê-la entrando na sala de aula? – talvez, seja coisa de sua cabeça... Mais a impressão de já tê-lo visto muito antes, não sumia.
†
Marta Bittecort, é a então diretora Anderson M. Uma mulher fantástica aos olhos de todas as órfãs e professores. Mais claro que; Marta não é uma mulher comum, apesar de que sua boa postura, e uma aparência respeitosa de uma mulher de 45 anos. Mudou-se para Londres com sua família com apenas 17 anos de idade, desde então, vive por Anderson M. e suas órfãs.
Sentada sozinha na sua sala – como sempre –, virou sua cadeira e olhou pela janela, o tempo jazia cáustico e abafadiço. Algumas garotas estavam sentadas no imenso gramado verde lendo ou conversando, Marta gostava de ver que suas garotas estavam bem. Depois de admirá-las por um tempo, marta voltou a olhar para o livro em suas mãos “Orgulho e Preconceito”, seu romance favorito, o lera mais de cinco vezes – não por falta de opção – até por que, Anderson M. possui uma enorme biblioteca. Enquanto lia, ouviu alguém bater na porta.
— Entre – ela disse se levantando.
Louis entrou na sala, ainda sem jeito com Marta, foi logo ao ponto:
— Sra. Marta, vim apenas lhe informar que tem alunas magníficas.
— oh, senhor Morty, não sabe o quão feliz fico ao ouvi-lo satisfeito. – disse Marta sentando-se de novamente.
Louis virou para a janela e disse, tentando não olhá-la nos olhos:
— Fale-me a respeito de Danielle Courtney.
— Por que a curiosidade sobre Srtª Courtney? – indagou Marta o fitando.
— bem, eu estava arrumando minhas coisas e achei umas fichas de Élber na minha gaveta. Fui ver o que era, e achei uma lista das melhores alunas, e ele colocou apenas uma ressalva em uma aluna a... Srtª Courtney...
— Ressalva? – indagou Marta rapidamente.
— Sim... Diz lá que na em sua opinião, é a melhor aluna que lesionou – terminou Louis com um sorriso no rosto.
Claro que Louis havia inventado essa história. Todavia ele sabia pelas notas altíssimas de Danielle, ela com certeza seria uma boa aluna.
— Bem, a história de Danielle é longa – disse Marta.
— Não tenho pressa, conte-me, claro... Se a signora quiser claro.
Marta o olhou mais uma vez, depois fechou o livro e alocou sobre a mesa e disse:
— Sente-se
Louis sentou-se à cadeira de frente a mesa de Marta. Ouve uma pausa, Louis almejou com bonança, que ela pôr-se a falar:
— Bem, a história de Danielle... É a mais infeliz.
— Infeliz? – indagou Louis.
— Sim, a única órfã... Que ainda esta aqui, que bem... Conheceu a família. – marta disse tentando desviar o olhar frio de Louis.
Louis ficou calado esperando que ela prosseguisse.
— Há dez anos, ouve um acidente, bobagem, em minha opinião.
— Bobagem? – indagou Louis.
— Não sei, apenas acho que esse desastre, foi carregado de enigmas.
Louis, não disse nada. O olhar vazio de Marta o afugentava – claro que ele sabia o que havia acontecido com Andy e Derek Courtney – os pais de Danielly. Mas ele carecia saber, o que as pessoas, e até mesmo Danielle, sabiam desse “acidente”.
— Bem, há dez anos, perto de Our Week, a velha ponte no sul de Deadlands Fall’s – ela disse.
Deadlands Fall’s era a então cidade pacata no sul da Inglaterra. Tinha esse nome por ser uma cidade “morta” em vegetação. Uma cidade pequena ao século XXI com uma população de em média três mil habitantes quase esquecidos pelo mundo. Mais que em meados do século XVIII foi o palco de uma das maiores lutas de bruxos do mundo – claro que, isso irá saber depois.
— Deadlands Fall’s... Ela tem algum familiar por lá? – indagou Louis.
— Não que saibamos, mas ela e os pais moravam lá – disse Marta.
Marta se levantou e continuou:
— Sempre que vejo algum casal passar por aquela porta, querendo adotar alguma garota, eu... Torço para que DaniellE seja escolhida – ela disse.
Louis se encolheu, ficou esperando marta prosseguir. Quando ele viu que ela não falaria mais nada perguntou:
— Como foi esse acidente?
— Acidente de carro, nem tiveram chances – respondeu rapidamente – Sr. Morty, se não se importa, preciso sair, resolver problemas – ela disse.
Louis aquiesceu e saiu.
†
Danielle ouviu o soar do sino, sem pressa e saiu do quarto. O corredor da Anderson M. era grande, e tranquilo. As outras órfãs não saiam muito. Danielle estava no ultimo ano, uma entre 17 órfãs incisadas da lista da adoção, então faziam delas – as mais velhas. Sempre que não tinham aula, ajudavam a cuidar das menores, Danielle ficava sozinha todo o tempo – Madeleine, uma garotinha de sete anos, que Danielle sempre cuidava, foi adotada a um mês. Então, ela não se importava de ficar sozinha, mesmo com Amber e Dorys sempre pegando no seu pé.
Danielle acenou para Dorys que estava no outro corredor, logo depois da escada, ela continuou andando quando bateu em algo:
- Oh, perdoe eu não vi você...
Louis se virou e a arrostou por um momento:
— Anda olhando para os pés Srtª Courtney? – ele indagou sorrindo.
— é o que parece... – respondeu Danielle tentando sorrir.
Eles ficaram em silêncio por um momento, depois ela disse:
– Com licença senhor Morty.
Louis assentiu. Ao passar por ele, ela sentiu algo: alguma coisa estranha – uma sensação. Ela olhou pelo ombro e ele estava olhando para ela, ela virou rapidamente a cabeça e acelerou o passo e foi até Dorys.
†
Ela sentiu! – pensou Louis. Mesmo por ter claudicado nele, ela sentiu – Finalmente.
Louis caminhou pelo mesmo caminho em que ela prosseguiu, ao chegar ao topo da escada, olhou lentamente para o andar de baixo – o refeitório: Danielle estava sentada em uma mesma grande com uma bandeja nas mãos, no seu lado estavam uma loira e uma ruiva. Louis queria ir até lá, e arranca-la desse mundo, leva-la para casa.
†
- Louis está olhando para você! – disse Dorys, batendo de leve o cotovelo nas costelas de Danielle.
Amber sorriu, Danielle virou a cabeça ainda confusa e lá estava ele: no topo da escada, parado a encarando, percebendo o seu olhar ele desviou.
— Está blefando Dorys – disse Danielle.
— Acredite em o que quiser – rebateu Dorys.
— OK. – respondeu Danielle sorrindo.
Amber ficou calada todo o almoço, às vezes não parava de olhar de um lado para outro – como se estivesse procurando alguém. Danielle ficou quieta, às vezes arriscando prestar atenção no que Dorys falava, porém a garota tagarelava muito rápido, e era quase impossível não se distrair.
O sinal tocou.
Meia hora inteira sentada com as garotas no refeitório fez Danielle se sentir exausta. As três andaram para o quarto, teriam mais meia hora para descansar, e depois enfrentar mais três horas de aula. Danielle soltou os cabelos e se sentou junto à cama e observou o quarto: o mesmo lhe cabia desde que chegou a Anderson M. há dez anos. Chegou sozinha – era muito jovem, não tinha como saber o que estava acontecendo -, mas aqui conheceu Amber e Dorys, cujo tem sido sua única motivação para continuar assente e forte. O grande quarto, com paredes de cor-de-rosa, lindo, mais agora velho e escuro, como se as paredes fossem escurecendo com o tempo. O mesmo era uma das poucas partes da original Anderson M., depois de passar por diversas reformas. Danielle fechou os olhos... E lá no escuro permaneceu, esperando que alguém a soprasse e a mandasse de volta pra casa.
Casa.
Sua casa – pensou – como será que ela esta? Uma velha casa branca com uma imensa varanda... Claro que alguém está morando lá, uma família com várias crianças e até mesmo um cachorro... – ela riu – sempre quis ter um cachorro, seu pai prometera comprar um...
— Danielle! – gritou Dorys a tirando do transe.
— O que? – respondeu Danielly ainda zonza.
— Você ai, sorrindo sozinha...
Amber sorriu no canto.
— Ah sim, eu estava me lembrando... Conhecem Deadlands Fall’s? – perguntou Danielle.
As duas fizeram um sinal de ‘talvez’ com a cabeça.
— É onde eu morava com meus... Pais – disse.
— Deadlands Fall’s? – perguntou Dorys.
— Sim.
— É aquela cidade esquecida até por Deus? – disse Amber.
— É uma cidade, pequena, agora esquecida por Deus... – disse Danielle.
— Não vejo a hora de conhece-la – murmurou Amber
Danielly sorriu e foi até o guarda-roupa, era um guarda-roupa grande dividido em três partes: uma para Dorys, outra para Amber e outra para ela. Ela foi até ele e se ajoelhou, abriu uma das duas de suas portas e de lá tirou algo que não via há muito tempo: Um tablado de 30 cm, de papelão, encapada com um papel preto e uma fita vermelha amarrada em volta, fazendo um perfeito laço. De lá tirou um colar de ouro, pertencia a sua mãe, foi uma das poucas coisas que conseguiu ficar depois do acidente. Era um colar banhado em ouro, com um pingente preto em forma de coração.
— pode coloca-lo em mim? – perguntou Danielle o levantando até Amber.
Amber assentiu e colocou o colar na menina, Danielle ficou deslumbrada, a remata vez que usara esse colar foi quando sua mãe comprou... Quase Danielle chora ao lembrar-se da cena em que a mãe a faz escolher o mais bonito.
— Vamos garotas, temos aula de história! – exclamou Dorys piscando para Danielle.
Danielle sorriu, e foi atrás da menina.
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