A Maldição Do Bruxo Scrooge
3 Capítulo 2
Já vai começar — pensou Louis andando de um lado para outro na sala de aula esperando as garotas do ultimo ano entrarem. Primeiro entrou uma ruiva chamada Helena baixa e biscate; depois entrou uma garota baixa com os olhos verdes, loura e bonita... Dorys – concluiu Louis.
E ela.
Danielle entrou, Louis obrigou-se a olhar para outro lado, para não assusta-la – Danielle é linda, apesar da pouca semelhança com Anabela, conseguia ser mais bela. As outras vieram logo atrás.
†
Ao entrar na sala de aula, Danielle procurou um acento vago, o único que tinha era em frente à mesa de Louis – ela tremeu -, uma parte dela não queria sentar lá... Quando ela percebeu que era a única ainda em pé, rápido sentou-se a carteira; pegou seu caderno e abriu na matéria de história, ao olhar para o quadro e ler o que Louis escrevera outra sensação ruim:
Caça as bruxas na Europa Ocidental
É claro que: Danielle já havia lido sobre o assunto em um livro, mais sempre achou “estranho”; bruxos tornaram-se heréticos e a perseguição contra todos os Pagãos, espalhou-se como fogo selvagem por toda a Europa.... Parecia coisa da cabeça de um escritor maluco – mais não era – sua mãe sempre lhe contara que bruxos eram seres maravilhosos, estupendos e brilhantes. Porém, eram apenas histórias, Danielle nunca acreditou nesse tipo de coisa.
- Bem garotas, alguma de vocês já ouviu falar em histeria supersticiosa? – perguntou Louis olhando diretamente para Danielle – não? – perguntou novamente – bem, histeria supersticiosa foi o que os historiadores consideraram a Caça às Bruxas europeia como um ataque que teria sido forjado e espelhado pelo Cristianismo. Seguindo essa lógica, era "natural" supor que a perseguição teria sido pior quando o poder da igreja era maior, ou seja: antes da Reforma Protestante dividir a cristandade ocidental em segmentos conflitantes. Foram muitos julgamentos no começo do período moderno...
- Eles teriam sido poucos se comparados aos supostos horrores medievais. – disse Danielly, todas se viraram e a encararam, Danielly sabia o que havia dito, mas não entendeu por que dissera em voz alta.
- Supostos? – perguntou Louis, ainda com serenidade em sua voz, ele chegou mais perto, como se estivesse interessado no modo como ela falava.
Danielle engoliu o seco, todas olhavam para ela, principalmente Louis.
- Sim – disse entre dentes, ainda nervosa.
Louis a encarou, depois disse:
- Horrores medievais, que eu saiba Sr. Élber ainda não chegou a esse nível com vocês... Enganei-me? – perguntou Louis como se quisesse que Danielly dissesse algo.
- N-não, não se enganou... Eu já havia lido sobre o tal à alguns meses na biblioteca. – disse Danielle ainda olhando para as mãos sobre a mesa.
Louis sorriu para ela, ela o encarava... ele a olhava como se esquecesse das outras alunas, ele a olhava como se esquecesse que estava em uma sala de aula.
Danielle, ainda se incomodando com o silêncio assustador e estressante respirou fundo antes de continuar:
- Eu li sobre isso, em um livro de histórias contíguas
Louis chegou mais perto e pôs as mãos sobre sua mesa. Danielle queria gritar e dizer que todas na classe a olhava... Queria dizer a ele que ambos estavam na sala de aula... Mas ele parecia não se custar. Ela olhou para cima, e encontrou seus olhos azuis.
Ele sorriu e voltou para o centro da classe e continuou:
- Bem... Continuando: Pesquisas recentes derrubaram essa teoria de forma bastante clara e, ironicamente, descobriu-se que o momento mais forte da histeria contra as bruxas ocorreu entre 1550 e 1650, juntamente com o nascimento da celebrada "Idade da Razão"... – Louis continuou, Danielly respirou fundo de novo e voltou a olha-lo, ele perguntava para classe o que haviam entendido e sorria para todas como se não fosse um professor... E sim um amigo íntimo que elas conheciam há muito tempo. Mas algo fez com que Danielle voltasse a prestar atenção, quando ele disse:
-... A quantidade de julgamentos e a proporção entre homens e mulheres condenados poderão variar consideravelmente de um local para o outro. Por outro lado, 3/4 do continente europeu não presenciou nem um julgamento sequer. A maioria das vítimas foram julgadas e executadas por tribunais seculares, sendo os tribunais locais, foram de longe os mais intolerantes e cruéis. Por outro lado, as pessoas julgadas em tribunais religiosos recebiam um melhor tratamento, tinham mais chances de poderem ser inocentadas ou de receber punições mais brandas.
Danielle não compreendia, bruxaria não existe – existe? – por que matar tantas pessoas? Era ridículo, ela balançou a cabeça e deixou com que essas palavras sumissem de vem, deixou com que esse tipo de assunto evaporasse, passou a pensar sobre outras coisas, tentou se manter ocupada de alguma forma com algo. Ela pegou o lápiS e começou a mordiscar a ponta com os dentes.
O sinal tocou.
Danielle levantou e seguiu uma fila de garotas tentando sair da sala, ela era a ultima... Odiava essa ideia de ficar perto de mais de Louis. Ao finalmente conseguir sair da sala, avistou Amber parada a esperando.
- O que foi aquilo? – perguntou Amber.
Danielle sorriu, não queria responder... Porque não sabia qual era a resposta para isso, então apenas disse:
- Presente de boas vindas
As duas sorriram e foram encontrar Dorys que estava no outro corredor brigando com a bolsa que não aguentava mais nem um livro.
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